e nenhuma delas possui elementos suficientes para serem comparadas com suas respectivas versões originais que já eram boas, para dizer o mínimo. Então o que dizer de um remake quando o material original é igualmente razoável? Podemos considerar este veredito como um elogio. 

Agora, só porque ambos os filmes são
"sofríveis e medíocres" não significa que sejam baseados no mesmo roteiro, pois é fato confirmado pelo próprio diretor que
A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR só possui o nome em comum com sua contraparte canadense dos anos 80 - poderiam até aproveitar e trocar o título por algo idiota como
"Baile de Formatura Sangrento".
Desta forma vamos pular a parte aonde fazemos aquele
"choque de gerações" e partir direto para a análise do slasher
"arroz com feijão" que custou 20 milhões de dólares e foi dirigido por Nelson McCormick (profissional mais acostumado com seriados de TV e que estará encabeçando a refilmagem de
O PADRASTO), que serve apenas para fazer nossos amiguinhos leitores de 10 a 14 anos pular nas cadeiras, hehehe...


Na história escrita por J.S. Cardone (
O PACTO,
VAMPIROS DO DESERTO), a escola de Bridgeport High está em clima de festa, é o baile dos formandos que está chegando com a expectativa de ser uma das maiores festas desde a fundação da escola. É uma época de conflitos adolescentes, um tempo de pensar na faculdade e, principalmente para Donna Keppel (Brittany Snow,
HAIRSPRAY e
OPERAÇÃO BABÁ), é a chance de colocar uma pá de cal no passado violento e voltar-se para o futuro.


Num passado não muito distante (há três anos, mais especificamente), Donna foi o alvo da obsessão do professor Richard Fenton (Johnathon Schaech,
O PACTO e
SEGREDO DE SANGUE), uma perseguição que culminou no assassinato de toda sua família. Fenton foi preso e condenado à prisão perpétua numa cadeia de segurança máxima, mas nunca esqueceu a jovem que hoje mora com os tios - Karen (Jessalyn Gilsig) e Jack Turner (Linden Ashby,
RESIDENT EVIL: A EXTINÇÃO) - sofre com pesadelos e precisa freqüentar o consultório de terapia.


A expectativa para o baile é imensa e Donna se prepara para a grande noite com as amigas Lisa Hines (Dana Davis) e Claire (Jessica Stroup,
O RETORNO DOS MALDITOS) e seus respectivos namorados Bobby (Scott Porter,
SPEED RACER e
LETRA E MÚSICA), Ronnie Heflin (Collins Pennie) e Michael (Kelly Blatz,
SIGA O MESTRE).
Dinheiro não parece ser o problema, já que os jovens alugam uma baita limusine para os levarem ao hotel onde irá acontecer a festa e onde Lisa e a patricinha organizadora do evento, Crissy Lynn (Brianne Davis), irão madurecer uma rixa pessoal - que pouco tem a ver com a trama principal - sobre quem será a rainha do baile.


Tudo corre conforme o planejado, a festa está linda e os convidados parecem animados na pista de dança. Obviamente tudo vai começar a desabar e a ficar mais sinistro quando se descobre que o temido Fenton fugiu da cadeia três dias antes e irá direto procurar Donna, se hospedando no hotel e matando a todos os que se interporem no seu caminho. Do lado da lei, o mesmo policial que prendeu o professor pela primeira vez, o detetive Winn (Idris Elba,
EXTERMÍNIO 2 e
O GANGSTER) e seu parceiro Nash (James Ransone) ficam encarregados de descobrir seu paradeiro. A noite está apenas começando.


Com uma descrição desta não há muito que comentar, o filme é submerso em situações comuns nas produções do mesmo segmento: através de diálogos fúteis e melosos as vítimas têm um cartaz escrito
"mate-me, sou idiota" em volta do pescoço, pois todos têm alguma razão para subir nos quartos sozinhos e quando não descem mais (por estarem mortos) pouca gente dá por falta.
Aliás, se houvesse uma categoria no Oscar para
"o susto fácil mais gratuito",
A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR levaria o troféu de lavada na cena em que Brittany Snow está andando de costas no quarto do hotel e esbarra em um abajur com o diretor fazendo questão de erguer a música e tudo mais, é tão ridículo que me fez rir.


Ainda assim McCormick - com a importante ajuda do competente diretor de fotografia Checco Varese - consegue algumas boas tomadas climáticas, como na cena de perseguição de Lisa num lugar sujo dentro do hotel. Contudo com um roteiro tão previsível não é possível alimentar algum sentimento de suspense ou de correspondência com o grupo de vitimas em potencial. Além disto o vilão protagonizado por Johnathon Schaech nunca é efetivamente ameaçador.


Como a produção foi lançada nos cinemas dos Estados Unidos com classificação PG-13 (leia-se,
"molecada presente na sala"), não há nudez, os assassinatos não são sangrentos e não há nada de mais gráfico do que um pernilongo sendo esmagado (a desculpa do produtor executivo Marc Forby é fantástica:
"A imaginação vai muito além do que é mostrado na tela"). Pelo menos a versão nacional lançada em DVD pela
Sony é a equivalente versão
"Unrated" dos Estados Unidos, com um minuto a mais de sangue espirrando.


Apesar de possuir um roteiro tão banal, o elenco consegue ser um pouco mais esforçado do que os
"suspeitos habituais" que tem apenas um rostinho bonito para colocar na tela. E o destaque vai para Brittany Snow que interpreta uma protagonista com dignidade, demonstrando porque a atriz teen é uma das mais procuradas do mainstream atual. Todavia se o restante não acompanha o talento de Brittany, ao menos eles parecem estar se divertindo com as filmagens e, cá entre nós, o corpo da atriz Dana Davis é escultural (Beijo, me liga... hehehe).


E palmas para a
Sony que jogou nas prateleiras das terras tupiniquins um disco repleto de extras, praticamente todos os disponíveis no DVD dos Estados Unidos:
Comentários em áudio dos realizadores, cenas excluídas e final alternativo com comentários opcionais, erros de filmagem, making of e muito mais. Bola fora por nem tudo estar devidamente legendado, porém já é um excelente negócio.


Concluindo, para os fãs o filme é basicamente uma redundância, volta aos clichês básicos dos slashers oitentistas que ainda são condensados com os rostos bonitos da geração
PÂNICO, sem sanguinolência, suspense ou um roteiro surpreendente. Mas isto tem um lado bom, pois McCormick aparentemente não quis realizar uma produção para os fãs como público alvo, ou seja, caso você tenha um filho ou um irmão pré-adolescente em idade escolar e que morre de medo de sequer chegar na seção de terror da locadora, alugue para ele, pois este é seu filme perfeito.
Para comentar o artigo e entrar em contato com Gabriel Paixão:
 |
MORTE CONVIDA PARA DANÇAR, A (Prom Night,EUA, 2008). Duração: 89 minutos
Direção: Nelson McCormick
Roteiro: J.S. Cardone
Produção: Neal H. Moritz
Produção Executiva: Christopher Ball; J.S. Cardone; Marc Forby; Glenn S. Gainor; William Tyrer
Fotografia: Checco Varese
Música: Paul Haslinger
Edição: Jason Ballantine
Desenho de Produção: Jon Gary Steele
Efeitos Visuais: Rocco Passionino
Efeitos Especiais: Jason Dodd
Maquiagem: Eryn Krueger Mekash
Elenco: Brittany Snow (Donna Keppel); Scott Porter (Bobby); Jessica Stroup (Claire); Dana Davis (Lisa Hines); Collins Pennie (Ronnie Heflin); Kelly Blatz (Michael); James Ransone (Detetive Nash); Brianne Davis (Crissy Lynn); Kellan Lutz (Rick Leland); Mary Mara (Sra. Waters); Ming-Na (Dra. Elisha Crowe); Johnathon Schaech (Richard Fenton); Idris Elba (Detetive Winn); Jessalyn Gilsig (Karen Turner); Linden Ashby (Jack Turner); Jana Kramer (April); Rachel Specter (Taylor); Valeri Ross (Hines); Lori Heuring (Keppel); Jay Phillips (DJ Tyler); Nicholas James (Denny Harper)
|