SEXTA-FEIRA 13

por Felipe M.Guerra

A primeira matança, que já virou uma espécie de clássico referencial, ainda mais com subprodutos como "Pânico" e "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado" fazendo sucesso atualmente. Mas trata-se de uma cópia deslavada de "Psicose", do qual aproveitou a idéia da "mãe" assassina. Apesar de ser o único da série que mais ou menos tenta contar uma história, não é um grande filme, e ganha as três estrelinhas só pelo esforço de criar clima e por meia dúzia de cenas legais.

A história todo mundo conhece: um acampamento de férias, Crystal Lake, é fechado após o assassinato brutal de um casal nos anos 50, apenas alguns meses após o afogamento de um jovem, Jason Voorhees.
Nos tempos atuais (no caso, 1979), o jovem empresário Steve Christie resolve reabrir Crystal Lake. Para isso, contrata alguns rapazes e moças para colocar o local em ordem para a temporada de verão. Como acontece em onze de cada dez filmes de terror, eles serão mortos um a um por um misterioso assassino.

"Sexta-feira 13" tenta contar uma história, e aí vale o esforço do diretor Sean S. Cuningham. Ele tenta dar algum carisma aos seus personagens, e QUASE consegue. Ora, alguns deles realmente parecem gente de verdade. O problema é que, sem história para contar, Cuningham preferiu preencher o filme com assassinatos de tempos em tempos. Mas há uma boa qualidade: quem vê o filme pela primeira vez tem até certa dificuldade para adivinhar quem vive e quem morre, algo que depois ficaria previsível nas continuações.

O diretor tenta criar algum suspense: na primeira meia hora de filme, poucos assassinatos são mostrados. As pessoas desaparecem aqui e acolá, você até imagina que elas estejam mortas, mas não tem certeza. Então, bingo, os cadáveres começam a aparecer. Aliás, curioso como o assassino sempre tem tempo de pendurá-los em posições dramáticas sem ninguém perceber.



"Sexta-feira 13" lançou uma série de clichês impagáveis e que depois se tornariam "regras" dos filmes de terror. Por exemplo, a heroína é a virgenzinha inocente que não passa o filme inteiro transando, ao contrário das amigas promíscuas; o namoradinho dela - não, eles não chegam a se beijar, porque ela é, oh Deus, tão inocente - diz "já volto" na hora de checar porque o gerador não funciona e, claro, vai para o espeto. Aliás, ali rende uma cena bem legal: a porta que se fecha nas costas da mocinha, revelando o namoradinho morto e pregado na parede, com uma flecha bem lá naquele lugar.
Os personagens cometem as maiores cagadas possíveis e imagináveis, caminhando para lá e para cá na escuridão, entrando em alojamentos escuros e vazios, saindo sozinhos para lugares ermos, aproximando-se de desconhecidos sem nem imaginar o perigo que correm, tropeçando durante a fuga do assassino, etc, etc.
A maquiagem das mortes, feita pelo especialista Tom Savini, é um espetáculo à parte. Isso que o filme nem exagera muito na violência explícita, pelo menos considerando o rumo que a série tomou posteriormente. Aqui temos machado cravado na cara de uma menina, um Kevin Bacon novinho tomando uma espetada no pescoço (cena copiada em "Sexta-feira 13 - Parte 3") e um pescoço cortado bem real...



Passados tantos anos, todo mundo já deve saber que não é o Jason que mata nesse filme, e sim sua mãe, que quer vingança contra os monitores que deixaram seu filhinho morrer. Ou seja, a história termina até com um final-surpresa, longe da mesmice que se repetiria nos filmes seguintes.

Considerando o nível que a série tomou a partir do terceiro episódio, dá para assistir perfeitamente este "Sexta-feira 13" original, e, quem diria, até levar alguns sustos. Nada muito extraordinário, mas divertido para um sábado de chuva.

CURIOSIDADES



- O filme marca a estréia de Tom Savini com maquiador. Durante as primeiras duas semanas de exibição do filme, ele foi aos cinemas conferir de perto seu trabalho e a reação da platéia na cena final em que Jason emerge do lago e agarra Alice.

- Mesmo assim, boa parte do trabalho de Savini não foi para as telas do cinema: as cenas de assassinato eram muito mais compridas e sofreram vários cortes (não se sabe se foram feitos pelo diretor ou por pressão da Paramount). Segundo páginas na Internet especializadas na série, foram cortados vários segundos na morte de Annie (muito mais sangue saía da sua garganta cortada); na de Jack (o pescoço do rapaz, atravessado por uma seta, girava fazendo jorrar muito sangue); na de Marcie (atingida pelo machado no rosto, ela deslizava lentamente até cair no chão), e na da própria Sra. Voorhees.



- Outra cena que foi filmada, mas não incluída no filme, é a morte dos dois instrutores em 1958, no prólogo. O rapaz leva uma facada no estômago e a menina grita em close-up, quando entra o título do filme. Mas foi filmada a cena em que o assassino a esfaqueia no pescoço, fazendo jorrar muito sangue. Curiosamente, fotos desta cena foram usadas para publicidade do filme e aparecem até hoje em reportagens sobre a série, embora não tenham sido aproveitadas na edição.

- Savini também faz um pequena ponta no filme, em uma cena onde o cadáver de Brenda é atirado pela janela bem na frente de Alice. Na verdade, quem atravessa a janela é o próprio maquiador - e é possível perceber isso pelos seus cabelos pretos, embora Brenda tivesse uma longa cabeleira castanho clara.

- Dizem as más línguas que a Paramount só concordou em bancar o filme após o produtor Cunningham abrir mão do salário de diretor e boa parte da bilheteria.





Para comentar o artigo e entrar em contato com Felipe M.Guerra:

Nome:
Idade:
E-Mail:
Cidade/Estado:
O que você tem a dizer?


ACAMPAMENTO SANGRENTO
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Depois do sucesso de "Halloween - A Noite do Terror", Sean S. Cunningham se juntou com outros produtores como Steve Miner para a realização de um filme barato envolvendo um novo serial killer. A idéia era realizar uma produção independente, modesta, com uma nova data de terror como tema principal das mortes. Escolheram a SEXTA-FEIRA 13, mas faltava a motivação do assassino, as prováveis vítimas...

Em entrevistas, os atores disseram que recebiam as páginas do roteiro aos poucos, já que a história ainda estava sendo escrita. Todo o elenco era formado por jovens canastrões, exagerados, com exceção de Kevin Bacon, que já havia feito alguns filmes antes.
Um dos maiores responsáveis pelo sucesso do filme, que conseguiu um lançamento de sucesso nos cinemas, chama-se TOM SAVINI.
Ele já havia mostrado seu talento em "Despertar dos Mortos" e, aqui, o mestre traz realidade às cenas de morte, um visual deformado ao joven Jason e muitas cenas
violentas - muitas cortadas devido à censura.

A cena da morte de Kevin Bacon impressionou a crítica que, apesar de considerar o filme ruim, teve que tirar o chapéu para o talento do mestre. A cena teve a participação efetiva do maquiador e ator. Ele ficou embaixo da cama, assoprando o tubinho por onde saia o sangue pelo peito falso de Kevin Bacon.



O filme não mostra o corpo do assassino (no caso, assassina) durante os assassinatos. Acompanhamos em primeira pessoa a arma sendo conduzida até a morte da vítima; ou simplesmente o grito da vítima antes de ser atacada. Vez ou outra aparece de relance os sapatos ou sombras pela mata.

Aos que condenam os assassinatos, a própria "Pamela Vorhees" explicou no making of que não culpa a atitude de sua personagem. Tem um fundo nobre: ela mata os monitores do acampamento para que eles não reabram o local onde o filho fora assassinado no passado. Se for aberto, outras crianças poderão morrer...

Para quem não se lembra, Jason afogou-se em 1957. Um ano depois, um casal de monitores foi assassinado no local, dando a ele o apelido de "acampamento sangrento" a Crystal Lake.



O corpo de Jason não foi encontrado na época. Ele ainda estava vivo, vivendo num barraco, alimentando-se de animais e frutas - como é mostrado no segundo filme.

A história do primeiro filme se passa num único dia, SEXTA-FEIRA 13 de JUNHO (data do nascimento de Jason e da estréia nos cinemas), quando vários monitores tentaram reabrir o acampamento.

"Crazy Ralph" criou o estilo "cuidado com a maldição do local", copiado em diversos filmes depois.



Betsy (Miss Vorhees) não queria fazer filme de terror. Só aceitou porque queria comprar um carro. Sua frase: "Kill her, mom", serviu para a criação do tema musical "ki ki ki...mo mo mo" (utilização dos fonemas de "kill" e "mom"). Ao contrário do que se diz, a trilha JÁ APARECE NO PRIMEIRO FILME!

Na minha opinião, a melhor morte é a de Kevin Bacon mesmo, seguido pela da própria assassina. Fizeram realmente um molde da cabeça da atriz...

O filme conseguiu sucesso nos cinemas devido a campanha publicitária nos jornais e nos trailers, que sempre mostrava o título do filme quebrando a tela...Nos filmes seguintes, a brincadeira continuou....



Tom Savini foi a várias estréias do filme para se divertir vendo o público gritando e até mesmo fugindo da projeção. A cena em que o garoto Jason (deformado, graça ao Savini) sai da água foi a que deu o susto maior no publico. A tendência continuou nos filmes seguintes, sempre com algum sustinho do assassino...

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Pamela Voorhees
1 : Barry - facada no estômago
2 : Claudette - facada offscreen
3 : Annie - garganta cortada com fação
4 : Ned - garganta cortada
5 : Jack - flecha no peito, por baixo da cama
6 : Marcie - machadada na fuça
7 : Brenda - morte offscreen, depois atirada pela janela
8 : Steve Christy - facão no estômago
9 : Bill - pregado na porta com flechas

Assassino: Alice

10 : Mrs. Voorhees - decapitada por facão

Para comentar o artigo e entrar em contato com Marcelo Milici:

Nome:
Idade:
E-Mail:
Cidade/Estado:
O que você tem a dizer?



SEXTA-FEIRA 13 (Friday the 13th, Inglaterra, 2008). Duração: 95 minutos
Direção: Sean S. Cunningham
Roteiro: Victor Miller e Ron Kurz
Produção: Sean S. Cunningham
Produção Executiva: Alvin Geiler
Fotografia: Barry Abrams
Música: Harry Manfredini
Edição: Bill Freda
Desenho de Produção: Virginia Field
Direção de Arte: Virginia Field e Robert Topol
Figurino: Caron Coplan
Maquiagem: Tom Savini e Taso N. Stavrakis
Elenco: Betsy Palmer (Sra Pamela Voorhees), Adrienne King (Alice Hardy), Harry Crosby (Bill); Kevin Bacon (Jack Burrell); Laurie Bartram (Brenda); Jeannine Taylor (Marcie Cunningham); Mark Nelson (Ned Rubenstein); Robbi Morgan (Annie); Peter Brouwer (Steve Christy); Rex Everhart (motorista do caminhão); Ronn Carroll (sargento Tierney); Ron Millkie (oficial Dorf); Walt Gorney (Crazy Ralph); Willie Adams (Barry); Debra S. Hayes (Claudette); Dorothy Kobs (Trudy); Sally Anne Golden (Sandy); Mary Rocco; Ken L. Parker (doutor); Ari Lehman (Jason Voorhees); Noel Cunningham (garoto em 1958); Irwin Keyes

Artigos