JOGOS MORTAIS

por Felipe M.Guerra

Prepare-se para conhecer o mais cruel assassino que o cinema já mostrou!


Dois enredos: primeiro, "pessoas aparentemente sem relação acordam em local desconhecido onde participarão de um jogo de vida ou morte, precisando unir forças para sobreviver"; segundo, "criminoso de extrema astúcia e inteligência concebe assassinatos que são verdadeiras obra-de-arte, tentando castigar suas vítimas pela falta de amor pela vida que elas têm". Analisando assim, separadamente, parece até que estamos falando de dois filmes diferentes e bem conhecidos. O primeiro é o excelente CUBO, filme canadense dirigido por Vincenzo Natali em 1998. O outro é o já clássico SEVEN - OS SETE CRIMES CAPITAIS, de 1995, que lançou o diretor David Fincher ao estrelato depois do fiasco de sua estréia em ALIEN 3.

O incrível é que dois rapazes, velhos amigos, chamados James Wan e Leigh Whannell, conseguiram o que parecia completamente improvável: pegaram os dois excelentes enredos destes dois filmaços e juntaram, fazendo um único filme, ou melhor, um filmaço, digno de figurar em qualquer galeria ao lado de CUBO e
SEVEN. Trata-se do excelente SAW, produção amadora, independente, que custou a mixaria de US$ 1.200.000 - o que todos sabemos ser trocado num país (Estados Unidos) onde qualquer produção "barata" custa, no mínimo, 8 milhões de dólares. Agora, vendo o resultado final, chega a ser difícil acreditar que o filme custou tão pouco, ou que é apenas o primeiro filme dirigido por James Wan.

SAW é um trocadilho em inglês relativo tanto à ferramenta "serra" (que tem papel fundamental na história, mas não é elétrica) como ao verbo "ver" (see) no pretérito (saw) - além de ser, também, a sílaba final da palavra inglesa referente ao jogo "quebra-cabeça" (jigsaw). Como o título SERRA faria pouco ou nenhum sentido no Brasil (e ainda poderia confundir os espectadores, levando-os a acreditar que é uma cinebiografia nacional do político aquele), a distribuidora brasileira resolveu traduzir o nome para JOGOS MORTAIS, o que até caracteruza o hobby preferido do assassino, mas por outro lado é bem pouco chamativo - simples demais, até.



Quando eu vi SAW, entretanto, o título era outro: O JOGO DO MEDO, ou, em "castelhano", EL JUEGO DEL MIEDO. Acontece que eu passava as férias em Buenos Aires, na Argentina, na primeira quinzena de janeiro, quando o filme de James Wan estreava nos cinemas de lá. E, como estava de bobeira mesmo, e não agüentava mais ver tanto argentino pela frente, resolvi conferir o filme, curioso que estava devido às excelentes críticas que esta produção independente colecionava. Àquela altura, eu já tinha visto o interessante trailer de SAW no DVD do filme THE EYE. Logo, aproveitei a chance e me transformei no "correspondente internacional" da Boca do Inferno por um dia, assistindo ao filme na tela grande do cinema, como deve ser, e não no brochante formato "baixado da Internet", como muitos gostam de fazer para assistir filmes antes de todo mundo. Tudo bem que acabei vendo com legendas em espanhol, mas o que vale é a intenção.

Outro detalhe que me abriu o apetite é que SAW estava sendo bastante elogiado também nas críticas dos jornais argentinos, como "Clarin" e "La Nación", e nas páginas da revista especializada em cinema fantástico do país, chamada "La Cosa" (pois é, eles têm sua própria revista especializada em terror...). Ali, me chamou a atenção a entrevista com o diretor Wan, onde dizia, curto e grosso: "Nunca pensamos em SAW como um filme sobre um serial killer, simplesmente porque o nosso antagonista, Jigsaw, não mata pessoas, mas sim cria provas de resistência para elas. Jigsaw é um psicopata, com certeza, mas não é, realmente, um serial killer". Com isso, temos a introdução para este fascinante personagem que é, sem sombra de dúvida, a alma de SAW: o maligno criminoso chamado "Jigsaw", ou "Quebra-cabeça". Tecnicamente, Jigsaw não é um assassino porque não matou nenhuma de suas vítimas; pelo contrário, ele criou condições para que as próprias vítimas acabassem se matando!!! Confuso? Parece, mas não é!

Comecemos do começo: SAW inicia com dois homens acordando em um cenário escuro, sem saber como foram parar ali. As luzes se acendem e eles descobrem que estão num antigo banheiro em pedaços, cada um com o tornozelo acorrentado ao encanamento, de um lado diferente da sala, sem qualquer possibilidade de fuga, e com um terceiro homem, morto, bem no centro do local. Numa das mãos, o cadáver segura um revólver; na outra, um gravador. Logo acabamos conhecendo as duas vítimas: um deles é o fotógrafo Adam (o roteirista e amigo de Wan, Leigh Whannell), que acorda dentro de uma banheira cheia de água suja. O outro é um médico, o dr. Lawrence Gordon (Cary Elwes, que apareceu pouco em filmes como TWISTER e A SOMBRA DO VAMPIRO, e aqui tem sua chance de tornar-se ator respeitado).



A situação inicialmente é tensa: imagine você acordar num lugar desconhecido, sem saber como foi levado até ali nem o porquê, na companhia de alguém que não conhece e ainda acorrentado, sem chance de fuga, com um cadáver ensangüentado bem no meio dos dois. Mas aos poucos as coisas vão se acalmando e os dois homens vão juntando as peças do quebra-cabeça: cada um deles tem no bolso um envelope com seu nome escrito. Dentro do envelope, uma fita. As fitas, claro, deverão ser tocadas no gravador que o cadáver no centro da sala segura numa das mãos. Trata-se do primeiro enigma do "jogo mortal".

Lawrence e Adam escutam suas respectivas gravações, que contêm as explicações do maligno Jigsaw para cada um deles. Para Adam, o criminoso recomenda que lute para não morrer; já para o dr. Gordon, Jigsaw diz que ele deve matar Adam até as seis da tarde (um grande relógio numa das paredes informa o horário durante todo o filme), ou então algo terrível acontecerá à sua família. As peças estão no tabuleiro e o jogo começa: o que você seria capaz de fazer para salvar a própria vida? Seria capaz de matar um completo desconhecido apenas porque seu seqüestrador assim ordena? Seria capaz de serrar o próprio pé para poder fugir da corrente que o prende ao encanamento, como Jigsaw sugere aos dois desafortunados prisioneiros? Ou tentaria juntar forças para encontrar uma saída da terrível situação, e pistas que pudessem levar a uma possível saída ou fuga?

Depois que os personagens e a situação básica são apresentados, SAW se desenvolve com uma narrativa fragmentada, entre idas e vindas no tempo. É quando o dr. Gordon se recorda de que, alguns dias antes, ajudou a polícia nas investigações relativas aos crimes anteriores cometidos pelo Jigsaw, onde duas pessoas acabaram se matando e uma terceira teve que fazer algo horrível para poder escapar de uma tétrica máscara acorrentada ao seu rosto. Esta sobrevivente, uma viciada em drogas chamada Amanda, é interpretada pela outrora gatinha (hoje acabada) Shawnee Smith, aquela do remake de A BOLHA ASSASSINA. Quando a polícia vai falar com ela, após escapar do "jogo mortal" de Jigsaw, a garota se revela agradecida ao assassino, pois a partir de então passou a dar mais amor à sua vida. Os detetives que investigam os crimes são David Tapp (Danny Glover, o eterno sargento Murtaugh da série MÁQUINA MORTÍFERA, novamente fazendo um policial durão) e Steven Sing (Ken Leung, que também apareceu em DRAGÃO VERMELHO). Também aparece rapidamente a gatinha Dina Meyer, de TROPAS ESTELARES.



Assim como o serial killer motivado pelo espírito religioso mostrado em SEVEN, o Jigsaw concebido por Wan e Whannell é, na verdade, um altruísta, que concebe seus "jogos mortais" apenas para fazer com que as pessoas, tão acostumadas a reclamar de tudo o tempo todo, passem a valorizar aquilo que têm no momento em que estão ameaçadas de perder. Como explica o próprio Jigsaw em sua tenebrosa filosofia de serial killer, "eu estou doente por todas as pessoas que não apreciam a bênção que receberam, doente por todos os que zombam do sofrimento dos outros. A maioria das pessoas é ingrata por estar viva!". Ou seja: Jigsaw, na verdade, não quer matar ninguém, mas sim torturar de uma forma tão terrível que, no fim do "jogo", elas tenham o maior amor pela sua vida, por mais banal que seja a sua rotina, e passem a ver beleza até mesmo no momento de escovar os dentes pela manhã.

Ainda que mostre um mínimo de violência e sangue, SAW consegue destruir os nervos do espectador de forma eficiente, mostrando algumas das seqüências mais fortes dos últimos tempos, verdadeiramente sádicas. Também manipula as emoções do espectador do começo ao fim, levando-o por um verdadeiro passeio ao inferno que é completamente imprevisível, culminando no mais bem-bolado e surpreendente final surpresa dos últimos tempos - e garanto que este termo, "final surpresa", terá que ser redefinido a partir de agora. As últimas imagens de SAW são de colocar no chinelo as recentes tentativas do cineasta M. Night Shyamalan de tentar surpreender seus fãs (logo ele, que é especialista em conclusões inesperadas). E o suspense do filme de estréia de James Wan é tão angustiante que deixaria orgulhoso o "mestre" Alfred Hitchcock, sem abusar de sangue, tripas ou pirotecnia.

Curiosa foi a forma como a dupla Wan/Whannell conseguiu convencer alguns executivos a cederem as míseras verdinhas usadas na produção: eles filmaram uma versão "demo", na verdade uma única cena, aquela da moça amordaçada com a máscara de metal (de tão boa, virou até o cartaz do filme), e mostraram aos produtores Gregg Hoffman e Oren Koules, que deram sinal verde para o projeto sair do papel. A tal versão "demo" tinha apenas 8 minutos, mas foi tão impressionante para os executivos que eles rapidamente pediram o roteiro à dupla para saber como aquilo se desenrolava. Ou, como disse o próprio Koules nas páginas da revista La Cosa, "aquela cena nos mostrou tudo o que tínhamos que saber sobre a visão de James para o filme, e nos asseguramos de rodeá-lo de pessoas com toda a experiência para transformar sua visão em realidade".

Uma das únicas exigências do diretor Wan ao assinar o contrato para a realização da película era que seu amigo e roteirista, Leigh Whannell, ficasse com um dos papéis principais. Whannell já tinha certa experiência em atuação (fez uma pequena participação no blockbuster MATRIX RELOADED), e deu conta do recado. Os nomes de Cary Elwes e Shawnee Smith também foram sugeridos por Wan - que era fã de Shawnee e realizou um sonho de adolescência ao conhecê-la e trabalhar com ela.



Como toda produção independente, SAW se passa quase que totalmente em interiores, a maior parte dentro do banheiro abandonado onde os dois personagens centrais da trama estão presos. Foi filmado em 18 dias com o minguado orçamento. O primeiro corte tinha 102 minutos e estreou no festival de cinema independente de Sundance em 2004. Ali, a recepção foi tão boa que a distribuidora Lions Gate se interessou pelo filme. Mas pediu que o diretor Wan cortasse dois minutos para obter uma classificação mais branda da censura, podendo distribuir a obra em mais salas de cinema e englobando um universo maior de espectadores. Desta forma, bailaram dois minutos do filme. Mas quem teve acesso à primeira versão garante que os cortes foram mínimos (apenas alguns detalhes nas cenas dos crimes anteriores do Jigsaw), e que o chocante final não foi alterado.

Ainda na entrevista à revista argentina, Wan assume suas influências: "SEVEN é um filme muito bem construído, e quando você está escrevendo um thriller, é benéfico estudar este filme. Você tem dois detetives perseguindo a um psicopata, que usa métodos vis para dar lições às pessoas, e neste ponto SAW se parece com SEVEN, mas acho que somente nisso. O que nós mais gostamos em SAW é que a história é contada do ponto de vista das duas vítimas do psicopata, e não dos dois policiais que o perseguem, como é visto freqüentemente. Em SAW, os detetives têm um papel mais secundário. E me encantou o fato de algumas pessoas perceberem a relação entre SAW e CUBO. Eu amo CUBO e definitivamente foi uma influência para mim. Um filme como este é um grande modelo, porque se passa totalmente em um único cenário e, mesmo assim, chega a ser genial". Wan também confessou ser um grande fã de David Lynch e Dario Argento. O rapaz vai longe!

Num gênero (terror/suspense) que cada vez mais é tomado pela mediocridade e pelo abuso de efeitos especiais, onde muitas vezes milhões de dólares são torrados em produções sem alma e sem emoção, SAW é um verdadeiro alívio e também um sopro de esperança, mostrando que boas histórias ainda existem e podem ser feitas com pouquíssimo dinheiro e em praticamente um único cenário. E o sucesso de público e crítica do filme é uma amostra de que todos estão cansados dos blockbusters sem sal que vêm sendo produzidos aos montes nos Estados Unidos - isso quando não são remakes de obras famosas ou de filmes de horror orientais, nova moda em Hollywood.

O grande problema é que, como acontece com toda obra de sucesso, pode acontecer de um SAW 2 começar a ser filmado ainda este ano (2005). Pelo menos foi este o anúncio feito pela LionsGate, que está interessada em produzir uma seqüência para o longa. Wan e Whannell, os responsáveis pela excelente história original, pularam fora e já divulgaram seu novo projeto, Gritos Mortais, uma história de horror sobre um ventríloquo que morre e encarna em seu boneco. Já os primeiros boatos sobre SAW 2 deixaram os fãs do primeiro filme chocados - divulga-se até a possibilidade do rapper Eminem fazer parte do elenco. Pelo menos as duas cabeças pensantes por trás do original deixaram a bomba nas mãos de outros, e é muito difícil, quase impossível, que o raio possa atingir o mesmo local duas vezes, e um outro novo clássico, como SAW, saia deste novo projeto.

Portanto, agora é só correr para ir ao cinema para ficar fascinado com este excelente e excitante (só para usar duas palavras com "exc") exercício de tensão e suspense, sério candidato à lista dos melhores filmes de 2005 (e olha que o ano recém começou!). E, ao sair do cinema, pense que recebeu também uma valiosa lição de vida: você não precisa acordar acorrentado em um banheiro abandonado para encarar sua rotina, por mais medíocre que ela seja, com outros olhos, e parar de ser tão ingrato e reclamão. Caso contrário, talvez o Jigsaw em pessoa possa lhe dar a "sua" lição de vida...


Felipe M.Guerra em frente ao cinema argentino



PARA SABER MAIS

- Jogos Mortais II
- Jogos Mortais III
- Jogos Mortais IV
- Os Quebra-Cabeças de JigSaw


OUTROS ASSASSINOS GENIAIS
Como o Jigsaw, eles fazem do assassinato uma verdadeira obra de arte. Não basta matar, tem que fazer a vítima sofrer de um jeito criativo e "artístico", ou então enrolar a polícia de forma constrangedora.


JOHN DOE (Kevin Spacey)
Filme: SEVEN - OS SETE CRIMES CAPITAIS
Talvez o mais brilhante serial killer de todos os tempos. Fanático religioso, sociopata e cansado de ter que aturar um pecado capital em cada esquina, nosso querido John Doe dedicou toda sua vida e fortuna a um "trabalho divino": castigar os pecadores e fazer com que seus crimes, de tão chocantes, entrem para a história e se transformem num exemplo a ser seguido. Ele passa a matar motivado pelos Sete Pecados Capitais. Por exemplo, um gordo (cujo pecado capital é a Gula) é forçado a comer, comer e comer até explodir; um desocupado (cujo pecado é a Preguiça) é amarrado a uma cama e sedado durante um ano, apodrecendo lentamente enquanto ainda está vivo!!! John Doe é tão metódico e preciso que nem a dupla de policiais que investiga seus crimes (Brad Pitt e Morgan Freeman) escapa à sua fúria. Simplesmente brilhante.


DR. PHIBES (Vincent Price)
Filmes: O ABOMINÁVEL DR. PHIBES e A CÂMARA DE HORRORES DO ABOMINÁVEL DR. PHIBES
Anton Phibes era um genial cientista inglês que ficou com o rosto completamente deformado após um acidente de carro, onde morreu sua amada esposa Victoria. Acreditando que a culpa pela morte da mulher foi da equipe de médicos que a operou, o Dr. Phibes orquestra um plano maligno para eliminar todos eles, inspirado nas Pragas do Egito (que Deus teria lançado sobre o Faraó para que libertasse os escravos hebreus). Com a ajuda da fiel Vulnávia e com seu rosto reconstruído, Phibes usa gafanhotos, ratos e outros animais pestilentos na bem elaborada vingança. E, na melhor cena do filme, obriga um cirurgião a operar o próprio filho para retirar, de seu corpo, a chave que poderá libertá-lo de um banho mortal de ácido, numa cena tão boa que foi, de certa forma, homenageada em SAW. Sadismo pouco é bobagem!!! O Dr. Phibes voltou ainda mais cruel numa seqüência, passada no Egito, onde usa formas bem mais absurdas para despachar suas vítimas.


DR. HANNIBAL LECTER (Anthony Hopkins)
Filmes: O SILÊNCIO DOS INOCENTES, HANNIBAL e DRAGÃO VERMELHO - mais MANHUNTER (interpretado por Brian Cox)
Hannibal era um psiquiatra genial, de cultura refinada, até que cansou de ouvir os problemas dos outros e dedicou-se ao canibalismo, matando os próprios pacientes para preparar suas iguarias culinárias. O problema é que ele foi descoberto, quase por acaso, por um agente do FBI, sendo aprisionado por toda a vida em um manicômio. Mesmo encarcerado numa cela de segurança máxima, Hannibal continua agindo, através de seus jogos psicológicos. Em sua primeira aparição nos cinemas (em MANHUNTER, depois refilmado como DRAGÃO VERMELHO), o Dr. Lecter não só tortura o já abalado agente Will Graham, como ainda faz com que um assassino à solta, chamado "Fada dos Dentes", persiga a família do herói. Em O SILÊNCIO DOS INOCENTES, Hannibal manipula tudo e todos, inclusive a agente Clarice Starling, e consegue até escapar da prisão. E em HANNIBAL ele mostra sua faceta "Jason Voorhees", matando seus desafetos das formas mais cruéis - um deles tem o cérebro lentamente devorado, isso com seu dono ainda vivo!!!


DEMUS (Robert Joy)
Filme: RESSURREIÇÃO - RETALHOS DE UM CRIME
Tudo bem que nosso amigo Demus é uma espécie de cópia pobre do John Doe, até porque este filme classe B de Russell Mulcahy é cópia quase xerox de SEVEN. Mesmo assim, podemos incluí-lo na lista não só pela sua capacidade de despachar as vítimas de uma forma grotesca, mas também por enganar e brincar com a polícia de forma constrangedora. No caso, o grande alvo é o detetive John Prudhomme, interpretado por Christopher Lambert. Motivado por alguma obscura profecia bíblica, Demus mata pessoas para retirar alguns membros e "montar" o corpo de Jesus Cristo, justificando seus atos com mensagens do tipo "Ele está voltando". Paralelamente, finge-se de agente do FBI para enganar os investigadores com pistas falsas. No auge da ousadia, Demus chega a balear o colega de Prudhomme na perna apenas para que possa entrar calmamente no hospital e "roubá-la" para usar em seu macabro projeto. Ou seja, mesmo não sendo lá grande coisa, o homem tem seus méritos.


KEYSER SÖZE (?)
Filme: OS SUSPEITOS
Infelizmente, não dá para falar muito sobre o personagem de Keyser Söze para não entregar a grande surpresa do filme OS SUSPEITOS, uma daquelas obras geniais que aparecem de tempos em tempos (dirigida pelo mesmo Bryan Singer que hoje faz blockbusters tipo X-MEN). Söze é um lendário criminoso que mete medo até nos bandidos mais barra-pesadas. Sua família teria sido assassinada por meliantes, e o próprio Söze tratou de eliminá-los um a um. A história do filme é narrada por Verbal Kint (Kevin Spacey), que testemunhou os eventos resultantes na explosão de um cais de porto e na morte de 27 pessoas. A resposta para o enigma é um pouquinho mais complicada do que parece - obra do genial Keyser Söze, que manipula todos os personagens do filme sem que eles saibam!


EDWARD LIONHEART (Vincent Price)
Filme: AS SETE MÁSCARAS DA MORTE
Olha o Vincent Price aí de novo... Na verdade, este filme é um reaproveitamento, quase remake, de O ABOMINÁVEL DR. PHIBES. Desta vez, Price é um ator shakesperiano em decadência, Edward Lionheart, que resolve se vingar de uma forma, digamos, "artística", dos críticos que desprezaram seu trabalho e o humilharam publicamente. Pobres críticos: a inspiração para os crimes, desta vez, são as obras de William Shakespeare! Desta forma, o muito culto Lionheart apunhala um dos seus desafetos pelas costas, faz outro comer uma torta recheada com seus cãezinhos de estimação (!!!), decapita um terceiro, e por aí vai. Tudo com muito bom humor e a "finésse" de um legítimo cavalheiro inglês, muito diferente da brutalidade dos Jason e Freddy Krueger da vida.


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JOGOS MORTAIS(Saw, EUA, 2004). 102 minutos.
Direção: James Wan
Roteiro: James Wan; Leigh Whannell
Produção: Mark Burg; Gregg Hoffman; Oren Koules
Produção Executiva: Peter Block; Jason Constantine; Stacey Testro
Fotografia: David A. Armstrong
Música: Charlie Clouser
Edição: Kevin Greutert
Direção de Arte: Nanet Harty
Desenho de Produção:Julie Berghoff
Efeitos Visuais: Joshua D. Comen
Elenco: Leigh Whannell (Adam); Cary Elwes (Dr. Lawrence Gordon); Danny Glover (Detetive David Tapp); Ken Leung (Detetive Steven Sing); Dina Meyer (Kerry); Mike Butters (Paul); Paul Gutrecht (Mark); Michael Emerson (Zep Hindle); Benito Martinez (Brett); Shawnee Smith (Amanda); Makenzie Vega (Diana Gordon); Monica Potter (Alison Gordon); Ned Bellamy (Jeff); Alexandra Bokyun Chun (Carla); Tobin Bell (John); Avner Garbi




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