SEXTA-FEIRA 13: PARTE 2

por Felipe M.Guerra

Aqui temos a primeira aparição de Jason Voorhees, um dos mais famosos e duráveis assassinos psicopatas da galeria de vilões do cinema de horror. Curioso mesmo é que neste filme ele aparece como uma pessoa normal (bem, mais ou menos), e aos poucos, com o passar das continuações, ganha status de assassino sobrenatural, ressuscitando sem a menor cerimônia para matar.

Melhor ainda: o roteiro até tem alguma coerência ! Algo completamente impensado nos filmes que se seguiriam, e que apenas catalogam a carnificina de Jason. O filme foi feito em 1981, mesmo ano de "Halloween 2", o que evidencia que, na época, os produtores ainda tinham certo cuidado e respeito com as continuações - as duas "Partes 2" são bons filmes e com boas histórias.
"Sexta-feira 13 - Parte 2" começa com aquela cara de continuação mesmo, mostrando o que acontece com a sobrevivente do filme anterior, Alice (Adrienne King), a moça que decapitou a mãe de Jason. Um homem misterioso, do qual só se vêem os sapatos, ronda sua casa. Logo, o pior se concretiza: a sobrevivente é morta antes mesmo dos créditos iniciais, mostrando que Jason não está para brincadeira.

O rosto do assassino nunca é mostrado até a cena final. Talvez o diretor Steve Miner quisesse criar um clima de suspense, tipo "quem será o assassino ?".



Depois dos créditos, a história segue aquele rumo de obviedade: cinco anos após a chacina mostrada no primeiro filme, um novo jovem empresário resolve abrir uma colônia de férias bem pertinho de Crystal Lake, agora rebatizada de "Camp Blood" (Campo Sangrento). Contrata alguns jovens para serem monitores do acampamento - que já está prontinho para receber as crianças, ao contrário do cenário mostrado no primeiro filme da série, que ainda estava em reformas.

Legal mesmo é que o roteiro trabalha com vários personagens, mas nem todos vão para a faca, diferente do que acontece nos demais filmes da série, onde praticamente TODOS os figurantes precisam morrer - acho que o mais exagerado neste quesito é o nono capítulo, onde gente que não tem nada a ver com a história é aniquilada sem cerimônia.



A coisa acontece mais ou menos assim: alguns dos jovens não se comportam e, como castigo, são obrigados a passar a noite no acampamento enquanto os outros vão para a "cidade" divertir-se em um bar. Os personagens são aquele primor de estereótipo: há a mocinha bobinha que quer dormir com um rapaz bonitão, há o casalzinho que só pensa em transar, uma gostosona, um rapaz que não tira o olho da gostosona e apronta para vê-la pelada, e por aí vai. A novidade fica por conta de um personagem deficiente físico, que morre em uma cena bem legal e até provoca certa comoção.

Enquanto os amigos estão no bar, os que ficam são eliminados com fúria por Jason. Há mortes razoavelmente violentas, mas também erros grosseiros. Em uma das mortes, um jovem está amarrado de cabeça para baixo quando Jason lhe passa um facão no pescoço. Mas qualquer um vê que o facão está virado do contrário, e não é o lado da lâmina que passa no pescoço dele. Um efeito completamente grosseiro!



Também tem uma morte bem parecida com "Halloween 2", onde um homem da lei tem algumas idéias pregadas na cabeça por Jason - que lhe afunda um martelo no coco. Uma outra boa idéia é mostrar como Jason viveu tanto tempo na floresta: em um casebre no meio do mato, onde guardou a cabeça mumificada da mãe. Brrrrr...

O personagem ainda não tem sua tradicional máscara de hóckey neste filme. Quando ele aparece pela primeira vez, pertinho do final, está com um saco branco na cabeça, camisa xadrez e calça preta. Por baixo do saco esconde-se um rosto deformado e demente, e ele ostentava uma longa cabeleira e barba que praticamente some de um dia para o outro até "Sexta-feira 13 - Parte 3".



O filme vale as três estrelas também pelo final inconcluso, que não deixa claro o que aconteceu - Jason morreu ou não ? E o que aconteceu com o namorado da menina sobrevivente, que ela chama inutilmente na ambulância que a transporta para o hospital ? Também vale as estrelinhas pela dignidade e pelo esforço de tentar criar alguma coisa diferente, pois podiam ter ressuscitado do nada a mãe do Jason, se fosse o caso, como produtores inescrupulosos fizeram com o passar das continuações.





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ACAMPAMENTO SANGRENTO 2
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Depois do sucesso surpreendente do primeiro, uma sequência seria mais do que bem-vinda. Mas, ninguém sabia duas coisas: 1) como o segundo filme conseguiu um lançamento tão rápido, apenas um ano depois? 2) como conseguiram superar as expectativas e fazer um filme AINDA MELHOR do que o primeiro?



O interessante do segundo filme é que ele segue fielmente a história do original. Alice Hardy (Adrienne King), que havia sobrevivido no filme anterior, retorna para uma pequena e mortal participação na cena de abertura. Desta vez, acompanhamos uma figura masculina se aproximando da casa até o fim trágico da personagem, que, inclusive, encontra a cabeça da Sra.Voorhes na geladeira pouco antes de ser assassinada.

Aqui cabem algumas curiosidades. Depois do filme,a atriz Adrienne King passou a ser ameaçada de morte e perseguida por um lunático. Desistiu da carreira de atriz, mesmo tendo adquirido alguns elogios. A cena serviu de inspiração para o filme "Pânico", que inclusive cita a franquia no quiz mortal.

Passaram-se alguns meses depois do assassinato dos monitores do primeiro filme. È óbvio. O filme não poderia se passar em Crystal Lake. Corretamente, o roteirista Ron Kurz, que contou com a colaboração do diretor Steve Miner (que participou efetivamente do primeiro filme), seguiu à risca a história. Um grupo de monitores em treinamento passa a ser perseguido e assassinado por ninguém menos que Jason Voorhes, que não morreu afogado, esteve todo o tempo numa velha cabana no meio da mata.

Aqui temos um Jason magro, ágil (corre o tempo todo), que usa um saco cobrindo o rosto e um dos olhos. Por que isso? Para esconder a identidade? Não, para esconder seu complexo de feiura. A máscara de hóquei só apareceria no terceiro filme...



Só vemos o corpo inteiro de Jason quase no final do filme. Ele luta, sobe em cima de um carro, corre pela mata...enfim, um Jason de trinta anos.

As mortes são mais violentas, pois há a presença física do assassino, mas são menos gráficas. Claro...não temos mais Tom Savini. Aliás, a maquiagem do Jason no final do filme é ruim de mais. Mantém a feiura, mas sem qualidade visual.

A melhor morte é a do rapaz da cadeira de rodas: leva um facão no olho e cai de uma gigantesca escadaria. Mas, também merece destaque a do casal pregado à cama com uma lança...

Steve Miner dirigiu corretamente o filme, mesclando cenas reais de perseguição na mata, com tomadas bem feitas do lago. Com destaque para o momento em que a jovem se tranca no banheiro e tenta fugir pela janela...encontra o próprio Jason, que dá um baita susto - uma bela seqüência sem cortes. Aliás, a jovem em questão é a conhecida Amy Steel, que depois faria outro slasher, "A Noite das Brincadeiras Mortais".



Aqui temos novamente o Crazy Ralph, alertando os jovens dos perigos do local. Ele diz em voz gutural: "os outros não quiseram me ouvir..." Pena que o personagem tem vida curta...poderia trazer bons momentos no futuro.

Mas, o maior destaque na continuação fica a cargo do momento "Psicose", quando Ginny (Amy Steel) finge ser a mãe de Jason e o parabeniza pelo trabalho realizado. Aqui temos mais uma participação de Betsy Palmer...

Um filme bem superior realmente.

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Jason Voorhees
1 : Alice - picador de gelo na têmpora
2 : Crazy Ralph - enforcado com arame na árvore
3 : Policial - martelada na parte de trás da cabeça
4 : Scott - garganta cortada com facão
5 : Terry - esfaqueada
6 : Mark - facada no meio da cara...
7 : Jeff e
8 : Sandra - empalados por uma flecha grande...
9 : Vickie - esfaqueada
10 : Paul - desaparece, provavelmente morreu...

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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 2 (Friday the 13th Part 2, EUA, 1981). Duração: 87 minutos
Direção: Steve Miner
Roteiro: Ron Kurz
Produção: Steve Miner
Produção Executiva: Lisa Barsamian; Tom Gruenberg
Fotografia: Peter Stein
Música: Harry Manfredini
Edição: Susan E. Cunningham
Desenho de Produção: Virginia Field
Direção de Arte: Robert Topol
Figurino: Ellen Lutter
Maquiagem: Lisa Brozek; John Caglione Jr.; Carl Fullerton; Joanne Salarno; David E. Smith; Cecilia Verardi
Elenco: Amy Steel (Ginny Field); John Furey (Paul Holt); Adrienne King (Alice Hardy); Kirsten Baker (Terri); Stuart Charno (Ted); Warrington Gillette (Jason Voorhees); Walt Gorney (Crazy Ralph); Marta Kober (Sandra Dier); Tom McBride (Mark); Bill Randolph (Jeffrey); Lauren-Marie Taylor (Vicky); Russell Todd (Scott); Betsy Palmer (Sra. Pamela Voorhees - arquivo); Cliff Cudney (Maxwell); Jack Marks (Winslow); Jerry Wallace; David Brand; China Chen; Carolyn Louden; Jaime Perry; Tom Shea; Jill Voight; Rex Everhart

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