SEXTA-FEIRA 13: PARTE 7
A MATANÇA CONTINUA

por Felipe M.Guerra

Esta sétima parte da série só não é a pior de todas porque Danny Steinman dirigiu a tenebrosa Parte 5. Mas ambas se igualam em ruindade: tanto Steinman quanto John Carl Buechler, diretor desta sétima parte, preferiram jogar as páginas do roteiro fora e armar um previsível banho de sangue, em vez de pelo menos tentar contar uma história.

A diferença é que Steinman era apenas um péssimo cineasta, que fez um filme forçado e sem ritmo. Buechler, por outro lado, entende um pouco do riscado. Ele fez os efeitos especiais para vários filmes de horror, inclusive para o horrendo "Halloween 6".

O filme começa com uma introdução usando cenas de outros filmes da série, e explicando como Jason agora repousa no fundo do lago de Crystal Lake, amarrado pelo pescoço a uma pedra enorme, cortesia do seu velho amigo Tommy - que a partir desta sétima parte sumiu da série e não voltou mais.
O roteiro logo introduz a personagem principal, uma menina com poderes telepáticos, que no passado foi responsável pela morte do pai no mesmo lago de Crystal Lake. Agora, já crescida, ela é explorada por um médico inescrupuloso (Terry Kiser, um ator que me lembra imediatamente o cadáver ambulante do engraçadíssimo "Um Morto Muito Louco"). É ele que sugere uma temporada de férias em uma casa em Crystal Lake, para que possa estudar melhor os fenômenos paranormais que a garota provoca. O médico, a menina e sua mãe vão para lá e encontram o tradicional grupo de jovens fazendo festa nas imediações, com muito sexo, drogas e rock-and-roll.



Em uma noite, a garota tem a péssima idéia de tentar trazer o pai de volta do fundo do lago. Usando seus poderes, acaba trazendo de volta Jason ! Ele passa, então, a tradicionalmente matar todos os jovens - aqui voltamos aos estereótipos de sempre, de forma que qualquer um possa adivinhar quem vive e quem morre. Jason usa neste filme um arsenal considerável de ferramentas, o que traz à tona aquele velho questionamento: onde ele carrega tanta coisa, já que para cada vítima usa um instrumento diferente??? Claro que as cenas de morte são bem elaboradas, mas o filme fica na sangreira pela sangreira, sem um clima de suspense e sem um pingo de história - o que já era previsível pelo péssimo subtítulo, "A Matança Continua", ou "Sangue Novo" (The New Blood).



Nunca entendi porque os roteiristas da série jamais se preocuparam em criar ao menos diálogos decentes... Não seria preferível diminuir o número de personagens em cada história e ao menos tentar desenvolvê-los, ao invés de simplesmente mostrar um monte de rapazes e moças que aparece e morre sem que o espectador possa ao menos se lembrar dos seus nomes ?



A partir dos 50 minutos, o filme vira o tradicional corre-corre dos poucos sobreviventes, sempre encontrando os cadáveres dos amigos caprichosamente espalhados por toda parte... A diferença está um pouco na forma como Jason é combatido ao final do filme: a garota usa seus poderes telecinéticos para tentar destruí-lo, e no final convoca o próprio pai morto, saído das profundezas do lago, para matar o assassino ! Argh !!!!!!!



CURIOSIDADES

- Este é o primeiro filme da série em que o dublê Kane Hodder assume a máscara do personagem Jason. Ele continuaria usando a máscara do personagem até hoje, e é idolatrado pelos fãs da mesma maneira que Robert Englund (Freddy Krueger).

- O filme foi realizado às pressas para aproveitar a renda da Parte 6, e por isso traz inúmeras falhas, com muitos microfones aparecendo e até a sombra de um cameraman na parede.



- Também mudaram a cena final deste filme, que iria ficar muito parecida com as partes 1 e 3: pelo roteiro, um pescador era puxado para dentro do lago por Jason, logo depois que as coisas se acalmavam...

- O pai da personagem principal, Tina, se chama John Shepherd. Será uma homenagem a John Shepard, o ator que interpretou Tommy Jarvis na Parte 5 ???



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ACAMPAMENTO SANGRENTO 7
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Carrie encontra Jason Voorhees na sétima parte da série Sexta-Feira 13. A intenção inicial dos produtores era realizar um encontro entre Freddy Krueger e Jason, mas cada personagem pertencia a uma produtora diferente – Paramount, que possuía os direitos sobre os “A Hora do Pesadelo; e a New Line, sobre Jason – e o acordo não foi estabelecido. Assim, procuraram desenvolver um herói que ficasse à altura do assassino imortal e assim criaram Tina Shepard, uma jovem com poderes telecinéticos.



O filme começa com uma breve narração da lenda de Jason Voorhees e seus principais assassinatos até culminar nos acontecimentos que o levaram ao fundo do mar, com uma gigantesca pedra prendendo-o pelo pescoço. A narração dessa introdução foi feita por Walt Gorney, que nos dois primeiros filmes interpretou o famoso Crazy Ralph. Eu, particularmente, gosto quando os longas da série começam assim, situando o público dos eventos ocorridos nas produções anteriores.

Quando criança, Tina Shepard não queria mais ver sua mãe apanhando de seu pai e acabou usando seus poderes para jogá-lo nas águas de Crystal Lake. Apesar da cena dar a impressão de que Jason já estaria na água, acredito realmente que esse fato acontecera antes da morte de John Shepard, pai de Tina. Aproximadamente dez anos depois, Tina volta ao local da tragédia, seguindo os conselhos de seu médico, Dr. Crews (Terry Kiser), e em companhia de sua mãe, Amanda Shepard (Susan Blu). Durante uma briga com o médico, Tina usa seus poderes para trazer seu pai de volta, mas acaba libertando Jason Voorhees, agora intepretado por Kane Hodder – ele ganhou esse papel porque o diretor, John Carl Buechler, ficou impressionado com o físico do rapaz nas filmagens de “Duro de Prender, 1988), onde Kane fez um bom trabalho como dublê. Se ele não tivesse recebido essa indicação, Jason seria interpretado novamente por C.J. Graham.



Hodder dá um show de interpretação como Jason: alto e extremamente forte, Kane cria a famosa “respiração” e a postura de um assassino que realmente mete medo. Comparado aos primeiros “Jason”, este é, sem dúvida alguma, o mais assustador de todos. A caracterização do personagem também ficou interessante: enquanto caminha, podemos observar em suas costas seu esqueleto à mostra. È claro que também precisamos ignorar as roupas do assassino, completamente diferentes do filme anterior, quando ele usava um macacão. Até o momento, Jason já vestiu uma camisa quadriculada, uma camisa verde, um macacão e as roupas atuais, em trapos.

Na casa ao lado (pelo visto, venderam o acampamento do filme anterior e fizeram casas em cada dormitório), um grupo de amigos está realizando uma festa surpresa para um rapaz que está prestes a chegar. Interpretado por William Butler (que teve a honra de participar de várias franquias como “O Terror de Freddy Krueger” e “Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica 3”), o jovem Michael nem consegue chegar ao local com sua namorada, ambos são as primeiras vítimas de Jason. O fato do personagem se chamar Michael (faltou o Myers) gera algumas cenas engraçadas: sempre que alguém ouve um barulho na mata, diz coisas como: “- Acho que foi o Michael.” ou “ – Deve ser o Michael querendo nos assustar. Aparece, rapaz, não tenho medo de você.”.



Aos poucos, todos os personagens tradicionais da franquia morrem e desaparecem (não necessariamente nessa ordem). Depois que Jason descobre um depósito de ferramentas no local, quando persegue a jovem que segue o estereótipo da feia que ninguém quer, passa a matar o elenco com as mais diversas ferramentas, inclusive utilizando uma moto-serra em uma das vítimas. Neste exemplar, temos cabeça arrancada e esmagada, vítima empalada, pregos comuns, prego de barraca, machado, foice, atirada pela janela (repetição de uma morte que já foi mostrada no filme "Sexta-Feira 13 - O Capítulo Final"), afogamento e, obviamente, facada.

Na melhor de todas, Jason pega uma jovem no saco de dormir e bate com força contra uma árvore – essa morte seria repetida no filme “Jason X”.

No final, temos o duelo entre Tina e Jason. O assassino apanha bastante nesse filme: é eletrocutado, enforcado, recebe pregos na cabeça, um sofá, uma televisão, é queimado, soterrado por um telhado, tem a máscara apertada sobre o crânio e acaba voltando para o lago, quando a Tina consegue fazer seu pai voltar dos mortos (!!!) para levá-lo para o fundo. Aqui, temos também que aceitar que o pai não está lá fisicamente (provavelmente o fantasma dele), pois, seria impossível o corpo ainda estar no lago e ainda conservado.

Depois dos dois primeiros filmes, esta é minha segunda seqüência preferida da franquia (antes, vem o sexto filme). Apesar dos erros grosseiros de continuidade e do aparecimento da equipe técnica (este é o filme com mais erros da franquia), acho o filme bastante divertido. È um dos filmes que mais aparecem mulheres nuas e cenas de sexo; Jason está visualmente melhor (até quando tira a máscara e mexe o queixo); e há o primeiro inimigo realmente ameaçador para o personagem. Possui várias falhas no roteiro como o fato do local voltar a ser chamado de Crystal Lake – ele tinha mudado o nome para Forrest Green no filme anterior -, mas é divertido o suficiente para entreter o público.



CONTAGEM DE CORPOS

Assassina:Tina Shepard
1 - John Shepard – afoga o pai no lago Crystal Lake

Assassino: Jason Voorhees
2 (54) : Jane – prego da barraca no pescoço, pregado na árvore
3 (55) : Michael – prego da barraca na parte de trás da cabeça
4 (56) : Dan – Jason fura o corpo e quebra o pescoço
5 (57) : Judy – esmagada na árvore com seu saco de dormir
6 (58) : Russell – machado no rosto
7 (59) : Sandra - afogada
8 (60) : Maddy – foice no pescoço
9 (61) : Ben – cabeça esmagada pelas mãos de Jason
10 (62) : Kate – assoprador no olho
11 (63) : David – faca no estômago, cabeça arrancada
12 (64) : Eddie – garganta cortada com um facão
13 (65) : Robin – arremessada por uma janela
14 (66) : Amanda Shepard – esfaqueada por trás
15 (67) : Dr. Crews – moto-serra no estômago
16 (68) : Melissa – machado no rosto

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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 7 (Friday the 13th Part VII: The New Blood, EUA, 1988). Duração: 90 minutos
Direção: John Carl Buechler
Roteiro: Manuel Fidello; Daryl Haney; Victor Miller (personagens);
Produção: Iain Paterson
Produção Executiva: Frank Mancuso Jr.
Fotografia: Paul Elliott
Música: Harry Manfredini; Fred Mollin
Edição: Maureen O'Connell; Martin Jay Sadoff; Barry Zetlin
Desenho de Produção: Richard Lawrence
Figurino: Jacqueline Johnson
Maquiagem: Maria Lupe de Caesar; Jerrie Werkman; Kathleen Karridene
Elenco: Kane Hodder (Jason Voorhees); Lar Park-Lincoln (Tina Shepard); Susan Jennifer Sullivan (Melissa); Kevin Spirtas (Nick); Terry Kiser (Dr. Crews); Susan Blu (Sra.Amanda Shepard); Heidi Kozak (Sandra); William Butler (Michael); Staci Greason (Jane); Larry Cox (Russell); Jeff Bennett (Eddie); Diana Barrows (Maddy); Elizabeth Kaitan (Robin); Jon Renfield (David); Michael Schroeder (Dan); Debora Kessler (Judy); Diane Almeida (Kate); Craig Thomas (Ben); Jennifer Banko (jovem Tina Shepard); John Otrin (Sr.John Shepard); Delano J. Palughi

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