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A longeva e extremamente lucrativa franquia de jogos Biohazard (no Japão) ou Resident Evil (resto do mundo), iniciada em 1996 pela produtora Capcom no console Playstation, foi um marco inquestionável na junção horror e games, misturando ação e puzzles intrincados em um roteiro interessante sobre as suspeitas atividades da poderosa e misteriosa empresa Umbrella Corporation na cidade de Raccoon City. Nada mais justo, portanto, que este universo fosse portado para o cinema. Chegamos então em 2002, com o lançamento de RESIDENT EVIL: O HOSPEDE MALDITO, que opta não por uma adaptação literal, mas um universo paralelo aos jogos da série pelas mãos de Paul W.S. Anderson (ALIEN VS. PREDADOR). |
O resultado é polêmico, tem quem goste e tem quem odeie, porém o sucesso permitiu a versão live-action em celulóide comandada pela personagem de Milla Jovovich se tornasse uma trilogia. Apenas uma coisa é unânime entre os fãs que fazem a relação filmes vs. games: a linha do tempo é confusa, nenhum dos três conseguiu passar o clima do jogo - talvez fique a exceção a RESIDENT EVIL: APOCALYPSE - e quase sempre frustraram o público gamer... Até agora...

Dito isto não tenho segurança para dizer se o motivo foi por decepção com os filmes de Paul Anderson ou se foi por uma simples opção por uma nova abordagem, mas o fato é que o cabeça, a fonte, a
Capcom japonesa resolveu ela mesma realizar uma animação em computação gráfica chamada
RESIDENT EVIL: DEGENERATION em associação com a
Sony Pictures. A produção consumiu quase de um ano entre o anúncio inicial (em 29 de Outubro de 2007) e a premiere - na feira Tokio Game Show em 11 de Outubro de 2008.


Em seguida o filme prosseguiu para os cinemas nipônicos no dia 18 de Outubro de 2008 em circuito limitado, sendo lançado em DVD em 26 de Dezembro. Nos Estados Unidos a produção recebeu uma breve apresentação nos cinemas (com uma estréia em 13 de Novembro) seguindo para as mídias portáteis (UMD, DVD e Blu-Ray) em 27 de Dezembro. No Brasil, a
Sony Pictures promete
RESIDENT EVIL: DEGENERAÇÃO para locação e vendas em 28 de Janeiro.


Agora vamos às boas noticias: primeiro, nada de computadores malucos, Alice super-heroína ou zumbis maratonistas no deserto - aqui a linha da história segue exatamente as pontas dos games (especialmente dos dois primeiros). Segundo, capta todo o que se espera de uma adaptação fiel ao nome
Resident Evil, com tiros voando por todo lado, conspirações, reviravoltas e
"chefes" gigantes e feios que se recusam a morrer – para quem é fã mais hardcore, tem até a voz da mulher fazendo contagem regressiva para a destruição. E terceiro e mais importante, é muito divertido.


A história se passa sete anos após o incidente em
Raccoon City (final de
Resident Evil 2), nesse meio tempo a
Umbrella Corporation foi a falência, o governo estadunidense investiu bilhões de dólares no combate ao chamado bioterrorismo, uma nova corporação médica - a
Wilpharma - é criada e ganha poder através de supostas experiências ilegais com o
"Virus T" na Índia. Isto e a controversa associação da empresa com o senador Ron Davis (Michael Sorich) são suficientes para uma sucessão de protestos da Terra-Save, uma ONG que trata da busca e resgate de pessoas em ataques químicos e biológicos.


Neste dia, Claire Redfield (Alyson Court, que já faz a voz de Claire em todos os games da franquia), agora uma membro da organização está no aeroporto de Havardville para encontrar uma amiga (Mary Elizabeth McGlynn). Enquanto isso, um passageiro em um avião que se aproxima do aeroporto para pousar está nos últimos estágios de contaminação pelo
Virus T e pouco depois é
"zumbificado".


Claire está esperando com Rani Chawla (Michelle Ruff), sobrinha de sua amiga, quando vê o senador Davis tentando passar discretamente. Um protestante da Terra-Save vestindo uma máscara de zumbi tenta fazer um
“ataque” ao senador - no estilo constrangedor e bem humorado do Greenpeace - e acaba preso por um policial do aeroporto, outro se aproxima, porém este é um zumbi de verdade.
O policial acaba mordido e um dos guarda-costas de Davis atira, o zumbi cai desfalecido e o guarda aparentemente morto. Como já sabemos de carnavais passados, ambos vão ressurgir e além de infectar mais pessoas, causando o caos dentro do terminal. Para completar o cenário, o avião com o passageiro infectado se choca contra o prédio e os ocupantes saem do aeroplano já transformados em mortos-vivos. Não sobra alternativa para Claire, Davis e Rani a não ser se trancar na área VIP aguardando resgate.


Cai a noite e o aeroporto é trancado pelos fuzileiros navais, os sobreviventes que saíram são mantidos em quarentena em tendas armadas do lado de fora do prédio e alguns continuam lá dentro. Dois membros do time de resposta especial (SRT), Angela Miller (Laura Bailey, voz de Dende e Trunks na versão americana de
Dragon Ball Z) e Greg Glenn (Steve Blum) são escalados para entrar no prédio, comandado por um agente do governo com experiência em incidentes similares, Leon Scott Kennedy (Paul Mercier, voz de Leon em
RE4).


Apenas os três entram no prédio pelo telhado e iniciam a busca pelos presumidos sobreviventes, tendo muitos zumbis para matar e abrir caminho para escapar com vida, buscar os responsáveis pela disseminação do vírus no aeroporto e a verdade sobre a
WilPharma.


É importante frisar primeiro que a
Capcom não caiu na mesma armadilha da
Square-Enix em seu primeiro longa, o indigesto
FINAL FANTASY, que colocou a tecnologia da animação sobrepujando a história. A
Capcom fez um trabalho bem significativo situando o espectador dentro da linha do tempo da série - muito embora não fique certo se
RE: DEGENERAÇÃO fará parte da mitologia já existente - e conduzindo a partir daí, porém sendo mais do que cortes não usados nos jogos, possuindo grandes méritos individualmente como filme.


O roteiro escrito por Shotaro Suga (escritor da história do jogo
Devil May Cry 4, também da
Capcom) apesar de calejado com referências não deixa o público leigo perdido, a breve introdução do início e as apresentações entre os personagens são suficientes para descobrirmos quem são e em quem temos que desconfiar, algumas reviravoltas e uma conspiração relativamente complexa dão o ar da graça, mesmo que não mais exista a
Umbrella Corporation. Ainda assim, recomenda-se uma breve revista aos roteiros dos dois primeiros games para aproveitar completamente.


Do ponto de vista técnico, existem falhas na animação dos personagens, um tanto abaixo dos padrões hollywoodianos que estamos acostumados, pois se mostram irregulares em determinadas cenas, e assim sendo, as
"atuações" ficam prejudicadas. Vale citar Leon Kennedy como destaque negativo - se bem que quem já jogou
Resident Evil 4, sabe que Leon não é de ficar muito expressivo. No mais, a atmosfera criada com as texturas e cenários são impecáveis, dignos do que se poderia esperar da
Capcom e a violência está presente em toda sua glória 3D, ainda que o sangue fique contido na
“expliciticidade”.


O diretor Makoto Kamiya conduz as cenas de ação com propriedade, colocando cenas de tirar o fôlego, principalmente nos primeiros e últimos trinta minutos. Vacila um pouco no desenvolvimento dos personagens secundários - eu particularmente não curti muito a Angela Miller, preferia se fosse um rostinho conhecido da série como a Jill Valentine ou a Rebecca Chambers, mas aqui sou só eu falando. E Kamiya também falha em seqüências desinteressantes no meio do filme, porém são problemas ínfimos para baixar o conceito gerado no começo, servindo como prelúdio para o movimentado final.


Falando como jogador,
RE: DEGENERAÇÃO é uma produção que preenche todos os pontos falhos de sua contraparte live-action. Falando como cinéfilo,
RESIDENT EVIL: DEGENERAÇÃO é um competente e agitado filme de zumbis do tipo que te mantém ligado quase todo o tempo, peça rara estes dias. Juntando os dois, minha palavra final não poderia ser outra: excelente.

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