A COLHEITA DO MAL
por João Pires Neto
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Katherine Winter é uma ex-missionária religiosa que perde a fé após o brutal assassinato do marido e da filha durante um trabalho voluntário no Sudão. Hoje Winter é uma famosa pesquisadora que desvenda supostos milagres. Ela é chamada para investigar um estranho fenômeno ocorrido numa cidade no interior da Louisiana, chamada Haven (numa referência a palavra Heaven, ou seja, Paraíso). As águas de um rio, onde um garoto foi encontrado morto, tornaram-se vermelhas como sangue. A população atribui o incidente a pequena Loren, a irmã mais nova da vítima e temem que a água transformada em sangue seja apenas a primeira das dez pragas que atingirão Haven, assim como as pragas que castigaram o Antigo Egito, segundo a Bíblia.
A produtora especialista em filmes de horror “Dark Castle Entertainment”, dos cineastas Joel Silver (“Matrix”) e Robert Zemickis (“Revelação”), ainda busca sem sucesso um equilíbrio entre efeitos especiais, roteiro e elenco. Com quase duas décadas de existência, a produtora ainda não acertou a mão. Apostou em refilmagens como “A Casa da Colina”, “13 Fantasmas” e “A Casa de Cera”. Filmaram roteiros inéditos em “Navio Fantasma” e “Gothika – Na Companhia do Medo”. O elenco nunca foi problema para Dark Castle, que já contou com talentos do porte de Geoffrey Rush, Gabriel Byrne, Halle Berry e Robert Downey Jr..
“A Colheita do Mal” foi produzido em 2006 pela Dark Castle e tem em seu elenco a ótima Hilary Swank, vencedora do Oscar de melhor atriz em duas ocasiões (“Meninos não Choram” e “Menina de Ouro”). Soma-se ao casting a bela atriz mirim AnnaSophia Robb (de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) e o talentoso Stephen Rea (“Entrevista com Vampiro”). Mas infelizmente, nem o elenco escolhido a dedo consegue salvar “A Colheita do Mal” da mediocridade. |
Um dos erros recorrentes nas primeiras produções da Dark Castle era colocar o roteiro em segundo plano, em prol dos efeitos especiais (por exemplo, “13 Fantasmas”). Tentado evitar a mesma falha, o casal de roteiristas Chad e Carey Hayes (os mesmos de “A Casa de Cera”) investe numa interessante trama envolvendo as misteriosas pragas do Egito (para quem fugiu do Catecismo: 1) Águas transformadas em Sangue; 2) A praga das rãs; 3) Piolhos; 4) Moscas; 5) Peste no gado; 6) Úlceras e tumores; 7) A Saraiva (relâmpagos e trovões); 8) Os gafanhotos; 9)As Trevas; 10) A morte dos primogênitos). Na intenção de construir um enredo original, o casal acrescentou algumas reviravoltas (previsíveis para o espectador mais experiente) e seguiu ainda a tendência atual do cinema e das séries televisivas em dosar as informações, de modo que só se consiga montar o quebra-cabeça nos minutos finais. Mas o resultado foi uma trama truncada, pouco consistente e algumas vezes confusa.
Um outro ponto negativo é o uso exagerado dos efeitos especiais. Parece difícil para os “especialistas” da Dark Castle compreenderem que na maioria das vezes efeitos exagerados não combinam com horror ou suspense.
 
A direção ficou a cargo do pouco expressivo Stephen Hopkins, mais conhecido pela direção de episódios da série de TV “24 Horas”. No cinema, o cineasta foi responsável pelos fracos “ A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy” e “ Perdidos no Espaço”. Seu melhor desempenho foi em “A Sombra e a Escuridão”, o suspense que narra a caçada a dois leões que mataram centenas de pessoas e tornaram-se lendas na África, estrelado por Val Kilmer e Michael Douglas. Em “ A Colheita do Mal”, Hopkins realiza um trabalho extremamente burocrático, que não merece críticas e muito menos elogios.
O cenário onde transcorrem as ações, em determinados momentos remetem a Louisiana misteriosa de filmes como “A Chave Mestra” e “Coração Satânico”, com a musicalidade (o jazz e o blues), a magia negra (o vodu) e os terrenos pantanosos, ainda que a população da pequena Haven seja formada apenas por brancos.
Embora não seja exatamente violento, “A Colheita do Mal” apresenta algumas cenas de impacto visual, como o rio transformado em sangue, o ataque de milhares de gafanhotos ou a “autópsia” do garoto morto.
O DVD lançado no Brasil trás como material extra, além dos trailers de praxe, os mini-documentários legendados “A Ciência das 10 Pragas”, “Os Personagens”, “Um Lugar Chamado Refúgio” e “A Colheita do Mal: A Sétima Praga”.  | |
Diversão pequena e passageira, o único ponto realmente positivo de “ A Colheita do Mal” é a atriz Hilary Swank. Pretensioso, o filme tenta sem sucesso surpreender e inovar. Boa Sorte para a Dark Castle da próxima vez.
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