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Após ser atropelado por um trem, o jovem jogador de Hockey Ian Stone desperta numa nova vida, trabalhando num escritório. Como num pesadelo, estranhos acontecimentos levam Ian a uma nova morte. Outra realidade, outra morte. Amaldiçoado a falecer e acordar sempre numa realidade diferente, Ian Stone terá que decifrar seu passado e descobrir quem realmente é. Somente assim poderá entender a maldição que o impede de morrer.
“Prisioneiro da Morte” foi exibido originalmente na segunda edição do festival 8 Films to Die For: After Dark Horror Fest, em novembro 2007. O festival exibe anualmente 8 produções de horror independentes cujos orçamentos raramente ultrapassam os U$ 3 milhões. “Prisioneiro da Morte”, que é uma exceção à regra e custou quase U$ 10 milhões, foi um dos destaques da exibição (veja lista completa e trailers dos filmes exibidos no site oficial da mostra).
A trama conta a história de Ian Stone, um jovem que morre e desperta em outra vida. Morre de novo e lá está ele em outra realidade. E por aí vai: Ian passa de jogador de hóquei a funcionário workaholic, a motorista de táxi, a desempregado, a junkie maltrapilho. No entanto Ian carrega poucas, mas perigosas lembranças de suas vidas anteriores.
Explicando melhor, em forma de SPOILERS: a trama, na verdade, é sobre uma raça de demônios chamada Harvesters, que se alimenta do medo das pessoas. |
Uma destas criaturas “evoluiu” e passou a matar não apenas os humanos, mas também os da sua espécie. Algumas destas entidades malignas então se uniram, e apesar de não conseguirem destruí-lo, apagaram sua mente e o condenaram a viver como um humano comum. Este é na verdade Ian Stone, um demônio renegado, que descobriu outra forma de se alimentar, que não seja o medo. É neste ponto que a originalidade de “Prisioneiro da Morte” vai por água abaixo (alguém notou alguma semelhança com a animação da Pixar “Monstros S/A”?).
O roteiro escrito por Brendan Hood (o mesmo de “Habitantes da Escuridão”) é uma salada que mistura o já citado “Monstros S/A” com elementos de filmes como “Premonição” (a morte implacável), “Matrix” e “Cidade das Sombras” (a manipulação da realidade) e “Efeito Borboleta” (confusão temporal). Tantas referências tornam o filme pouco original, frustrando as expectativas dos ótimos (e deliciosamente confusos) minutos iniciais.
O lendário especialista em maquiagem Stan Winston é um dos seis produtores de “Prisioneiro da Morte”. Winston foi o responsável pela maquiagem de filmes como “O Exterminador do Futuro”, “Entrevista com Vampiro” e “Edward Mãos de Tesoura”. Numa jogada de marketing, o próprio DVD americano é vendido com o título “Sam Winston’s The Deaths of Ian Stone”, ainda que sua participação no filme não tenha tanto peso, a não ser pelos bons efeitos visuais criados por sua equipe, que garantem a qualidade técnica do filme (as criaturas são muito bem feitas, apesar de lembrarem bastante o monstro de fumaça “Lostzilla”).


“
Prisioneiro da Morte” foi rodado em Londres, na Inglaterra e dirigido pelo cineasta italiano Dario Pina, um publicitário internacionalmente reconhecido. A sua direção é convencional, mas segura.
O jovem e limitado elenco, que é encabeçado pelo americano Mike Vogel (de “
O Massacre da Serra Elétrica” e “
Cloverfield – O Monstro”), traz ainda a bela atriz inglesa Jaime Murray (a amante psicótica de
“Dexter”, na segunda temporada da série).


Vale ressaltar o figurino desnecessário usado pelos demônios nas seqüências finais. Roupas emborrachadas (vermelhas e pretas) e óculos que remetem a
“Matrix” e ao visual dos cenobitas criados por Clive Barker em “
Hellraiser”.
Apesar de o personagem Ian Stone ser assassinado todos os dias por demônios cujos braços transformam-se em armas mortais, falta sangue e violência em “
Prisioneiro da Morte”. Em determinados momentos, parece que estamos assistindo a uma ficção científica no estilo
“Arquivo X” e não a um filme de horror.
O filme está sendo lançado em DVD no Brasil pela
Imagem Filmes. A edição magrinha, conforme informação da própria distribuidora, trará apenas trailers de futuros lançamentos. É possível encontrar em sites especializados um box com os 8 filmes do festival
After Dark Horror Fest de 2007, contendo além de “
Prisioneiro da Morte”,
“Borderland”, “
Unearthed”, “
Toth and Nail”,
“Crazy Eights”,
“Nightmare Man”, “
Lake Dead” e
“Mulberry Street”.


Como de praxe faltou bom senso na escolha do título nacional. Qual o problema com
“As Mortes de Ian Stone” (tradução literal do título em inglês)? Não seria um título muito mais intrigante que algo batido como “
Prisioneiro da Morte”?
Enfim, mesmo sem sangue e sem criatividade, sem nada de inovador na trama ou na linguagem, talvez pela qualidade técnica “
Prisioneiro da Morte” possa agradar aos menos exigentes. Lembre-se, aos menos exigentes.
Para comentar o texto e entrar em contato com João Pires Neto:
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PRISIONEIRO DA MORTE (The Deaths of Ian Stone, EUA, 2007).
Direção: Dario Piana.
Roteiro: Brendan Hood.
Produção: Steve Christian, Brian J. Gilbert, Brendan Hood, Ralph Kamp, Paul Ritchie e Stan Winston.
Fotografia: Stefano Morcaldo.
Música: Elia Cmiral.
Edição: Celia Haining.
Elenco: Mike Vogel (Ian Stone), Christina Cole (Jenny), Jaime Murray (Medea) e Michael Feast (Gray).
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