SEXTA-FEIRA 13: PARTE 5
UM NOVO COMEÇO

por Felipe M.Guerra

Este filme é tão ruim, mas TÃO RUIM, que parece até que foi feito assim de propósito. Seu único mérito é a tentativa dos produtores de dar um novo rumo à série, como atesta o subtítulo, "Um Novo Começo". Afinal, Jason Voorhees tinha morrido (hahahaha) no final da Parte 4, o tal "Capítulo Final". Aqui então optou-se por um novo formato: não é Jason que mata, mas sim um ser humano normal, um dos personagens do filme, cuja identidade é revelada em uma "surpresa" no final.

Apesar de não ser Jason, o assassino se veste como ele, com a mesma máscara de hóquei, anda como ele, naquele passo de tartaruga (mas sempre está um passo a frente das vítimas), e mata como ele, usando os mais variados objetos para machucar (alguém saberia me dizer onde os assassinos psicopatas carregam tantas ferramentas, já que sempre têm uma a mão para matar as vítimas?). Bons tempos os de "Halloween", onde Michael Myers andava com um único facão de cozinha...
Não que este "novo rumo" faça alguma diferença no filme: tirando a identidade do assassino, é um legítimo "Sexta-feira 13", sem história, sem ritmo e com muitas mortes por minuto, igualzinho às partes anteriores. Não há qualquer novidade na forma de contar a história: existem muitos personagens, mas nenhum deles é desenvolvido satisfatoriamente para que o espectador torça por ele. Na verdade, grande parte aparece apenas para morrer. É o fundo do poço.

É sinistro, mas neste filme TODO MUNDO morre. Desde o enfermeiro que aparece dois segundos até o punk que não tem nada a ver com a história, e nem mora em Crystal Lake... O assassino está em todos os lugares e a toda hora, para matar quem quer que seja, e aí o roteiro amontoa furo em cima de furo - o espectador a todo minuto pensa: "Opa, antes ele estava lá no fundo, agora está aqui de novo, como anda tão depressa ?".



Em todo caso, vamos à história: o filme começa até razoavelmente bem, com uma introdução bem legal. Em uma noite chuvosa e tenebrosa, o garoto Tommy, aquele que matou Jason no final da Parte 4 (novamente interpretado por Feldman), vai ao cemitério onde o psicopata foi sepultado. No mesmo momento, aparecem dois jovens que, sem nada para fazer, resolvem desenterrar Jason. Obviamente, ele volta à vida, mata os dois rapidamente e persegue Tommy... que logo acorda dentro de uma ambulância. Não é mais um garotinho, mas sim um rapagão crescido, ainda traumatizado por ter matado Jason.

Uma vez li uma versão que me parece plausível para Corey Feldman não ter participado do filme: ele estaria envolvido com as filmagens de "Os Goonies", de Richard Donner, no mesmo ano desta continuação (1985). Por isso, ele só aparece na introdução-sonho (ufa, Corey, escapou de uma boa, hein ?).

Por mais difícil que seja acreditar nisso, o traumatizado Tommy crescido está sendo transferido para uma clínica especializada em doentes mentais - e acredite, são vários... - localizada em... tchan tchan tchan... CRYSTAL LAKE !!!!!!!! E legal mesmo é que nem cara de clínica tem: trata-se de uma fazenda onde os maluquinhos podem caminhar livremente e fazer o que bem entendem.



Os furos de lógica são enormes, parecem ter sido feitos pelo próprio Jason com uma motosserra... Logo no começo, um louco furioso - mas que foi deixado cortando lenha pelos médicos, na atitude mais imprudente da história da psiquiatria ! - mata um gordinho chato (bem parecido com aquele da Parte 3) a golpes de machado, à la Jason. A polícia aparece no local, levam o louco embora e tudo parece voltar à normalidade, certo ? Cascata !

Um Jason aparece circulando pela região. O diretor Danny Steinman usa o mesmo recurso dos cineastas que o precederam, evitando mostrar o assassino até o final do filme, como se ninguém soubesse que trata-se de Jason - ou, no caso, de alguém vestido como ele.



No começo, vários personagens sem qualquer razão de existir são eliminados. Chega a ser engraçado falar sobre eles. Tem dois caras que aparecem se xingando porque o carro onde estavam teve problemas. Um deles vai para o meio do mato urinar e o outro fica olhando inutilmente o motor do carro. Ambos morrem. Depois (ou antes, nem me lembro) um cara vai buscar uma garçonete que sai de um escuro bar, já fechado. Ela leva o tradicional susto do gato que pula do nada sobre ela, e depois ambos são mortos por Jason após falarem poucos segundos.

Um cara aparece todo esfarrapado e vai pedir trabalho em troca de comida na casa de uma família que mora nas redondezas da clínica. Também aparece meio minuto e logo morre.

Há de se questionar o porquê de colocar tantos personagens inúteis em um roteiro idem. Será o prazer de matar gente tão sem graça e sem utilidade? Ou o desafio de criar novas e violentas mortes para o deleite do público? Não sei não, mas as três ou quatro mortes do primeiro "Halloween" me deixaram mais aterrorizado do que as mais de 20 pessoas que aqui são chacinadas apenas porque resolveram aparecer em cena !

Em todo caso, o louquinho Tommy vê o vulto de Jason por toda a parte, mas ninguém acredita nele. Logo, os seus coleguinhas do manicômio também começam a morrer. Vale ressaltar que todos eles são jovens e se encaixam em todos os estereótipos já mostrados nos capítulos anteriores - temos o casal que só transa, o bobão que não consegue declarar-se para um menina, e quando o faz leva um fora, e tal e tal e tal... Coisa fácil escrever roteiros para a série "Sexta-feira 13".



Os assassinatos vão conduzindo a trama a um final óbvio, onde os poucos sobreviventes, incluindo Tommy, confrontam Jason. Aqui fica uma dúvida: se o assassino é uma pessoa normal nesta continuação, como ele suporta o pau que toma dos personagens a todo momento? Em todo caso, após sua morte, a identidade é revelada. Não é surpresa, pois trata-se de um dos únicos personagens secundários que não morreu !!!

O filme termina em um hospital, onde o xerife explica os motivos que levaram aquele pobre coitado a assumir o comportamento de Jason. Na verdade, trata-se de uma história de vingança envolvendo aquele gordinho morto a machadadas no começo do filme. Agora, a pergunta valendo um milhão: não seria mais lógico e menos trabalhoso a vingança ser perpetrada contra o louco que deu as machadadas no gordinho, ao invés de estender-se a todo o resto de Crystal Lake?????



Mas este ainda não é o final do filme... a enfermeira que sobreviveu à matança entra no quarto de Tommy para procurá-lo e... SURPRESA ! Temos um dos finais mais legais de toda a série - mas que não foi levado em consideração na posterior Parte 6.

A direção de Steinman (do igualmente péssimo "Ruas Violentas", estrelado por Linda Blair) é simplesmente inexistente. Ele arrasta o filme de uma forma quase insuportável - é o mais longo da série, com 106 minutos, apesar da falta de história ser total, tornando uma verdadeira prova de fogo assisti-lo sem recorrer ao "Fast Forward". As mortes também são pessimamente encenadas e com efeitos grosseiros, sem maior interesse. Esta Parte 5 é realmente a pior seqüência de toda a série e certamente um dos piores filmes já feitos em todos os tempos, uma espécie de "Plan Nine From Outer Space" maquiado com uma produção razoável. Até a ruindade da série tem um limite, que aqui certamente foi ultrapassado.



CURIOSIDADES

- Num determinado trecho do filme, uma das personagens está lendo uma exemplar da revista Fangoria. Não é por acaso: aquele exemplar traz uma entrevista com Tom Savini, o maquiador responsável pelos primeiros filmes da série.

- Repare na cena em que a personagem Pam está sendo perseguida na floresta: seu suéter aparece e desaparece a cada nova cena.

- Na versão original do script, Violet era pra ter sido morta com uma machadada entre as coxas. Mas como os produtores acharam essa cena muita ofensiva, mudaram a morte para uma machadada no peito (violência por violência, não mudou nada).



- Corey Feldman foi originalmente divulgado como estrela do filme, mas ele estava ocupado gravando "Os Goonies", então tiveram que mudar um pouco o script e Corey gravou apenas a cena de abertura, que pelo script original era muito diferente. Nela, Corey Feldman (como Tommy Jarvis) e Jason foram levados para o mesmo hospital depois dos assassinatos. Tommy fica louco e mata todos os pacientes tentando achar Jason. Ele finalmente encontra Jason, mas esse ressuscita e ataca Tommy. Então, Tommy acorda do sonho na van do hospital psiquiátrico.



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ACAMPAMENTO SANGRENTO 5
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Quem sobrevive aos ataques de Jason Voorhees só tem um destino certo: a loucura. Foi o que aconteceu com Tommy Jarvis, o garoto que mutilou Jason no final da quarta parte. O assassino está morto realmente. Seus restos mortais foram enterrados num cemitério em Crystal Lake, enquanto o garoto passa a ser atormentado por visões cada vez mais realistas que mostram Jason o ameaçando de morte.



Na introdução, não temos mais um resumo dos minutos finais do filme anterior; vemos um pesadelo de Tommy Jarvis (ou seria uma premonição?) onde ele (ainda criança, interpretado por Corey Feldman) presencia dois rapazes desenterrando o corpo de Jason (que está com máscara e facão a tiracolo) até serem assassinados brutalmente. Quando está prestes a ser atacado, Tommy acorda, mais velho (agora, interpretado por John Shepherd), sendo levado para um instituto para doentes mentais e adolescentes perturbados.

O tal instituto é uma fazenda onde o tratamento consiste em preparar os pacientes para o retorno ao mundo real. Não é um hospital, não possui grades, nem guardas. Calado, Tommy tenta se adaptar ao local e a conviver com o bando de delinqüentes que se encontram ali e que seguem o estereótipo dos personagens que já apareceram antes na série: o gordo feio e esquisito, os jovens que só transam, os rebeldes e metidos a engraçados, os esquisitos e até mesmo um garoto, que está lá apenas para visitar o avô.

Logo no começo, o gordo leva umas violentas machadadas nas costas por um louco que cortava lenha, o que gera a fúria do pai do garoto, o paramédico Roy – mas isso, você só descobrirá no final, quando um policial vier contar os motivos do assassino.



Sim, Jason não é o assassino da vez. Quem mata aqui é o tal Roy, que, por incrível que pareça, apresenta até o momento o melhor movimento para Jason em toda a franquia. Ele não corre e não está ágil como os "Jason" dos quatro filmes anteriores. Sente dor, sangra e caminha lentamente ao estilo Michael Myers. Infelizmente, essa é a única qualidade de “Sexta-Feira 13 – Parte V – Um Novo Começo”.

Na tentativa de dar um novo rumo à série, abriram vários buracos no roteiro. O principal deles é o motivo do assassino. Roy não mata o louco que assassinou seu filho, mas, sim, todas as criaturas que atravessam seu caminho. Se a intenção era vingar a morte do jovem – que ele nunca reconheceu como filho -, por que não matou o louco que cometeu o crime? Por que vingar-se do mundo, se o maior responsável pela deficiência do rapaz é exatamente sua negligência? O gordinho, pouco antes de morrer, deixou claro sua intenção única de chamar a atenção...

Vários personagens são assassinados sem influência alguma com a história. Há um casal de namorados (uma garçonete esquisita e um bobão) que recebem violentas machadadas, mas que nunca haviam aparecido antes; os rapazes que param na estrada para consertar o carro... Sem contar a mãe e o filho motoqueiro que morrem por nenhuma razão, apenas para mostrar mais sangue.



Apesar do alto número de vítimas, o filme não é tão violento assim. As mortes se repetem a todo momento: há várias investidas no estômago, gargantas cortadas, cabeça decepada, rosto esmagado...porém sem os efeitos necessários para impressionar – Savini estava bastante ocupado. Os dois momentos mais interessantes: a morte do rapaz que tem o crânio esmagado por um cinto numa árvore; e outro que morre com um sinalizador na boca.

E mais uma vez temos um corpo atirado pela janela. Vão contando: é a quarta vez que isso acontece.

Fica claro a intenção dos produtores: queriam deixar o público pensando que Tommy estaria por trás dos assassinatos. Claro que não. Ele está ali para salvar o filme e aparecer na última cena como o provável novo assassino da franquia – idéia abandonada no filme seguinte.

Sem referência ou informação nova à mitologia da franquia, o filme não agrada realmente. Serve apenas para uma distração passageira e para constar na série, sem empolgação, sem enredo, sem grandes atores, sem Jason...

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Jason Voorhees
1 : Neil – facão no sonho de Tommy
2 : Les – picador de gelo no pescoço no sonho

Assassino: Vic
3 (1) : Joey – mutilado por um machado



Roy Burns
4 (1) : Vinnie – sinalizador na boca
5 (2) : Pete – garganta cortada com um facão
6 (3) : Billy – machado na cabeça
7 (4) : Lana – machado no peito
8 (5) : Raymond – facada no estômago
9 (6) : Tina – tesoura de jardim nos olhos
10 (7) : Eddie – cabeça esmagada com um cinto
11 (8) : Anita – garganta rasgada
12 (9) : Demon – lança no estômago, dentro de um banheiro
13 (10) : Junior – decapitado com uma faca de carne
14 (11) : Ethel – faca de carne na cabeça, afogada no ensopado
15 (12) : Jake – faca no rosto
16 (13) : Robin – facão por debaixo da beliche
17 (14) : Violet – facão no estômago
18 (15) : Duke – encontrado morto dentro da ambulância
19 (16) : Matt – pregado numa árvore, com pregos na testa
20 (17) : George – sem olhos, atirado pela janela



Assassino: Tommy Jarvis
21 (2) : Roy – empalado por várias lanças, depois que cai do celeiro
22 : Pam – esfaqueada na alucinação de Tommy



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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 5 (Friday the 13th: A New Beginning, EUA, 1985). Duração: 92 minutos
Direção: Danny Steinmann
Roteiro: Danny Steinmann; David Cohen; Martin Kitrosser; Victor Miller (personagens);
Produção: Timothy Silver
Produção Executiva: Frank Mancuso Jr.
Fotografia: Stephen L. Posey
Música: Harry Manfredini
Edição: Bruce Green
Desenho de Produção: Robert Howland
Maquiagem: Larry S. Carr; Alec Gillis; James Kagel; Michael Maddi; Jill Rockow; Tom Savini; John Vulich; Kevin Yagher
Elenco: Anthony Barrile (Vinnie); Suzanne Bateman (Enfermeira Yates / Recepcionista); Dominick Brascia (Joey); Todd Bryant (Neil); Curtis Conaway (Les); Juliette Cummins (Robin); Bob DeSimone (Billy); John Robert Dixon (Eddie); Corey Feldman (Tommy aos 12 anos); Jere Fields (Anita); Tiffany Helm (Violet); Melanie Kinnaman (Pam); Richard Lineback (Dodd); Carol Locatell (Ethel); Ric Mancini (Prefeito Cobb); Miguel A. Núñez Jr.; Corey Parker (Pete); Jerry Pavlon (Jake); Shavar Ross (Reggie); Rebecca Wood (Lana); John Shepherd (Tommy); Sonny Shields (Raymond); Eddie Matthews; Ron Sloan (Junior); Marco St. John (Xerife Tucker); Caskey Swaim (Duke); Mark Venturini (Victor); Debi Sue Voorhees (Tina); Vernon Washington (George); Chuck Wells; Dick Wieand (Roy); Richard Young (Matt)

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