SEXTA-FEIRA 13: PARTE 8
JASON ATACA EM NOVA YORK

por Felipe M.Guerra

É difícil saber por onde começar a criticar este filme, porque ele é RUIM demais. Pior: é um dos maiores casos de propaganda enganosa de todos os tempos. O subtítulo "Jason Takes Manhattan", ou "Jason Ataca em Nova York", não se justifica: apenas a meia hora final do filme se passa na Big Apple, e mesmo assim Jason parece perdido na cidade grande, preferindo caçar uma meia dúzia de jovens que corre de um lado para o outro ao invés de atacar os alucinados moradores da metrópole.

Até lembro das minhas esperanças de jovem fã da série quando vi o trailer deste filme, há muito tempo... Mostrava o vulto de Jason de costas, de forma que não fosse possível identificá-lo, enquanto Frank Sinatra cantava sua tradicional "New York, New York". Logo Jason se vira e o subtítulo explode na tela: "Jason Takes Manhattan" !!! Imaginei mil e um roteiros para um filme com um título desses.
Um assassino sobrenatural atacando em uma cidade grande não é material para um bom filme ??? Pois vejamos: os assassinos seriais do cinema parecem preferir cidades pequenas. Michael Myers, da série "Halloween", nunca saiu da pequena Haddonfield; Jason também preferia Crystal Lake/Forrest Green até esta improvável seqüência... Passando do Leatherface, de "O Massacre da Serra Elétrica", por Norman Bates, de "Psicose", até os assassinos da série "Pânico", não me lembro de qualquer um deles atacando na cidade grande.



Pensei ver Jason em confronto com policiais, com pessoas da cidade grande que já têm tanta coisa para temer ALÉM de um assassino imortal, como a alta criminalidade, a poluição e muitos outros problemas. Imaginei perseguições de carro, saudáveis brincadeiras com o dia-a-dia de uma cidade grande...

Longe de tudo isso, esta Parte 8 tem um roteiro tão óbvio que dá pena. Não tem jeito de ver o filme sem apelar para o "Fast Forward" do controle remoto.

Ele começa com uma ressurreição grotesca de Jason, que apodrecia no fundo do lago desde o final da Parte 7. Um barco passeia por ali e sua âncora detona um cabo de energia elétrica - novamente, é a eletricidade que traz o assassino de volta à vida. Depois de aniquilar o casal no barco com a habilidade de praxe, ele entra de penetra em uma embarcação maior, o Lazarus, que está levando uma turma de estudantes para excursão em Nova York. Por que Jason fez isso, ao invés de caminhar de volta para Crystal Lake e procurar algumas vítimas fresquinhas, não me perguntem...



O Lazarus está cheio de adolescentes com os hormônios descontrolados. Os primeiros 60 minutos do filme são aquele festival de obviedade que se pode esperar de um "Sexta-feira 13": Jason vai matando um a um os pobres jovens. Como cada um aparece muito pouco, a gente nem se lembra dos seus nomes, quanto mais pode simpatizar com eles - acaba mesmo é torcendo para que Jason mate todos.

E como são descuidados e ingênuos... Uma guitarrista desce até a escura sala de máquinas só para tocar guitarra. Pois é com o próprio instrumento musical que Jason parte seu crânio. Depois, um amiguinho dela desce até a escura sala de máquinas para procurá-la. Perde os óculos, não enxerga nada, e vira presa fácil de Jason.



Aqui o assassino mascarado ganha pela primeira vez o status de vilão sobrenatural. Tal qual um fantasma, aparece em todos os lugares. Exemplo ? Uma das vítimas corre de Jason e sobe as escadas de um prédio. Chegando no segundo andar - surpresa ! -, Jason já está lá.

Segundo um livro americano editado pela revista "Fangoria", que comprei nos EUA, várias mortes foram censuradas. Uma delas é a de um jovem boxeador que é eliminado por Jason na sauna - tem uma pedra incandescente enterrada no peito. No original, ele teria os olhos perfurados com dardos. Não sei que diferença fez esta cena para terem trocado. Morte por morte...



Os efeitos especiais são os mais fracos desde a Parte 2 da série... Quando Jason espeta alguém com objetos pontiguados, mostra-se um close da área atingida; qualquer um percebe a trucagem, que não há uma pessoa por baixo da roupa, e sim um balde de sangue que jorrará assim que o tecido for furado. Fica muito mal-feito e parece uma produção primária de estudantes de cinema. Em outra cena, Jason arranca as tripas de um incauto jovem: são mangueiras de borracha, que o pessoal dos efeitos especiais nem teve o trabalho de sujar com sangue cenográfico.

A maior parte do filme e das mortes se passa no barco, em meio a uma tempestade. Logo, os poucos sobreviventes chegam a Manhattan e são obsessivamente perseguidos por Jason. Aí entra o maior furo de todos os tempos.

Em determinado momento, alguém diz a frase máxima da burrice em um filme de horror: "Vamos nos separar!". Aí, mais alguns morrem. No barco, um lugar fechado, até entendo que Jason conseguisse matar todo mundo, mas como, diabos, os jovens não conseguem fugir e se esconder em uma cidade grande, como Nova York, misturando-se às milhares de pessoas que ali vivem ?



A meia hora final na cidade é um engodo, pois se passa em becos escuros que poderiam ter sido filmados em qualquer lugar, até aqui na minha cidade. Não seria legal mostrar uma cena com Jason perseguindo os jovens na Estátua da Liberdade, por exemplo ? Ou a garotada deixando o assassino para trás de táxi, ou qualquer coisa nesse sentido ? O final não passa de um corre-corre infantil pelas ruas, no metrô e até em uma galeria de esgoto. Se era para mostrar só isso, podiam ter ficado tranqüilamente em Crystal Lake...

Nunca me esqueço da decepção que tive ao ver esta Parte 8 pela primeira vez. Apesar do roteiro (do próprio diretor, Rob Hedden) ser muito fraco e desperdiçar uma excelente idéia - e até mesmo o cenário do navio, que podia render cenas claustrofóbicas em lugares cada vez mais fechados, como no primeiro "Halloween" -, o final traz realmente uma das melhores mortes de Jason. Poderia ter sido a definitiva, mas o dinheiro sempre fala mais alto, e logo Jason estaria voltando a Crystal Lake para a ridícula Parte 9, falsamente intitulada "A Última Sexta-feira 13" - nem o "Capítulo Final" foi o último MESMO.



CURIOSIDADES

- - Há uma cena em que Jason passa em frente a um poster onde pode ser visto a foto de Jason e mensagem "Jason Vive".

- O filme foi filmado mais na Colombia do que precisamente em Nova Iorque.



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ACAMPAMENTO SANGRENTO 8
Curiosidades e breves análises do filme e seus bastidores

por Marcelo Milici

Aos trezes anos de idade, eu tinha no meu quarto um gigantesco cartaz da oitava parte da série “Sexta-Feira 13”. Nele, havia uma silhueta de Manhattan em vermelho, com a máscara de Jason em destaque. Era o filme que eu tinha mais vontade de assistir na época, quando eu até “brincava de Jason” com meus amigos, desenvolvendo pequenas histórias com o assassino imortal.

Foi a maior decepção que eu tive no gênero. Apesar de ser fã absoluto da franquia, não posso negar a ruindade desse filme, que supera até mesmo a quinta e o nona parte.



Até mesmo o diretor/roteirista Rob Hedden confessou que o longa não foi malhado à toa. No primeiro tratamento do roteiro, o filme se passaria realmente em Nova Iorque (e não apenas em Manhattan), mostrando Jason perseguindo suas vítimas pela Madison Square Garden, na ponte do Brooklyn e até mesmo no Empire State Building. Mas, infelizmente, a Paramount, que detinha os direitos pelo filme, não tinha dinheiro para filmar muitas cenas em Nova Iorque, então ele teve que alterar seu roteiro para que o filme acontecesse apenas em Manhattan, sem explorar muito a região.

Para piorar a situação, assim como ocorre no Brasil com o lançamento do filme “Turistas”, as empresas de turismo não queriam que os pontos turísticos de NY fossem mostrados em cena. Assim, o pobre coitado Rob Hedden não teve outra alternativa a não ser focar o filme quase que inteiro num navio – atitude que gerou ainda mais protesto entre os fãs.

Assim, o filme tem início com a música "The Darkest Side Of The Night”, tocada pelo grupo Metropolis, mostrando os lugares de Manhattan por onde Jason perseguirá suas vítimas. O assassino continua no lugar onde foi deixado no filme anterior, quando foi puxado para a água por John Shepard, pai da jovem com poderes paranormais.



Um casal resolve namorar numa lancha próximo ao local, enquanto se prepara para a viagem que farão no dia seguinte para Nova Iorque. A âncora do navio arrebenta um cabo de alta tensão e eletrocuta o corpo de Jason, que, no estilo Frankenstein, mais uma vez retorna à vida.

Na embarcação, naquelas coincidências absurdas dos filmes de terror, o rapaz resolve assustar a namorada usando uma máscara de hóquei, apenas para Jason ter o que usar para esconder seu rosto deformado, enquanto os mata com um arpão. Apesar de estar próximo dos acampamentos de Crystal Lake e próximo da terra firme, não se sabe por qual razão, Jason opta por entrar de gaiato num navio de formandos, rumo a Big Apple. Não há motivo realmente para isso. È uma desculpa esfarrapada para levá-lo a um local diferente e popular. O roteirista podia ter feito uma opção simples: Jason persegue a jovem da lancha. Ela foge. No dia seguinte, a jovem entra no barco e o assassino vai atrás. Aproveita a viagem para matar todos, enquanto o barco segue rumo ao destino...simples, não?



Quando o navio sai do cais, vemos uns 30 jovens nele. Mas, mais da metade irá desaparecer durante a viagem, sem mostrar corpo algum. Um dos personagens diz: - cadê o pessoal do restaurante? Outro responde: - não existe mais restaurante. Quer dizer que Jason matou toda essa gente offscreen? Que desperdício!

Durante a primeira hora do filme, vários jovens serão assassinados no navio. Restarão apenas 5 para fugir na cidade grande. E mesmo com centenas de pessoas cruzando o caminho do assassino, Jason somente perseguirá essas cinco vítimas. Outro desperdício! O roteiro podia mostrar Jason como uma espécie de exterminador, matando tudo o que vem pela frente. Kane Hodder disse numa entrevista que o roteiro exigia que em certo momento ele chutasse um cachorro assim que chegasse à cidade, mas o próprio ator achou muita crueldade essa atitude e optou por apenas chutar um rádio.

Aliás, Jason, neste filme, está politicamente correto. Ele mata uma rockeira com uma guitarrada na cara; dois traficantes (enfiando uma agulha num deles) e acaba salvando a mocinha; mais tarde, afoga o tio da jovem que a traumatizou quando criança (atirando-a no lago); mata com um soco o boxeador; mostra o rosto para uns punks feios...

Em certo momento, dentro de um bar, dois jovens entram correndo e falam: - Ajude-nos! Um maníaco está atrás de nós!. A bartender responde: - Bem-vindos a Nova Iorque!. Logo depois, Jason entra no local e atira o gigantesco cozinheiro contra um espelho. Era Ken Kirzinger, que duas décadas depois vestiria a máscara de Jason para enfrentar Freddy Krueger em “Freddy Vs Jason” (2003).



No final, Jason persegue o casal de heróis pelo esgoto e estes assistem a morte do assassino, sendo engolido pelo lixo tóxico. A máscara cai e Jason tem um novo rosto monstruoso. Durante a cena, ele vomita pouco antes da água cobrir seu rosto – trata-se de um vômito real de Kane Hodder, depois de engolir muita água e ficar com ânsia. Vemos Jason voltando a ser criança, gritando de dor e até pedindo ajuda para a mamãe.

Em “Sexta-Feira 13 – Parte VIII”, temos um novo Crazy Ralph. Um rapaz que diz todos estão amaldiçoados por Jason, blá blá blá...

Em certo momento, no navio, Jason passa por uma porta onde podem ser vistos vários dardos. Esse detalhe tinha um motivo: em uma das mortes, Jason utilizaria o jogo para furar os olhos de uma vítima, mas a censura meteu a faca.

Tudo seria bem aceito se o filme fosse divertido, mas não é. Ver Jason sumindo e aparecendo na frente das pessoas chega a dar raiva; tentar entender como ele chegou a Nova Iorque deixa confuso; pensar no jeito que ele usou para aparecer dentro do trem chega a dar dor de cabeça....

Vale apenas como registro de mais uma “aventura” do assassino. Esse foi o último filme da franquia realizado pela Paramount, que vendeu os direitos para a New Line depois do fracasso das bilheterias. Esse fracasso facilitou o encontro com Freddy Krueger treze anos depois.

CONTAGEM DE CORPOS

Assassino: Jason Voorhees
1 (69) : Jim – empalado com um arpão
2 (70) : Suzi – espetada com uma flecha de arpão
3 (71) : J.J. – batida na cabeça com uma guitarra
4 (72) : Boxeador – pedra quente no estômago na sauna 5 (73) : Tamara – cortada com um caco de vidro...
6 (74) : Jim Carlson – arpão por trás
7 (75) : Almirante Robertson – garganta cortada com um facão
8 (76) : Eva - estrangulada
10 (77) : Wayne – eletrocutado no painel do navio.
11 (78) : Miles – empalado por uns ferros na lateral…
12 (79) : Deck – machado por trás
13 (80) : traficante 1 – cortado por trás com a própria seringa
14 (81) : traficante 2 – batida da cabeça num cano de vapor
15 (82) : Julius – decapitado com um soco
16 (83) : policial – tirado do veículo, morte offscreen
18 (84) : Charles McCullough – afogado num barril com água suja
19 (85) : trabalhador no esgoto – batida na cabeça com uma chave de fenda

Observação: cerca de 20 a 30 estudantes morreram afogados ou por Jason no navio. Se você assistir ao começo do filme com atenção verá vários estudantes no local que não aparecerão mais depois...

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SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 8 (Friday the 13th Part VIII: Jason Takes Manhattan , EUA, 1989). Duração: 100 minutos
Direção: Rob Hedden
Roteiro: Rob Hedden; Victor Miller (personagens);
Produção: Randy Cheveldave
Fotografia: Bryan England
Música: Fred Mollin
Edição: Steve Mirkovich; Ted Pryor
Desenho de Produção: David Fischer
Figurino: Carla Hetland
Maquiagem: Susan Boyd; Jamie Brown; Laurie Finstad; Bill Terezakis; Francesca von Zimmermann
Elenco: Todd Caldecott (Jim Miller); Tiffany Paulsen (Suzi Donaldson); Tim Mirkovich (jovem Jason); Kane Hodder (Jason Voorhees); Jensen Daggett (Rennie Wickham); Barbara Bingham (Colleen Van Deusen); Alex Diakun; Peter Mark Richman; Warren Munson (Adm. Robertson); Fred Henderson (Chefe de Engenharia Jim Carlson); Scott Reeves (Sean Robertson); Gordon Currie (Miles Wolfe); Saffron Henderson (J.J. Jarrett); Martin Cummins (Wayne Webber); Vincent Craig Dupree (Julius Gaw); Sharlene Martin (Tamara Mason); Kelly Hu (Eva Watanabe); Sam Sarkar; Michael Benyaer; Roger Barnes; Amber Pawlick; Vince Cupone; Peggy Hedden; David Longworth

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