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Sexta-feira 13 - Parte 4" é piada. Assim, "
Jason X" virou gozação assumida, piada, uma brincadeira violenta e muito mais divertida do que os "
Sexta-feira 13" do 5 ao 9, que tinham péssimos roteiros (só mudavam as vítimas e as formas de matar), mas, espantosamente, se levavam a sério. Alguns deles se levavam a sério até demais, diga-se, especialmente a
Parte 9, com seu
"espírito de Jason" pulando de corpo em corpo. Ou seja, os diretores da série tinham um roteiro com o Jason nas mãos, mas queriam fazer
"Cidadão Kane".
Nesta parte 10 isso não acontece: o diretor James Isaac resolveu fazer uma comédia de humor negro, com um amalucado roteiro de Todd Farmer - que foi corajoso em dar este rumo a uma série com tantos fãs e admiradores, e ainda faz uma pequena participação no filme, obviamente como uma das incontáveis vítimas do furioso assassino. Ah sim, e não é a estréia de Isaac como diretor, apesar do que muito crítico de quinta categoria tem escrito por aí. Ele estreou em 1989, com o interessante "
House 3: The Horror Show". Esqueça o rótulo
"terror", pois é impossível assustar-se com este filme, a não ser que você seja realmente muito frágil e inocente - e não saiba que aquele personagem vai ser estripado ao entrar sozinho naquela sala escura. "
Jason X" é tão terror quanto "
A Noiva de Chucky", outro filme divertido que tem coragem de brincar com os clichês do gênero.


O começo já é uma piada. Os créditos de abertura brincam com o início de
"Clube da Luta", mostrando um monte de ângulos de câmera inusitados... Em um deles, a câmera passa por dentro de uma agulha de seringa.O roteiro: em 2010, cientistas resolvem congelar Jason criogenicamente por não encontrar uma forma de destruí-lo (por que não explodir seu corpo em pedacinhos bem pequenos, como fizeram, muito bem feito, no começo da
Parte 9 ???). Graças a um cientista inescrupuloso, o Dr. Wimmer (o cineasta David Cronenberg, de "
A Mosca" e "
Scanners", mostrando realmente ter bom humor para fazer participação especial num filme destes...), Jason escapa, mata muita gente, mas é enfim congelado junto com uma cientista, a dra. Rowen, ferida mortalmente por ele antes de iniciar a criogenia.
Alguns séculos depois, a Terra é um planeta desabitado e os seres humanos vivem em estações orbitais, a maior delas criativamente chamada
"Terra 2". No ano 2455, um grupo de estudantes consegue a façanha de pousar sua nave justamente em Crystal Lake, onde encontra os dois corpos congelados e os leva à bordo. Tirando o cenário futurista, é o típico "
Sexta-feira 13": Jason acorda e começa a matar todo mundo. Uma morte é mais violenta que a outra, com efeitos bastante exagerados - mas é justamente isso que você quer ver num filme do Jason, certo ??? Os efeitos são melhores que a média e o filme banaliza a violência de um jeito que chega a dar dó. Afinal, o verdadeiro herói do filme é o próprio Jason, e não tem como não se sentir um pouco mal por torcer para o monstro matar logo todos os personagens em cena (mais sadismo, impossível).
Mas gente tão ridícula que só fala bobagem merece morrer, e Jason realmente faz o trabalho muito bem. Uma das melhores cenas é aquela em que ele congela a cara de uma loirinha e depois despedaça sua cabeça batendo-a contra a mesa.


Não há qualquer tentativa de criar suspense: na primeira hora do filme, todos que ficam cara a cara com Jason morrem, todos que entram em corredores escuros morrem, todos que saem sozinhos morrem, etc etc. Chega uma hora que você até pára de contar os mortos, pois são muitos. Por outro lado, os furos do roteiro não dá para deixar de contar. E um dos principais é: como Jason consegue estar sempre um passo a frente das vítimas dentro da nave espacial, um ambiente que para ele é desconhecido, ao contrário dos bosques de Crystal Lake ? E vamos supor que várias das portas que ele encontra pelo caminho são abertas por computador, como ele faz nesse caso ??? Usa seus conhecimentos adquiridos no cursinho de informática de Crystal Lake ???
Algumas risadas que você dá com este filme são intencionais, mas as melhores são as involuntárias. Por exemplo, a maior parte da tripulação da nave, tanto cientistas quanto militares, são jovens aparentando menos de 25 anos, as meninas vestindo pouquíssima roupa e tentando convencer como
"cientistas". E os diálogos são um primor. Um deles envolve o Sargento Brodsky, um ótimo personagem, soldado truculento em contraste com Jason - algo nunca aproveitado nos outros filmes, que só mostravam jovens medrosos. Pois Brodsky toma uma espetada de Jason, tem o tórax atravessado por uma facada, e grita:
"Acha que só com isso vai conseguir me matar ???". A resposta de Jason é nova facada, centímetros ao lado da primeira. Brodsky, tristemente, responde:
"Agora sim você está conseguindo". De rolar de rir.


Lá pelas tantas o filme vira bobagem assumida: Jason sofre um
"upgrade" e vira um monstrengo metálico parecido com algum inimigo dos
"Power Rangers", metade biônico, totalmente anabolizado e indestrutível. Para enfrentá-lo, os heróis criam uma simulação virtual da Crystal Lake dos anos 80 (quando os produtores aproveitam para fazer uma divertida auto-paródia dos primeiros filmes da série, mostrando duas jovens campistas usuárias de drogas e praticantes do sexo livre, bem parecidas com aquelas mostradas no filme original, de 1980).
Mas um dos melhores achados do filme é a andróide Kay-Em, cheia de armas e com habilidades especiais em artes marciais, dando o maior pau em Jason, numa cena que parece gozação de filmes com mulheres invencíveis, como "
Alien" e
"Tomb Raider", e copia até as piruetas de Daryl Hannah em "
Blade Runner".Resumindo: desligue os neurônios e curta este "
Jason X", que é bem divertido. Se preferir um programa sério, vá assistir outro filme.
CURIOSIDADES- Os brasileiros viram "
Jason X" antes dos produtores do filmes, os americanos ! Aqui o filme estreou na metade de janeiro de 2002, enquanto lá a estréia foi empurrada primeiro para março, depois para 12 de abril e finalmente 26 de abril (data na qual finalmente foi lançado).
- O filme teve uma produção cheia de problemas e atrasos. Para se ter uma idéia, uma das primeiras datas cogitadas para a estréia do filme era uma sexta-feira, 13 de abril de... 2001!!!! E uma das primeiras notícias divulgadas sobre a produção - no Brasil foi no site
"Cinema em Cena" - data de 18 de janeiro de 2000 !!!!!
- Foi o primeiro dos 10 filmes da série a ganhar um site exclusivo na Internet (
http://www.jasonx.com). Neste site foi feito o lançamento do primeiro trailer da produção, mas ali foram incluídas pouquíssimas informações sobre o filme, dando prioridade a fotos.
- A Internet também foi usada por um grupo de fãs da série no começo de 2001. Eles reivindicavam que a New Line exibisse o filme em agosto de 2001, e não somente em 2002. Como podemos ver, não conseguiram seu intento - e nós ainda vimos o filme antes que eles, mesmo sem fazer abaixo-assinado, hehehehe!
- Depois de ver o primeiro trailer distribuído pela New Line, que entregava de bandeja o novo visual do assassino, fãs da série se referiram ao novo Jason como sendo uma mistura de Spawn com o Homem de Ferro.
- O slogan usado nos EUA é
"Evil gets an upgrade", ou
"O Mal ganhou um upgrade". E inicialmente era para o filme se chamar
"Jason 2000".
- Sabia que "
Jason X" foi totalmente filmado em câmeras digitais ??? Pois é, coube à décima parte da série "
Sexta-feira 13", a mais ridicularizada do mundo cinematográfico, a honra de ser a primeira produção totalmente filmada em formato digital - "
Star Wars Episódio 2" também foi feito assim, mas foi lançado depois...
- Todd Farmer, o roteirista, faz uma pequena participação como Dallas, uma entre tantas vítimas de Jason.
- Kane Hodder, o dublê que interpreta Jason no filme, disse que são 28 mortes ao todo nesta décima parte... Mas ele deve ter se perdido nas contas, pois a contagem de corpos parece ser bem maior. Sem contar que só na cena da destruição de uma estação orbital inteira devem ter morrido umas 500 pessoas !
- Em maio de 2000 (portanto vejam só o atraso na produção), o cineasta David Cronenberg falou, em entrevista, sobre seu personagem em "
Jason X", o Dr. Wimmer.
"Eu basicamente faço um doutor idiota que merece morrer", resumiu, perfeitamente, o diretor.
- Alguns nomes foram mudados sem maiores explicações: a Dra. Rowe era para se chamar Dra. Rizzo, e Lowe tinha, no roteiro, o nome Delongpre.
- O roteiro também previa uma montagem de cenas dos filmes anteriores da série no início. Isso provavelmente foi mudado pela semelhança que teria com o início das partes 4 e 7, que também começam da mesma forma.
- Embora "
Jason X" seja apenas seu segundo filme como diretor, James Isaac tem uma extensa relação de filmes em seu currículo. Ele trabalhou na equipe de criação das criaturas dos filmes "
A Mosca", "
Mistérios e Paixões" (destes dois filmes deve ter vindo a amizade com David Cronenberg) "
Gremlins" e "
O Retorno de Jedi" (!). Foi supervisor de efeitos especiais em "
Abismo do Terror" (de Sean S. Cunningham), "
House 2" e "
Existenz" (Cronenberg novamente!). E, por fim, foi diretor da segunda unidade nos filmes "
A Colheita Maldita 5" e
"Olha Quem Está Falando Também"... argh !!!!
N.E.: Esse artigo foi cedido pelo autor Felipe M. Guerra para publicação no site Boca do Inferno, extraído originalmente do prestigiado site www.myers.cjb.net ("Halloween - o site brasileiro de Michael Myers"), editado por Alexandre Sobrino.
Felipe M.Guerra
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JASON X - SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 10 (Jason X, EUA, 2001). PlayArte. Duração 95 minutos.
Direção: James Isaac
Roteiro: Todd Farmer
Produção: Noel Cunningham; James Isaac
Produção Executiva: Sean S. Cunningham
Fotografia: Derick V. Underschultz
Música: Harry Manfredini
Edição: Whitney Brooke Wheeler; David Handman; Natalie Pope
Desenhos de Produção: John Dondertman
Direção de Arte: James Oswald
Elenco: : Kane Hodder (Jason Voorhees/Uber-Jason); David Cronnenberg (Dr. Wimmer), Lexa Doig (Rowan), Lisa Ryder (Kay-Em 14); Jonathan Potts (Prof. Lowe); Chuck Campbell (Tsunaron); Peter Mensah (Sgt. Brodski); Melyssa Ade (Janessa); Derwin Jordan (Waylander); Dov Tiefenbach (Azrael); Boyd Banks (Fat Lou); Melody Johnson (Kinsa); Kristi Angus (Adrienne); Phillip Williams (Crutch)
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