TESIS - MORTE AO VIVO
(Tesis, Espanha, 1996)

Direção: Val Guest.
Roteiro: Richard H. Landau, Val Guest e Nigel Kneale.
Produção: José Luis Cuerda.
Edição: María Elena Sáinz de Rozas.
Música: Johnny Klimek, Reinhold Heil, Tom Tykwer.
Elenco: Ana Torrent (Angela Márquez), Fele Martínez (Chema), Eduardo Noriega (Bosco Herranz), Xabier Elorriaga (Jorge Castro), Miguel Picazo (Figueroa), Nieves Herranz (Sena Márquez), Rosa Campillo (Yolanda), Francisco Hernández (Pai da Angela), Rosa Ávila (Mãe da Angela), Teresa Castanedo (apresentadora de tv) e Olga Margallo (Vanessa).
Distribuição: Em DVD pela Europa Filmes.


SINOPSE
Ângela desenvolve uma tese sobre a violência no cinema e acaba se envolvendo com pessoas que rodam os chamados "snuff movies", filmes em que pessoas são assassinadas de verdade, em frente às câmeras.


“Me chamo Ângela. E eles vão me matar.”

Ângela Márquez é uma aluna da faculdade de audiovisual em Madri, cuja tese de conclusão de curso escolhida é a violência no cinema. Durante sua pesquisa, ela solicita ao seu orientador filmes que contenham extrema violência ou pornografia. O professor tenta convencê-la do risco de abordar um tema tão controverso. Alguns dias depois Ângela encontra seu orientador morto no auditório da universidade. Tudo indica que ele sofreu um forte ataque de asma após assistir um misterioso filme. Por mórbida curiosidade, Ângela rouba a fita do filme antes da polícia chegar ao local. O que poderia haver de tão terrível num filme capaz de causar a morte de uma pessoa? Ângela vai descobrir que tal conteúdo pode levá-la a um mundo de violência e medo.



Tesis – Morte ao Vivo” é o longa de estréia do chileno naturalizado espanhol Alejandro Amenábar. O filme, merecidamente, foi vencedor de nada menos que sete prêmios Goya em 1997 (premiação semelhante ao Oscar, para filmes espanhóis). Com uma carreira ainda curta, mas brilhante, Amenábar foi importado por Tom Cruise em 2001. Em parceria, Cruise produziu e Amenábar dirigiu o ótimo filme de fantasmas “Os Outros” (protagonizado pela bela Nicole Kidman, esposa de Cruise na época). "Abra Los Ojos" ("Preso na Escuridão", como foi chamado no Brasil), de 1997, teve também sua refilmagem bancada e estrelada por Cruise em 2001 ("Vanilla Sky"). Ambos os filmes foram muito bem de bilheteria e de critica, projetando o nome de Amenábar internacionalmente. Felizmente, indo contra a tendência natural dos diretores não-americanos que acabam encarando blockbusters insossos e se enquadrando no esquema hollywoodiano de sucesso, Alejandro Amenábar retornou a Europa, onde alguns anos depois escreveria e dirigiria o notável drama “Mar Adentro”, ganhador de mais de 60 prêmios internacionais, entre eles o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Além da direção, o roteiro também é assinado por Amenábar (em parceria com Mateo Gil). A trama, repleta de reviravoltas, se desenvolve tornando o clima de suspense cada vez mais tenso e insuportável (para os personagens e o expectador). Muito deste nervosismo deve-se as pistas falsas que são distribuídas a todo o momento, tornando impossível adivinhar a identidade do assassino.

O roteiro aborda ainda um tema sempre instigante e polêmico, os "snuff movies". Snuffs seriam filmes que apresentam mortes reais e propositais e que seriam distribuídos num suposto mercado negro de vídeo. No longa de Amenábar o tema dos Snuffs é abordado com pouca profundidade, servindo de pano de fundo para um jogo de gato e rato, onde a crítica a violência gratuita no cinema até existe, embora seja leve e subliminar.



Mas os Snuff Movies existem?? Provavelmente sim, embora não existam provas concretas de sua existência. O mito dos Snuff Movies surgiu na década de setenta, quando nos Estados Unidos o presidente de uma organização anti-pornografia começou a comentar sobre filmes pornográficos onde mulheres eram mortas em frente às câmeras. As autoridades americanas investigaram o caso durante anos e nada encontraram.

Ainda na década de setenta, alguns produtores começaram a explorar comercialmente o assunto, divulgando oficialmente, ou não, que seus filmes eram snuffs reais. Em 1976 foi lançado o fraco “Snuff”, co-produção entre Argentina e Estados Unidos. Um exemplar bem mais famoso e interessante foi dirigido pelo italiano Ruggero Deodato no começo da década seguinte. “Holocausto Canibal” é tão violento e realista que tem muita gente que acha que as mortes são verdadeiras até hoje. A assustadora série “Guinea Pigg” (Za ginipiggu, 1985, Japão) é filmada de modo que pareça um snuff. Ainda oriundo de terras nipônicas temos o ótimo “Campo 731: Bactérias – A Maldade Humana” (Hei tai yang 731, 1988), onde experiências com humanos são realizadas por nazistas. São centenas os exemplos de filmes que se valem do mito snuff, mas oficialmente nunca nenhum filme deste tipo foi encontrado.



Ainda listando alguns filmes que citam o assunto, temos “Testemunha Muda” (Mute Witness, 1994, EUA/Russia), do diretor Anthony Waller. Na trama uma maquiadora muda presencia acidentalmente a filmagem de um snuff e acaba sendo perseguida implacavelmente por assassinos da máfia russa. O drama “O Bravo” (The Brave, 1997, EUA), de Johnny Depp conta a história de um índio pobre que aceita US$ 50 mil para protagonizar (“morrer”) um snuff. Comercialmente, o filme mais conhecido é o blockbuster "8mm", dirigido por Joel Schumacher e estrelado por Nicolas Cage (cuja continuação, intitulada “8 mm 2” foi recentemente lançada em DVD).

João Pires Neto




Principal