JOGOS MORTAIS 3
(Saw 3, Estados Unidos, 2006)

Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Leigh Whannell
Produção: Mark Burg; Oren Koules
Edição: Kevin Greutert
Música: Charlie Clouser
Elenco: Tobin Bell (John Cramer/Jigsaw); Shawnee Smith (Amanda); Angus Macfadyen (Jeff); Bahar Soomekh (Dr. Lynn Denlon); Dina Meyer (Kerry); Mpho Koaho (Tim); Barry Flatman (Juiz Halden); Lyriq Bent (Rigg); J. LaRose (Troy); Debra McCabe (Denica Scott); Costas Mandylor (Hoffman); Betsy Russell (Jill); Stefan Georgiou (Dylan); Niamh Wilson (Corbett); Alan Van Sprang (Chris); Kim Roberts (Deborah); Donnie Wahlberg (Eric Matthews); Kelly Jones; Kelly Jones; Vincent Rother; Nicholas Kaegi; Mark Poyser; Tim Burd; Dan Sudek; Bill Vibert; Dylan Trowbridge; Sandy Kellerman; Jane Luk Distribuição: Paris Filmes


SINOPSE
Jigsaw desapareceu. Com sua nova aprendiz, Amanda, o manipulador por trás dos cruéis e intricados jogos que aterrorizaram uma comunidade e desconcertaram a polícia iludiu sua captura e sumiu mais uma vez. Enquanto detetives da cidade se mexem para localizá-lo, a Dra. Lynn Denlon não tem ciência de que está prestes a se tornar a mais nova peça de seu cruel jogo de xadrez. Uma noite, depois de terminar seu turno no hospital, Lynn é seqüestrada e levada para um armazém abandonado onde ela encontra Jigsaw doente e à beira da morte. Ela recebe ordens de mantê-lo vivo durante o tempo que for necessário para que Jeff, outra de suas vítimas, complete seu próprio jogo. Correndo contra o relógio dos batimentos cardíacos de Jigsaw, Lynn e Jeff lutam para passarem por cada um de seus cruéis testes, sem saberem que ele tem um plano muito maior para eles.


"Um bom filme, mas pelo amor de John Doe, deixem Jigsaw descansar!"

Quando JOGOS MORTAIS saiu, o heap criado em sua volta foi rápido e justificado: personagens tridimensionais em uma situação de pressão extrema e um vilão que figuraria entre os grandes do cinema. A trama altamente complexa e cercada de reviravoltas surpreendentes, renderam a Jigsaw e seu boneco macabro uma cifra de mais de 100 milhões de dólares mundialmente, chegando a quase 100 vezes o orçamento do filme (de 1,2 milhões de dólares).

A continuação foi iminente e aconteceu em um tempo tão recorde quanto o primeiro, filmado em 25 dias e lançado apenas um ano após. O roteiro foi simplificado para dar lugar a mais sangue e mortes. Entre os que acharam que ficou melhor e os que rebaixaram o filme, o rebuliço foi igualmente grandioso, custando 4 milhões e rendendo mais de 87 milhões de verdinhas só nos States.
Eis que chegamos à terceira parte. O que no começo gerou um certo receio (devido ao falecimento do produtor Gregg Hoffman e a primeira recusa do diretor Darren Lynn Bousman e do roteirista Leigh Whannell em conduzir o filme) transformou-se em expectativa. Agora que podemos conferir o resultado nos cinemas, a conclusão que se chega é que houve um retorno aos fatores que tornaram o primeiro filme um sucesso e que esta trilogia ficou de bom tamanho para a cinesérie, concluindo com chave de ouro este primeiro ciclo de Jogos Mortais do maníaco Jigsaw (digo primeiro ciclo porque JOGOS MORTAIS 4 já foi anunciado e só Deus sabe pra onde a série vai agora...)



Agora vamos ao roteiro: eu não vou entregar nada além do básico para não estragar a surpresa, mas se você não assistiu e não quer saber NADA sobre o roteiro (o que convenhamos, é muito melhor), pare a leitura agora mesmo e corra para um cinema perto de você. Basta saber que é um filme muito bom para quem é fã da série e é recomendado que se tenha assistido aos dois filmes anteriores para pegar todas as referências e não ficar boiando enquanto a projeção acontece.

Bem, se você ainda está por aqui pressuponho que já tenha assistido ou não se agüenta de curiosidade, então vamos lá:

Em JOGOS MORTAIS 3 John Cramer, também conhecido como Jigsaw (Tobin Bell), está em estado terminal devido ao tumor diagnosticado tempos atrás pelo conhecido doutor Lawrence Gordon. Entretanto ele e sua pupila Amanda (Shawnee Smith) ainda tem tempo de fazer um último jogo, o maior e mais completo de todos eles.



A primeira jogadora é a doutora Lynn Denlon (Bahar Soomekh), que está lá porque, digamos, não ser uma menina boa. Seu objetivo é manter o vilanesco Jigsaw vivo ou então sua cabeça será detonada por sensíveis cartuchos de espingarda amarrada em um colar não muito confortável.

Mas claro que Lynn não terá que manter o homem vivo indefinidamente - o tempo é ditado pelo sucesso (ou insucesso) do segundo jogador chamado Jeff (Angus Macfadyen), um homem amargurado que procura vingança pelo atropelamento de seu filho pequeno. Em seu jogo, Jeff terá de passar por uma série de testes que poderiam mudar o nome do filme para GINCANAS MORTAIS, mas que irão testar aptidões mais relacionadas com seu comportamento do que com sua capacidade física.

Então o filme passa a alternar estas duas metades do roteiro, aparentemente sem ligação, com flashbacks e cenas dos filmes anteriores, contando mais da relação Jigsaw/Amanda entre outras coisinhas (que vou tomar a liberdade de não dizer).. hehehe...



Sobre as armadilhas, elas estão menos elaboradas e começam a faltar idéias, digamos "criativas", para que as mortes ocorram. Entretanto Leigh Whannell é um roteirista esperto e deixa isso passar em branco com uma história sólida e calçada em reviravoltas nos aspectos humanos e psicológicos das personagens - o que faltou em JOGOS MORTAIS 2 e tem de sobra no primeiro filme. O roteiro também mantém uma boa ligação com os filmes anteriores, especialmente o primeiro, amarrando algumas pontas soltas e explicando melhor eventos que foram apenas sugeridos.

Pois então existem duas classes de espectadores potenciais: os que gostaram mais do excesso de mortes e sanguinolência do segundo filme poderão se decepcionar com este terceiro, mas os que curtiram mais o que diz respeito aos conflitos de interesses do primeiro vão com certeza aclamar esta continuação (assim como eu).

Como de praxe o final é inconclusivo, aberto, mas não menos elaborado e intrincado como os filmes anteriores. Entretanto não chega a impressionar tanto quanto antes, principalmente porque não existiam muitas revelações pendentes, já que no primeiro filme foi mostrado a verdadeira identidade do assassino, no segundo a identidade da cúmplice e o que sobra para o terceiro não causa o mesmo impacto. O que não significa que não seja surpreendente, mas fica evidente que não sobraram muitas alternativas para o roteiro e para o público sedento por outra revelação bombástica.



Outro erro é passar a personalidade de Jigsaw como um homem normal e que os atos de barbaridade a que submete suas vitimas são plenamente justificáveis, removendo seu bastão de vilão da história- o que não deveria acontecer, já que na minha opinião Jigsaw é (e continuará sendo) um grande muthafucka.

A atmosfera continua tensa, soturna, escura (até demais) e a forma de Darren Lynn Bousman dirigir está começando a se tornar clichê: os cortes rápidos, a câmera rotativa e closes nos rostos angustiados das vítimas. Mas o que realmente causa um pouco de desconforto é o "resumo do filme" que acontece no final, assim como os anteriores, para mastigar a conclusão e que é totalmente desnecessária a não ser que você estivesse dormindo no cinema, o que eu duvido muito.

O elenco continua muito bom no saldo geral e Tobin Bell mesmo com Jigsaw debilitado executa um trabalho digno de menção; Shawnee Smith foi finalmente "desbaranganizada" neste filme (basta comparar como está feia no primeiro e no segundo filme), mas sua interpretação soa um pouco forçada já que surpreendentemente é a personagem que sofre mais pressão psicológica do que muitas das vítimas de Jigsaw; Bahar Soomekh como a médica Lynn é a mais fraquinha, mas do outro lado da balança está Angus Macfadyen com um excelente trabalho como o atormentado, vingativo e complexo Jeff.



No fim das contas JOGOS MORTAIS 3 agrada bastante quem já era fã da cinesérie e fecha a trilogia de maneira respeitosa e que justifica os altos valores de arecadação de bilheteria e seu sucesso. Como os produtores de bobos não têm nada já encabeçaram uma quarta parte que deve figurar nos cinemas em Outubro do próximo ano, como já é costume. Ora, mas este terceiro filme já deu pinta que as idéias começam a terminar e como não haverá mais envolvimento do diretor Darren Lynn Bousman e do roteirista Leigh Whannell há uma grande chance de que a franquia desça ladeira abaixo. Portanto se algum executivo da Lions Gate desavisado entrou por aqui, peço caridosamente que dêem um tempo para Jigsaw ou que pelo menos tomem um rumo totalmente diferente, já que este merece ser o fim da trilogia SAW.
Curiosidades:

- JOGOS MORTAIS 3 foi tão aguardado pelos fãs da série que o primeiro teaser-trailer da fita, exibida pela primeira vez nos cinemas norte-americanos na primeira sessão de ABISMO DO MEDO, foi gravada e uploadeada para a Internet pouquíssimas horas depois de sua exibição;

- Segundo Darren Lynn Bousman, a trama de JOGOS MORTAIS 3, escrita por Leigh Whannel em apenas seis dias, foi altamente influenciada pelas sugestões oferecidas pelos usuários do portal House of Jigsaw e baseado em uma história de James Wan, o diretor do original;

- Os produtores solicitaram permissão à Columbia Pictures para poder usar o cenário do banheiro que serviu de base para o primeiro JOGOS MORTAIS. O que acontece é que o cenário original foi destruído por alguma razão não esclarecida, e a Columbia tinha em seu poder uma réplica exata daquele cenário, réplica esta utilizada nas filmagens de TODO MUNDO EM PÂNICO 4;



- De acordo com o produtor Daniel J. Heffner o filme passou pela peneira da MPAA sete vezes antes de obter a classificação R (menores de 17 anos só acompanhados pelos pais). Os outros não conseguiu uma classificação menor que NC-17 (proibido para menores de 17 anos);

- O filme é dedicado ao produtor Gregg Hoffman, falecido em dezembro de 2005.

Gabriel Paixão




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