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Quando eu era o encarregado de responder às perguntas enviadas pelos infernautas através do “HellMail”, e mesmo nas minhas andanças diárias pelas comunidades sobre filmes de terror no Orkut, perdi a conta de quantas vezes ouvi e respondi a uma pergunta mais ou menos como esta: “Qual o nome daquele filme do macaco assassino que passava no Cine Trash?”. A resposta: é uma obscura produção independente chamada SHAKMA (que alguns erroneamente confundem com "Shakman", e acabam comprando a tralha SHARKMAN por acidente!). A película chegou a ser lançada em VHS no Brasil sem muito alarde (pela antiga Europa/Carat Home Vídeo), mas só ganhou fama e reconhecimento do público quando foi exibida no velho Cine Trash, da TV Bandeirantes. Foi graças ao Cine Trash que nasceu uma enorme legião de adoradores e fãs do babuíno (e não macaco!) Shakma, e do seu filme homônimo. |
Para quem não sabe, babuínos são primatas bem diferentes dos macacos, e também muito mais agressivos. Caracterizam-se pelas bochechas grandes e arredondadas, pela bunda raspada e vermelha e pela violência de seus ataques. O bicho é tão mal-encarado que, não raras vezes, ataca animais muito maiores do que ele, e até o próprio ser humano! Filmes com babuínos assassinos não são exatamente uma novidade. Eles já apareciam numa climática cena do clássico A PROFECIA (1976), quando, assustados com a diabólica presença do Anticristo Damien, atacavam o carro em que ele estava com a mãe, durante um passeio pelo zoológico. Um exército de babuínos pouco amistosos também ataca gente no pouco conhecido IN THE SHADOW OF KILIMANJARO (1986). E são babuínos geneticamente modificados que espalham uma praga assassina em FÚRIA PRIMATA (1988). Além disso, os bichos de bunda raspada têm papel de destaque até em O REI LEÃO (1994)!!! Mas, definitivamente, SHAKMA, produzido em 1990, é o mais conhecido filme estrelado por estes primatas selvagens.

SHAKMA é o primeiro trabalho dirigido por Hugh Parks (e seu único crédito decente), com Tom Logan como co-diretor (que aparentemente não aprendeu nada, já que logo em seguida realizou o péssimo slasher
THE NIGHT BRINGS CHARLIE). O roteiro de Roger Engle (este é o seu único crédito) parte de uma premissa absurda: cansados de usar tabuleiros para jogar RPG (Role Playing Game, aquele jogo de interpretação de papéis tipo
Dungeons & Dragons ou
Gurps), vários estudantes de medicina, liderados por um professor afetado e nerd, realizam uma versão
“live action” do jogo, chamado
“Nemesis”, utilizando o enorme prédio da universidade como se fosse o cenário (à noite, quando o lugar fica vazio, trancado e livre para os bananas). Agora imagine o seguinte, só para começar: que professor seria tão corajoso ao ponto de arriscar milhões de dólares em equipamentos e pesquisas só por causa de um jogo idiota? E mais: que tipo de faculdade de medicina não tem vigias, alarmes ou qualquer tipo de monitoramento para descobrir o que os idiotas estão aprontando por lá (ou para salvá-los, quando a coisa aperta)?


A trama começa com uma aula de medicina realizada pelo tal professor afetado, chamado Sorenson (e interpretado pelo veterano Roddy McDowall, que era afetado na vida real). Ele está operando uma das cobaias, um babuíno; após abrir um buraco no crânio do animal, o professor injeta em seu cérebro uma seringa cheia de corticotropina - um hormônio que, teoricamente, serviria para inibir suas tendências agressivas. Mas não dá certo, e a operação simplesmente amplifica a agressividade do bicho. Sem saída, sabendo que a cobaia nunca mais voltará ao normal, Sorenson resolve sacrificá-la.


O problema é que a cobaia era Shakma, babuíno que um dos estudantes, Sam (Christopher Atkins, o astro do cult
A LAGOA AZUL), estava tentando domesticar. Shakma era como se fosse o cãozinho de estimação do rapaz, e ele fica furioso ao saber que precisará sacrificar o pobre babuininho - que, veja só, até dormia com um macaquinho de pelúcia em sua jaula!!! Sam é instruído a aplicar uma dose letal de um componente químico, e nunca fica claro se a dose que ele injeta não é suficiente para matar Shakma ou se Sam aplica uma dose menor propositalmente, com o objetivo de poupar sua mascote... De qualquer forma, Shakma não morre, e obviamente vai
“reviver” puto da vida depois que passar o efeito do sedativo. Tudo daria certo se Richard (Greg Flowers, único filme), outro estudante, tivesse cremado o desacordado babuíno, como, aliás, ele estava prestes a fazer. Mas Sorenson entra em cena e diz que Shakma não pode ser cremado antes de passar por uma necropsia, que o professor realizaria no dia seguinte (hahahahaha). Logo, o culpado de tudo é Sorenson. Que logo toma o dele. Bem-feito!
Mas, sem saber que morrerá muito em breve, o professor está mais preocupado com o jogo de RPG. Bradley (Tre Laughlin, único crédito), um nojento CDF viciado em fantasia medieval, e que gosta de ser chamado de
“Sir Bradley”, criou um programa de computador por onde Sorenson pode monitorar todos os andares do prédio da universidade, abrir e fechar as portas (ahã, como se fosse possível controlar fechaduras manuais por computador!) e até mesmo rastrear as andanças dos alunos/jogadores através de um sensor que cada um deles leva na roupa. Para completar, os estudantes utilizam walkie-talkies, cada um com sua própria freqüência, para comunicar-se com o professor e mestre de jogo!!!


Basicamente, não há uma regra definida para a partida, mas eu confesso que achei tudo muito divertido quando vi
SHAKMA pela primeira vez, na minha adolescência. Os participantes do jogo ficam andando de lá para cá pelos andares do prédio (que aparentemente é enorme, já que raras vezes os sujeitos se cruzam nos corredores); abrem portas comunicando o mestre de jogo pelo rádio (
“Professor, quero usar uma chave na sala 508”) e colecionam pistas e
“artefatos mágicos”, como cristais reveladores (usado por um jogador para ler as pistas e anotações de outro) e pó paralisante (que, obviamente, não vai funcionar contra uma ameaça de carne e osso, como o babuíno assassino). O objetivo é um só: encontrar a sala onde está aprisionada a
“princesa”, uma garotinha chamada Kim (interpretada por Ari Meyers), irmã mais nova de Richard. A menina espera que o vencedor seja Sam, pois está louca para dar pra ele, sem se importar com o fato de ele ter uma namorada, Tracy (Amanda Wyss), que também está participando da brincadeira.
Para organizar tudo, Sorenson conta com a ajuda de Richard, que está participando da brincadeira pela primeira vez só para fazer uma média com o professor - e tentar contornar suas notas baixas. É Richard quem ajuda o professor a espalhar todas as pistas e trancar as portas do prédio antes que o jogo comece. E o rapaz ainda terá que interpretar o papel de Nemesis, o
“vilão” da história, usando uma ridícula máscara de borracha para perseguir os outros jogadores. Como tem um encontro marcado e sexo garantido com sua namorada, Laura (a feiosa Ann Kymberlie), Richard resolve fazer o possível e o impossível para estragar a partida e abreviá-la. hehehehe.


Além de Sam e Tracy, os jogadores são Sir Bradley e o típico
“estereótipo negro” do gênero, Gary (Robb Morris). Todos passam um tempão perambulando pelos corredores escuros e desertos da faculdade, durante os primeiros 30 minutos da película. Nesse meio-tempo, Shakma acorda da sua
“quase morte”, e o bicho está mais selvagem do que nunca: ele simplesmente arrebenta todas as outras cobaias do laboratório de biologia! O gosmento Sir Bradley é o primeiro a se ferrar: acreditando que o barulho que ele escuta no laboratório está sendo feito por
“Nemesis”, ele tenta usar seu pó mágico e paralisante, mas descobre tarde demais que isso não funciona contra um enorme e violento primata. Shakma pula sobre Brad e rasga seu pescoço. No exato momento em que ele morre, Sorenson perde o sinal de
“Sir Bradley” na tela do computador - como se os sensores de movimento que os jovens usam simplesmente parassem de funcionar quando eles morrem!!! hahahahaha.
Preocupado, o professor pede a Richard para ir checar o que aconteceu com o colega. E, sem perder tempo, Richard descobre Brad deitado sobre uma poça de sangue, a garganta dilacerada... Ao perceber que Shakma está por trás do crime, o rapaz corre até um armário e se fecha ali dentro. Para a sua sorte, há um vidro cheio de ácido clorídrico no tal armário (que conveniente!), e ele pega o químico como arma contra o babuíno. Mas se dá mal: Shakma estava escondido embaixo de uma mesa e consegue pegar Richard de surpresa, fazendo com que ele derrube o ácido todo sobre o próprio rosto!!!


Quando perde o contato com seu segundo aluno e competidor, Sorenson resolve ir ele mesmo averiguar a situação. Destrava o elevador até o quinto andar (onde ficam os laboratórios) e encontra o cadáver de Richard, o rosto parcialmente corroído pelo ácido. Chocado, Sorenson corre até o elevador, e é quando vê Shakma indo em sua direção. Como o professor burrão esqueceu de destrancar o elevador, as portas não se fecham e ele se transforma no novo prato da ceia do babuíno...
A estas alturas do campeonato, os demais jogadores percebem que alguma coisa está errada, já que não conseguem contato com o mestre de jogo. E o restante do filme mostrará a desesperada luta de Sam, Tracy, Gary e Kim contra o brutal primata solto pelos corredores da faculdade. Trancados no prédio, sem acesso a telefones (que conveniente!) e sem poder sair (acredite se quiser, mas até as janelas estão trancadas!!! hahahaha), os jogadores terão que enfrentar a fúria de Shakma para escaparem inteiros.


Não precisa ser muito esperto para perceber que, afora o detalhe de ter um animal como vilão,
SHAKMA é um legítimo slasher movie - troque mentalmente a imagem do babuíno pela figura de Jason, e você pensará estar assistindo
SEXTA-FEIRA 13 PARTE 25!!! E apesar de utilizar alguns dos maiores clichês deste subgênero cinematográfico, a obra de Hugh Parks consegue se manter surpreendentemente acima da média. Para começar, o roteiro trabalha longe do previsível: embora os papéis de herói, heroína e vítimas estejam bem definidos, a morte de alguns personagens (dois especificamente) pega o espectador de surpresa; além disso, o coitado do Sam, que obviamente é o personagem principal, sofre muito, do começo ao fim, e o filme termina deixando no ar se ele conseguiu sobreviver ou se morreu devido à gravidade dos ferimentos sofridos ao longo da sua luta com Shakma. Você decide!
A trama também tem situações que primam pelo realismo, ao contrário dos exageros comuns nesse tipo de produção. Apesar de extremamente idiotas em comparação ao próprio babuíno (hehehe), os personagens agem e se comportam como pessoas reais, o que é uma autêntica raridade em slasher movies. Ao encontrar o cadáver dos amigos, por exemplo, eles se preocupam em checar a pulsação e os batimentos cardíacos, para ver se os mortos estão mesmo mortos. Sam chega a arriscar a própria vida, e a da namorada Tracy, para ir checar a pulsação de Richard e para arrastar o corpo do professor Sorenson até um lugar seguro, onde possa conferir se ele está mesmo morto. Fale a verdade: quantas vezes você viu algum personagem de um
SEXTA-FEIRA 13 ou
HALLOWEEN demonstrar a mesma preocupação com um amigo supostamente morto? Que nada: nestas séries eles vêem o cara com um corte no dedo e já o consideram morto!


Também percebi uma coisa interessante e raríssima no cinema: os personagens de
SHAKMA se abalam com a visão dos cadáveres, e isso que são estudantes de medicina - ao contrário das mocinhas dos
SEXTA-FEIRA 13 da vida, que vêem os amigos e namorados mortos, mas continuam mantendo a mesma expressão facial. Neste aspecto, os atores principais conseguem representar muito bem o medo e a tensão da situação que estão vivendo, principalmente Atkins e Amanda, que capricham nas expressões de horror (embora o galã de
A LAGOA AZUL exagere na dose em várias cenas). Pavor não é exatamente uma novidade para os dois atores, considerando que Atkins enfrentou outros animais assassinos, desta vez alados, no anterior
EL ATAQUE DE LOS PÁJAROS (1987), trash do mexicano René Cardona Jr. E Amanda, para quem não lembra, enfrentou Freddy Krueger (e se deu mal) no papel de Tina, primeira vítima do vilão em
A HORA DO PESADELO (1984), de Wes Craven. Já Roddy McDowall não aparece em cena por tempo suficiente para atuar, portanto se limita às caras e bocas tradicionais. Mas confesse: é no mínimo irônico um ator que já interpretou um símio (o Cornelius, da série
O PLANETA DOS MACACOS) ser morto justamente por um
"colega" babuíno!!! hahahahaha


Outro detalhe louvável: embora cometam lá as suas idiotices, os personagens de
SHAKMA não são tão burros quanto se espera de uma produção do gênero. Quando se separam (algo tradicional em slashers...), é sempre por um bom motivo ou parte de algum plano que acaba dando errado. Além disso, o babuíno teoricamente está preso no quinto andar do edifício, de onde só consegue escapar por pura sorte e
"astúcia" animal, nada a ver com a burrice dos personagens.


Mas convém esquecer o elenco humano, já que a melhor coisa do filme é Typhoon, o babuíno que
"interpreta" Shakma. Tudo bem, todos nós sabemos que o animal é treinado para não machucar os atores e tal... Mas vendo Typhoon em ação, não tem como não acreditar que ele é realmente uma fera sanguinária. O animal corre, pula nas vítimas, se atira contra portas fechadas, dá cabeçadas na parede e destrói portas e computadores com uma velocidade e uma selvageria impressionantes. Numa das cenas mais violentas, de deixar o espectador boquiaberto e perguntando como filmaram aquilo, Shakma realmente se agarra ao pescoço de um infeliz, passando depois a dar dentadas direto na fuça do sujeito. E o cara rola, com sangue jorrando, gritando de pavor, com aquele babuíno enorme e feroz grudado em seu rosto... Você quase acredita que a coisa é pra valer!!! Duvido que o ator ou dublê não tenha saído dessa com uns bons arranhões na napa, já que você percebe claramente que não é um boneco nem um robô, mas um animal de verdade que está agarrado no rosto da
"vítima"!!!
A violência é um fator presente no filme desde o início, com os tradicionais takes nauseantes de uma cirurgia no cérebro (menos mal que é o cérebro de um animal), à la
FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM. A maioria das mortes é off-screen (com exceção da impressionante cena narrada no parágrafo anterior), mas os cadáveres sempre são mostrados
"pos-morten", e sempre estão despedaçados e cobertos de sangue, exibindo suas chagas e dilacerações em detalhes, e dando uma bela idéia do que deve ser o furioso ataque de um babuíno assassino. Sorenson, particularmente, acaba como um cadáver com o rosto destroçado - uma mera desculpa para sumir com o ator Roddy McDowall da produção; ele certamente foi substituído por um dublê ou mesmo por um boneco sem rosto... hehehehe.


E sabe aqueles filmes onde os personagens passam o tempo todo lutando pela vida, mas acabam sempre limpinhos, penteados e bem maquiados? Certamente não é o caso de
SHAKMA: até o final, os personagens que sobrevivem mais tempo ficam encharcados de sangue e suor, principalmente o pobre Sam, cuja camiseta branca se torna progressivamente mais avermelhada. Mas nada justifica a crítica exagerada do
Guia de Vídeos Nova Cultural - que, num exercício de muita imaginação, disse que o babuíno
"deixa atrás de si uma pilha de cadáveres e litros de sangue de fazer inveja aos cenobitas de HELLRAISER"!!! hehehehe. Não é para tanto, mas
SHAKMA é, sim, bastante sangrento, algo sempre bem-vindo nestes tempos de produções
"limpinhas" e comportadas. Os cadáveres aqui têm tanto sangue que você quase sente o cheiro dele...


Sempre fiquei me perguntando como
SHAKMA foi filmado, ainda mais por ser uma produção visivelmente barata e de poucos recursos (o fato de a história se passar num único cenário é uma tática óbvia para reduzir custos). Pesquisando para escrever este artigo, descobri que os produtores utilizaram quatro babuínos falsos, mecânicos, para as cenas mais complicadas. Estas réplicas mecânicas (que são perfeitas, pois você nem percebe que elas existem!) conseguiam realizar alguns poucos movimentos, o suficiente para convencer o espectador, e um deles foi utilizado no final, quando Shakma toma o castigo que merece. Além disso, a produção também construiu dois membros mecânicos idênticos às patas de um babuíno real, que utilizou para as cenas onde Shakma enfia as garras através de portas, por exemplo. Em nenhuma cena, o verdadeiro Typhoon correu risco de vida ou se machucar - e certamente foi mais bem cuidado que os próprios atores, já que nos EUA a lei é rigorosa em relação a maus tratos contra animais. Além disso, os guinchos e urros do babuíno são todos dublados (o que explica o fato de certas vezes parecer um leão que está berrando, e não um babuíno!).


Também descobri que o treinador de Typhoon, um sujeito maluco chamado Gerry Therrien, participou ativamente da produção: nas cenas onde o babuíno salta e pula sobre uma vítima, era o próprio treinador quem aparecia de costas usando as roupas dos personagens, chamando pelo animal, que correspondia de forma obediente. Já nas dezenas de cenas em que Shakma salta e se atira violentamente sobre portas fechadas, Gerry estava do outro lado da porta, gritando o nome do animal. Quanto à cena que eu detalhei anteriormente, do animal rolando agarrado ao rosto de uma vítima, veja só o que os caras fizeram: penduraram um pedaço de frango no pescoço do pobre dublê para que o babuíno ficasse pendurado naquela área, enquanto o treinador supervisionava tudo de perto para garantir que Typhoon não iria machucar o sujeito! Já pensou a mão-de-obra? Se fosse hoje, certamente, iriam preferir fazer um ridículo babuíno em CGI... E impressiona como Typhoon é bem treinado; em algumas cenas, ele parece estar realmente furioso e violento, quando na verdade está apenas obedecendo a simples comandos do seu treinador, tipo
"pegue isso",
"pule aqui" e
"empurre aquilo". Numa cena fantástica de tão simples, o babuíno destrói um laboratório inteiro. A cena foi feita com o bicho real pulando de uma mesa para a outra e berrando muito (lembre-se que seus ruídos são todos dublados), e na edição foram inseridos vários takes das tais patas mecânicas empurrando e quebrando coisas. Vendo a cena já editada, parece que um babuíno maluco e enfurecido está detonando tudo!!!


Outras qualidades da produção (ainda mais considerando o fato de ser o típico filme barato realizado direto para as locadoras) são a música sinistra de David C. Williams e a maquiagem eficiente de Rick Gonzales e Lee Grimes (este último pulou direto para superproduções, como
PIRATAS DO CARIBE 2). Os efeitos especiais são de David Goodell, que nunca conseguiu trabalhar no ramo. Mundo injusto...


Embora tenha se transformado em cult no Brasil, em parte graças ao Cine Trash,
SHAKMA está bem longe de ser uma maravilha. Às vezes se torna arrastado, já que repete, mais do que o necessário, algumas situações - tipo, personagens correndo, fechando portas e o babuíno se atirando violentamente contra elas. Além disso, os diretores repetem infinitamente, quase até o final, takes dos personagens mortos no começo da trama (e são sempre OS MESMOS TAKES!). Embora o filme consiga convencer o espectador de que Shakma está furioso e descontrolado, por outro lado, convenhamos, o babuíno consegue detonar muito facilmente todas as suas vítimas, que nem ao menos tentam lutar - com exceção, claro, do herói Sam. Também tem certo ar trash no enredo (um bando de manés jogando RPG ao vivo???) e na caracterização dos personagens (o que dizer do professor, que usa gravatinha borboleta com uma rosa na lapela???), mas nada que estrague a diversão.


Se você gosta de histórias de ataques de animais, pode dar uma chance a
SHAKMA: é uma produção rápida, rasteira e sangrenta, nada genial, mas bastante interessante e tensa, quase tão sangrenta quanto um filme de tubarões ou crocodilos assassinos. Infelizmente, está cada vez mais difícil conhecer esta obscura película: ela não é exibida na TV há mais de uma década, e a velha fitinha da Europa/Carat já virou raridade há anos. Para piorar, não foi lançada em DVD nem mesmo nos Estados Unidos. Uma cópia VHS-Rip de má qualidade circula em DVD na França e na Alemanha, mas com os diálogos originais em inglês dublados para o francês (o que é horroroso!!!). Salvo exceções, é esta versão que você vai encontrar no Emule. Logo, o negócio é garimpar sebos e locadoras que ainda têm fitas cassete para rastrear o VHS de
SHAKMA.


Eu às vezes tenho medo de rever produções que me marcaram na infância e adolescência, pois costumo me decepcionar com a simplicidade (ou mesmo ruindade) de algumas delas. Não foi o que aconteceu com
SHAKMA: revê-lo agora, mais de 10 anos depois do dia em que eu o conheci, foi uma experiência divertida e, por que não?, intrigante. Como tinha esquecido de várias cenas, até fiquei surpreso com a forma como a história se desenvolve, e principalmente com o violento duelo final entre Sam e Shakma (que ainda conta com um truque muito inteligente do humano contra a inteligência irracional do babuíno).
Com certeza,
SHAKMA é uma obra que vale a pena conhecer, ou rever. E é o melhor filme de babuínos assassinos da história do cinema - o que certamente não significa muita coisa, mas mesmo assim é um título que seus realizadores podem comemorar!

MACACOS ASSASSINOS
Tudo bem que Shakma não é exatamente um macaco, e sim um babuíno... Mas vamos dar um desconto; afinal, são todos nossos parentes próximos! Se você gostou de
SHAKMA, segue aqui uma relação com sete filmes retratando símios assassinos, de tamanhos e ferocidades variadas. Alguns são conhecidíssimos; outros, praticamente desconhecidos. Deixei de fora algumas produções onde os animais são apenas figurantes, como
PHENOMENA e
FOME ANIMAL, e coisas como
O PLANETA DOS MACACOS. Confira, e prepare seu suprimento de bananas para alguma emergência:
 | KING KONG (1933, EUA)
Direção: Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
O gorila gigante Kong é um dos personagens mais conhecidos do cinema fantástico e um verdadeiro ícone pop - não por acaso, ganhou duas refilmagens, em 1976 e em 2005, progressivamente mais longas e realistas nos efeitos especiais. A história todo mundo deve estar careca de saber: uma equipe de filmagens viaja até uma ilha desconhecida, que não aparece nos mapas, para fazer um filme. Ali, a estrela Ann Darrow (interpretada por Fay Wray) é aprisionada pelos nativos e oferecida como sacrifício humano ao gigantesco macaco que manda no pedaço. Kong se apaixona pela moçoila e resolve protegê-la. O problema é que os homens conseguem prender o gorila e resolvem levá-lo para a civilização, onde o bicho escapa e destrói metade da cidade. O mais incrível deste clássico em preto-e-branco é que alguns efeitos especiais ainda funcionam, e a história é bem enxuta e dinâmica (ainda mais comparando com as refilmagens de duas e três horas que viriam depois!). E Kong não é exatamente malvado, mas sim incompreendido. Coitadinho... |
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COMANDO ASSASSINO (Monkey Shines - An Experiment in Fear, 1988, EUA)
Direção: George A. Romero
Um dos títulos mais injustamente desconhecidos do mestre George A. Romero (que, quando não usa violência explícita, deixa certos "fãs" revoltadinhos). Jason Beghe é um atleta que fica tetraplégico e confinado a uma cadeira-de-rodas após um acidente idiota. Sua esposa o abandona e ele tenta o suicídio. Isso até um amigo cientista aparecer com uma simpática macaquinha, Ella, que foi cobaia de experiências e parece dotada de inteligência superior. O animal ajuda o rapaz em suas necessidades mais básicas, mas também se transforma em seu objeto de vingança, matando, inconscientemente, todos os desafetos do aleijado. A câmera subjetiva, representando a visão do animal, rende cenas semelhantes às de EVIL DEAD, de Sam Raimi. Curiosidade: Romero filmou cenas de uma cirurgia cerebral na macaquinha e de várias experiências violentas realizadas com ela, mas optou por não utilizá-las na edição - assim como um final pessimista, deixado de lado na última hora. |
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APE (1976, Coréia do Sul/EUA)
Direção: Paul Leder
Uma cópia vergonhosa e engraçadíssima de KING KONG, feita no mesmo ano em que Dino De Laurentiis produzia a primeira refilmagem do clássico de 1933. Também é uma insólita produção conjunta entre Estados Unidos (de onde vinha parte do elenco e da equipe técnica) e Coréia do Sul (onde a trama se passa). A história segue o roteiro de KING KONG fielmente: um gigantesco gorila é descoberto numa ilha e levado para a civilização a bordo de um cargueiro. Perto da costa da Coréia, escapa e provoca o caos na capital Seoul, seqüestrando uma estrela de cinema (interpretada por Joanna Kerns) que estava gravando nas proximidades. Como curiosidade, APE foi originalmente filmado e exibido em 3-D, e assim até deveria ser mais divertido. O programa inclui maquetes sendo destruídas por um anão vestido com roupa de gorila e uma bizarra luta contra um tubarão gigante! |
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FÚRIA PRIMATA (Primal Rage, 1990, Itália/EUA)
Direção: Vittorio Rambaldi
Partindo de um roteiro escrito pelo cineasta italiano Umberto Lenzi (!!!), e copiando descaradamente ENRAIVECIDA - NA FÚRIA DO SEXO, de David Cronenberg, este trash muito divertido foi dirigido por Vittorio Rambaldi, irmão do técnico de efeitos especiais Carlo Rambaldi (que deu vida ao KING KONG de 76 e deve ser apaixonado por macacos!). No laboratório de pesquisas de uma universidade, um cientista doido está realizando experiências genéticas em babuínos. Só que um dos bichos escapa do cativeiro e começa a espalhar uma praga que se dissemina entre os humanos, uma espécie de raiva, que transforma as vítimas em assassinas descontroladas - estilo EXTERMÍNIO. Para completar o programa, além de muito sangue e cabeças decepadas, temos Bo Svenson no elenco e a trilha sonora de Claudio Simonetti. Ou seja: nada poderia ser melhor! |
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THE BEAST THAT KILLED WOMEN (1965, EUA)
Direção: Barry Mahon
Uma daquelas bobagens que só vendo para acreditar, surgidas no auge dos filmes sexploitation, que eram rodados com uma merreca de orçamento para exibição em drive-ins e cinemas fuleiros. Este se passa num campo nudista, mera desculpa para mostrar um monte de garotas peladas que hoje devem ser respeitáveis vovós - e, provavelmente, estão morrendo de vergonha do seu passado negro! Bem, enfim, é neste tal campo nudista que um gigantesco gorila, fugido do zoológico, começa a fazer vítimas. Até um cego vê que o "gorila" é um mané vestido com uma ridícula roupa de símio, mas ninguém pareceu se importar com o fato na época da produção. E quem se importaria, com tantas tetas desfilando durante os miseráveis 60 minutos de projeção??? |
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KONGA (1961, Inglaterra/EUA)
Direção: John Lemont
Acredite se quiser, mas esta tralha também foi chamada de I WAS A TEENAGE GORILLA (!!!), na época em que eram populares títulos como I WAS A TEENAGE WEREWOLF e I WAS A TEENAGE FRANKENSTEIN. Mais uma cópia bagaceira e sem-vergonha de KING KONG (inclusive na citação óbvia no título), KONGA conta a história de um cientista inglês que desenvolve uma fórmula para fazer crescer plantas e animais. Resolve testar o bagulho justamente num bebê-chimpanzé que trouxe da África, e é claro que o bicho vai se transformar num gorila gigante e assassino, que espalhará o caos em Londres. Konga é "interpretada" por Steve Calvert, que já havia vestido roupa de macaco em filmes como BRIDE OF THE GORILLA (1951) e BELA LUGOSI MEETS A BROOKLYN GORILLA (1952)!!! Só não se sabe se Calvert desenvolveu algum vício por bananas ao final de sua prolífica carreira artística... |
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NIGHT OF THE BLOODY APES/LA HORRIPILANTE BESTIA HUMANA (1969, México)
Direção: René Cardona Sr. e René Cardona Jr.
Para completar a lista, um TRASH em maiúsculas, dirigido por dois cineastas mexicanos picaretas (ironicamente, pai e filho). O filme tem tudo que uma boa bobagem made in Mexico precisa ter: cenas bagaceiras de violência, takes de uma sangrenta cirurgia real costurados no meio da edição, mulheres peladas e até luta-livre (uma obsessão dos mexicanos na época). A história, se é que se pode chamar assim, é sobre um cientista louco (claro) tentando salvar a vida do filho, que está morrendo de leucemia. Olha a idéia genial do cientista: transplantar o coração de um gorila para o rapaz (não tente entender...). Só que a coisa não funciona tão bem, e o transplantado começa a sofrer mutações, transformando-se num feroz "homem-gorila", peludo, homicida e tarado!!! hahahaha. O bicho sai arrancando olhos e cabeças, e é combatido por um policial e sua namorada lutadora mascarada de luta-livre!!!
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Felipe M.Guerra
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SHAKMA (Shakma, EUA, 1990). Duração: 101 minutos
Direção: Tom Logan; Hugh Parks
Roteiro: Roger Engle
Produção: Hugh Parks
Fotografia: Andrew Bieber
Música: David C. Williams
Maquiagem: Rick Gonzales; Lee Grimes
Direção de Arte: Edward Bennett
Figurino: Leslie Gilbertson
Edição: Mike Palma
Elenco: Christopher Atkins (Sam); Amanda Wyss (Tracy); Ari Meyers (Kim); Roddy McDowall (Sorenson); Rob Edward Morris (Gary); Tre Laughlin (Bradley); Greg Flowers (Richard); Ann Kymberlie (Laura); Donna Jarrett (Brenda)
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