 | 2004 foi o ano em que aconteceu um fato sui generis: contratado para dirigir a terceira continuação do clássico O EXORCISTA, o cineasta Paul Schrader foi afastado da produção de O EXORCISTA: O INÍCIO depois que o estúdio produtor do filme (a Warner) julgou sua versão inadequada para o grande público e sem apelo comercial. Isso porque Schrader procurou fazer um filme mais contido, sem apelar para efeitos especiais. Bem, o estúdio não gostou muito da idéia e, pensando em um filme mais sangrento e "comercial", contratou um diretor convencional, Renny Harlin, para refazer totalmente O EXORCISTA: O INÍCIO, aproveitando o mesmo elenco, mas mudando praticamente toda a versão de Paul Schrader. |
Logo, trata-se de um caso raro de filme que existe em duas versões: a versão mais intimista de Schrader (que ainda não é conhecida pelo público, pois não foi lançada comercialmente) e a versão "comercial", acelerada e exagerada de Harlin, com direito a efeitos de computação gráfica e violência gratuita.
Curioso... mas não exatamente uma novidade. A mesma coisa - um filme completamente refeito por outro diretor devido à intervenção dos produtores - já tinha acontecido seis anos antes, em 1998, do outro lado do mundo, no Japão. Nesta época, a produtora Asmik-Ace Entertainment filmava o clássico do cinema de horror moderno RINGU, batizado O CHAMADO no Brasil, e que daria origem ao famoso remake americano THE RING, em 2002. RINGU era baseado em um livro de Kôji Suzuki, que fazia muito sucesso na terra do Sol Nascente. Para economizar, a Asmik-Ace resolveu filmar conjuntamente, no mesmo ano de 1998, tanto RINGU quanto sua seqüência, chamada RASEN, e baseada no segundo livro de Suzuki, SPIRAL.


Vale lembrar que esta tática de fazer dois filmes de uma vez só já tinha se mostrado eficaz anteriormente, mais precisamente no começo da década de 90, quando o americano Robert Zemeckis filmou
DE VOLTA PARA O FUTURO partes 2 e 3 ao mesmo tempo. Até o brasileiro José Mojica Marins rodou dois filmes juntos para economizar, nos anos 70, ao filmar numa tacada só
FINIS HOMINIS e sua continuação,
QUANDO OS DEUSES ADORMECEM. Como todos sabem, isso depois viraria moda, já que Peter Jackson também rodou os três
O SENHOR DOS ANÉIS juntos.
A proposta da Asmik-Ace era ousada, porém corajosa: usariam diretores diferentes (Hideo Nakata para
RINGU e Jôji Iida para
RASEN), e trabalhariam basicamente com o mesmo elenco nos dois filmes. E tanto o original quanto a continuação chegariam aos cinemas no mesmo dia: 31 de janeiro de 1998. Assim, se
RINGU fosse o sucesso esperado (já que o livro de Kôji Suzuki era muito popular), as pessoas correriam para ver também
RASEN, enchendo os cofres da produtora
O problema é que a idéia não deu tão certo:
RINGU, sim, foi o sucesso esperado, um dos maiores fenômenos do cinema de horror asiático - tanto que virou uma franquia bem-sucedida gerou um sem-número de produtos com a grife
RINGU, como seriados de TV, minisséries e mangás (além de uma refilmagem feita para o mercado coreano, lançada antes que o remake americano). Já
RASEN, além de não fazer o sucesso esperado, ainda foi um fiasco nas bilheterias. Isso apesar de dar seguimento à história de forma bem fiel à trama criada por Suzuki (que até faz uma ponta no filme). O roteiro adaptando o livro foi escrito pelo próprio diretor, Iida, e não por Hiroshi Takahashi (que roteirizou a versão cinematográfica de
RINGU com muitas liberdades poéticas em relação ao livro).


Quando percebeu que estava com uma bomba nas mãos, a Asmik-Ace tomou a atitude mais esquisita que podia tomar: recolheu
RASEN e deu sumiço no filme, como se ele não mais existisse, iniciando a produção de uma nova continuação de
RINGU, dessa vez
"oficial", com o mesmo diretor Hideo Nakata, o mesmo roteirista Hiroshi Takahashi e o mesmo elenco, e que, para não confundir o público, passou a se chamar apenas
RINGU 2. Dessa vez, o roteiro foi feito em conjunto com o próprio diretor Nakata, abandonando de uma vez qualquer traço das idéias de Suzuki usadas em
RASEN.
A produtora talvez pensasse que a novela estava terminada por aí... Só que não se desaparece com um filme desse jeito! Eles podem até ter refeito a seqüência, mas não tinha como fazer as pessoas que viram
RASEN esquecerem que o filme existia. E o resultado é que esta continuação bastarda da série
RINGU transformou-se em raridade underground. Não foi lançada oficialmente fora do Japão e é dificílima de encontrar, mesmo nos programas de download de filmes, como Emule ou Kazaa. O filme volta e meia até aparece, mas falado em japonês sem legendas em inglês, o que é dose para elefante - a não ser que você domine o idioma dos olhinhos puxados!
Como fã fanático da série
RINGU e do terror japonês em geral, há tempos eu procurava por
RASEN, até para conferir se é mesmo toda essa ruindade lendária de que falam. Na Internet, em sites especializados no universo de Sadako & Cia., o filme é tão execrado e amaldiçoado que confesso ter ficado com pena dos envolvidos no projeto. Tive a sorte de encontrar uma cópía de
RASEN com legendas em inglês, permitindo entender melhor a complexa e intrincada história que seria bem mais fiel à obra de Kôji Suzuki do que a enigmática continuação
"oficial",
RINGU 2. Vale lembrar que, mais recentemente,
RASEN passou a ser conhecido também como
RING:SPIRAL, numa referência à sua fidelidade ao livro de Kôji Suzuki.
Ao contrário da maior parte dos fãs de
RINGU, eu sou um admirador também do amalucado
RINGU 2 e seu clima científico, unindo o terror antigo (fantasmas, maldições paranormais) ao moderno (experiências científicas, fitas de vídeo...). Claro que todos malham o filme dizendo que ele foge totalmente do foco do original, principalmente ao tentar encontrar explicações científicas para a maldição de Sadako e ao transformar Yoichi (Takashi Yamamura), filho da personagem principal Reiko Asakawa (Nanako Matsushima), em uma ameaça tão grande quanto Sadako. Pois estas pessoas que odeiam
RINGU 2 não podem nem pensar em assistir
RASEN. Esta seqüência
"bastarda" de
RINGU parte por uma direção totalmente oposta à de
RINGU 2, e ainda mais amalucada. Para começar, o roteiro transforma a maldição de Sadako em um vírus (!!!), criado pela menina para propagar seu DNA pelo mundo (!!!), visando criar clones seus para dominar o planeta (!!!). Para terminar, os personagens centrais do original, Reiko e seu filho Yoichi, somem de cena, sendo substituídos por novos personagens. E pensar que tudo é baseado na obra do mesmo autor que criou o original!

RASEN é muito mais ousado e polêmico na sua forma de
"continuar" a história do primeiro filme, e é incrível a forma como ele desagrada completamente os adoradores de
RINGU. Isso quer dizer que é ruim? Nem tanto. Eu também não concordo com algumas das teorias propostas por
RINGU 2 (como a de que a força maligna de Sadako possa ser dissipada na água, como energia). O problema é que
RASEN, além de confuso e doido, também é muito mal-dirigido. Lento, com algumas reviravoltas desnecessárias e poucos sustos, o filme é mais uma história científica do que de horror, o que talvez explique como o público reagiu tão mal na sua estréia. Sem contar a total ausência de emoção, ao ponto de alguns personagens não fazerem absolutamente nada na trama. A idéia do filme até não é das piores... A forma como ela foi conduzida, sim.
A história de
RASEN se passa no mesmo dia em que o professor Ryuji Takayama (Hiroyuki Sanada), ex-marido de Reiko Asakawa, é morto por Sadako, como visto no final de
RINGU. No início, somos apresentados ao dr. Ando Mitsuo (Koichi Sato), um patologista que está enfrentando crises de depressão devido à perda do seu filho, Takanori, que morreu afogado na praia; a tragédia, claro, acabou com seu casamento e com sua vida. Ando se culpa por não ter conseguido salvar o menino, guardando consigo os fios de cabelo arrancados do filho na tentativa de tirá-lo da água. Amargurado e infeliz, realiza o mesmo ritual praticamente todas as manhãs: olha uma foto do garoto, seus cabelos, e então pega um bisturi numa das mãos, tentando reunir forças e encontrar coragem para cortar o próprio pulso e cometer suicídio. Mas, como vemos no início do filme, ele nunca tem coragem de ir até o fim.
E então o telefone toca, chamando-o para o hospital para fazer uma necropsia no cadáver de Ryuji Takayama. A identidade do cadáver é uma surpresa para Ando, já que ele e Ryuji estudaram Medicina juntos na juventude, eram grandes amigos, viciados em códigos e anagramas, com os quais se desafiavam. Isso até Ryuji trocar a Medicina pela Matemática, tornando-se professor universitário. Ando não se deixa abater pelo fato de ter um conhecido na mesa de cirurgia e começa a necropsia para determinar o que teria matado o professor - já que sua morte foi considerada
"misteriosa". O médico enfia o afiado bisturi bem na garganta do cadáver (uma cena bem feita) e abre-o para a retirada dos órgãos. Então, é constatada a causa da morte de Ryuji: bloqueio do coração. Mas o interior do cadáver revela outras duas coisas muito interessantes: um esquisito tumor na garganta, que é retirado para estudos, e uma mensagem que estava sendo digerida no estômago do professor, contendo um código numérico.
Ainda surpreso pelos achados, Ando tem uma alucinação que é um dos pontos altos do filme, quando o cadáver de Ryuji acorda e, mesmo dissecado, se senta na mesa de cirurgia e conversa tranqüilamente com o amigo. O médico abandona a sala para tomar ar e se encontra com policiais, que tentam interrogar a namorada do falecido, Mai Takano (Miki Nakatani, que fez o mesmo papel depois em
RINGU 2). A garota está convencida de que a morte de Ryuji não tem nada de natural, além de estar desconfiada do fato de ele ter passado a última semana com a ex, Reiko (como visto em
RINGU).
Enquanto isso, Ando vai para casa e decifra o código numérico encontrado no estômago de Ryuji, no que parece ser uma mensagem codificada especialmente para ele, e que diz:
"DNA - present" (DNA - presente). Sem saber o que exatamente aquilo quer dizer, Ando esquece a mensagem e segue sua rotina. Porém, vai se envolvendo mais e mais com Mai, que quer descobrir a verdade sobre a morte de Ryuji. Em certo momento, ela lembra o médico dos poderes paranormais do namorado.
"Você sabia que o Ryuji não era igual às outras pessoas?", referindo-se ao fato de ele ter poderes de clarividência (como visto no primeiro filme, também). Depois, Mai lembra-se do dia em que encontrou o corpo do professor e recria mentalmente a cena da sua morte.


Cada vez mais curioso com o caso, Ando descobre, a partir das pesquisas do seu amigo e colega, o dr. Myashita (Tomohiro Okada), que o ataque cardíaco de Ryuji foi provocado pelo tumor, que, por sua vez, foi causado por um misterioso e desconhecido vírus. A dupla de médicos fica sabendo, então, sobre a lenda urbana a respeito da fita VHS que mata em sete dias, e que um grupo de jovens teria morrido recentemente da mesma forma misteriosa que Ryuji (inclusive a sobrinha de Reiko, como visto em
RINGU). Myashita tem acesso aos laudos das necropsias dos jovens e encontra em todos eles o mesmo tumor provocado pelo misterioso vírus. Ou seja: a maldição de Sadako é, na verdade, um vírus que infecta a pessoa pela retina quando ela assiste à fita!!!
Quando parece que a história não pode ficar mais esquisita, ela vai piorando: Reiko e seu filho Yoishi, que estavam desaparecidos e eram procurados pela polícia para prestar esclarecimentos sobre a morte de Ryuji, são localizados. Ambos morreram em um acidente de automóvel. O mistério é que o garoto parece ter morrido antes do choque, de ataque cardíaco - mais uma vítima da maldição de Sadako. No automóvel destruído de Reiko, Ando encontra os restos de uma fita de vídeo, comprovando a lenda sobre a maldição que ele ironizara momentos antes.
Entra em cena um personagem que aparecia apenas alguns segundos no filme original, o repórter Yoshino (interpretado pelo mesmo Yutaka Matsushige de
RINGU), colega de trabalho da falecida Reiko, que parece ter muitas informações sobre a maldição de Sadako. Ele revistou o apartamento da colega antes da polícia e encontrou uma cópia da amaldiçoada fita de vídeo, além de uma agenda onde Reiko escreveu toda a história do primeiro filme, desde que assistiu a fita até a forma como investigou o mistério com Ryuji (e então entra um rápido flashback, usando cenas de arquivo com a atriz Nanako Matsushima, que não quis participar desta seqüência). Yoshino mostra até a fotografia de uma jovem Sadako, explicando que a garota era uma estudante de teatro em Tóquio (como veríamos mais tarde, em
RINGU ZERO), até desaparecer misteriosamente. O jornalista entrega a cópia da fita para Ando e pede sua opinião de médico e cientista sobre o caso.
Naquela noite, Ando, ainda incrédulo sobre todo o caso, resolve ver o que aquela fita tem de tão especial. Então,
RASEN apresenta mais uma vez as clássicas imagens da fita amaldiçoada de Sadako, e, quando a projeção termina, o médico tem uma visão de Sadako sendo jogada no poço pelo seu pai, o dr. Ikuma (Daisuke Ban). Esta cena é feita num bonito take, um dos raros momentos inspirados do diretor Iida, começando num close de Sadako boiando no fundo do poço e subindo em direção à superfície, como se a câmera estivesse voando para fora do poço. Ainda impressionado com as imagens e com a visão, Ando recebe uma visita especial: a própria Sadako, agora em versão adolescente. Nada de criança-fantasma decrépita, como em
RINGU. Agora ela está uma gatinha, e pelada ainda por cima. Sadako pula em cima de Ando e tenta seduzí-lo, beijando-o e lambendo seu pescoço. Então o médico acorda e resolve acabar com a maldição da moça.


Primeiro ele procura Yoshino, que está querendo exibir a fita amaldiçoada em rede nacional de televisão, o que provocaria um festival de mortes ainda mais absurdo do que aquele mostrado em
HALLOWEEN 3 (outro filme onde a morte está ligada a uma exibição amaldiçoada pela TV). O repórter garante que não viu a fita e que não acredita na maldição. E então, frente aos olhos de Ando, começa a sufocar e cai duro, morto, fulminado! Não de ataque cardíaco, como as outras vítimas de Sadako, mas sim morto por uma misteriosa infecção na garganta, que deixa manchas na pele.
E a história segue complicando: Myashita, o colega de Ando, descobre que o
"vírus Sadako" é formado por sete partes de varíola (a única doença conhecida pela menina na época em que morreu) e três partes do próprio DNA de Sadako. Qual o objetivo disso? Ah, o espectador só vai saber no final: trata-se de um plano mirabolante da fantasminha bem pouco camarada para voltar à Terra e vingar-se do mundo. E você pensando que tudo que Sadako queria era ser ouvida, através da maldição das fitas, não é mesmo? Pois pode esquecer: as fitas amaldiçoadas, pelo menos na trama de
RASEN, são apenas a ponta do iceberg de uma teoria conspiratória bem mais apocalíptica, digna de um
ARQUIVO X...
E o roteiro continua surpreendendo, mostrando ainda a relação amorosa de Ando com Mai e o desespero dos últimos dias do médico, mais nova vítima da maldição de Sadako. Nos sete dias que lhe restam, ele se dedica a destruir todas as cópias da fita para que ninguém mais seja vítima da maldição de Sadako - ele não tem medo de morrer, lembra? O problema é que a fita é o menor dos problemas: Ando e seu amigo Myashita enfrentam também um novo vírus, mais forte do que o anterior, que mata por sufocamento e se espalha sem a necessidade da vítima assistir a fita maldita de Sadako - como aconteceu com Yoshino, que morreu sem ter sido amaldiçoado. O roteiro também tem a clássica dúvida
"o que eu fiz para escapar da maldição que ele não fez", que existia também no original, mas agora não tem nada a ver com gravar novas cópias da fita...
O que mais espanta em
RASEN é a capacidade de pegar as idéias principais de
RINGU e fazer um filme completamente diferente do anterior (ao contrário das manjadas continuações americanas). O problema é justamente a obsessão do roteiro em explicar tudo cientificamente, começando por transformar uma maldição sobrenatural num vírus mutante, e terminando com uma trama sobre clones e genética (!!!).


O diretor Iida (que em 2000 fez o interessante
ANOTHER HEAVEN, ainda inédito no Brasil) ainda comete dois pecados graves. O primeiro é fazer um filme muito tradicional, que parece mais uma produção americana do que japonesa: tem até uma cena quase gratuita de sexo no meio (à la filmes made in USA), com uma necessidade infantil de querer explicar tudo pela lógica, esquecendo o sobrenatural, e ainda o roteiro esquemático, que, mesmo complicado, é convencional, redondinho e destituído de emoção. Lá pelas tantas, o que era para ser um filme de horror se transforma em pura ficção científica, ou até um dramalhão sobre os últimos dias de vida de um homem que sabe que vai morrer. Ao contrário de
RINGU 2, também, em
RASEN a história jamais volta para a ilha onde Sadako tinha vivido, ficando o tempo inteiro numa grande metrópole.
O segundo pecado de Iida foi mudar alguns detalhes muito interessantes de
RINGU, ao seu bel prazer, como se o filme anterior não existisse. Por exemplo, a expressão macabra que as vítimas de Sadako faziam ao morrer, como se tivessem, literalmente, morrido de medo. Quem lembra do final de
RINGU sabe que Ryuji acabou bem assim, com aquela carranca medonha de pavor. Mas quando, em
RASEN, é mostrada uma cena de flashback em que Mai encontra o cadáver do namorado, o rosto de Ryuji está normal, aparentando tranqüilidade, até. Outra grande mancada é a caracterização de Sadako, que da menina assustadora com os cabelos cobrindo o rosto, como mostrado no primeiro filme, agora se transformou em uma adolescente fogosa (e gatinha), que não esconde o rosto e parece mais interessada em lamber e beijar o dr. Ando do que em matá-lo.
Iida também esqueceu alguns detalhes primordiais da Sadako de Hideo Nakata, como o jeito bizarro de andar e os dedos rasgados nas pontas, sem unhas (devido às sucessivas tentativas de escalar o poço). O resultado é que a Sadako de
RASEN é uma representação mais fiel da moça que seria mostrada posteriormente, em
RINGU ZERO (quando descobrimos que Sadako era realmente uma adolescente ao ser morta pelo pai), mas totalmente diferente da vilã que todos aprenderam a adorar em
RINGU. E
RASEN ainda desperdiça a personagem de Mai Takano, que praticamente não faz nada o filme inteiro além de ser interesse romântico de Ando, e cujo objetivo no roteiro só será mostrado no final - ironicamente, Mai teria um papel de muito mais destaque na refilmagem da continuação,
RINGU 2.


Soma-se a todos estes problemas o fato que desagradou a nove entre 10 espectadores que assistiram
RASEN: Sadako não é mais mostrada como uma menina morta injustamente que quer se vingar do mundo espalhando a maldição das fitas, mas sim como uma jovem vilã tipo James Bond, que quer conquistar o mundo e ressuscitar através de um planos dos mais mirabolantes. Aposto que muitos detratores de
RINGU 2 vão querer atirar a fita (ou CD-R, no caso) de
RASEN contra a parede ao saber qual é o tal
"plano de Sadako".
Agora, não encontrei qualquer motivo para
RASEN ser um filme tão odiado, nem nada que justificasse a reação da produtora de recolher o filme e tentar dar um sumiço nele, refilmando-o com outra equipe e roteiro.
RASEN é maluco? Sim, é. Mas se formos analisar a fundo,
RINGU 2 também não tem lá muita lógica. Ambos se destacam por serem continuações bem diferentes do original, com histórias que dão um novo rumo aos acontecimentos e mantêm o interesse do espectador justamente pela novidade - quem agüentaria ver uma seqüência onde mais pessoas são mortas pela maldição da fita de Sadako??? A diferença entre as duas seqüências japonesas é que
RINGU 2 é melhor dirigido e tem algumas cenas realmente assustadoras, enquanto em
RASEN os produtores parecem ter se esquecido de que estavam fazendo um filme de horror.
No fim,
RASEN ganha pontos por ser mais fiel aos rumos que o criador da história, Kôji Suzuki, elaborou. Bem mais fiel do que
RINGU 2, que é uma história saída da cabeça do diretor Hideo Nakata e do roteirista Takahashi. E é a velha história: quem quer filme explicadinho e que faça 100% de sentido não pode assistir filme japonês em hipótese alguma - vá ver
RESIDENT EVIL, ora bolas! É uma pena que
RASEN termine deixando um gancho para o que seria uma terceira continuação. Mas como o filme foi renegado pelos produtores, nunca veremos o fim do ciclo
RINGU-RASEN como havia sido originalmente concebido, sendo forçados a também esquecer tudo o que vimos nesta seqüência não-oficial...
Desnecessário dizer que provavelmente os brasileiros jamais terão a chance de ver
RASEN sendo lançado por aqui... Então, o negócio é garimpar a rede atrás de uma boa cópia, caso você tenha curiosidade em ver como as aventuras aterrorizantes de Sadako e seus amigos originalmente continuariam, se o gosto do público não fosse mais importante que o trabalho do diretor e a fidelidade à obra do autor.

TUDO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE "RASEN",
MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR
Atenção: SPOILERS - Se não quiser saber TUDO sobre RASEN, pare de ler agora.
- Como Ando e Ryuji podem ter estudado juntos se Ryuji era professor de Matemática, e não médico?
A primeira escolha de Ryuji foi Medicina e, na época da faculdade, ele e Ando eram grandes amigos. Os dois tinha um passatempo em comum: criar enigmas e passar para o outro resolver. Ando descobriu que Ryuji concebia seus enigmas baseado nos números da cadeia de DNA, e começou a resolver facilmente as charadas feitas pelo colega, além de ridicularizá-lo frente aos outros colegas. Isso azedou a amizade dos dois e fez com que Ryuji, magoado, trocasse a faculdade de Medicina pela de Matemática. Ryuji e Ando nunca mais se falaram e só foram se reencontrar no começo de
RASEN, quando o cadáver do professor é levado para que seu amigo patologista faça a necropsia.
- O que é a mensagem cifrada encontrada no estômago de Ryuji?
Era uma mensagem de Ryuji para Ando. Ao morrer, Ryuji aliou-se a Sadako em seu grande plano de destruição (veja mais nas perguntas posteriores). Uma parte deste plano envolve o retorno de Sadako ao mundo dos vivos, e isso só poderia ser feito por um
"voluntário". Ryuji escolheu Ando por ser seu antigo amigo. Ele sabia que Ando iria conseguir resolver facilmente sua mensagem cifrada, chegando à solução
"DNA - Presente". A partir daí, Ando passou a fazer o joguinho de Ryuji e Sadako. Ao receber de Yoshino uma cópia da fita amaldiçoada, Ando acreditou ser aquele o presente de Ryuji e a assistiu. Em seguida, já contaminado pelo vírus, fez sexo com Mai, abrindo as portas para o retorno de Sadako.
- Afinal, a maldição de Sadako é um vírus?
Tudo faz parte de um grande plano criado por Sadako. O vírus foi gerado pelos poderes paranormais da menina, através da união de 7 partes do vírus da varíola (uma das únicas doenças que ela contraiu e conhecia na época de infância, antes de ser atirada no poço) e 3 partes do seu próprio DNA. Quando a pessoa assiste a fita amaldiçoada de Sadako, é contaminada pelo vírus através da retina. A partir daí, o vírus se desenvolve no corpo da vítima sem provocar sintomas que alertem a pessoa, além de algumas alucinações (que a fazem ver Sadako, como se fosse um fantasma). O vírus também provoca o surgimento de um tumor, que leva a pessoa à morte ao obstruir seu coração. Neste processo, a pessoa escapa da morte em duas hipóteses: se fizer uma cópia da fita e mostrar para outra pessoa, propagando o vírus, ou fertilizar uma mulher com o DNA de Sadako, criando um clone seu.

- Como Sadako volta ao mundo dos vivos?
No
RINGU original, ficamos com a impressão de que Sadako só queria que todos soubessem pelo que ela tinha passado, amaldiçoando as pessoas que assistiam à fita com imagens criadas por ela mesma. Mas esta é apenas uma parte do seu maléfico plano. Na verdade, Sadako nunca quis que ninguém morresse - a morte é um efeito colateral do vírus. O grande plano de Sadako era voltar ao mundo, através do seu DNA contido no vírus. Assim, era preciso que um homem que tivesse visto a fita (e estivesse contaminado com o vírus) fizesse sexo, incubando uma mulher com o DNA de Sadako, e permitindo que ela renascesse e voltasse ao mundo para, então sim, iniciar seu plano de vingança. Com todos os outros amaldiçoados (no filme anterior), Sadako não teve sorte de renascer, ou seja, nem um óvulo foi fertilizado com seu DNA. Como sabe quem viu
RINGU, Reiko conseguiu se salvar da maldição fazendo a cópia da fita - uma das formas de eliminar o vírus. E em
RASEN, finalmente, Sadako tem a sorte de Ando, contaminado com seu vírus, transar com Mai, propiciando a volta da moça-fantasma - e resultando na morte de Mai, já que Sadako volta com as feições da sua
"mãe". No livro
SPIRAL, ela chega a assumir o nome
"Masako" e dizer-se irmã mais velha de Mai para disfarçar, já que o corpo de Mai é encontrado pela polícia.
- E o que é o tal vírus assassino mutante?
É uma mutação do vírus original, muito mais potente. Ela se propaga através da leitura das anotações feitas por Reiko Asakawa sobre a maldição de Sadako! Como Ando destruiu todas as fitas existentes, Sadako teve que encontrar uma outra forma de propagar a contaminação. O novo vírus provoca a morte por sufocamento, deixando manchas ao redor do pescoço das vítimas. Yoshino, o jornalista que encontra as anotações de Reiko, é o primeiro a morrer, e logo em seguida Myashita, o colega de Ando, fica contaminado. O interessante é que todas as vítimas deste novo vírus têm pesadelos com Sadako, vendo as mesmas imagens da fita amaldiçoada, sem que sequer a tenham assistido. No final de
RASEN, Ryuji explica a Ando que Sadako quer provocar uma matança em massa ao publicar as anotações de Reiko como livro, espalhando de forma maciça o seu novo vírus e provocando, segundo Ryuji,
"mudanças", ou mutações, na humanidade.
"O medo que Sadako sentiu vai se espalhar por todo o mundo", justifica Ryuji. Quando Ando pede detalhes sobre o que acontecerá, a explicação de Ryuji é interrompida pelo filho do médico. Talvez isso fosse melhor explicado em uma outra continuação, que jamais foi realizada, mas eu acredito que a disseminação em massa do novo vírus acarretará no nascimento de inúmeros clones de Sadako!
- Sadako volta à vida no final; Ryuji e o filho de Ando também! Como isso aconteceu?
Ao aliar-se a Sadako, Ryuji ganhou a oportunidade de renascer a partir do útero da forma humana de Sadako - ou
"Masako", como é batizada no livro de Kôji Suzuki. Para isso, bastava fertilizar um óvulo da renascida Sadako com o DNA de Ryuji, então ainda disponível no hospital onde foi realizada sua necropsia. Para que Ryuji possa renascer, entretanto, Sadako pede que Ando também se alie a ela, realizando a fertilização. Inicialmente, o médico recusa, mas então Sadako lhe explica o porquê da palavra
"Presente" na mensagem de Ryuji: caso ele ajude a ressuscitar o professor, também poderá trazer de volta o seu filho morto, através do útero de Sadako (um
"presente" de Sadako e Ryuji para ele). Neste caso, bastou o médico utilizar o DNA do filho (contido nos fios de cabelo do garoto, que guardava em casa) e fertilizar Sadako, ressuscitando também o menino. No final, Ando pergunta a Ryuji porque ele não faz o mesmo e ressuscita o falecido Yoichi. Ryuji responde:
"Não, eu não posso fazer uma coisa tão horrível, trazê-lo de volta a este mundo... Nós não teremos um mundo tranqüilo por um longo, longo tempo", numa referência, talvez, à vingança que Sadako pretende abater sobre o planeta e à mutação que o novo vírus provocará na humanidade - e que veríamos numa próxima continuação, se o filme não fosse simplesmente descartado pelos produtores.

- Se RASEN é baseado num livro, como é a continuação do livro?
A saga de
RINGU começa com o livro homônimo de Kôji Suzuki, lançado em 1991, e passa por
SPIRAL (de onde veio a inspiração para
RASEN), de 1995, e pelo terceiro livro,
LOOP, lançado em 1998, e que ainda não foi adaptado para os cinemas. Como
RASEN fracassou e foi feita a refilmagem da produção com roteiro original, provavelmente a trama do terceiro livro jamais virará filme, pois continua a história de
SPIRAL e não faria sentido dentro do atual universo cinematográfico de
RINGU. A história de
LOOP é ainda mais
"científica" e amalucada do que seu antecessor e mais parece um episódio de
ARQUIVO X misturado com a trama de
MATRIX. Se passa décadas depois do segundo livro, por volta do ano 2010, quando Kaoru Futami, um jovem estudante de Medicina, perde o pai, vitimado por um novo e indestrutível vírus cancerígeno, que faz suas vítimas vomitarem sangue. O rapaz começa a investigar o surgimento desta misteriosa doença e descobre que o vírus tem conexão com um misterioso laboratório que fica em New Mexico, nos Estados Unidos, e um projeto
"top secret" do governo. Através de um cientista que trabalhava com seu pai, chamado Amano, Kaoru descobre a terrível verdade sobre o
"Projeto Loop": cientistas de todo o mundo recriaram, através de dezenas de supercomputadores interligados, um mundo virtual copiando o real (
MATRIX, alguém?). Neste mundo virtual, os pesquisadores conseguiram também recriar a vida (virtualmente) e assistir a milhões de anos de evolução passando num flash - dinossauros surgem e morrem, o Homo sapiens se desenvolve, as primeiras civilizações começam a surgir, até os dias atuais, tudo acompanhado pelos cientistas, como se fosse um filme. Então, algo estranho acontece: subitamente, o mundo virtual é abalado quando surge um estranho vírus (o vírus de Sadako), que faz com que toda a humanidade entre em extinção, restando apenas indivíduos com os mesmos genes (os clones de Sadako). Kaoru então passa a acreditar que o Projeto Loop deu um salto no tempo e revelou qual seria o futuro do mundo real, já que o tal vírus espalhou-se também no mundo verdadeiro. Para tentar encontrar uma resposta sobre o vírus e uma possível cura, o médico começa a investigar os arquivos do Projeto Loop, quando é retomada toda a história dos dois primeiros livros e Kaoru fica sabendo da maldição de Sadako. Lá pelas tantas, chegam a fazer até um clone de Ryuji Takayama. No fim,
LOOP tem bem pouco da história original de
RINGU e muito de paranóia científica e futurista. Antes que seja acusado de plágio de
MATRIX, é bom ressaltar que o livro foi lançado meses antes do famoso filme americano. A saga de
RINGU rendeu ainda um quarto livro escrito por Kôji Suzuki, chamado
BIRTHDAY, com três contos que dão prosseguimento ao universo do escritor: um deles dá mais detalhes sobre o que aconteceu com Mai Takano em
SPIRAL, outro conta a história de Sadako quando ela ainda vivia (no qual se baseou o roteiro do filme
RINGU ZERO), e o último dá prosseguimento à trama de
LOOP, mostrando a luta de Kaoru contra o vírus que contaminou sua namorada. Atualmente, Suzuki está trabalhando em um novo livro, continuação de
LOOP.


TRÊS VERSÕES DE "RINGU 2"
Atenção: SPOILERS - Se não quiser saber TUDO sobre RASEN e RINGU 2, pare de ler agora.
A segunda continuação de
RINGU talvez seja um dos poucos filmes da história do cinema a ter três versões. Existe a primeira versão,
RASEN, que foi um inesperado fracasso de bilheteria, e sua refilmagem,
RINGU 2, feita pelo mesmo estúdio para
"substituir" RASEN Agora, está para estrear uma terceira versão,
THE RING TWO, que nada mais é do que a continuação do remake americano
THE RING - aproveitando bem pouco das idéias do livro
SPIRAL ou mesmo do filme japonês
RINGU 2, segundo os produtores americanos. Logo, é quase uma continuação original, dentro do seu próprio universo. Portanto, é interessante perceber que
RASEN,
RINGU 2 e
THE RING TWO podem ser assistidos quase como três filmes diferentes, sendo que entre si têm bem pouco em comum.
A trama de
RASEN, mais fiel ao livro
SPIRAL, relata as investigações do patologista Ando Mitsuo sobre a morte misteriosa do amigo de faculdade Ryuji Takayama. Todos sabemos que ele foi morto por Sadako no final de
RINGU, mas nem Ando, nem a polícia e nem a namorada do professor, Mai Takano, sabem disso. Lá pelas tantas, Ando descobre que a maldição de Sadako é, na verdade, um vírus, que contamina a pessoa assim que ela assiste a fita amaldiçoada e fica incubando por um périodo de sete dias, matando sua vítima graças ao desenvolvimento de um tumor maligno em seu organismo.
A fita, na verdade, é apenas parte do plano de Sadako. Quando a pessoa está contaminada, ela pode gerar clones de Sadako no mundo real, caso consiga fertilizar com sucesso o óvulo de uma mulher. Ao fazer sexo com Mai, Ando dá a chance para Sadako voltar ao mundo (acarretando na morte de Mai). E como Sadako espalhou pelo mundo um novo vírus, mais clones dela devem surgir, mergulhando a humanidade no caos.
RASEN termina deixando as portas abertas para uma nova continuação, que, com seu fracasso nos cinemas, não foi e talvez jamais será feita.

RINGU 2, a seqüência japonesa considerada
"oficial" depois que o estúdio Asmik-Ace jogou
RASEN para escanteio, preferiu não tomar o livro
SPIRAL como base, com medo de que os fãs de
RINGU novamente estranhassem a guinada de um mistério sobrenatural para uma trama científica. Assim, trata-se de um roteiro original escrito pelo próprio diretor Hideo Nakata com a ajuda do roteirista do primeiro filme, Hiroshi Takahashi - e que, ironicamente, também acabou revelando-se uma trama mais científica do que sobrenatural!!!
O filme foi lançado em 1999 e aproveita algumas situações de
RINGU, mas praticamente nada do livro
SPIRAL ou do filme
RASEN. Logo, o médico Ando Mitsuo não aparece e nem é citado em
RINGU 2. Outro que desaparece da trama é o jornalista Yoshino, apesar de ele ter tido uma pequena participação no primeiro filme. Mas o roteiro de
RINGU 2 resgata a personagem de Mai Takano, que passa a ser a principal protagonista da história (em
RASEN ficou em segundo plano e ainda era vítima de Sadako). Resgata, também, as personagens de Reiko Asakawa e seu filho Yoichi, que em
RASEN nem apareciam, pois morriam automaticamente num acidente de automóvel.
No roteiro, investigando a morte de Ryuji, Mai descobre o paradeiro de Reiko e Yoichi e fica sabendo da história de Sadako e sua fita amaldiçoada. Paralelamente, um repórter chamado Okasaki (que também tem uma pequena participação em
RINGU) passa a investigar o fenômeno, que a estas alturas já é uma lenda urbana. Com a ajuda de um cientista, Mai chega à conclusão que Yoichi está desenvolvendo poderes paranormais como o pai Ryuji, porém a raiva do garoto (devido à perda do pai e, depois, da mãe) pode fazer com que ele use os poderes para o mal, transformando-se em uma nova Sadako.
Se
SPIRAL e
RASEN preferem abordar detalhes científicos sobre o
"vírus de Sadako" e o plano da menina-fantasma de espalhar clones pelo mundo,
RINGU 2 centra o foco na descoberta de que Yoichi pode se tornar um
"upgrade" de Sadako. Ao contrário de
RASEN,
RINGU 2 termina com os protagonistas voltando à ilha onde Sadako nasceu (quando o roteiro resgata outros personagens do primeiro filme, inclusive Takashi Yamamura, parente da mãe de Sadako. Na ilha é realizada uma experiência científica com o objetivo de dissipar a energia maligna de Sadako para sempre. Logo, trata-se de uma abordagem totalmente diferente da original prevista nos livros. Não é feita nenhuma menção a vírus, clones ou o retorno de Sadako ao mundo.


Uma outra diferença curiosa entre os dois filmes é que em
RASEN/SPIRAL o personagem Ryuji Takayama
"vira a casaca". Depois de ajudar sua ex-mulher Reiko no primeiro filme e acabar sendo morto por Sadako, em
RASEN ele vira um
"cúmplice" de Sadako, convencendo Ando a ressuscitá-la. Graças aos serviços prestados, o próprio Ryuji é clonado e passa a ser o braço direito de Sadako no plano de contaminar a humanidade com seu vírus. Como nada disso acontece em
RINGU 2, Ryuji continua sendo visto como
"mocinho", inclusive ajudando Mai e Yoichi a escapar das garras de Sadako no final do filme, quando reaparece como um
"fantasminha camarada".
Um verdadeiro mistério é o rumo que irá tomar
THE RING TWO, a continuação do remake americano, com previsão de lançamento em março deste ano (2005). Apesar de terem contratado o mesmo diretor de
RINGU e
RINGU 2 (Hideo Nakata), os produtores americanos garantem que esta nova seqüência será baseada no universo do remake, sem nada a ver com o livro
SPIRAL ou com as duas continuações japonesas. Logo, nada de vírus, clones ou experiências científicas.
Se seguisse um mínimo da história de
RINGU 2, a seqüência americana deveria ter como heroína a namorada de Noah (versão ocidental de Ryuji Takayama, interpretado por Martin Henderson). Porém nem este detalhe foi aproveitado, e o roteiro volta a centrar o foco em Rachel Keller (Naomi Watts, a versão ocidental de Reiko Asakawa) e seu filho Aidan (David Dorfman, na versão americana de Yoichi). Segundo o que se sabe sobre o roteiro, escrito pelo mesmo Ehren Kruger do remake de 2002, Rachel e Aidan se mudaram para uma pequena cidade do Oregon. Seis meses após os acontecimentos do primeiro filme, Rachel, que trabalha no jornal da cidadezinha, descobre que um adolescente local morreu, vítima da maldição de Samara (a versão ocidental de Sadako).
Quando a história da fita amaldiçoada volta para aterrorizar Rachel, a jornalista descobre procurar por mais pistas sobre a vida de Samara, numa espécie de
"prequel" que contará tudo sobre a origem da menina - sabe como é, os americanos gostam de tudo beeeem explicadinho. E enquanto Rachel investiga, Aidan é hospitalizado, inconsciente e com vários hematomas pelo corpo. A mãe acredita que é culpa de Samara, mas os médicos culpam Rachel de ter praticado violência contra o filho. Rachel então retorna para Seattle e tenta descobrir uma forma de desaparecer com Samara para sempre.


Não se sabe se
THE RING TWO irá revisitar alguns aspectos da continuação japonesa, como o retorno à ilha onde Samara/Sadako nasceu. Nem se sabe se o roteiro de Kruger aproveitará a idéia de que Aidan/Yoichi poderá estar ligado a Samara de alguma forma, já que tanto na versão oriental quanto na ocidental o garoto tem poderes paranormais. O que se sabe é que, nas fotos de divulgação da seqüência americana, podemos ver, entre outras coisas, Rachel voltando ao fundo do poço onde Samara morreu - será uma alucinação ou algo mais? O negócio é esperar e torcer para que os americanos, liderados por Hideo Nakata, consigam fazer algo no mínimo tão interessante quanto
RASEN e
RINGU 2, e não apenas uma repetição da fórmula do primeiro filme - o que é mais fácil e provável, diga-se de passagem.
Vale ressaltar também que existe uma quarta versão da trama, já que em 1999 foi lançada (só no Japão, claro), a série de TV baseada no universo de
SPIRAL, intitulada
RASEN: THE SERIES, com um total de 13 episódios. Lembrando pouco a trama do filme mal-sucedido, o seriado aproveitava apenas alguns personagens, mas mudava tudo. Ando Mitsuo, por exemplo, de médico-legista passou a ser professor de uma universidade, que investiga a maldição de Sadako auxiliado por uma de suas alunas, Natsumi, e com uma ajudinha de Mai Takano. O seriado não conta com os atores da série cinematográfica, e os episódios foram dirigidos por Takao Kinoshita e Hiroshi Nishitani.
RASEN também foi adaptado para o universo dos quadrinhos, pois no Japão é moda transformar tudo em mangá. A adaptação saiu em 1999, com arte de Mizuki Sakura. Uma curiosidade é que, no final, Ryuji diz não só que irá publicar as anotações de Reiko para contaminar toda a humanidade com o vírus de Sadako, mas também fazer um filme sobre a maldição de Sadako com o mesmo propósito!!!

Felipe M.Guerra
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RASEN(Rasen, Japão 1998). 97 minutos.
Direção: Jôji Iida
Roteiro: Jôji Iida; Kôji Suzuki (história)
Produção: Takashige Ichise; Shinya Kawai
Fotografia: Makoto Watanabe
Edição: Hirohide Abe
Efeitos Visuais: Hajime Matsumoto
Desenho de Produção: Iwao Saito
Elenco: Koichi Sato (Mitsuo Ando); Miki Nakatani (Mai Takano); Yutaka Matsushige (Yoshino); Nanako Matsushima (Reiko Asakawa); Tomohiro Okada; Hinako Saeki (Sadako Yamamura); Hiroyuki Sanada (Ryuji Takayama)
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