SHAUN OF THE DEAD
(TODO MUNDO QUASE MORTO)


Por Felipe M.Guerra

Os mortos-vivos somos nós nesta genial comédia de terror inglesa

Em dois momentos distintos, Shaun (Simon Pegg), um típico inglês bundão, sai da casa que divide com dois amigos, atravessa duas ruas até a lojinha de conveniência do bairro, compra o café-da-manhã e volta para casa. Tudo é tão perfeitamente normal, igual e sem emoção dentro da rotina imbecil de Shaun que ele nem percebe, na segunda ida à loja de conveniência, que o mundo foi destruído por zumbis! Isso mesmo: os carros estão destruídos, as ruas desertas (a não ser pelos mortos-vivos se arrastando), há pessoas esquartejadas e cadáveres ensangüentados por todos os lados e a própria loja onde ele entra está repleta de sangue (Shaun até escorrega numa poça). Mas, em nenhum momento, ele percebe qualquer diferença, acostumado que está com seu dia-a-dia enfadonho!

Estas duas cenas distintas já foram comentadas e recomentadas em diversas críticas porque são a grande sacada do filme SHAUN OF THE DEAD (recuso-me a usar o ignorante título nacional, TODO MUNDO QUASE MORTO). Esta inteligente mistura de comédia e horror feita na Inglaterra é provavelmente um dos lançamentos mais brilhantes do ano (e também mais injustiçados, considerando-se que não foi para os cinemas brasileiros, sabe-se lá porquê). Ainda consegue a façanha de colocar no chinelo o “grande filme de zumbis do ano”, o remake de DAWN OF THE DEAD, batizado MADRUGADA DOS MORTOS no Brasil.



Apesar de ser uma comédia, SHAUN OF THE DEAD (percebeu o trocadilho intraduzível?) nunca trata os zumbis como idiotas - como fizeram os irmãos Wayans com o assassino slasher de seu TODO MUNDO EM PÂNICO. Pelo contrário: idiotas, aqui, são os personagens humanos. Os zumbis são malvados, ameaçadores e arrebentam as pessoas em pedaços para comer. Quem temia que o diretor Edgar Wright transformasse em palhaçada os clichês dos filmes clássicos sobre mortos-vivos, baseado no título nacional medíocre, acabou se surpreendendo. Na verdade, Wright mostra um respeito imenso aos clássicos, inclusive recheando sua obra de citações e homenagens, a começar pelo título (veja mais no final deste texto). “Nós não queríamos transformar os zumbis em palhaços, é um filme sério de zumbis misturado com comédia”, esclarece o ator Simon Pegg, numa entrevista que acompanha o DVD do filme.

E também apesar de ser uma comédia, SHAUN OF THE DEAD passa uma mensagem crítica da sociedade atual tão (ou mais) marcante que a da famosa trilogia dos mortos dirigida pelo americano George A. Romero. É só ver o exemplo das duas cenas que citei no início do artigo: a sociedade vive uma rotina tão sem graça que o herói da história nem percebe que os zumbis dominaram o mundo! Quem nunca caminhou em meio à multidão em uma grande cidade? Pois não parece um gigantesco ataque de mortos-vivos? Pessoas apáticas e sem expressão cambaleando para um lado ou para o outro, sem demonstrar qualquer emoção, apenas cumprindo sua rotina mesquinha, seu dia-a-dia medíocre... A mensagem de SHAUN OF THE DEAD é atualíssima!

O roteiro do diretor Wright e do próprio astro Pegg é muito bem bolado dentro desta idéia de que "os zumbis somos nós". Por exemplo, os personagens demoram a perceber o que está acontecendo porque, ao seu modo, já são uns verdadeiros mortos-vivos, só falta começarem a comer carne humana. O caso mais grave e simbólico dentro deste contexto é o de Shaun: um fracassado que foi DJ e hoje trabalha numa loja de artigos eletrônicos, repetindo roboticamente as frases ensinadas pelo patrão, falando pela milésima vez sobre as maravilhas de um aparelho de TV que está à venda na loja sem demonstrar qualquer emoção e sem ao menos olhar na cara dos clientes - mais ou menos como os “robôs” que nos atendem nos McDonalds da vida. No fim do dia, a única coisa em que consegue pensar é ir para casa jogar videogame ou para o pub tomar umas e outras. Tudo tão desprovido de emoção e alma que só falta morrer para Shaun sacramentar sua condição de "morto-vivo".

Wright apresenta esta idéia da forma mais sintética e criativa possível nos créditos de abertura de SHAUN OF THE DEAD, ao mostrar uma montagem com imagens de pessoas trabalhando em uma grande cidade, pegando o ônibus, caminhando, atendendo o celular, sempre fazendo movimentos robóticos e sem expressão ou emoção. E a crítica atinge o ápice ao mostrar caixas de um supermercado atuando também mecanicamente. Uma delas, chamada Mary (mostrada em primeiro plano na seqüência de abertura), reaparecerá mais tarde já transformada em zumbi - e, curiosamente, mostrando mais emoção e ânimo do quando estava viva! Trata-se de um humor sutil e inteligente, que coloca no chinelo qualquer palhaçada que os americanos chamam de comédia (inclusive a famosa trilogia TODO MUNDO EM PÂNICO e seu humor de quinta categoria).



Antes desta obra, o diretor e seu astro e co-roteirista trabalharam juntos em uma sitcom de sucesso na TV inglesa, chamada SPACED, exibida entre 1999 e 2001, onde Pegg era o astro. No seriado, que era escrito pelo próprio ator e sua parceira de programa (a atriz Jessica Stevenson), não faltavam citações e brincadeiras com filmes como a trilogia STAR WARS, O ILUMINADO e outros. Em certo episódio, resolveram parodiar RESIDENT EVIL. E foi aí que surgiu a idéia de fazer um filme de zumbis misturado com comédia, porque tanto Wright quanto Pegg eram grandes fãs dos filmes de George Romero.

SHAUN OF THE DEAD inicia apresentando Shaun, o pobre coitado herói do filme, que vive numa casa com um amigo certinho, Pete (Peter Serafinowicz), e outro maconheiro e porcão, Ed (Nick Frost), que só pensa em fumar maconha, jogar videogame o dia inteiro e ir ao pub. Shaun enfrenta problemas com sua vida vazia e com a namorada Liz (Kate Ashfield), que lhe cobra algo mais do relacionamento do que passar todas as noites no bar. Preso a uma rotina escravizante e sem emoção, Shaun precisa de algo que lhe devolva o gosto de viver. Por isso, quando uma supergripe começa a matar e ressuscitar todo mundo em Londres, o pobre imbecil finalmente vê uma oportunidade de fazer algo da vida e transformar-se em herói. A idéia do idiota que vira lenda foi tirada diretamente de outros filmes do gênero, como a trilogia EVIL DEAD, de Sam Raimi, onde o exterminador de demônios é o palerma Ash, e FOME ANIMAL, de Peter Jackson, que transforma o palerma Lionel em matador de zumbis armado com cortador de grama.

O problema é que quando a epidemia de mortos-vivos está começando, Shaun e Ed ainda não tem uma idéia muito clara do que fazer. Na verdade, eles até acham graça de tudo: Ed se diverte fotografando Shaun sendo atacado por uma zumbi (numa das boas piadas do filme), antes que ambos decidam jogar tudo que têm à mão na cabeça dos mortos na tentativa de matá-los - de almofadas do sofá até discos do Dire Straits! Mas a coisa só começa a funcionar quando Shaun descobre as virtudes de um velho e bom bastão de críquete, que o transforma praticamente num sanguinário e corajoso exterminador de zumbis.

Logo, ele resolve mostrar sua bravura resgatando a mãe Barbara (Penelope Wilton), a ex-namorada Liz e um casal de amigos, David (Dylan Moran) e Dianne (Lucy Davis), e levando todos para um lugar seguro. A cena onde Shaun discute com Ed a forma como será feito o resgate é um dos pontos altos do filme: são exibidas três versões do plano, que acaba sempre com Shaun sorridente, como se estivesse em um comercial de cerveja, e ao som da música-tema do DAWN OF THE DEAD original de Romero (a famosa composição da banda Goblin). Após muito pensar, a dupla de amigos só consegue encontrar um lugar onde possam se refugiar com segurança da ameaça: o pub onde ambos passam a maior parte da vida, chamado Winchester. E para lá os sobreviventes rumam, enfrentando uma horda de zumbis famintos pela frente.



A resistência no pub, na parte final, é a seqüência menos cômica de SHAUN OF THE DEAD. Sim, há besteirol e patetadas diversas, inclusive uma luta com zumbis ao som de Queen (a canção é "Don´t Stop Me Now"). Mas também é nesta cena que o diretor Wright aproveita para homenagear o clima claustrofóbico dos bons filmes de horror com mortos-vivos - ou seja, quando os heróis estão confinados em um espaço de onde não há fuga e cercados por centenas de mortos -, e também para mostrar que zumbis são uns FDP malvados e famintos, que não hesitam em esquartejar o que aparece pela frente! O roteiro não poupa o espectador de cenas de violência e sangreira desatada, inclusive com a morte de alguns personagens centrais da trama. Sim, é uma comédia, mas sim, também é um filme de terror!

Há quem diga que nunca mais se fez um bom filme de zumbis depois de DIA DOS MORTOS, dirigido por George A. Romero em 1985. Bem, para estes céticos, SHAUN OF THE DEAD é a salvação da lavoura: o filme não só mostra de forma inteligente os mortos-vivos, não só trabalha de forma bem humorada com os clichês, mas também não poupa sangue e violência. Quando os zumbis atacam, é pedaço de gente para todos os lados. Os balaços na cabeça são sangrentos e realmente explodem o crânio (esqueça aqueles tirinhos de espoleta vistos em RESIDENT EVIL: APOCALYPSE). Uma morte em particular é tão gráfica quanto a lendária cena envolvendo o Capitão Rhodes (Joe Pilatto) em DIA DOS MORTOS: uma vítima é agarrada e tem as tripas arrancadas para fora da barriga, ao mesmo tempo em que é desmembrada... tudo on-screen!

Também há muito humor - negríssimo. Embora o roteiro tenha uma grande carga de besteirol, o humor é refinado e inteligente na maior parte do tempo. Quando a ameaça dos zumbis inicia, as convenções vão para os ares. Shaun, que tem uma relação de ódio com seu padrasto Phillip (Bill Nighy), chega a comemorar o fato do velhote ter sido mordido por um dos mortos-vivos. "Vamos ter que matar meu padrasto", diz ao amigo Ed, com a maior tranqüilidade do mundo, quase com alívio, como se fosse uma coisinha à toa.



E o melhor de tudo (e agora pode cair de joelhos e dar graças aos céus) é que Wright e sua turma, como bons fãs dos velhos filmes de zumbis, preferiram fazer tudo da forma tradicional. Ou seja: maquiagem, tripas e sangue falso "reais", sem apelar para CGI. A quantidade de computação gráfica é mínima (mais para ressaltar o estrago feito pelos tiros na cabeça dos zumbis), e os desmembramentos e tripas arrancadas são todos feitos pela setor de make-up, não em computadores! Três vivas para SHAUN OF THE DEAD!

Um bom roteiro não significaria nada sem uma boa direção, e neste ponto também a produção inglesa é competente. Mesmo com pouca ou nenhuma experiência fora da TV, o jovem diretor Wright (que tem 30 anos) mostra total domínio da técnica narrativa, com cortes rápidos e edição dinâmica, lembrando, em diversas cenas, o estilo frenético do primeiro EVIL DEAD, de Sam Raimi - homenageado nos cortes rápidos de closes em gestos prosaicos, como dar a descarga ou escovar os dentes, que representam a rotina robótica de Shaun.

O elenco é maravilhoso e mostra uma química fantástica. Simon Pegg e Nick Frost realmente parecem velhos amigos, e várias tiradas usadas nos diálogos (como a cisma de um deles de que os cachorros não conseguem olhar para cima) são citações ao trabalho da dupla no seriado SPACED. Logo, farão mais sentido para quem conhece esta sitcom. Graças ao sucesso desta comédia, o astro Pegg, que já participou de vários seriados de TV e filmes, agora deverá receber o devido reconhecimento, pois o filme certamente teria menos graça se fosse outro ator no seu lugar. Com uma cara de pateta sem igual, Simon Pegg é uma das maiores atrações de SHAUN OF THE DEAD, aliando cinismo e bom humor quase como Bill Murray fazia nos bons tempos.

O roteiro de Wright e Pegg criou ainda um verdadeiro microcosmos ao redor do filme. No DVD, por exemplo, existe uma seção chamada "Furos de Roteiro", que se dedica a explicar, por meio de tiras de quadrinhos (!!!) com narração, algumas das passagens do filme que não foram bem explicadas, como o destino de uma personagem e até a forma como Shaun consegue escapar de uma multidão de zumbis em certo momento. No mesmo DVD também existe a reprodução de uma história em quadrinhos publicada na famosa revista inglesa "2000 A.D.". Esta história, chamada "There´s Something About Mary" (uma citação ao título original da comédia QUEM VAI FICAR COM MARY?), tem desenhos de Frazer Irving, roteiro de Wright e Pegg e foi publicada antes da estréia do filme. Ela mostra como a caixa de supermercado Mary (aquela que aparece cinco segundos na abertura, lembra?) se transforma na morta-viva que ataca Shaun posteriormente!!! Esses caras são ou não são brilhantes?

Para dar mais credibilidade ao filme, ainda aparecem várias celebridades interpretando elas mesmas. Os apresentadores dos telejornais que Shaun e Ed assistem são todos profissionais do ramo na vida real, como Trisha Goddard (que tem um programa sensacionalista na TV inglesa), Jeremy Thompson (apresentador do "Sky News") e Carol Barnes (âncora do "ITV News"). Isso sem contar Chris Martin e Jon Buckland, respectivamente vocalista e guitarrista da banda Coldplay, também interpretando eles mesmos, como músicos engajados num movimento pró-zumbi (hahahahaha!).



Ruim mesmo é agüentar a falta de informação e de vontade das distribuidoras brasileiras. O filme mais divertido do ano (ao lado dos dois volumes de KILL BILL) está indo direto para as locadoras ao invés de passar nas telas de cinema, como merecia - enquanto bombas como MEU VIZINHO MAFIOSO 2 e O ENVIADO vão para a tela grande com toda pompa, como se fossem maravilhas da sétima arte. Pior: SHAUN OF THE DEAD está chegando às locadoras com um título nacional medíocre, forçando relação com o besteirol TODO MUNDO EM PÂNICO, e uma frase na capinha que dá vontade de arrancar os olhos: “Uma sátira de MADRUGADA DOS MORTOS”, reduzindo o filme mais sarcástico dos últimos anos a uma gozação de um horror de sucesso - quando está na cara que SHAUN OF THE DEAD é uma paródia de todos os filmes de zumbis, e mais precisamente do DAWN OF THE DEAD original, e não de seu remake. Afinal, os mortos-vivos aqui são aqueles do tipo tradicional, que andam cambaleando, e não os vitaminados zumbis corredores de MADRUGADA... e do também inglês EXTERMÍNIO.

No fim, SHAUN OF THE DEAD acaba sendo um passatempo de primeiro nível para dois tipos de público: tanto para quem gosta de horror e filmes de zumbis (já que não falta sangreira e suspense), como para os adoradores de comédia. Eu nem lembro a última vez que uma comédia me fez rir sozinho no sofá, mas foi o que aconteceu vendo SHAUN OF THE DEAD. Tente você resistir sem esboçar nem ao menos um sorriso à cena em que os heróis imitam zumbis para poder passar livremente em meio deles (hahahahaha), e tente não lacrimejar de tanto rir (como aconteceu comigo) ao ver Shaun levando um dardo na cabeça disparado por uma amiga de mira ruim!

Se você passar por este teste de fogo, sem rir, parabéns! Para seu deleite, o novo filme de Pedro Almodóvar já está nos cinemas! Mas o que falta neste mundo atualmente é senso de humor. E isso SHAUN OF THE DEAD tem para dar e vender!


NO MUNDO DOS ZUMBIS


Quase como KILL BILL fez com os filmes de faroestes e artes marciais, SHAUN OF THE DEAD é uma coleção de citações e homenagens às produções com mortos-vivos, principalmente aquelas dirigidas por George A. Romero. Confira algumas delas:

- Shaun trabalha numa loja chamada "Foree Electronics", referência ao ator Ken Foree, do clássico DAWN OF THE DEAD (1978), que também fez uma ponta no recente MADRUGADA DOS MORTOS (2004).

- O nome da mãe de Shaun é Barbara. Em uma cena, seu amigo Ed diz: "Nós viemos pegá-la, Barbara". É uma referência ao início do clássico A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968), quando um casal de irmãos está no cemitério e o rapaz assusta a moça dizendo: "Eles estão vindo pegá-la, Barbara!".

- Em uma das entrevistas sobre o fenômeno zumbi na TV, o apresentador diz que, ao contrário do que se especulava, o vírus não foi disseminado por macacos - numa referência à forma de contágio mostrada no também inglês EXTERMÍNIO (2002).

- Em certo momento, Shaun liga para o "Fulci´s Restaurant", um restaurante de frutos-do-mar, numa homenagem ao lendário diretor italiano Lucio Fulci.

- Algumas das frases ditas pelo apresentador de telejornal (especialmente a parte de "separar a cabeça ou destruir o cérebro" para eliminar os zumbis) são idênticas às frases usadas no telejornal do clássico A NOITE DOS MORTOS-VIVOS.

- Na sala de estar da casa de Shaun e Ed existe um pôster do filme japonês BATTLE ROYALE (2000).

- Em uma cena cortada, Pete, que divide a casa com Shaun e Ed, diz que na faculdade havia se vestido de Frank'n'Furter, numa referência ao clássico cult movie THE ROCK HORROR PICTURE SHOW (1975).

- Várias vezes durante o filme pode-se ver o logotipo de uma pizzaria chamada "Bub's Pizzas", que fica ao lado da loja de conveniência onde Shaun faz suas compras. Trata-se de uma referência ao zumbi Bub, de DIA DOS MORTOS (1985).

- Antes do holocausto zumbi começar, o noticiário informa que estranhos fenômenos estão acontecendo depois que uma sonda especial chamada Omega 6 entrou na atmosfera terrestre. Esta é a mesma explicação para a ressurreição dos mortos em A NOITE DOS MORTOS-VIVOS de 68.

- Em A DANÇA DA MORTE, livro de Stephen King que virou uma minissérie de TV nos anos 90, também é uma "supergripe" que mata a maior parte do planeta - mas lá eles NÃO viravam zumbis.

- Quando Shaun e Ed estão repassando o plano para ir resgatar a mãe e a namorada de Shaun (cena repetida três vezes), ouve-se trechos da trilha sonora composta pela banda Goblin para o filme DAWN OF THE DEAD.

- A cena final - onde Shaun, Ed, David, Liz e Dianne apontam armas e pedaços de vidro um para o outro - é uma referência ao final de CÃES DE ALUGUEL (1992), de Quentin Tarantino, onde os personagens ficam com as armas apontadas um para o outro. Shaun até grita: "Pare de apontar esta arma para a minha mãe!", em referência ao diálogo de Chris Penn no filme de Tarantino: "Pare de apontar esta arma para o meu pai!".

- O rifle winchester encontrado no interior do pub é do mesmo modelo das armas usadas em A NOITE DOS MORTOS-VIVOS de 1968.

- A morte de David é uma recriação da morte do Capitão Rhodes em DIA DOS MORTOS.

- A cena em que Dianne desaparece em meio à multidão de zumbis na porta do pub é uma citação ao clássico A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, onde a mesma coisa acontece com Barbara.

- Ao falar a seus colegas funcionários de loja, Shaun diz que “Ash” não pôde ir trabalhar porque estava doente. É uma citação ao famoso herói da trilogia EVIL DEAD, de Sam Raimi, interpretado por Bruce Campbell.

- Outra citação de EVIL DEAD acontece quando Shaun encontra o colega Pete transformado em zumbi. Ele diz: “Se você melhorar, pode... juntar-se a nós” (em inglês, “Join us”). Quando possuídos, os demônios de EVIL DEAD ficavam repetindo: “Join us! Join us!” (Junte-se a nós!).

- Shaun e Liz escapam do porão do pub em um elevador. É uma homenagem ao filme DIA DOS MORTOS. O controle com o botão que aciona o elevador é idêntico ao usado no filme de George A. Romero, e Shaun aciona o controle de forma idêntica ao ator Bill McDermott no filme de 1985.

- Nos créditos finais, toca a famosa musiquinha do shopping-center de DAWN OF THE DEAD - que também tocava nos créditos do filme de 1978.

Felipe M.Guerra


SHAUN OF THE DEAD (TODO MUNDO QUASE MORTO) (Shaun of the Dead, Inglaterra, 2004). 99 minutos.
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Simon Pegg; Edgar Wright
Produção: Nira Park
Produção Executiva: Tim Bevan; Eric Fellner; Alison Owen; Natascha Wharton; James Wilson
Fotografia: David M. Dunlap
Edição: Chris Dickens
Música: John Deacon; Dan Mudford; Pete Woodhead
Direção de Arte: Karen Wakefield
Maquiagem: Candice Banks; Brian Best
Efeitos Especiais: Scott McIntyre
Desenho de Produção: Marcus Rowland
Elenco: Simon Pegg (Shaun); Kate Ashfield (Liz); Nick Frost (Ed); Lucy Davis (Dianne); Dylan Moran (David); Nicola Cunningham (Mary); Keir Mills; Matt Jaynes; Gavin Ferguson; Peter Serafinowicz (Pete); Horton Jupiter; Tim Baggaley; Arvind Doshi (Nelson); Rafe Spall (Noel); Sonnell Dadral (Danny); Samantha Day; Trisha Goddard; David Park; Finola Geraghty




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