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Quem considera "Plan Nine From Outer Space" (1959), de Ed Wood Jr., como o pior filme de todos os tempos é porque ainda não viu esse "Robot Monster" (1953), de Phil Tuker. Trata-se de mais uma história de invasão alienígena; e das bem ridículas, por sinal.
Ro-Man, um alienígena da Lua (um gorila imenso com um escafandro adornado por antenas) quer dominar a Terra para o imperador do Universo e para isso se utiliza de uma máquina superpoderosa capaz de enviar raios calcinadores a todas as cidades, aniquilando-as. Misteriosamente ele conserva apenas uma família de oito pessoas para estudo. Ao mesmo tempo renascem dinossauros e outros monstros pré-históricos, que se debatem violentamente em lutas mortais, tudo em meio a enormes cataclismos geológicos. |
O imperador do universo fica furioso com o gorila espacial que não extermina logo os humanos restantes e decide ele mesmo acabar com tudo, com a utilização de seu mortífero raio cósmico. Mas, para nosso desapontamento, tudo não passa de um sonho de um garoto extremamente imaginativo. Foi isso tudo, pelo menos, o que eu consegui apreender da fita original em inglês que consegui desse filme louco e confuso que extrapola tudo o que se imagina que possa ocorrer numa produção de orçamento modesto. E, nesse caso, chamar isso de orçamento modesto, é estar sendo incrivelmente modesto...


E talvez nem seja preciso dizer que esse filme é uma das mais adoráveis tranqueiras já produzidas pelo cinema, com uma precariedade de ritmos e efeitos tão grande que se você estiver meio calibrado alcoolicamente é provável que contraia uma úlcera no estômago de tanto rir - o que por pouco não foi o meu caso. Memoráveis são as cenas de combate entre as tais criaturas pré-históricas, que ora apresentam lagartos verdadeiros se atracando (em imagens roubadas provavelmente de outros filmes), ora criaturas inacreditáveis animadas quadro-a-quadro, num
"stop-motion" tão capenga que dá dó; tudo muito ruim, mesmo para o sonho de garoto de oito anos. Isso sem falar no alienígena Ro-Man, pois é difícil dizer se ele é ou não o mais ridículo e absurdo da historia da ficção científica em película (existe cada coisa por aí...), mas se porventura não for, perdeu por pouco.


Contudo, com o passar dos anos, e com o repentino interesse por bizarrias e aberrações em geral, o filme alcançou status legendário, e, juntamente com os filmes também bastante cultuados do citado diretor e produtor
Ed Wood Jr., representa genuinamente o verdadeiro significado da palavra
"trash", que foi se desvirtuando cada vez mais ao longo do tempo. Mas esse "
Robot Monster" (apresentado originalmente em 3-D e cujo título era para ter sido
"Monster From Mars") é particularmente coisa fina; somente para fanáticos inveterados pela SCI-FI vagabunda dos anos 1950, o que é o meu caso. Faltou somente o tradicional
"disco voador luminária" (como diz um grande amigo meu), mas em compensação temos o impagável aparelho de destruição em massa utilizado pelo alienígena em sua caverna-esconderijo - a máquina é refugo de um daqueles antigos rádios de comunicação utilizados na Segunda Guerra Mundial, mas engana direitinho: parece mesmo uma dessas estranhas geringonças utilizadas para se dominar o mundo! Aliás, essa caverna isolada é um lugar perfeito para se dominar o mundo, não é mesmo? Ao que tudo consta, ela fica de fato em Hollywood...

N.E.: Esse artigo foi publicado originalmente no fanzine "Juvenatrix" # 74 (Maio de 2003).
E.R.Corrêa
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ROBOT MONSTER (Robot Monster, EUA, 1953) 66 minutos. Preto & Branco
Direção: Phil Tucker
Roteiro: Wyott Ordung
Produção: Phil Tucker
Produção Executiva: Al Zimbalist
Música: Elmer Bernstein
Fotografia: Jack Greenhalgh
Efeitos Especiais: David Commons, Jack Rabin
Maquiagem: Stanley E. Campbell
Edição: Merrill G. White .
Elenco: George Nader (Roy), Claudia Barrett (Alice), Selena Royle (mãe), John Mylong (o professor), Gregory Moffett (Johnny), Pamela Paulson (Carla), George Barrows (Ro-Man, o monstro); John Brown (Ro-Man, voz)
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