não eram lá grande coisa, induzindo as pessoas a ignorarem e subestimarem um dos melhores filmes do gênero que já tive a chance de assistir.




Logo nas primeiras cenas,
Pumpinkhead prende a atenção do expectador revelando uma história sombria e apresentando uma criatura digna de figurar no rol dos monstros mais horripilantes do imaginário dos fãs do terror cinematográfico. A direção de Stan Winston, senão primorosa, é firme e cumpre seu papel, sem comprometer a continuidade do filme e a qualidade da história. Digo isso porque Winston se sai melhor como supervisor de efeitos especiais, assinando produções consagradas como
O Exterminador do Futuro 1 e
2, Entrevista Com o Vampiro e os recentes
A Máquina do Tempo e
O Exterminador do Futuro 3. Os atores, desconhecidos em sua maioria, têm interpretações eficientes. O grande destaque fica por conta de Lance Henriksen (aquele, da mal fadada série
Millennium), soberbo no papel do pai ensandecido pelo desejo de vingança.




O filme começa mostrando Eddie Harley (Lance Henriksen), ainda criança, e seus pais trancados em sua casa na fazenda. Da janela, o menino pode ver lá fora, um pobre homem implorar por socorro, enquanto é perseguido e estraçalhado por uma criatura demoníaca. Ninguém tem coragem de ajudá-lo, pois temem se tornar vítimas do
Cabeça de Abóbora (o Pumpinkhead do título) também. De volta ao presente, Eddie, após a morte de sua esposa, divide sua atenção entre cuidar do filho Billy (um garotinho com óculos
"fundo de garrafa") e tocar uma lojinha à beira da estrada, numa rotina tão pacata e melancólica quanto aquelas paragens rurais quase abandonadas.
 | A vida de Eddie Harley toma um novo rumo quando um grupo de jovens da cidade decide passar um fim de semana no campo. No caminho eles terminam parando na loja e aproveitando para fazer um irresponsável racha de motos pelas imediações desérticas. Eddie tem que ir à cidade buscar uma mercadoria e pede a Billy que fique com seu cão dentro da loja e longe dos visitantes e suas motos. Entretanto o pior não tarda a acontecer, quando o menino decide ir atrás do cachorro que escapa em perseguição às motos: incapaz de se desviar a tempo, um dos rapazes atropela e mata Billy. |
Apesar de ter sido um acidente, o grupo decide fugir a enfrentar a reação do pai do garoto, se refugiando num chalé na floresta.




Inconformado com a morte brutal do seu filho, Eddie busca o auxílio da velha Haggis, uma bruxa com misteriosos poderes e que vive em algum lugar das redondezas. Haggis revela a Eddie que para cada infortúnio do homem existe um demônio específico, mas o preço a ser pago pelos serviços dessas criaturas é alto demais. Cego pelo ódio, Eddie ignora o aviso pedindo à bruxa que invoque o
Cabeça de Abóbora, a encarnação da
Vingança, para punir aqueles que mataram seu filho. Dessa forma, o monstro é despertado do seu túmulo, coberto por pés de abóbora (não me pergunte por que), num velho cemitério, que mais lembra um pântano, onde as pessoas do lugar enterravam os parentes dos quais tinham vergonha. Mais depressivo, impossível!




A partir daí tem início uma perseguição com direito a muito sangue e desespero. Um a um, o
Cabeça de Abóbora vai exterminando os jovens, com requintes de crueldade e um prazer quase diabólico. A criatura é impressionante, mostrando um cuidado especial com os efeitos de maquiagem (a exemplo da própria Haggis). A atmosfera sobrenatural que envolve todas as cenas onde o demônio aparece são outro ponto alto do filme.O final até ensaia uma conclusão inesperada, porém o que fica mais evidente é a tragédia que foram a vida de Eddie Harley, esposa e filho. Observe o detalhe do colar no pescoço do
Cabeça de Abóbora enquanto a bruxa Haggis o devolve a seu túmulo, até que outro pobre infeliz resolva invocá-lo novamente. Qualquer semelhança com o colar que Billy presenteia seu pai, logo no começo da história, não é mera coincidência...



Pumpkinhead não é o tipo de filme que tem a pretensão de estar no top 10 do horror. Entretanto, é uma produção elogiável com todos os elementos necessários para agradar a um apreciador mais exigente do gênero: história convincente, poucos erros de continuidade, efeitos bem cuidados e, claro, uma boa dose de sangue e algumas mortes.
No Brasil o filme foi distribuído em VHS com duas capas diferentes, embora já esteja fora de catálogo há alguns anos. Nos EUA foi disponibilizada a versão em DVD, um sonho distante para os fãs em terras brasileiras.
Existe uma seqüência,
Pumpkinhead - Bloodwings, lançada em 1994, mas sem o mesmo clima sinistro e enveredando por uma abordagem tola e cheia de clichês para explicar o mito do
Cabeça de Abóbora. E o pior, sem Stan Winston.



Marco Queiroz
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PUMPKINHEAD - A VINGANÇA DO DIABO(Pumpkinhead - Vengeance: The Demon, EUA, 1988) – cores, 86 minutos - VHS-VTI
Direção: Stan Winston
Roteiro: Gary Gerani; Mark Patrick Carducci; Richard Weinman; Stan Winston; Ed Justin
Produção: Bill Blake, Howard Smith e Richard Weinman
Produção Executiva: Alex De Benedetti
Música: Arne Schulze; Richard Stone
Fotografia: Bojan Bazelli
Edição: Marcus Manton
Desenho de Produção: Cynthia Kay Charette
Maquiagem: Laya Saul; Lilly Benyair-Gart; Tom Woodruff Jr.
Efeitos Especiais: Didier Koskas e Jay May (supervisão de Stan Winston).
Elenco: Lance Henriksen (Eddie Harley); Jeff East (Chris); Cynthia Bain (Tracy); John D' Aquino (Joe); Joel Hoffman (Steve); Florence Schauffler (Haggis) e Matthew Hurley (Billy Harley).
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