THE EYE - A HERANÇA

Por Felipe M.Guerra

Não é só o Haley-Joey Osment que vê pessoas mortas!

Quando você for à locadora e se deparar com a fita/DVD do filme THE EYE - A HERANÇA, e pedir referências ao balconista, provavelmente a resposta será algo assim: "Ah, é uma cópia chinesa de O SEXTO SENTIDO". Se o mundo fosse um lugar justo, este excelente filme de horror vindo da Ásia (como a maioria dos bons títulos recentes) jamais ficaria à sombra do sucesso de M. Night Shyamalan. Até porque, descontando a idéia básica (os personagens dos dois filmes podem enxergar pessoas mortas), são dois roteiros e produções completamente diferentes.
Não vou querer levantar polêmica e conquistar inimigos tentando decidir qual dos dois é melhor, O SEXTO SENTIDO ou THE EYE - A HERANÇA, mas não tem como deixar de dizer que a história do filme chinês é muito melhor e mais interessante. Isso porque enquanto no filme americano o garotinho interpretado por Haley-Joey Osment enxerga os mortos apenas porque o roteiro assim determina, na produção de Hong-Kong há uma explicação (sobrenatural, mas há) para o fenômeno, e uma reviravolta final muito mais marcante - ainda mais quando consideramos que a história de O SEXTO SENTIDO só existe para justificar a surpresa relativa ao personagem de Bruce Willis na conclusão.

Chamado JIAN GUI na Ásia, THE EYE - A HERANÇA foi dirigido conjuntamente pelos irmãos gêmeos Oxide e Danny Pang, que já tinham trabalhado em outros filmes anteriormente, mas sempre separados. Como ultimamente a moda é irmãozinhos fazerem filmes juntos (vide irmãos Coen, irmãos Wachowsky, irmãos Hughes, entre outros), eles resolveram unir forças para dirigir esta obra-prima do gênero em 2002 - portanto, três anos depois de O SEXTO SENTIDO, para que ninguém acuse os chineses de quererem faturar em cima de um filme de sucesso. THE EYE foi lançado no Brasil em 2004 com a tradução A HERANÇA ao invés de O OLHO. Ironicamente, em 2004 saiu no restante do mundo a primeira continuação do filme, THE EYE 2, também dirigida pelos irmãos Pang.



THE EYE - A HERANÇA aproveita uma interessante premissa que também está em O SEXTO SENTIDO: o drama de um vivo que enxerga os mortos, e como a vida desta pessoa é praticamente destruída pelo medo de encontrar, a todo momento, os espíritos dos falecidos, mostrando-lhe as chagas abertas que provocaram suas mortes. Mas a história chinesa está um passo a frente do roteiro de Shyamalan porque também enfoca um segundo drama humano: o de uma pessoa cega durante toda a vida que, já adulta, volta a enxergar.

Imagine por um momento o que é passar a vida inteira no escuro, sendo obrigado a viver com a ajuda de amigos e familiares, sem saber ler, dependendo apenas dos outros sentidos (especialmente tato e audição), reconhecendo os objetos pelo toque, não por como eles se parecem, e ainda sem nem ao menos saber como é o seu próprio rosto ou a roupa que você está vestindo. Pois assim é a vida de Wong Kar Mun (a malasiana Angelica Lee, que usa o pseudônimo "Lee Sin-Je", e dá um banho de interpretação, fazendo o espectador realmente ficar com pena da sua personagem). No início, Wong caminha pelas ruas de Hong-Kong com sua bengala e os olhos vazados cobertos pelo óculos escuros, refletindo consigo mesmo: "Muitas pessoas dizem que o mundo é feio, mas ao mesmo tempo é belo. Não sei se elas estão certas, mas estou prestes a ver isso com meus próprios olhos".

Entram os créditos de abertura em código braile (como no filme americano DEMOLIDOR, baseado nos quadrinhos da Marvel), e, num salto rápido na narrativa, a cega faz uma cirurgia de transplante de córneas (tudo que ouvimos é o médico dizendo que vai aplicar a anestesia, num corte dinâmico, sem enrolação). Wong perdeu a visão com 2 anos de idade e não faz a menor idéia do mundo que lhe espera quando os médicos retirarem os curativos que cobrem seus "novos" olhos. No quarto do hospital onde ela fica em recuperação, também estão internadas uma menina de 11 anos que sofre com tumor no cérebro, chamada Ying-Ying (Yut Lai So), e uma senhora idosa.

A expectativa de Wong cresce de maneira insuportável quando o dr. Lo (Edmund Chen), o especialista que lhe operou, finalmente tira os curativos. Inicialmente, como os olhos e o cérebro ainda não se acostumaram com a "novidade" da visão, Wong só enxerga vultos, bem distorcidos - e assim também enxerga o espectador, do ponto de vista da personagem, ficando quase tão perdido quanto a moça. Mas ambos (a ex-cega e o espectador) percebem algo estranho quando, na sala onde só estão a avó e a irmã de Wong, pode ser enxergado um terceiro vulto desfocado.



A situação piora na primeira noite que Wong passa no hospital, já enxergando. Ela acorda de madrugada e percebe que um vulto vestido totalmente de preto está parado ao lado da cama da velha senhora. Como os olhos da moça só enxergam sombras distorcidas, ela não consegue reconhecer quem é o estranho que leva a velha para fora do quarto, mas desconfia da situação e vai atrás procurá-los. No corredor escuro do hospital acontece a primeira cena verdadeiramente assustadora do filme, sem qualquer efeito especial ou computadorizado (hahahaha) para subestimar a inteligência do espectador, apenas uma câmera fora de foco e excelentes efeitos sonoros. Acontece que Wong, sozinha no corredor, escuta gemidos arrepiantes da velha vindos de um local distante. De repente, os lamentos cessam... só para recomeçarem de repente, e bem atrás da moça!!! Assustada, ela se vira e vê o vulto da idosa, desfocado, dizendo, quase num lamento: "Estou com muito frio...", antes de desaparecer.

Sim, como pode prever qualquer pessoa que viu O SEXTO SENTIDO, Wong recomeçou a enxergar e, como "bônus", também está vendo os espíritos de pessoas mortas recentemente, ou então de suicidas que foram condenados a continuar eternamente no local onde tiraram suas próprias vidas. Mas ela também vê os misteriosos vultos de negro, que apelida de "homens-sombra", e que aparentemente são guardiões encarregados de levar a alma dos mortos ao seu destino final. Com o passar dos dias, a moça ainda enxerga seu quarto mudar para outro totalmente diferente e depois voltar ao normal, além de sofrer com pesadelos onde enxerga a si mesma em um velho hospital, rodeada de agonizantes vítimas de queimaduras.



Inicialmente, Wong reluta em acreditar que o que ela vê são fantasmas. E mais e mais aparições vão surgindo, como um garoto de boné que ronda o prédio onde ela mora pedindo se a moça encontrou seu boletim, ou, na segunda cena mais assustadora do filme, uma moça-fantasma que tenta agarrar Wong porque ela está sentada na cadeira que a assombração usava quando era viva. Prepare-se para pular você da cadeira nesta cena verdadeiramente arrepiante!

Paralelamente às macabras visões, a moça tenta reconstruir sua vida, já que o fato de enxergar mudou completamente sua rotina. Para começar, ela não conhece nenhum objeto pelo seu visual, mas sim pelo toque, sendo necessário reaprender tudo que já conhece, como se fosse uma criança. Também é obrigada a aprender a ler e a escrever, e tem que abandonar muitas coisas, como a orquestra de deficientes visuais onde tocava violino, simplesmente porque não é mais cega. A situação a certo ponto fica tão dramática que Wong chega a pensar que sofreria menos voltando a ser cega.

É quando entra em cena o psicólogo Wah (Lawrence Chou, que parece muito jovem para ser médico, mas tudo bem), sobrinho do dr. Lo, que tenta ajudar Wong na sua adaptação ao "mundo real" e também a investigar o mistério quando a moça lhe confessa estar tendo visões de espíritos - mas ela jamais fala "I see dead people", hehehehe. O casal logo parte para Bangcoc, na Tailândia, em busca de informações sobre a doadora das córneas transplantadas para Wong - e que era uma vidente que se suicidou depois de prever um gigantesco incêndio onde mais de 300 pessoas morreram. É ali que Wong encontrará a chave para o mistério, mas o final inclui ainda uma explosiva (literalmente) reviravolta.



THE EYE - A HERANÇA é um filme fabuloso. Poderia ser um terror rasgado com muito sangue, fantasmas feitos em computação gráfica (tipo um 13 FANTASMAS da vida) e outras frescuras. Mas prefere ir em outra direção, mais humana e mais dramática, fazendo com que o espectador simpatize a todo momento não só com a situação de Wong, mas também dos outros personagens (como a pequena Ying-Ying e até alguns dos sofridos fantasmas que a ex-cega visualiza). O roteiro alterna de forma incrível o horror e o drama da situação, e consegue modernizar uma das tramas mais batidas do cinema de horror (fantasmas), colocando espíritos melancólicos para assombrar uma grande cidade moderna, do século 21, ao invés de um centenário casarão vitoriano, como é comum.

Mas que ninguém pense que o filme pega leve no suspense e no horror. Pelo contrário: prepare-se para roer as unhas em cenas do mais puro suspense. Como Shyamalan na clássica cena onde o garotinho se esconde numa tenda feita com seu cobertor em O SEXTO SENTIDO, os irmãos Pang criaram uma seqüência de tirar o fôlego envolvendo uma aparição dentro de um elevador - que sobe, lentamente, para o 15º andar do prédio onde Wong vive. À medida que o elevador demora em subir e o vulto mostrado apenas de relance vai se aproximando de Wong, o espectador, numa tensão crescente, chega a ficar sem fôlego com aquela agonia - curiosamente, trata-se de um dos únicos "fantasmas" com uma maquiagem mais elaborada, pois todos os outros são simplesmente atores com o rosto pintado de branco.



Além de diretores, os irmãos Pang tiveram domínio total da sua obra. Também escreveram o roteiro (a operação para voltar a enxergar e a tragédia no final foram inspiradas em manchetes que eles leram em jornais), editaram o filme e até cuidaram dos efeitos sonoros. Como aconteceu com muitos outros cineastas orientais de talento (tipo Hideo Nakata, de RINGU, e Takashi Shimizu, da série JU-ON), os Pang já foram "importados" pelos altos executivos de Hollywood, que certamente já perceberam o marasmo de idéias repetitivas que se tornou o cinema americano, principalmente de horror. Já foi anunciado qual será o primeiro filme da dupla na América: o projeto se chama SCARECROW, com previsão de lançamento em 2006.

E a obra de sucesso de ambos, THE EYE, já teve os direitos comprados pelos americanos. Parece até que a ordem ultimamente, em Hollywood, é adquirir filmes japoneses para refilmar, pois o remake de RINGU (THE RING - O CHAMADO, de Gore Verbinski) e o de JU-ON (que virou O GRITO, com direção do próprio Shumizu) foram grandes sucessos de bilheteria, e também vem por aí a refilmagem de DARK WATER, filme de Hideo Nakata que foi refeito nos Estados Unidos pelo diretor brasileiro Walter Salles (até tu, Walter?). Segundo o site IMDB, que nem sempre é uma fonte confiável, a versão americana de THE EYE deve ser lançada ainda este ano, mas as filmagens nem sequer começaram. Por enquanto, só se sabe que o roteiro dos irmãos Pang será adaptado para o Ocidente por Sebastian Gutierrez (o mesmo roteirista de NA COMPANHIA DO MEDO). Nos fóruns internéticos, o assunto do momento é se o remake americano irá manter o final trágico e bem pouco otimista do filme oriental.



Então, se você quer ver um filme com a certeza de que ficará completamente absorvido pela história e ainda levará uns bons sustos no processo - ou, pelo menos, ficará bastante tenso, a não ser que você tenha sangue de barata!!! -, pode correr para a locadora e alugar THE EYE - A HERANÇA, mesmo que o balconista diga que é uma cópia piorada de O SEXTO SENTIDO ou outra bobagem do mesmo calibre. E prepare-se para, mais uma vez, ver que a esperança de renovação do cinema de horror vem da Ásia, pois eles estão dando uma aula de como não é necessário ter efeitos de computador ou riachos de sangue para deixar os nervos do espectador em frangalhos. THE EYE - A HERANÇA é, talvez, um dos filmes mais arrepiantes dos últimos anos.

E por falar em arrepiante, prepare-se para uma surpresa: como sempre acontece em filmes envolvendo fantasmas, THE EYE - A HERANÇA também tem uma lenda urbana. Repare na cena em que Wong e o dr. Wah conversam no metrô. É possível ver um rosto fantasmagórico, de relance, refletido em uma das janelas do trem. Ele aparece duas vezes e nenhuma explicação para o fenômeno é dada no filme. Muitos acreditam que se trata de um fantasma de verdade, captado pelas lentes de cinema. Pura balela, é claro, mas a cena é realmente arrepiante e dezenas de posts em fóruns na Internet juram que se trata de uma aparição de verdade. Quem sabe o tal fantasma apareceu no set para parabenizar os irmãos Pang pelo excelente trabalho... Aliás, perdoem o trocadilho, mas é bom ficar de olho nos futuros trabalhos da dupla.


MAIS FILMES ONDE O TERROR VEM DOS OLHOS


OS OLHOS DE LAURA MARS (Eyes of Laura Mars, 1978, EUA). Direção: Irvin Kershner
Este é praticamente um cult movie, que Globo e SBT cansaram de reprisar nas madrugadas (hoje em dia anda meio sumido da grade de programação). Com roteiro do diretor John Carpenter (escrito no mesmo ano em que este dirigia o clássico HALLOWEEN), o filme conta a história de uma fotógrafa de moda, Laura Mars (Faye Dunaway), que passa a ter visões premonitórias dos violentos crimes cometidos por um serial killer. A tensão cresce quando Laura enxerga o próprio assassinato. Os nerds adorarão saber que o diretor Kershner é o mesmo de O IMPÉRIO CONTRA-ATACA. E o filme ainda tem um excelente elenco, com Tommy Lee Jones, Raul Julia e Brad Dourif. Vale a pena procurar nas locadoras.


BLINK - NUM PISCAR DE OLHOS (Blink, 1994, EUA). Direção: Michael Apted
Praticamente uma versão moderna de OS OLHOS DE LAURA MARS. A belíssima Madeleine Stowe, que na época estava no auge da gostosura, interpreta uma violonista cega desde a infância que passa por uma cirurgia de transplante de córneas e recupera parcialmente a visão. Ela testemunha o crime cometido por uma misteriosa figura e não sabe se é real ou uma ilusão provocada pelos "novos" olhos. Paralelamente, outras pessoas que receberam transplante vão sendo atacadas pelo maníaco, e ela pode ser a próxima vítima. Aidan Quinn interpreta o policial que ajuda a moça.




O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (Man With the X-Ray Eyes, 1963, EUA). Direção: Roger Corman
Excelente filme da fase mais inspirada do cineasta Roger Corman, que a partir dos anos 70 se transformaria num lendário produtor de filmes de baixíssimo orçamento. Este também foi rodado por uma mixaria, mas a produção barata é contornada pelo excelente e criativo argumento. Ray Milland interpreta o dr. James Xavier, que trabalha numa fórmula para aumentar a visão humana. Ele decide testar a fórmula nele mesmo e ganha o poder de enxergar em "raio-X", através de objetos sólidos. No começo tudo são flores, mas logo o dr. Xavier percebe que a vida não será mais tão simples. Leia o artigo sobre este filme clicando aqui.


MANSION OF THE DOOMED (idem, 1976, EUA). Direção: Michael Pataki
Depois que sua filha fica cega como conseqüência de um acidente de carro, o cirurgião Leonard Chaney enlouquece e se torna obcecado por um transplante de córneas para a menina. Ele começa a atacar vítimas inocentes para lhes extrair os olhos, mas após cada cirurgia os órgãos sofrem rejeição do organismo da filha, obrigando o maníaco a continuar procurando novas vítimas. Ironicamente, o médico não mata ninguém, deixando as pessoas, cegas, trancadas no porão da sua mansão. O primeiro dos dois filmes dirigidos por Pataki, que depois viraria ator, com produção do rei dos filmes B Charles Band. Uma das vítimas do dr. Chaney é um jovem Lance Henriksen.




TRILOGIA DO TERROR (Body Bags, 1993, EUA). Direção: John Carpenter e Tobe Hooper
Uma frustrante produção para a TV dividida em episódios, reunindo dois bons diretores americanos, Carpenter e Hooper. Este último dirige o terceiro episódio, intitulado O OLHO (The Eye), e estrelado pelo eterno "Luke Skywalker" Mark Hammill. Ele interpreta um jogador de beisebol que tem o olho furado em um acidente de carro, o que destrói sua vida e sua carreira. Mas logo ele se submete a um transplante, sem saber que o doador do olho era uma psicopata assassino. O resultado é que o outrora bonzinho Hammill começa a ter alucinações e desejos de matar a esposa, interpretada pela veterana Twiggy.


OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS (Anguish/Angustia, 1987, Espanha). Direção: J.J. Bigas Luna
Excelente filme espanhol que ganhou um título dos mais ridículos no Brasil. Conta a história de um oculista de meia-idade, dominado pela mãe repressora (interpreta por Zelda Rubinstein, da trilogia POLTERGEIST), que está progressivamente perdendo a visão. Para compensar seu destino trágico, e hipnotizado pela mãe psicótica, ele sai pela cidade matando pessoas e arrancando seus olhos. O mais surpreendente é que logo o espectador fica sabendo que isso tudo é um filme (!!!) que diversas pessoas assistem no cinema, quando entra em cena um maluco, aparentemente dominado pela mãe do filme dentro do filme, e que começa a matar o público dentro do cinema. Muito interessante.




Felipe M.Guerra


THE EYE - A HERANÇA(Jian gui , Hong Kong/Inglaterra/Tailândia/Singapura, 2002). 110 minutos.
Direção: Oxide Pang Chun; Danny Pang
Roteiro: Oxide Pang Chun; Danny Pang; Jo Jo Yuet-chun Hui
Produção: Peter Chan; Lawrence Cheng
Produção Executiva: Peter Chan; Eric Tsang
Fotografia: Decha Srimantra
Música: Orange Music
Edição: Oxide Pang Chun; Danny Pang
Direção de Arte: Simon So
Efeitos Visuais: Jack Ho
Elenco: Angelica Lee (Wong Kar Mun); Lawrence Chou (Dr. Wah); Chutcha Rujinanon (Ling); Yut Lai So (Yingying); Candy Lo (Yee); Yin Ping Ko (mãe de Mun); Pierre Png (Dr.Eak); Edmund Chen (Dr. Lo); Wai-Ho Yung (Mr. Ching); Wilson Yip (Taoist)




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