SEXTA-FEIRA 13: PARTE 4
O CAPÍTULO FINAL

por Felipe M.Guerra

Não há nada de novo nesta quarta matança cinematográfica da famosa série de slasher movies, que é o filme mais lucrativo da série - 42,6 milhões de dólares de bilheteria. Na verdade, o filme só ganha as duas estrelinhas por motivos sentimentais: este foi o primeiro filme da série que eu vi, há muitos anos, quando ele passou todo retalhado em uma Tela Quente da vida, nos tempos que minha mãe ainda me obrigava a ir dormir cedo.

Irônico mesmo é o subtítulo "The Final Chapter". A intenção era terminar a "história" (ou seria falta de...) por aqui, mas na prática não foi o que aconteceu (embora a Parte 5 tenha tentado dar um rumo diferente à série, como os produtores de "Halloween" também tentaram com sua Parte 3). Uma cena da Parte 2, onde Paul explicava aos seus amigos a "Lenda de Jason", é aproveitada no início, que faz uma colagem de cenas de morte dos três filmes anteriores para situar os espectadores que não conhecem a série.
Como nas duas continuações anteriores, esta começa onde o filme anterior terminou. No caso, com um grupo de policiais recolhendo os pedaços deixados por Jason, que é dado como morto com um machado cravado no crânio - legal mesmo é como ele é enviado ao necrotério ainda com sua máscara de hóquei que, pelo certo, deveria ser retirada pelos policiais.



A matança começa cedo neste quarto filme, com Jason aniquilando um casal de enfermeiros tarados - curioso como ele atravessa meio hospital para matar uma enfermeira, mas parece nem se importar com todos os outros funcionários do local. Aqui o personagem já ganha o status de "exterminador de tudo que se mexa". Praticamente todos os figurantes, tenham eles relação com a história ou não, são eliminados. A mais patética é uma moça que aparece pedindo carona. Sua participação se resume a meio minuto, e logo ela leva uma espetada de Jason.

A história, novamente, é um primor: ignorando a mortandade na região, praticamente no dia seguinte à matança registrada na Parte 3 e dois dias depois da chacina mostrada na Parte 2, um grupo de jovens vai passar um final de semana em casa próxima ao local dos crimes, em Crystal Lake (não existe polícia para alertar os jovens de que a área é perigosa ???). Ali também mora uma família que, vejam só, parece viver no local há anos, sem nunca ter sido molestada por Jason até esta Parte 4.



Aqui os personagens são ainda mais bobos do que de costume, mas interpretados por atores relativamente famosos durante a década de 80. Crispin Glover, que tempos depois faria o pai de Michael J. Fox na série "De Volta Para o Futuro", e recentemente um dos vilões de "As Panteras", é um bobão tímido que consegue levar uma mulher para a cama antes de tomar um faconaço de Jason; Corey Feldman, de "Os Goonies" (esse cara desapareceu, né ?), é um garotinho fã de filmes de horror; Lawrence Monoson, astro de, pfffff, "O Último Americano Virgem", é aquele jovem metido a conquistador que leva um fora da garota. Também tem um casal de gêmeas gatinhas que só aparecem na trama como enfeite e logo morrem. Os bobões fazem tudo que se espera em um filme desses: tomam banho de rio pelados; vão nadar de madrugada, sozinhos; transam muito e o tempo todo; vão a lugares desertos e escuros sozinhos, sem acender nenhuma luz; não percebem como de uma hora para a outra todo mundo sumiu, e assim por diante.

O roteiro tenta até criar um elo com as outras seqüências, através de Rob Dyer, um jovem misterioso que está no rastro de Jason para vingar sua irmã, morta, aparentemente, no primeiro filme. Como é de costume, já se sabe logo quem vive e quem morre, mas há várias mortes bem legais, principalmente a de Glover, que tem a mão presa na mesa com um saca-rolhas antes de levar um cutelo bem no meio da cara. Detalhe: ele não grita pedindo ajuda aos amigos que estão na sala.



Um punhado de cenas legais termina com a suposta morte de Jason, bem violenta até, e um final um pouquinho melhor que a média. Se fosse realmente o último da série, até teria o seu valor, pois se conclui satisfatoriamente. O diretor poderia ter dado uma melhorada na história, mas parece ser um daqueles filmes feitos às pressas para ganhar dinheiro em cima dos fãs. Por sinal, a direção de Joseph Zito, autor de pérolas como "Invasão USA", com Chuck Norris, é de uma inépcia constrangedora: ele não tenta nem ao menos criar um clima de suspense, resumindo-se a catalogar a matança. Zito também insiste em não mostrar o assassino até o final do filme, como se ninguém soubesse que o responsável pelos crimes é Jason.

Detalhe: também este filme tem cenas cortadas, inclusive uma que mostra a mãe dos personagens principais, a Sra. Jarvis, morta dentro da banheira - na história ela simplesmente desaparece, sem explicar se morreu ou não.



"Sexta-feira 13 - Parte 4" também teve o mérito (?) de instituir os subtítulos na série. Anteriormente, as seqüências eram apenas numeradas. A partir deste "Capítulo Final" veio a Parte 5 - "Um Novo Começo" (A New Beginning), a Parte 6 - "Jason Vive" (Jason Lives), a Parte 7 - "A Matança Continua" (The New Blood), a Parte 8 - "Jason Ataca Nova York" (Jason Takes Manhattan) e a Parte 9 - "Jason Vai Para o Inferno" (Jason Goes To Hell - The Final Friday, mais um título equivocado, levando em conta que a Parte 10 já foi lançada).

CURIOSIDADES

- Tom Savini foi o responsável pelos efeitos especiais deste filme e do primeiro. Não quis participar das duas primeiras seqüências pois temia o fracasso da série.

- Ted White, que atuou como o assassino Jason, recebeu ordens para não conversar com nenhum membro do elenco pois o diretor acreditava que assim os atores poderiam ter mais medo de atuar ao lado de uma figura sinistra. O medo seria mais próximo da realidade.



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ACAMPAMENTO SANGRENTO 4
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Jason morreu mesmo no terceiro filme. Seu corpo é encontrado pela polícia caído no celeiro, com o machado cravado em seu crânio, e é levado a um necrotério da região. Na cena que antecede os créditos iniciais, foi feita uma bela montagem resumindo as mortes mais violentas dos três primeiros filmes, narradas pelos jovens que conversavam sobre a lenda de Jason, próximos a uma fogueira em “Sexta-Feira 13 – Parte 1”. Na abertura, já temos a máscara de hóquei explodindo quando surge o título do filme, deixando evidente que a idéia dos produtores de homenagear o Canadá foi aceita.



Se Michael Myers pode simplesmente se levantar e continuar matando mesmo tendo levado tiros e ter seus corpo queimado, por que não o amaldiçoado Jason Voorhees? Sem apelar para alguma maldição voodoo, possessão, derramamento de produto tóxico ou experiência de um cientista maluco, Jason simplesmente sai da gaveta dos corpos e já acaba com a farra de um casal de médicos. Como ele passou pelos corredores e saiu do hospital, ninguém sabe. Ora, se o Michal pode...

A matança de “Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final” (1984, um ano após o último) acontece apenas um dia depois dos eventos ocorridos no terceiro filme e dois em relação ao segundo. Mesmo tendo sido matéria em todos os telejornais, além da constante presença de carros de polícia e helicópteros, Crystal Lake continua sendo uma opção para os jovens que querem farrear. A desculpa do roteirista: não deu tempo para todos se conscientizarem dos perigos do local.

A próxima vítima é a famosa gordinha muda, que pede carona, enquanto come uma banana na estrada. Cruzou o caminho do assassino? Pode esperar pela faca...



Conhecemos então as vítimas da vez. Entre elas, a ilustre presença de Crispin Glover em início de carreira. Como sempre, ele faz o papel de uma pessoa estranha, deslocada, mas que, ainda assim, consegue uma boa transa antes de levar uma facada na fuça.

Neste, há também a presença de outro ator esquisito: o cultuadíssimo Corey Felman (ator de sucesso dos anos 80, estrelando inclusive o ótimo “Os Garotos Perdidos”.

Já que estamos falando em nomes conhecidos, “Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final” também traz mais uma vez o brilhante trabalho de Tom Savini aos efeitos especiais. Pouco tempo depois, ele trabalharia em “Dia dos Mortos” (1985) e “O Massacre da Serra Elétrica 2” (1986). Com isso, temos a garantia de mortes violentas e realistas. O destaque fica por conta da facada em Crispin Glover, mas também tivemos mais uma apunhalada por trás que atravessa o peito, uma cabeça que gira 360 graus e outra que é esmagada num box de banheiro. A arte de Tom Savini é mostrada no quarto do garoto Tommy Jarvis (Corey Feldman), com máscaras realistas e alguns efeitos interessantes de maquiagem. O menino tem bom gosto...

Jason não apanha tanto quanto no terceiro, porém, ainda assim, leva uma televisão na cabeça, uma facada na testa sem máscara (ele inclusive cai sobre o facão) e tem os dedos da mão separados com um corte, antes de ficar aos pedaços na cena final. Seu visual está um pouco mais grotesco aqui. Não tem mais corcunda; está mais lento (um pouco mais apenas), com a pele amarelada (para indicar sua condição de zumbi) e bem mais forte (quebra uma porta com o corpo e atira uma garota sobre o teto de um carro, explodindo todos os vidros. Detalhe: ninguém na casa escuta, mesmo estando assistindo a um filme erótico mudo)



Curiosamente, entre os personagens que atuam e morrem no filme, temos um chamado Rob Dier, que é irmão de uma jovem que foi assassinada em “Sexta-Feira 13 – Parte II”: Sandra Dier. Ele aparece no filme com a intenção de vingar a morte da irmã, que aconteceu há apenas dois dias, e também para apresentar a Tommy Jarvis a história de Jason Voorhees. O engraçado acontece quando ele morre: enquanto leva facadas contínuas, ele grita para sua companheira: - Socorro, ele está me matando....

Há uma seqüência neste filme que já aconteceu duas vezes antes (no primeiro e no segundo filme): a jovem tenta se proteger em casa, quando o corpo de uma das vítimas é atirado pela janela. Basta a pessoa se trancar em casa e o plano de imagem mostrar a janela e, pronto, vai voar um corpo!!



Apesar das críticas negativas recebidas pelo filme, eu gosto de “Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final”. Na época, eu era mais novo que Corey Feldman no filme, mas me via como o garoto fã de terror que salva a irmã, dando um fim (até o momento) para Jason Voorhees. Uma falha comum nos filmes de terror ocorre quando a vítima acerta o assassino, deixando-o desmaiado. Ela costuma fugir ao invés de terminar o serviço, atitude que o jovem Tommy não toma...e ainda faz mais na seqüência.
Também gosto desse filme porque é o que mais apareceu mulheres nuas até o momento. Antes, só havia aparecido uma garota nua no segundo e parcialmente no terceiro. Neste, temos um festival de bundas e peitos...

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Jason Voorhees
1 (23) : Axel - serra cirúrgica no pescoço e cabeça virada 360 graus
2 (24) : Enfermeira Morgan - enforcada e rasgada com uma faca
3 (25) : gordinha muda - faca por trás da garganta
4 (26) : Samantha - faca por trás do torso
5 (27) : Paul - flecha na virilha
6 (28) : Terri - facada por trás..
7 (29) : Mrs. Jarvis - morta offscreen
8 (30) : Jimmy - abridor de garrafa na mão, faca na fuça
9 (31) : Tina - atirada por uma janela em cima de um carro
10 (32) : Ted - facada por trás da cabeça...
11 (33) : Doug - cabeça esmagada
12 (34) : Sara - machado no peito
13 (35) : Rob - garganta cortada...



Assassino: Tommy Jarvis
14 (1) : Jason Voorhees - facão na cabeça...

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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 4 (Friday the 13th: The Final Chapter, EUA, 1984). Duração: 97 minutos
Direção: Joseph Zito
Roteiro: Barney Cohen; Ron Kurz, Martin Kitrosser, Carol Watson e Victor Miller (personagens); Bruce Hidemi Sakow
Produção: Frank Mancuso Jr.
Fotografia: João Fernandes
Música: Harry Manfredini
Edição: Joel Goodman
Desenho de Produção: Shelton H. Bishop
Direção de Arte: Joe Hoffman
Maquiagem: Larry S. Carr; Alec Gillis; James Kagel; Michael Maddi; Jill Rockow; Tom Savini; John Vulich; Kevin Yagher
Elenco: Kimberly Beck (Trisha 'Trish' Jarvis); Erich Anderson (Rob Dier); Corey Feldman (Tommy Jarvis); Barbara Howard (Sara); Peter Barton (Doug); Lawrence Monoson (Ted); Joan Freeman (Sra.Jarvis); Crispin Glover (Jimmy); Clyde Hayes (Paul); Judie Aronson (Samantha); Camilla More (Tina); Carey More (Terri); Bruce Mahler (Axel); Lisa Freeman (Enfermeira Morgan); Wayne Grace (Oficial Jamison); Antony Ponzini (Vincent); Frankie Hill (Lainie); Paul Lukather (doutor); Bonnie Hellman (caronista); Arnie Moore (médico); Robert Perault (médico); John Walsh (apresentador de TV); Gene Ross (policial); Abigail Shelton; Robyn Woods (garota no chuveiro); Thad Geer; Tom Everett; William Irby; Kirsten Baker

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