São vários os filmes que você assiste cheio de expectativas e acaba se decepcionando. São vários os filmes que você assiste sem nenhuma expectativa e se decepciona mesmo assim. Agora, são raríssimos aqueles filmes que você assiste sem qualquer expectativa, sem qualquer esperança, e se surpreende completamente. QUEM MATOU ROSEMARY? é uma dessas pequenas gemas: uma fita que você talvez tenha pego na mão umas 30 vezes (se tem acesso a uma locadora de bom acervo, claro...), mas nunca levou e assistiu, por um ou por outro motivo. Conselho de amigo: na próxima vez que for à locadora e encontrar a fita lá acumulando pó, leva para casa. E assista!

Eu mesmo tinha
QUEM MATOU ROSEMARY? (a fita foi lançada no Brasil pela extinta Transvídeo, com uma capinha feia) na minha coleção há uns seis meses. Justamente por causa da capinha meia-boca e também devido ao título sem atrativos (que vende o filme como se fosse um daqueles mistérios à la Agatha Christie), fui adiando, adiando e adiando uma olhadela no filme. Até que uma noite dessas, navegando sem rumo pela Internet, os ventos sopraram de forma favorável nas velas do meu navio virtual (bonito, isso...) e me levaram até uma página sobre o excelente maquiador americano Tom Savini. Ali dizia que ele tinha trabalhado em
QUEM MATOU ROSEMARY?, e trazia algumas fotos que me surpreenderam: o tal filme que tinha a maior cara de
"telefilme Supercine" parecia ser violentíssimo, trazendo pessoas com facas atravessadas na cabeça e crânios explodidos a tiros! Eu tinha que dar uma chance a ele.
Quando coloquei a fita no vídeo, apesar de saber que Tom Savini era o responsável pelos efeitos e Joseph Zito o diretor (ele também fez
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 4, lembram?), eu ainda não tinha muitas expectativas. Mas foi o filme começar para eu perceber que estava, sim, diante de uma preciosidade. Um slasher movie, como muitos outros, mas um pouco mais inteligente que o habitual (embora o roteiro tenha uma tonelada de furos), e muito, mas muito mais violento que qualquer outra coisa que se fez no gênero naquela mesma época.
Tudo bem, tudo bem... Todos nós sabemos que, salvo raras exceções, os filmes americanos nunca foram tão exagerados no gore (filmes independentes, principalmente). Mas tudo que teve produção de um grande estúdio acabou sendo suavizado. Pegue um filme como
SEXTA-FEIRA 13, por exemplo. Há sangue e violência a rodo, mas os assassinatos são mostrados rapidamente, às vezes duram um ou dois segundos, e precisam ser vistos em câmera lenta para que os detalhes da maquiagem possam ser melhor apreciados.
QUEM MATOU ROSEMARY? foi feito no auge dos slasher movies, logo após o sucesso de
O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974),
HALLOWEEN (1978) e outros menos conhecidos. Para você ter uma idéia da popularidade deste tipo de filme, só entre 1980 e 1981 (ano em que foi rodado o filme de Joseph Zito), os cinemas foram invadidos por mais de 40 produções mostrando psicopatas das mais diversas índoles, com as mais diversas armas, atacando pessoas indefesas. Mudava o nome, a motivação e, na maioria das vezes, a máscara ou a roupa, só. E notem bem que eu disse
"cinemas": naquela época o vídeo ainda engatinhava, e esses filmes todos eram exibidos nos cinemas mesmo!

Só em 1980, ainda para situá-lo no
"contexto histórico" dos slashers (calma, calma, já vou chegar no assunto principal), foram lançados 11 filmes bem conhecidos, todos eles disponíveis em vídeo no Brasil:
SEXTA-FEIRA 13, de Sean S. Cunningham;
ANIVERSÁRIO SANGRENTO, de Ed Hunt;
DON´T GO INTO THE WOODS... ALONE!, de James Bryan;
AS CHAMAS DO INFERNO - O CORREDOR DA MORTE, de Joseph Ellison;
FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM, de J. Lee Thompson;
TRILHA DE CORPOS, de Armand Mastroianni;
MANIAC, de William Lustig;
RÉVEILLON MALDITO, de Emmett Alston;
PESADELOS, de John D. Lamond;
O DEPREDADOR, de Edwin Scott Brown, e
BAILE DE FORMATURA, de Paul Lynch.
No ano de 1981, quando
QUEM MATOU ROSEMARY? foi lançado nos cinemas, o subgênero slasher já estava mais do que estabelecido.
"Regras" e clichês eram usados à profusão, e muitos personagens adolescentes pereceram ante à fúria dos mais diversos maníacos. Também começaram a aparecer as seqüências dos sucessos dos outros anos. Foi no 1981 de
QUEM MATOU ROSEMARY? que foram lançados
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 2, de Steve Miner, e
HALLOWEEN 2, de Rick Rosenthal. No mesmo ano, também saíram o sangrento slasher italiano
ABSURD, de Joe D´Amato (inédito no Brasil);
CHAMAS DA MORTE, de Tom Maylam;
DIA DOS NAMORADOS MACABRO, de George Mihalka;
A HORA DAS SOMBRAS, de Jimmy Huston;
PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR, de Tobe Hooper (outro injustamente inédito no país, apesar de muito reprisado na TV);
HELL NIGHT, de Tom DeSimone;
A ILHA DOS CÃES, de Paul Lynch;
MORTUARY/EMBALSAMADO, de Howard Avedis;
O TERROR DA SERRA ELÉTRICA, de Juan Píquer Simon, e
HORÁRIO DE VISITAS, de Jean-Claude Lord. Ufa! São muitos assassinos e muitos assassinados!!!!
Com raras exceções, todos estes filmes mostram de forma bem tímida os ataques do psicopata, maneirando na violência. Por exemplo, o assassino vem chegando por trás da vítima, aí a câmera mostra o assassinato em cortes rápidos, tipo: close na cara assustada da vítima, close na faca, close na cara do assassino com sangue esguichando, close na cara de dor da vítima, close na vítima caindo no chão, e era isso. Sem esquecer da musiquinha sinistra e dos efeitos sonoros, claro. É aí que se destaca o filme em questão:
QUEM MATOU ROSEMARY? vai muito além desta rotina. Pode-se dizer, até, que o assassino do filme de Joseph Zito é muito mais profissional que qualquer
Jason Voorhees ou
Michael Myers. Aqui, ele dedica muito mais tempo e esforço ao extermínio das suas vítimas.
Não basta, por exemplo, enfiar um garfo de feno numa garota - como Jason também já fez na sua cinessérie. O assassino de
QUEM MATOU ROSEMARY? faz o serviço com profissionalismo: ele enfia o gancho, depois pressiona ele para ter certeza de que entrou profundamente, torce o cabo para que a ponta arrebente os órgãos internos da vítima e ainda ergue a moça empalada, só para certificar-se de que o garfo atravessou seu corpo e que ela está bem morta. Em outra cena, ao cortar o pescoço de outra vítima, o assassino não apenas passa a faca rapidamente, como Jason e Michael, mas enfia a faca profundamente na garganta da vítima, cortando lenta e profissionalmente, afundando a lâmina no pescoço (uma cena tão boa quando aquela mostrada por Lucio Fulci em
A CASA DO CEMITÉRIO)! Ou seja, é um psicopata que realmente se preocupa em fazer o trabalho bem feito, ao contrário dos Jason da vida, que praticamente só batem cartão e às vezes até deixam algumas vítimas meio vivas para voltarem na hora H no final!
A maquiagem de Tom Savini brilha em cada assassinato. Por ser uma produção independente - sem interferência de grandes estúdios -, não houve cortes para garantir uma censura mais branda. Assim, os fãs de gore podem se deleitar com alguns dos melhores efeitos de Savini, em assassinatos que parecem durar uma eternidade. Tem até uma cabeça explodida que lembra um trabalho anterior do próprio Savini no filme
MANIAC, de William Lustig.


E o melhor: ao contrário da série
SEXTA-FEIRA 13, o filme de Joseph Zito até tenta contar uma história.
“Tenta” porque começa muito bem, mas logo se perde e acaba não explicando muita coisa. Mas mantém um mistério no ar durante todo o tempo: quem é o assassino e qual sua motivação?
O filme começa de forma criativa, mostrando um velho documentário dos anos 40 sobre o retorno dos soldados americanos que foram combater na Segunda Guerra Mundial. Imagens feitas naquela época (1945) mostram o navio Queen Mary chegando aos Estados Unidos repleto de soldados, que são recepcionados por seus familiares e namoradas. Mas um dos heróis de guerra não está tão feliz: depois de ter despachado japoneses e alemães no front de batalha, ele recebeu uma carta da sua amada Rosemary dizendo que não iria lhe esperar no retorno para casa, porque encontrou um outro namorado.
Furioso, o
“herói de guerra” se arma, desta vez para uma guerra particular. É noite de 28 de junho de 1945 e a pequena cidade de Avalon Bay está em festa, recepcionando os recrutas com um grande e animado baile de formatura. Vestido como soldado, com um arsenal de armas (rifle, lança de baioneta, faca e até garfo de feno, que não me parece uma arma do Exército, mas vai ver ele era jardineiro também), e usando uma máscara com camuflagem presa ao capacete, o namorado ciumento executa Rosemary e seu novo namorado, Roy, empalando-os com o tal garfo de feno enquanto estão namorando (uma cena chupada de
BANHO DE SANGUE, de Mario Bava, depois aproveitada também em
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 2 e
DIA DOS NAMORADOS MACABRO). Ao lado dos corpos ensangüentados, o assassino deixa uma rosa vermelha - que era uma espécie de marca registrada de Rosemary, e passa a ser o cartão de visitas do matador.
O assassino nunca foi descoberto e o caso chocou a pequena cidade, porque Rosemary era filha de um figurão do Exército, o major Catham (Lawrence Tierney, de
CÃES DE ALUGUEL, que não fala uma única palavra o filme inteiro). O baile de formatura foi cancelado por medo de que o assassino voltasse a atacar - o que lembra o roteiro de
DIA DOS NAMORADOS MACABRO, feito no mesmo ano.
Entretanto, 35 anos mais tarde, em 1980 (a atualidade, na época em que o filme foi feito), a nova geração de Avalon Bay resolve voltar a realizar o baile. A cidadezinha nunca mais registrou qualquer caso de violência ou aparição de matador. O xerife George Fraser (o veterano Farley Granger, que apareceu em
PACTO SINISTRO, de
Alfred Hitchcock) tem uma pescaria marcada para o final de semana, mas deixa seu assistente, o delegado Mark London (Christopher Goutman), para controlar a bagunça. Antes de sair, o xerife adverte:
“Lembre-se que muita gente não gostaria que esse baile voltasse a ser realizado. E cuidado!”.

Mark é apaixonado por Pam MacDonald (Vicky Dawson), uma das organizadoras do baile. Eles ficam sabendo que, numa cidade vizinha, uma pessoa foi morta a facadas, e o criminoso pode estar se dirigindo para a sua comunidade. Mas a garotada está animada com o baile e nem liga para a ameaça. E Mark tem certeza de que conseguirá controlar a situação.
Então o baile começa! E a chacina também. Descontente com a volta das festividades, o mesmo assassino vestido de soldado aparece para infernizar a vida dos casaizinhos que fazem sexo, dos jovens que fumam maconha e da dupla de heróis, é claro. Ainda obcecado pela falecida Rosemary (a ponto de desenterrar seu corpo putrefato do cemitério local), o soldado assassino sai pelas ruas fazendo novas vítimas, sempre da forma mais sangrenta possível. E sempre deixando, junto aos cadáveres, a sua marca registrada: uma rosa vermelha. Quem será ele? Será o mesmo homem que matou Rosemary nos anos 40?
Infelizmente, o mistério de
QUEM MATOU ROSEMARY? é o mais fraco do filme, porque desde o início a identidade do matador fica bastante óbvia - embora só se confirme no fim. Há poucos suspeitos e a maioria das pessoas que entra em cena acaba morrendo, o que reduz bastante a lista de candidatos a assassino. É uma pena que o roteiro não se preocupe, também, em explicar a motivação do dito cujo. Se ele tinha algum trauma de guerra que foi acentuado com a traição sofrida lá nos anos 40, por que é mostrado como uma pessoa normal no presente (quer dizer, normal até colocar a máscara de assassino e sair matando!)? E não fica bem explicado o motivo para o assassino querer o cancelamento do baile, matando pessoas a esmo.
A própria figura do
"soldado assassino" é um tanto desperdiçada pois, descontando a lança de baioneta, o psicopata não usa outras armas relacionadas às Forças Armadas - a não ser que os ianques tenham combatido os nazistas na Segunda Guerra usando garfos de feno como arma! Imagine o que o assassino não faria usando, por exemplo, granadas!!!
Outra falha imperdoável do roteiro de Neal Barbera e Glenn Leopold é que personagens desaparecem da trama sem que seu destino seja explicado. O major Catham, por exemplo, parece que terá grande importância na história, mas lá pelas tantas desaparece e nunca mais se fala nele (até sua casa fica deserta). Também tem um casalzinho que vai transar no porão do salão onde o baile está sendo realizado. Você logo pensa que eles serão as próximas vítimas, mas ambos simplesmente somem do filme - o que me leva a pensar se a cena do assassinato de ambos não foi cortada, ou então eu peguei no sono quando eles morreram e não percebi...
Até o final, quando é revelada a identidade do matador,
QUEM MATOU ROSEMARY? trabalha muito bem com a idéia do crime cometido no passado, que leva o espectador a acreditar que o assassino, afinal, pode ser um fantasma ou entidade sobrenatural. Infelizmente, esta idéia não é levada adiante. Por isso que o título nacional é equivocado: no fundo, a história não trata da investigação sobre quem matou Rosemary, mas sim sobre alguém que matou no passado e voltou a matar no presente, desta vez sem ter lá muito motivo. O título original é
ROSEMARY´S KILLER, ou
O ASSASSINO DE ROSEMARY, bem mais adequado. Mas o filme é mais conhecido lá fora como
THE PROWLER (traduzido,
“O Criminoso”, ou
“O Invasor”). O título tem a ver com o alerta do delegado Mark no baile, na metade do filme, dizendo que há
“um criminoso (prowler) à solta”.
No fim,
QUEM MATOU ROSEMARY? vale mesmo pelos assassinatos violentíssimos, muito mais sangrentos da média daquela época. Na cena mais chocante, um jovem é apunhalado no topo da cabeça com uma lança de baioneta, que atravessa seu crânio e sai por baixo, pela garganta. Para se certificar de que a vítima está bem morta, o assassino ainda enfia e tira e faca repetidas vezes, fazendo com que os olhos do rapaz virem para cima, ficando brancos, enquanto seu cérebro é atravessado e destroçado pela lâmina de metal! A garotada que se assusta com bobagens como
PÂNICO vai ter um treco ao ver isso! Comparando com outros slasher movies do período, a contagem de cadáveres neste até é pequena, e os assassinatos são cometidos com um loooongo intervalo entre um e outro (dá até para tirar uma soneca). Mas vale a pena esperar, porque cada crime é encenado da forma mais exagerada e crua possível. E, ao contrário da série
SEXTA-FEIRA 13, o filme não se limita a catalogar a matança do psicopata, apresentando uma história razoavelmente interessante entre uma morte e outra.

O cineasta Joseph Zito mostra ainda um bom domínio da técnica de fazer suspense, mesmo que se renda à violência explícita. Ele costuma fazer filmes bons ou razoáveis com péssimos roteiros (um dos mais conhecidos é seu
BRADDOCK - O SUPERCOMANDO, com Chuck Norris, que teve 2 continuações e transformou o canastrão barbudo em astro classe B nos anos 80). Se formos olhar criticamente,
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 4, que Zito fez três anos depois, é um dos melhores da série (o roteiro é ridículo, mas o filme se salva com boas sacadas e até cenas em câmera lenta!). Em
QUEM MATOU ROSEMARY?, novamente o diretor faz um bom trabalho, concebendo algumas interessantes cenas de suspense - como Pam fugindo do assassino no dormitório de estudantes e encontrando todas as portas trancadas pelo caminho, ou uma longa seqüência que se passa no cemitério, quando o espectador chega a ficar ansioso para ver o que há dentro de um caixão desenterrado (no túmulo de Rosemary, obviamente).
Se o roteiro não tem grandes novidades em comparação aos vários slasher movies feitos a partir daí, por outro lado tem alguns
“contra-clichês”. Por exemplo, em uma cena, a mocinha anda de costas... e pessoas que andam de costas normalmente são vítimas fáceis do assassino, não é verdade? Mas quem surge às suas costas no filme é um amigo, que lhe dá o maior susto e ainda brinca:
“O que você está fazendo andando de costas?”. E realmente, você já viu alguém andar de costas fora dos filmes de terror? Outro contra-clichê é poupar da matança um encrenqueiro bêbado que quer briga com todo mundo (normalmente, os valentões são os primeiros a morrer em slasher movies).
E há ainda a honrosa participação de atores veteranos, como Lawrence Tierney e Farley Granger, que mesmo com pouco tempo em cena, emprestam um certo ar de dignidade ao filme - que a série
SEXTA-FEIRA 13, por exemplo, nunca teve.
Outra atração é o final, quando o diretor não dispensa o clássico
“último susto": o espectador pensa que tudo acabou e, de repente, leva o maior cagaço! A novidade é que este último susto é em forma de pesadelo, ao estilo
CARRIE, A ESTRANHA, sem a participação do assassino. Chega a lembrar o fim de
SEXTA-FEIRA 13, e realmente funciona, pois pega o espectador de surpresa!
Resumindo:
QUEM MATOU ROSEMARY? é um filme divertido, um
"nota sete" daqueles que você pode assistir sem medo de ter que apelar para o fast foward. E surpreende, mesmo quem acha que já viu de tudo no gênero. Não é um clássico do horror, nem mesmo um clássico entre os slasher movies. Mas vale a pena e não deveria ser um título tão obscuro no Brasil.
GALERIA DE ASSASSINOS MENOS ILUSTRES:
Quando se fala em slasher movies, os primeiros nomes que vêm à cabeça, instantaneamente, são os de
Jason Voorhees e
Michael Myers, seguidos, talvez, pelo Ghostface da série
PÂNICO e por Ben Willis da série
EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM..., para citar alguns exemplos recentes. Também aparecem alguns que geraram séries menos reconhecidas, tipo a Angela, da série
SLEEPAWAY CAMP.
Mas existem assassinos menos ilustres, que apareceram em um único filme e nunca voltaram em continuações, como o soldado psicopata de
QUEM MATOU ROSEMARY?. Não que eles sejam menos profissionais do que os anteriormente citados, muito pelo contrário. O problema é que ou eles morreram violentamente no final do primeiro filme que estrelaram, ou então o tal filme não fez o merecido sucesso, e por isso nunca justificou uma continuação. Mas se fosse hoje em dia, cada um deles teria, pelo menos, mais uns 5 filmes pela frente - é só lembrar que até o pavoroso
RIPPER ganhou seqüência!!!
Confira uma seleção com 13 destes assassinos do segundo escalão:
 | CROPSY (Lou David)
Número de vítimas: 9 (5 mulheres e 4 homens)
Em CHAMAS DA MORTE (The Burning, 1981), Cropsy era um sádico monitor de acampamento que acabava completamente deformado, com queimaduras de terceiro grau, depois de uma sacanagem armada por quatro garotos. Cinco anos depois, ele recebe alta do hospital e volta ao acampamento para chacinar alguns adolescentes, usando uma longa e afiada tesoura de jardineiro. O saudoso Cropsy deixa saudades: poucas vezes um assassino foi tão feroz, brutal e eficaz quanto ele. Em uma cena, ele chegava a trucidar cinco jovens de uma só vez, cortando dedos, pescoços e cabeças. E pensar que o Jason precisava esperar suas vítimas ficarem a sós para pegá-las uma por uma... Tsc, tsc, tsc. Frescão! |
 | O MUTILADOR (Jack Chatham)
Número de vítimas: 6 (4 homens e 2 mulheres)
O filme O MUTILADOR (The Mutilator, 1985) é péssimo, mas uma coisa você é obrigado a admitir: o "Mutilador" sabe o que faz. Traumatizado pelo assassinato de sua esposa pelo próprio filho pequeno, ele espera o rapaz crescer e se esconde na sua casa de praia. É para lá que o filho vai com alguns amigos adolescentes. A partir daí, papai malucão começa a fazer jus a sua alcunha de "Mutilador": esquarteja um deles com um motor de lancha, enfia um enorme gancho de ferro na vagina de uma moça e, mesmo partido ao meio após ser atropelado por um carro (!), ainda reúne forças para "ressuscitar" e cortar a perna de um cara usando um machado! Esse é "o mutilador"!!! |
RUSS THORN (Michael Villella)
Número de vítimas: 11 (4 homens e 7 mulheres)
A série
SLUMBER PARTY MASSACRE teve vários filmes, mas o famoso Russ Thorn apareceu apenas no filme original, de 1982. Os outros são estrelados por assassinos diferentes. Thorn é um psicopata sem passado, fugido do hospício, que não usa máscara nem roupa preta (pelo contrário, veste jeans normal), e só tem uma marca registrada: usar uma broca para matar suas vítimas (com tanta arma pra escolher...). Ele persegue e mata um monte de meninas gostosas numa festinha na casa de uma delas. Freud explica: Thorn usa a broca como símbolo fálico e parece ser uma espécie de metáfora para o início da vida sexual das garotas!!!
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HARRY WARDEN (Peter Cowper)
Número de vítimas: 12 (7 homens e 5 mulheres)
Em DIA DOS NAMORADOS MACABRO (My Bloody Valentine, 1981), Harry Warden era um minerador que ficou preso com seus colegas em um dos túneis da mina, enquanto toda a cidade festejava no Baile de Dia dos Namorados. Ele sobreviveu praticando canibalismo e, anos depois, voltou para se vingar da juventude promíscua. Na verdade, no fim descobrimos que não é Warden o assassino. Mas o que vale é o visual do matador: vestido de minerador, todo de preto, e levando uma picareta para esquartejar suas vítimas. Outro que deixou saudades. Era para ter voltado em uma continuação em 2001, com roteiro escrito pelo mesmo diretor do original, mas o estúdio responsável (Paramount) desistiu. |
 | LEO ROOK (Christopher Adamson)
Número de vítimas: 10 (9 homens e 1 mulher)
Este é da nova geração. Apareceu no excelente O FAROL DA MORTE (The Lighthouse, 2000), em plena época de filmes como PÂNICO e LENDA URBANA, ensinando para estas baboseiras "teen" como se faz um verdadeiro filme com assassino serial. Rook havia sido preso por crimes brutais e estava sendo levado de barco para a cadeia quando um naufrágio deixou-o livre, leve e solto para matar adoidado numa ilha onde só existe um farol e mais nada. O modus operandi de Rook é decapitar a cabeça das vítimas, e a simples menção do seu nome faz as pessoas tremerem de medo. Uma espécie de Michael Myers do século 21, mais humano e menos "bicho-papão". |
ROBERT "BOBBY" HENKEL (John C. Russell)
Número de vítimas: 8 (5 homens e 3 mulheres)
Uma cópia classe B de
Michael Myers,
"Bobby", como é chamado pelos íntimos, apareceu em
MANSÃO DA MORTE (Sorority House Massacre, 1987). Ele chacinou toda a sua família e foi internado em um manicômio, onde ficou quietinho, em estado catatônico (
Michael Myers, alguém?). Isso até descobrir que uma das suas irmãs, Beth, escapou da chacina e já é uma adolescente, que não lembra de nada do seu passado. Então Bobby escapa do manicômio (simplesmente pulando a cerca!!!), pega um facão e vai até a fraternidade ("sorority house") para matar uma porção de meninas de tetas de fora e seus namorados boçais. Se em comparação com Myers perde de feio, pelo menos ele mata mais que o
"boogeyman" em seu primeiro filme.
IRVING WALLACE (Clain Parker)
Número de vítimas: 9 (5 homens e 4 mulheres)
Em
O PÁSSARO SANGRENTO (Aquarius, 1987), o italiano Michele Soavi deu uma aula de como se faz um slasher movie. O psicopata profissional Irving Wallace, recém fugido de um manicômio, infiltra-se no elenco de uma peça teatral sobre uma
"coruja assassina". Ali, vestindo a macabra roupa de coruja, Wallace transformará ficção em realidade - arrancando elogios do diretor da peça pelo realismo com que mata uma atriz, de verdade, obviamente! Como um Jason macarrônico, ele mostra uma ferocidade e brutalidade sem equivalente, fazendo uso de diversas armas para matar: serra elétrica, furadeira, machado e outras. Nota 10, muito eficiente.
FRANK ZITO (Joe Spinell)
Número de vítimas: 7 (2 homens e 5 mulheres)
Zito é o maníaco do filme
MANIAC (1980). Seria apenas um gordo escroto de olhos esbugalhados se seus crimes não fossem tão sangrentos (e, neste caso, o mérito é mais do maquiador Tom Savini do que do assassino em questão). Lelé da cuca, vive sozinho com um grupo de manequins, atacando principalmente mulheres, que mata para retirar o escalpo. Entretanto, vira um "fru-fru" ao se apaixonar por uma fotógrafa: além de parar de matar, até a convida para sair e faz piadinhas, como qualquer cara normal. Tsc, tsc... Quem te viu, quem te vê! Um caso clássico de
"a bela e a fera"!
ANDREW GARTH (?)
Número de vítimas: 6 (4 homens e 2 mulheres)
Andrew foi o quarto filho do milionário Raymond Garth, conforme nos mostra o filme
NOITE INFERNAL (Hell Night, 1981). Todos os Garth Jr. nasceram dementes ou deformados, tanto que o pai se desesperou e resolveu matar toda a família antes de cometer suicídio. Mas Andrew sobreviveu e ficou vivendo na mansão, que ganhou fama de mal-assombrada. Quando um grupo de universitários invade seu lar para fazer uma
"iniciação" de fraternidade, o matador não faz nada mais do que
"defender sua propriedade". Nenhum tribunal do mundo poderia julgá-lo (até pelo fato de que ele não entenderia porcaria nenhuma!). Infelizmente, o pobre Andrew teve uma carreira muito curta, embora tenha desempenhado com profissionalismo o seu papel.
DAVEY/SLAUSEN (Chuck Connors)
Número de vítimas: 5 (3 mulheres e 2 homens)
No ótimo
ARMADILHA PARA TURISTAS (Tourist Trap, 1979), Slausen era um fazendeiro que vivia num casarão ao lado de um museu de cera. Mas também era Davey, um psicopata com poderes paranormais, que usava uma mórbida máscara de porcelana, movia objetos com o poder da mente e transformava pessoas em zumbis-manequins (é sério!). Infelizmente, como aconteceu também com seu colega Frank Zito, Davey/Slausen se apaixonou, e aí cometeu um grande erro. Entra com mérito na lista só por matar sadicamente uma garota, sufocando-a com gesso! E é um vilão realmente assustador em um filme muito estranho e mórbido.
O DEPREDADOR (Carel Struycken)
Número de vítimas: 8 (5 homens e 3 mulheres)
Filho deformado e gigante de um cigano, o "
Depredador" (hahahaha) do filme
THE PREY (1980) é o único sobrevivente de um incêndio criminoso no acampamento de ciganos onde vivia. Acabou se transformando em um monstro e fugindo para a floresta, onde trata de eliminar brutalmente qualquer invasor, ou seja, campistas e guardas florestais, além de jovens com os hormônios em ebulição que insistem em acampar bem na área onde o
"Depredador" (hahahaha) vive. Um dos raros que não leva o seu no final e fica vivo. E ainda ganha um herdeiro. Ou seja: pode aparecer um
DEPREDADOR 2 por aí... Se até
LENDA URBANA 2 já fizeram!
O ESTRIPADOR DE NOVA YORK (Andrea Occhipinti)
Número de vítimas: 7 (1 homem e 6 mulheres)
Num filme de Lucio Fulci (NEW YORK RIPPER, 1982), é claro que o assassino seria profissionalíssimo. Assim, o Estripador de Nova York (cuja real identidade não pode ser revelada para não estragar o "segredo" do filme) deita e rola nas cenas de crime, entregando alguns dos momentos mais sangrentos do "giallo/slasher" da época. Só para citar um momento exemplar: a tortura de uma moça amarrada nua à cama, que tem o olho e o bico de um dos seios lentamente cortados com uma afiada gilete pelo Estripador! Infelizmente, o psicopata acaba sua carreira levando um violentíssimo balaço na cara, e não pode voltar para matar mais! Sua marca registrada era falar com voz igual à do Pato Donald!!!
ASSASSINO COM A ARMA DE PREGOS (?)
Número de vítimas: 16!!!! (10 homens e 6 mulheres)
No obscuro e sanguinolento
NAIL GUN MASSACRE (1985), um assassino vestido com roupa camuflada e usando um capacete de motoqueiro aparece vindo do nada para matar um montão de pessoas, sempre com tiros de arma de pregos (por isso o nome do filme, ora bolas!). À la
Freddy Krueger, o
"assassino com a arma de pregos" ainda gosta de fazer piadinhas quando mata suas vítimas - e tem uma voz muito semelhante à do Darth Vader. Outro que merece estar na galeria pela quantidade de crimes cometidos (com simples pregos, ainda por cima!), agindo livremente graças à imbecilidade do policial que investiga o caso! Acredite se quiser, é o vencedor da nossa galeria, com o maior número de mortes entre os
"colegas"!!!
Felipe M.Guerra
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QUEM MATOU ROSEMARY? (Rosemary´s Killer, EUA, 1981)
Direção: Joseph Zito
Roteiro: Neal F. Barbera e Glenn Leopold
Produção: David Streit e Joseph Zito
Produção Executiva: James Bochis
Fotografia: Raoul Lomas e João Fernandes
Edição: Joel Goodman
Música: Richard Einhorn
Direção de Arte: Roberta Neiman
Desenho de Produção: Lorenzo Mans
Efeitos Especiais: Darryl Ferrucci e Tom Savini
Elenco: Vicky Dawson (Pam MacDonald); Christopher Goutman (Mark London); Lawrence Tierney (Maj. Chatham); Farley Granger (Xerife George Fraser); Cindy Weintraub (Lisa); Lisa Dunsheath (Sherry); David Sederholm (Carl); Bill Nunnery (funcionário do Hotel); Thom Bray (Ben); Diane Rode (Sally); Bryan Englund (Paul)
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