SEXTA-FEIRA 13: PARTE 6
JASON VIVE

por Felipe M.Guerra

A ruindade da Parte 5 deve ter alertado os produtores da série, que um ano depois saíram com esta divertida Parte 6 em auto-paródia... Algum executivo da Paramount provavelmente percebeu que eles estavam levando a série muito a sério (perdoem o trocadilho). Todo aquele lance de não mostrar o assassino até o final, de tentar criar um clima de suspense, e que nunca dava certo, porque os filmes eram mal-dirigidos e sem surpresas.

Aqui o diretor Tom MacLoughlin resolveu assumir a bobagem da história que tinha em mãos e tocá-la em tom de paródia. E sabe que ficou bem divertido mesmo? É um dos melhores roteiros de toda a série - e que nunca se leva a sério -, com bons momentos, ótimos efeitos especiais e rende até várias gargalhadas. O filme também abandona aquela idéia grosseira de que todos os figurantes devem morrer. Até sobrevive gente demais...
Abandonando toda e qualquer referência ao final-surpresa da Parte 5, esta Parte 6 começa com Tommy (isso mesmo, o malucão das Partes 4 e 5, o que não deixa de ser mais uma surpresa da série, já que é uma continuação que realmente continua a história) e um amigo dentro de uma caminhonete, dirigindo por uma estrada deserta e escura. Tommy é interpretado por Thom Mathews, que identifiquei de cara como um dos atores do clássico trash "A Volta dos Mortos-Vivos", o divertidíssimo horror-comédia de Dan O`Bannon.



Em todo caso, a idéia de Tommy é no mínimo questionável: ele quer desenterrar Jason e queimar o que restou do seu corpo. Não tinha por que fazer isso, já que o assassino parecia realmente morto - ele não voltou na Parte 5, por exemplo, quando era um outro assassino que fazia suas vítimas, e a última vez que deu as caras Tommy ainda era um menino, interpretado por Corey Feldman, no final da Parte 4.

A dupla desenterra Jason, mas logo Tommy tem um ataque de ansiedade e crava uma lança em seu peito. Uma tempestade providencial colabora com um relâmpago, que atinge a lança e ressuscita o assassino psicopata. Tommy foge depois que seu amigo é morto, atravessado com um soco pelo vilão... É, Jason vive, como atesta o subtítulo. E em grande forma: os créditos iniciais imitam a clássica abertura da série 007. É a primeira de muitas gozações ao longo do roteiro.



O assustado Tommy consegue chegar à delegacia, mas os policiais não acreditam em sua história. Pior, vai direto para o xadrez. Acontece que a comunidade local quer esquecer do reinado de terror perpretado por Jason. Até o nome do local foi mudado de Crystal Lake para Forrest Green. Não que vá fazer muita diferença para o alucinado psicopata, que segue para a colônia de férias matando tudo que se move pelo caminho.

Há uma cena bem engraçada onde um casal está perdido em uma estrada no meio da floresta. É noite. Jason está parado bem no meio da via, com a lança nas mãos. A mulher diz para o rapaz (interpretado por Tony Goldwin, o vilão de "Ghost"): "Nos filmes de terror sempre é um mau sinal encontrar alguém com máscara no meio de lugar nenhum".



Jason aparece ao vivo e a cores, sem aquela intenção ridícula de escondê-lo até o último minuto do filme, como acontecia nos outros filmes. Assim, tornou-se pela primeira vez o verdadeiro personagem central da história. Ele vai aniquilando personagens patéticos - como um grupo de executivos burros que está jogando paintball bem no meio da floresta - até chegar à colônia de férias. Ao contrário do que acontecia nos filmes da série até então, o local está cheio de crianças. Mas Jason prefere matar todos os monitores a tocar em um fio de cabelo dos pequeninos.

Logo Tommy fugirá da cadeia com a ajuda da filha do xerife, que se apaixona por ele, e a dupla sai atrás de Jason. A polícia também é acionada, pela primeira vez em toda a série - normalmente eles só chegavam no final, para recolher os corpos. Não que isso vá fazer muita diferença: eles são exterminados por Jason depois de descarregar nele, inutilmente, as suas armas.



Com um bom ritmo e até algum suspense, coisa que praticamente não existia nas seqüências a partir da terceira parte, esta Parte 6 termina satisfatoriamente com uma bela morte de Jason, que volta para as profundezas do lago de "Forrest Green" - e é ironicamente recepcionado com uma placa no fundo do lago, que diz "Bem-vindo a Camp Crystal Lake". O roteiro não tem novidades, mas foi realmente muito bem escrito: os personagens fogem do lugar-comum da série. Não existe, por exemplo, o casalzinho que passa o filme inteiro transando, nem o bobão que corre inutilmente atrás da gostosona... E a trilha sonora é assinada pelo sumido roqueiro Alice Cooper.



Por essas e por outras, merece um lugar de destaque entre os preferidos de qualquer fã da série. A partir de então, o nível só caiu mais e mais, passando pela péssima Parte 7 até a ridícula Parte 9.

CURIOSIDADES

- Era para existir uma cena no final, que foi cortada onde, Elias Voorhees, o pai de Jason, caminhava até a sepultura do filho. Então a câmera daria um close no rosto de Elias e ele faria um olhar malvado.



- Essa produção foi filmada em três lugares diferentes da Georgia.

- No DVD desse filme há um tease-trailer muito interessante, envolvendo o túmulo de Jason Voorhees.



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ACAMPAMENTO SANGRENTO 6
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Crystal Lake já não existe mais. O nome foi alterado para “Forest Green” para evitar qualquer lembrança que pudesse ser associada aos massacres ocorridos na região. Mas, essa não foi a única mudança na franquia “Sexta-Feira 13”. Agora, a série tornou-se uma auto-paródia, transformando o assassino Jason Voorhees num mito e acrescentando uma dose maior de cenas de humor.



Sexta-Feira 13 – Parte VI – Jason Vive” começa exatamente do mesmo modo que o filme anterior. Sem retrospectiva, acompanhamos Tommy Jarvis (desta vez, interpretado por Thom Mathews, dos dois primeiros “A Volta dos Mortos-Vivos”) e um companheiro da instituição mental numa missão noturna no cemitério “Paz Eterna” para verificar se o corpo de Jason continua enterrado por lá. Tommy quer dar um fim nas suas alucinações constantes – como a que acontece no final do filme anterior -, e, para isso, pretende queimar os restos mortais de Jason.

Depois que o desenterra, o rapaz acerta o ferro de uma grade no peito dele por diversas vezes até que um forte raio atinge o corpo, trazendo luzes azuis e efeitos mirabolantes, além de fazer com que os olhos de Jason se abram, no melhor estilo “Frankenstein”. Ele mata o companheiro de Tommy e sai pela mata em busca de novas vítimas, enquanto caminha para a antiga Crystal Lake. Aqui, cabe uma boa pergunta: - por que Tommy resolveu levar até o local a máscara de hóquei de Jason?

Tommy busca ajuda da polícia e acaba sendo obrigado a sair da cidade. O Xerife não acredita na história de que Jason estaria vivo, pensando que as novas mortes da região possam ser frutos do próprio jovem que quer provar o retorno do lendário assassino. Assim, uma série de violentos assassinatos assolam a região e o acampamento “Forest Green”, onde um grupo de crianças acaba de chegar para passar o verão, ao passo que Tommy tenta, com a ajuda da filha do Xerife, mais uma vez mandar o corpo de Jason para o lago onde tudo começou.



Repleto de piadinhas como a do casal que encontra Jason na mata, a do grupo de paintball, e a da vítima que tem seu rosto esmagado numa árvore – deixando uma marca do “smile” –, esse sexto exemplar torna-se divertido por não se levar muito a sério. A primeira metade é repleta de cenas de humor (inclusive a própria abertura, numa interessante sátira a franquia “007”), deixando a segunda metade com a parte mais violenta e dramática.

Jason segue o estilo do filme anterior, com seus passos lentos, e sua força, capaz de destruir portas e arrancar a cabeça das pessoas. Uma ótima atuação de C.J. Graham. Só não gostei da idéia de fazê-lo com uma espécie de cinto de utilidades, com ferramentas e facas. Já o novo Tommy está bem diferente do anterior: mais falante, mais risonho, mais consciente, menos violento, o que é uma falha de caracterização do personagem.



As mortes continuam sendo o ponto forte: temos uma tripla degolada, uma chave de fenda na cabeça, um coração arrancado com as mãos e um corpo dobrado para trás, além do rapaz que é empalado com uma lança.

Um divertido exemplar da franquia que vale a pena ser visto e revisto.

ALGUMAS INFORMAÇÕES A RESPEITO DO SEXTO FILME
- apesar do raio no começo do filme, não há chuva. Isso só aconteceu duas vezes na série até o momento, aqui e no terceiro.

- primeiro filme da franquia em que Jason não mostra o rosto, não perde a máscara

- ninguém é arremessado por um vidro.

- não há cenas de nudez.

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Jason Voorhees
1 (36) : Allen – coração arrancado
2 (37) : Darren – empalado com uma lança
3 (38) : Lizbeth – com a lança enfiada na boca (sem pensar bobagem)
4 (39) : Burt – braço arrancado e esmagado numa árvore
5 (40) : Stan e
6 (41) : Katie e
7 (42) : Larry – decapitação tripla com um facão
8 (43) : Martin – garrafa quebrada na garganta
9 (44) : Steven e
10 (45) : Annette – empalados juntos na moto
11 (46) : Nikki – rosto esmagado contra a parede de metal de um trailer
12 (47) : Cort – faca na cabeça
13 (48) : Roy – pedaços de seu corpo encontrados na mata
14 (49) : Sissy – cabeça arrancada
15 (50) : Paula – estripada com um facão
16 (51) : Oficial Thornton – chave de fenda na testa
17 (52) : Oficial Pappas – cabeça esmagada nas mãos de Jason
18 (53) : Xerife Garris – quebrado no meio

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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 6 (Jason Lives: Friday the 13th Part VI, EUA, 1986). Duração: 87 minutos
Direção: Tom McLoughlin
Roteiro: Tom McLoughlin; Victor Miller (personagens);
Produção: Don Behrns
Fotografia: Jon Kranhouse
Música: Harry Manfredini
Edição: Bruce Green
Desenho de Produção: Joseph T. Garrity
Direção de Arte: Pat Tagliaferro
Figurino: Maria Mancuso
Maquiagem: Phyllis Temple; Denise Van Arsdale-West
Elenco: Thom Mathews (Tommy Jarvis); Jennifer Cooke (Megan Garris); David Kagen (Xerife Michael Garris); Kerry Noonan (Paula); Renée Jones (Sissy Baker); Tom Fridley (Cort); C.J. Graham (Jason Voorhees); Darcy DeMoss (Nikki); Vincent Guastaferro (Rick Cologne); Tony Goldwyn (Darren); Nancy McLoughlin (Lizabeth); Ron Palillo (Allen Hawes); Alan Blumenfeld (Larry); Matthew Faison (Stan); Ann Ryerson (Katie); Whitney Rydbeck (Roy); Courtney Vickery (Nancy); Bob Larkin (Martin); Michael Swan (oficial Pappes); Mike Nomad (Thornton); Wallace Merck (Burt); Roger Rose (Steven); Cynthia Kania (Annette); Thomas Nowell (Tyen); Justin Nowell (Billy); Sheri Levinsky; Temi Epstein; Taras O'Har

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