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Em 1979, os Ramones se associaram ao lendário produtor Roger Corman e decidiram lançar o filme B "Rock N´ Roll High School" que além de ser uma diversão para a banda serviria como um marketing para a mesma, uma chance de mostrar o trabalho musical para o pessoal nem tanto informado em música mas antenado em Cinema. Décadas depois algo parecido ocorreu (não, não foi com a Britney Spears), no caso a banda agora é o Guitar Wolf e o filme é "Wild Zero" de Tetsuo Takeuchi, uma viagem cinematográfica que mistura alienígenas, zumbis, mulheres peladas tudo isso com doses cavalares do melhor punk rock japonês!
A banda Guitar Wolf surgiu em 1987 quando Seiji, Hideaki e Toru decidiram fazer um som baseado em suas bandas favoritas. |
Todos assumiram pseudônimos: Seiji é Guitar Wolf (o mesmo nome da banda) e ataca na guitarra e voz; Hideaki é Bass Wolf e fica com o baixo e Toru na bateria se transforma no Drum Wolf, mas como toda banda punk que se preza o Guitar Wolf fazia muito sucesso no "underground" japonês e americano. Determinado a angariar mais fãs (mas nem por isso perder a identidade) a banda decidiu enveredar para o Cinema e deu no que deu. Wild Zero é uma fábula nonsense, irreal e por isso mesmo divertidíssima que flerta com a fantasia, terror e ficção científica e mesmo que não seja a azeitona da empada consegue divertir muito.


Tudo começa com um aviso de que caiu na Terra um estranho meteoro ao mesmo tempo que vemos uma centena de OVNIs no espaço se dirigindo ao nosso planeta. Paralelo a isso surge Ace (Masashi Endô), um rockabilly fã do
Guitar Wolf e que se prepara para assistir a mais um show da banda. Após o tal show, a banda (que interpretam a si mesmos) resolve tirar satisfação com o dono da casa de show, um tal de Capitão (Makoto Inamiya), coincidentemente um amigo de infância do Guitar Wolf (o vocalista, não a banda). Ao ver que o amigo ganha mais dinheiro traficando drogas do que com música, o estiloso vocalista se revolta. O Capitão então se explica:
"O Rock N´ Roll acabou, baby!" só para depois Ace - que estava ouvindo a conversa - invadir a sala e gritar a todos pulmões:
"O Rock não acabou, ele nunca morre!". Essa intervenção cômica acaba por causar um tiroteio que acaba deixando o tal Capitão com dois dedos a menos. Guitar Wolf então faz um pacto de sangue com Ace e lhe dá um apito mágico e diz que quando estiver em perigo basta apitar para que a banda chegue e o salve!


Já no dia seguinte a meiga Tobio (Kwancharu Shitichai), que estava batendo perna pela cidade, chega em um posto de gasolina e vê que este está completamente abandonado. Lá acaba conhecendo Ace que também estava de passagem, e é claro
"pinta o clima" entre os dois com direito a coração vermelho na tela... Em meio a isso ainda tem uns Yakuzas que vão fazer negócio com uma traficante de armas só que são devorados por zumbis! O interessante é que o capanga do chefão Yakuza mesmo vendo que os zumbis são putrefatos ainda age normalmente como se fossem pessoas comuns! hahaha


Não demora e Ace topa com uma van abandonada na estrada enquanto dirigia sua moto. Ao ver o que era, se depara com vários zumbis devorando os passageiros! O pobre rapaz fica aterrorizado e se lembra que Tobio ficou pra trás no posto de gasolina! Será que os zumbis atacarão lá também? Reunindo coragem ele volta para o posto de gasolina e salva Tobio, mas mesmo assim eles ficam ilhados no posto, sem poder sair e cheio de zumbis famintos em volta! Sem perspectiva alguma de saírem vivos da situação, parecem se entregar ao cruel destino, e até Ace chega a chorar e contar suas dificuldades e amarguras e claro em um momento, Ace e Tobio se beijam. Uma típica história de amor, se o diretor Takeuchi e o roteirista Satoshi Takagi não revelassem nessa mesma seqüência um
"detalhe" surpresa que dá à história uma visão completamente diferente. Se não quiserem saber qual é esse elemento surpresa, pulem o parágrafo a seguir e só voltem a ler no seguinte.


O tal segredo em questão é que a meiga e doce Tobio na verdade...é um homem! Isso mesmo, Ace se apaixona e beija um travesti. Quando descobre isso após Tobio se despir, o rapaz foge totalmente desorientado e se tranca em outro cômodo do posto! Hahaha.. Tobio foi interpretada mesmo por um transexual, no caso o ator tailandês Kwancharu Shitichai que teve sua voz dublada por uma atriz japonesa na ocasião do lançamento do filme no Japão. O filme foi todo filmado na Tailândia para abaixar os custos e todos os extras ( a maioria zumbi) são tailandeses.


Após descobrir o tal segredo, Ace tem uma visão de Guitar Wolf (o vocalista, não a banda), uma ótima sacada do roteiro, já que sendo o
"herói" da vida de Ace e pessoa que mais admira, Guitar Wolf acaba servindo como uma espécie de consciência chegando a fazer Ace descobrir sua coragem interior e o espírito do
"Hey Ho, Let´s Go" que todos nós deveríamos ter em certos momentos da vida. Essa aparição resulta numa das cenas mais bonitas, quando Guitar Wolf recita uma fala que se tornou clássico para os fãs do filme:
"O amor não tem fronteiras, gêneros ou nacionalidades, Ace! Rock n´roool!" 

O problema é que quando Ace toma coragem novamente, ouve o grito de Tobio e vê que a moça simplesmente sumiu enquanto os zumbis finalmente adrentaram o lugar. Sem ajuda, decide usar o apito mágico que obviamente o Guitar Wolf ouve em outra cidade! Vai entender... o que me tranqüiliza é o fato de que era um apito mágico! O filme toma então outro rumo, dessa vez com o
Guitar Wolf (a banda, não só o vocalista) como protagonista. É aí que eles se envolvem com uns bandidos mequetrefes, com a traficante de armas e até com o tal Capitão que quer sua vingança a qualquer custo.

Wild Zero é um daqueles filmes que chegam a ser meio massacrados sem motivo. De umas 10 resenhas que já li na internet, pelo menos umas 9 são pra meter o pau no filme. A verdade é que
Wild Zero é muito divertido e grande parte dessa diversão é o fato do filme nunca se levar a sério, flertando com o cinema de ficção científica da década de 50 e com os filmes de zumbi de Romero. A maior obra do veterano diretor "
A Noite dos Mortos-Vivos" é até citada em um diálogo bem humorado entre Bass Wolf e Drum Wolf. Ao se questionarem se as criaturas são realmente zumbis um diz:
"Zumbis? Como em "A Noite dos Mortos-Vivos?" , e o outro curioso:
"Sim, você viu?" , só para o primeiro emendar:
"Não!" hahaha... E na mesma cena um mané chamado Toshio e sua namorada Hanako ainda brigam pois ela não admite que ele nunca tenha visto um filme de zumbi na vida pois se tivesse visto ele iria saber as técnicas para derrotá-los! Hahaha

Wild Zero ainda tem diversos furos de roteiros como por exemplo nunca se preocupar em explicar qual o real plano dos alienígenas e porque eles resolveram transformar várias pessoas em zumbis. O filme conta ainda com cenas totalmente dispensáveis como a de Bass Wolf e Drum Wolf se drogando dentro do carro enquanto um bando de zumbis fica tentando entrar no veículo. Mas deixando isso de lado, é bastante violento com direito a cabeças de zumbis e humanos sendo explodidas, zumbis devorando suas vítimas dentre outras. Mas o real intuito de
Wild Zero nunca foi de ser um filme de terror ou um de ficção científica, a intenção mesmo é de que seja um filme B e com B maiúsculo e que todos os envolvidos no projeto tenham orgulho disso! Claro que quem se diverte mais é a banda Guitar Wolf que nunca esteve tão
"cool"! O vocalista quase não fala (meio incoerente não é?), mas quando o faz sempre despeja ótimas e engraçadíssimas frases de impacto sempre seguidas de um uivo de lobo ou do grito de guerra
"Rock N´ roooooooool" que devido ao sotaque japonês acaba saindo
"Lock N´ Loooooool!" hehehe.
Por outro lado, Masashi Endô é carismático o suficiente para que torçamos a todo momento por Ace e pela sua história de amor com Tobio, que é uma das mais corajosas e bonitas já vistas no Cinema. Já o gângster Capitão é interpretado de forma exagerada e por isso mesmo divertida por Makoto Inamiya, que em certo momento após tomar um choque adquire o poder de atirar raios pelos olhos!!!

Wild Zero é isso, uma mistura bem humorada de filmes de alienígenas com filmes de zumbis. É o
"Rock N´Roll High School" do Guitar Wolf. E chega a ser impossível ao fim da película não sentir vontade de ser o vocalista Guitar Wolf! O cara é o
"crème de la crème" do
"cool"! Quem mais poderia acabar com dezenas de zumbis arremessando palhetas eletrificadas (!!!)? Quem mais nunca largaria sua guitarra em nenhuma cena? Quem mais tem uma moto que solta fogo do escapamento? E mais importante quem ao escapar de uma explosão pulando de um prédio ainda tem tempo de soltar um riff de guitarra e gritar
"Lock N´Looll" antes de aterrisar no solo? Só o Guitar Wolf pode! Afinal como dizem em um momento no filme :
"Não há fronteiras no Rock. Acredite no Rock!" assim como não há fronteiras em
Wild Zero! Lock N´Loll pra todos nós!!!
LOCK N´LOOL!!!
Seiji ou
"Guitar Wolf" (Guitarra e voz), Hideaki ou
"Bass Wolf" ( Baixo e voz) e Toru
"Drum Wolf" (bateria) formaram a banda em 1987. O primeiro álbum (que só saiu em vinil) foi lançado nos Estados Unidos em 1993 por um selo independente, Goner Records. A receptividade do seu segundo cd
Kung Fu Ramone foi excelente e a maioria da mídia japonesa considerou o
Guitar Wolf a banda revelação daquele ano. No ano de 2005
"Bass Wolf", o baixista teve um ataque cardíaco decorrente de overdose por
"speed" (dizem alguns) e veio a falecer. Pelo menos na vida real as drogas são mais perigosas que zumbis alienígenas.
Discografia:
Journey To The Mad Brain (1991)
TVVA (1992)
Wolf Rock (1993)
Run Wolf Run (1994)
Kung Fu Ramone (1994)
Missile Me! (1996)
Planet Of The Wolves (1997)
Jet Generation (1999)
Wild Zero (1999)
Rock N' Roll Etiquette (2000)
Live!! (2000)
UFO Romantics (2002)
Bruno C. Martino
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WILD ZERO (Wild Zero, Japão ,2000). Duração: 89 Minutos
Direção: Tetsuro Takeuchi
Roteiro: Satoshi Takagi
Produção: Kaichiro Furata, Katsuaki Takemoto, Kazuhiko Tanaka
Música: Guitar Wolf
Fotografia: Motoki Kobayashi
Desenho de Produção: Akihiko Inamurai
Edição: Tomoe Kubota
Elenco: Guitar Wolf (Ele Mesmo), Bass Wolf (Ele Mesmo), Drum Wolf (Ele Mesmo), Masashi Endô (Ace), Makoto Inamiya (Capitão), Haruka Nakajo (Yamazaki), Masao Sato (Masao)
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