O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS

por Gabriel Paixão

"Em 1963, Hitchcock fez um filme mostrando um selvagem ataque de criaturas aladas a seres humanos... As pessoas riram. Em 1975, 7 milhões de pássaros invadiram uma cidade americana, resistindo a todos os esforços para expulsá-los... Ninguém está rindo agora. Este é um filme sobre tomates assassinos."


Se você, assim como eu, é amante de clássicos cult da tosquice como A NOIVA DE FRANKESTEIN, PLAN 9 FROM OUTER SPACE ou BÁTIMA - FEIRA DA FRUTA, garanto que se você ainda não conhece O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS sua bagagem está incompleta, pois esta produção é daquelas que você assiste e não muito tempo depois tenta puxar da memória cada cena e não raramente começa a rir sozinho.
O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS é um marco na história dos filmes trash, não somente pela idéia absurda de tomates que atacam seres humanos, mas principalmente por ser despretensiosamente hilário onde as principais piadas se encontram nas entrelinhas e nas tiradas inteligentes, isto um bom tempo antes de CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ e outras produções satíricas similares.
A experiência única de se assistir pela primeira vez a O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS começa já no primeiro ataque a uma dona de casa desamparada em uma cozinha, com a genial música tema nos créditos de abertura que contém propaganda publicitária (falsa obviamente).



A polícia começa a investigar perplexa a primeira vítima e eles fazem uma constatação impressionante: Não é sangue, é suco de tomate. Os tomates crescem indefinidamente e atingem circunferências enormes: atirar com espingardas e outras armas de fogo já não adiantam mais (hahaha!). A situação está saindo do controle em uma área experimental do departamento de agricultura, e a população está com medo.



Para lidar com a situação duas frentes são escaladas: a primeira cuidará da publicidade sobre o caso e é chefiada pelo secretário de imprensa Jim Richardson (George Wilson). E a segunda colocará a mão na massa propriamente dita e o encarregado é Mason Dixon (David Miller), que se reunirá com a principal junta de cientistas e militares dos Estados Unidos (em uma salinha minúscula) para resolver como impedir o avanço dos tomates. Destaque para o sotaque "Japonês" do Dr. Nokitofa (Paul Oya).



Após a apresentação fantástica do ciborgue Bruce (David Hall, UMA TACADA DA PESADA), que por problemas orçamentários só teve uma perna desenvolvida, Mason é apresentado à sua "equipe": o especialista em disfarces Sam Smith (Gary Smith que fez uma ponta em NASCIDO PARA MATAR), a nadadora anabolizada Gretta Attenbaum (Benita Barton), o perito em mergulho Greg Colburn (Steve Cates) e o pau pra toda obra Wilbur Finletter (o produtor e roteirista J. Stephen Peace).



Os ataques prosseguem, inclusive dentro da água em uma cena que tira sarro de TUBARÃO e com a exposição, a imprensa marrom, representada pela jornalista Lois Fairchild (Sharon Taylor), fará qualquer coisa para conseguir um furo de reportagem.



Agora, a força tarefa de Dixon terá que lidar com dois problemas: combater os tomates tentando encontrar a fonte dos problemas, e manter o nariz de Fairchild longe das investigações.



Se você já assistiu e achou o filme ruim e os efeitos horríveis, tenho uma revelação bombástica para fazer: o ano era 1978, não havia computadores e não havia tecnologia. Uma época em que homens eram homens e papel higiênico era mato (Tá bom, você já pegou a idéia). Com essa falta aparente de recursos, o produtor, editor, diretor e roteirista John De Bello (roteiro escrito com a ajuda de Costa Dillon, J. Stephen Peace e Rick Rockwell), criou um filme com personalidade, abusando dos efeitos e do orçamento baixo em favor da comicidade (Stop Motion Rules!). Poderia citar pelo menos uma dúzia de cenas memoráveis de humor inteligente e absurdos propositais, mas é ver para crer.



E o que falar da trilha sonora? Onde está o Oscar de melhor canção para o grande hit "Puberty Love"!? Isto sem contar a esplêndida música de abertura já citada anteriormente e os outros musicais. Ponto para o trio John De Bello (de novo!), Gordon Goodwin e Paul Sundfor.



A franquia "frutificou" e dez anos depois os tomates assassinos voltavam com Return of the Killer Tomatoes! (1988) estrelado por um tal de George Clooney; depois deste mais dois filmes foram feitos: Killer Tomatoes Strike Back! em 1990 e Killer Tomatoes Eat France! de 1991. Todas as continuações foram dirigidas por John De Bello, mas apesar de bom entretenimento não alcançaram o status do filme original. Além disto no ano de 1990 a rede de televisão Fox encomendou uma temporada para uma versão em desenho animado de O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS, mas a despeito do nome ela foi baseada no segundo filme da série. Em janeiro de 1992 a produtora THQ lançou um game para os sistemas NES e Game Boy também intitulado "Attack of the Killer Tomatoes".



A "versão do diretor" de O ATAQUE... foi lançada no Brasil num passado distante em VHS pela distribuidora LK-TEL. Esta versão conta com uma introdução muito engraçada dos realizadores do filme e algumas intervenções no meio da projeção. Desde 2003, naquele país onde as coisas acontecem, existe uma edição especial comemorativa de 25 anos do filme em um DVD duplo com mais de 3 horas de material adicional. Claro que dificilmente será lançado em terras brasilis, mas sonhar não custa nada. E não se esqueça de jamais pedir para um tomate lhe passar o ketchup.



CURIOSIDADES

- Os tampões de ouvido utilizados pelo tomate gigante no final do filme foram feitos utilizando gigantes assentos verdes de privada;



- De acordo com o diretor John De Bello, o helicóptero que cai em uma das cenas do filme, caiu de verdade. Nas palavras do diretor: "O resultado? Uma cena espetacular que custou mais do que o resto do orçamento de 90 mil dólares combinados. Isto é entretenimento!";



- Foi considerado pelo jornal USA Today como um dos cinco melhores títulos de filmes de todos os tempos, mas a LK-TEL picaretamente mencionou a citação no encarte nacional como um dos cinco melhores filmes de todos os tempos, hahahaha;



- Durante os créditos de abertura, depois de alguns anúncios falsos de publicidade aparece escrito "Este espaço está disponível" e um número de telefone. O telefone mostrado foi realmente o da produtora Four Square e por muitos anos recebeu telefonemas de pessoas de todos os cantos do mundo que caíram na brincadeira e queriam saber quanto custaria para que seus anúncios fossem veiculados nos créditos. Fala De Bello: "Depois que o código de área mudou, paramos de receber os telefonemas, mas alguém em algum lugar deve ter nosso número antigo e até hoje isto deve estar deixando-o maluco".

Gabriel Paixão


O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS (Attack of the Killer Tomatoes!, Estados Unidos, 1978). Duração: 87 minutos
Direção: John De Bello
Roteiro: John De Bello; Costa Dillon; J. Stephen Peace; Rick Rockwell
Produção: Michael Bard Bayer; John De Bello; J. Stephen Peace
Fotografia: John K. Culley
Música: John De Bello; Gordon Goodwin; Paul Sundfor
Edição: John De Bello.
Efeitos Especiais: Craig Berkos; Robert Matzenauer
Elenco: David Miller (Mason Dixon); George Wilson (Jim Richardson); Sharon Taylor (Lois Fairchild); J. Stephen Peace (Wilbur Finletter); Ernie Meyers (Presidente); Eric Christmas (Senador Polk); Ron Shapiro (Editor do Jornal); Al Sklar (Ted Swan); Jerry Anderson (Maj. Mills); Don Birch; Tom Coleman; Art K. Koustik; Jack Nolen (Senador McKinley); Paul Oya (Dr. Nokitofa); John Qualls; Alan Scharf (Roberts); Gary Smith (Sam Smith); Byron Teegarden (Dr. Morrison); Doug Vernon; Dean Grell; Jack Riley; Von Schauer; Cindy Charles; Joe Price; Gordon Ross; D. Wayne Cyphert; Efemia Dillon; Paul Abbot; John De Bello; Steve Cates (Greg Colburn); Benita Barton (Gretta Attenbaum); David Hall (Bruce).

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