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Pupi Avati não é exatamente um dos nomes mais conhecidos entre os mestres italianos do cinema de horror. Embora esteja envolvido com várias produções clássicas do período áureo do horror europeu (escreveu os roteiros da comédia IL DRACULA IN BRIANZA, de Lucio Fulci, do polêmico SALÓ - OS 120 DIAS DE SODOMA, de Pier Paolo Pasolini, e do horror MACABRO, estréia de Lamberto Bava no cinema), Avati normalmente é citado apenas como diretor/produtor/roteirista de dramas históricos e comédias românticas - o que continua fazendo até hoje, é bom ressaltar. Mas ele também teve três contribuições, como diretor, para o cinema fantástico italiano. E como as três são ótimas, dá para dizer que o homem tem 100% de aproveitamento. Suas três únicas obras do gênero são o giallo THE HOUSE WITH LAUGHING WINDOWS (La Casa Dalle Finestre Che Ridono, 1976), o horror SEGREDOS MORTAIS (L'Arcano Incantatore, de 1996, único dos três a sair em VHS no |
Brasil) e o obscuro e fascinante ZEDER (1983), que é o alvo da análise deste artigo. Recentemente, em 2007, Avati lançou mais uma produção na mesma linha, desta vez investindo no suspense; chama-se IL NASCONDIGLIO, porém infelizmente continua inédita fora da Itália.
ZEDER é o mais desconhecido da velha trinca sobrenatural de Avati. Na verdade, é aquele tipo de filme que muitos viciados em "euro-horror" até sabem que existe (caso deste que vos escreve), mas, por um motivo ou outro, nunca viram. E se isso acontece com viciados em euro-horror, imagine, então, com o resto da humanidade! Pesa contra o filme, também, o fato de ser pouco acessível ao público em geral. Bem, quem já viu os dois outros citados - especialmente o ótimo SEGREDOS MORTAIS, que foi lançado por aqui - sabe o que esperar de um horror dirigido por Avati: ritmo lento, muitos diálogos e um mistério complicado que se desenha desde o início, mas que só começa a se revelar no final, com direito à tradicional reviravolta chocante. Ah, e sempre sem a necessidade de utilizar violência explícita ou cenas sangrentas exageradas, tão comuns nas produções italianas de horror da mesma época.

"O quê? Um filme italiano de zumbis sem sangue e violência?". É isso mesmo, caro leitor. Diferente de outras produções feitas na mesma época, como o
ZOMBIE de Fulci, o
NIGHTMARE CITY de Umberto Lenzi ou o
NIGHTS OF TERROR de Andrea Bianchi, que são verdadeiros banhos de sangue,
ZEDER é um filme de zumbis sem tripas para fora, sem maquiagem elaboradas e sem gore. E também, acredite ou não, SEM ZUMBIS! Não está entendendo nada, né? Então é melhor eu começar a explicar direito essa história...
Escrito pelo próprio diretor, com a ajuda do irmão Antonio Avati e de Maurizio Costanzo, o filme tem tudo para prender a atenção do espectador, começando pelo título esquisito e passando pela história fora do comum e originalíssima, daquelas que dá gosto de conferir nestes nossos tempos de remakes quadro a quadro e continuações idênticas aos originais. A bem da verdade,
ZEDER é tão diferente e original, na sua mistura de horror, giallo, ficção científica e suspense, que pode ser definido em duas palavras:
"Muito estranho".

ZEDER começa com uma introdução de 10 minutos que se passa em Chartres, na França, nos anos 50. Só nestes primeiros 10 minutos, acontece tanta coisa que fica até difícil de resumir - e só este prólogo já poderia muito bem ser estendido para um longa-metragem caprichado. Tudo começa com uma velha (Giuseppina Borione) se aproximando de uma casa que tem fama de assombrada. Um vulto desfigurado surge de repente por trás dela, e na cena seguinte já vemos o cadáver da mesma velha no necrotério, com o pescoço dilacerado. Tudo então se desenrola rapidamente: um cientista chamado dr. Meyer (Cesare Barbetti) convence a polícia de que os crimes que vêm acontecendo ao redor do casarão nos últimos tempos têm motivação sobrenatural, e obtém permissão para levar uma menina médium, Gabriella (Veronica Moriconi), até o local.
Após uma bagunça infernal no interior da casa, Meyer carrega uma Gabriella em transe até o sinistro e escuro porão, onde a garota literalmente surta diante de uma pedaço de chão batido no piso. O cientista volta correndo escadas acima para chamar a polícia, gritando que encontrou o que procurava, enquanto, no porão, a menina é atacada por algo que não é mostrado ao espectador. Tudo o que Avati permite que se veja é o
"depois": Gabriella sendo retirada do porão pelos policiais, com uma das pernas mutilada e um dos pés descalço. Alguns homens começam a cavar no local onde a médium surtou e encontram um velho caixão rudimentar. Dentro dele, um esqueleto enterrado sabe-se lá há quanto tempo. E, bem firme na mão ossuda do cadáver, está o sapato que faltava no pé da menina!!! Se isso não é uma belíssima e intrigante forma de começar um filme, não sei o que é...


Os ossos são retirados da cova e os poucos pertences do falecido ficam à disposição do dr. Meyer, que encontra uma carteira com um documento (autorizando pesquisas no
"arquivo secreto" da Biblioteca do Vaticano) que identifica o morto: um tal de Paolo Zeder (ahá, agora você entendeu o nome do filme!). De maneira misteriosa, o cientista comenta com o investigador que Zeder conseguiu voltar da morte. Pimba: finalmente começam os créditos iniciais, ao som de uma música exagerada, mas bastante climática, do mestre Riz "
Cannibal Holocaust" Ortolani. E tudo isso foram só os primeiros 10 minutos...
A história é retomada no presente (no caso, em 1983), em Bologna, na Itália, onde somos apresentados ao casal de protagonistas: o escritor Stefano (Gabriele Lavia) e sua bonita esposa Alessandra (Anne Canovas). É aniversário de matrimônio do casal, e eles resolvem trocar presentes. Enquanto Stefano dá uma pulseira para a esposa, ela retribui com uma máquina de datilografia elétrica de segunda-mão, comprada numa loja de penhores. Naquela noite, após um sexozinho comemorativo, o escritor resolve testar seu presente datilografando algumas páginas do seu terceiro e novo romance. Mas a fita de tinta da máquina (isso vai parecer muito confuso para quem não viveu a época da datilografia...) termina, e ele é obrigado a tirar o rolo para enrolar tudo de volta.


É quando descobre que, contra a luz, é possível ler tudo que foi datilografado sobre a fita pelo proprietário anterior da máquina. E ali estão, quem diria, duas fascinantes cartas falando sobre as misteriosas pesquisas de um cientista sobre o que chama de
"Zonas K" - locais místicos que teriam o poder de trazer os mortos de volta à vida. Acreditando que tem nas mãos um gancho suficientemente criativo para o seu novo romance, Stefano leva as cartas para um velho amigo, o professor Chesi (John Stacy), cuja área de atuação são justamente os fenômenos paranormais. Chesi explica ao pupilo que as tais
"Zonas K" seriam lendários pontos específicos do planeta onde as regras do tempo e da física não se aplicam. Assim, poderiam se transformar em portais para o mundo sobrenatural. Ou para o além, se o leitor preferir.
Isso basta para deixar o escritor ainda mais curioso e disposto a investigar a identidade do autor daquelas cartas. Na loja de penhores onde sua esposa comprou o presente, Stefano descobre que o ex-proprietário da máquina era um padre chamado Luigi Costa. Sua próxima parada é a paróquia da cidade, onde um homem que se identifica como o tal sacerdote (Ferdinando Orlandi) tenta convencê-lo a desistir da investigação. Mas logo Stefano descobre que aquele não era o verdadeiro Luigi Costa, e sim um impostor. Neste momento, o espectador descobre que, por trás das cartas, existe uma sinistra conspiração ligada a um poderoso grupo de pesquisadores franceses, entre eles Meyer, aquele cientista do início do filme, e a médium Gabriella, agora crescida (e interpretada por Paola Tanziani).


A partir de então, nada mais é o que parece ser: amigos revelam-se inimigos integrantes da conspiração, como o policial Guido Silvestri (Alessandro Partexano), e os membros do tal grupo parecem sempre um passo à frente de Stefano, apagando os rastros da terrível verdade sobre a pesquisa do padre Luigi e sobre as tais
"Zonas K". E é claro que
"apagar os rastros" significa matar todo mundo que sabe algo sobre a história. Mas o escritor continua cada vez mais obcecado em descobrir a verdade, mesmo sem saber mais em quem confiar. Forçada a acompanhar o marido, Alessandra tenta fazê-lo desistir da sua busca pela verdade. E não demora para a história começar a entrar no campo do sobrenatural, já que os tais pesquisadores estão tentando repetir a experiência feita por Paolo Zeder no início do filme. Ou seja: trazer um morto de volta à vida!
Se você é daqueles que abomina produções muito paradas ou dialogadas, gosta de ter tudo explicado bem mastigadinho e escolhe os filmes que vai ver pela quantidade de sangue e tripas, então definitivamente deve evitar este aqui. Nos Estados Unidos,
ZEDER foi originalmente lançado nos cinemas com um título enganoso,
"Revenge of the Dead" (!!!), e um pôster que mostrava um zumbi putrefato saindo do chão. Bem, embora a história tenha alguns mortos que voltam à vida, dificilmente pode-se incluir o filme de Avati entre as produções italianas de mortos-vivos daquele período. E quem foi ver
"Revenge of the Dead" achando que seria algo na linha de
ZOMBIE ou
NIGHTMARE CITY certamente quebrou a cara, o que em parte justifica algumas das críticas furiosas que você encontra pela internet. Então, saiba desde já que
ZEDER não é exatamente um filme de zumbis, mas sim
"sobre" zumbis. Ou, se preferir, é um filme de zumbis beeeeeem diferente.

Se você odiou
CUBO porque era muito parado,
PI porque era muito dialogado e não curte metade dos filmes orientais de horror porque acha que são muito confusos e mal-explicados, aí está mais um motivo para parar de ler este artigo e esquecer que
ZEDER existe. Até porque o filme é tudo isso: parado, bastante dialogado (mas os diálogos não são gratuitos, como, por exemplo, em
DEATH PROOF, do Tarantino, e sim relacionados à trama) e com uma estrutura narrativa fragmentada que deixa muitas lacunas para o espectador preencher com seu poder de observação. Quando começarem a subir os créditos finais, tudo que você viu vai ficar lhe perseguindo por um bom tempo, até que você consiga finalmente ligar as muitas idéias trabalhadas pelo roteiro. Parece complicado? Nem tanto. Mas o filme exige que o espectador pense, e a geração acostumada a remakes e produções dirigidas por videoclipeiros provavelmente não vai curtir...


O mais extraordinário em relação a
ZEDER é que o diretor-roteirista Avati consegue prender a atenção (e a respiração) do espectador sem apelar para sustos falsos ou cenas de violência de cinco em cinco minutos. No lugar destas táticas batidas, ele prefere colocar diálogos que dão novas pistas ao personagem principal e fazem sua busca febril continuar em frente, deixando-o no limite - e com ele o espectador.
E que grande contador de histórias é este tal de Pupi Avati... Como já havia feito no clássico
THE HOUSE WITH LAUGHING WINDOWS, ele envolve o espectador lentamente numa enorme, sinistra e confusa teia de mistério, reviravoltas e toques macabros. Demora um pouco para que as coisas comecem a fazer sentido, mas é no final que o espectador, se sentindo o maior panaca do universo, percebe que tudo aquilo que viu estava previsto desde o começo, e que Avati foi lançando as pistas devagar para que o espectador se sentisse tão perdido quanto o protagonista.


Em comparação a estes cineastas cabeças-de-bagre que hoje dominam a cena do cinema fantástico, Avati ainda tem este mérito: só mostra ao espectador o que ele precisa saber para acompanhar a investigação de Stefano, e nada mais que permita-o deixar um passo à frente do protagonista (mesmo o prólogo na França só começa a fazer sentido à medida que vamos descobrindo mais sobre aqueles personagens através da busca do escritor).
Se fosse qualquer cineasta de primeira viagem, os personagens passariam o filme inteiro comentando as coisas que descobriram, julgando o espectador um idiota que precisa receber tudo mastigadinho. Se os norte-americanos refilmassem
ZEDER, por exemplo, pode contar que incluiriam incontáveis cenas de Stefano conversando com Alessandra e
"revisando" o que descobriram até então - como fizeram recentemente com o horrendo
UMA CHAMADA PERDIDA. Mas Avati não precisa destas fanfarronices. Sua forma de contar a história lembra grandes mestres, como
Dario Argento. Nada surge ao acaso, muito menos as explicações.


No prólogo, por exemplo, alguém comenta que a menina Gabriella teria a perna amputada em razão dos ferimentos que sofreu; e quando, mais tarde, Avati mostra a já adulta Gabriella, faz com que o espectador a identifique por causa do andar manco da mulher (certamente usando uma prótese no lugar da perna que perdeu), ao invés de utilizar algum batido diálogo expositivo, tipo Gabriella comentando com um colega:
"Puxa, hoje completam 30 anos daquele acontecimento terrível em que perdi a perna...". Mesmo a natureza das pesquisas realizadas na tal Zona K são descobertas gradativamente, à medida que acompanhamos os cientistas montando todo o aparato; se fosse algum filme norte-americano, pode contar que veríamos de cara um diálogo entre dois cientistas comentando:
"Estou tão excitado porque hoje vamos realizar aquela experiência patati-patatá...".
O roteiro deixa várias lacunas que ficam incomodando o espectador ao longo de toda a projeção. Algumas são respondidas no final; outras, porém, ficam para a imaginação, e o próprio espectador, como o protagonista, vai ter que revisar as pistas colhidas para tentar matar a charada. Bem ao estilo de seu compatriota Argento, Pupi Avati prefere não perder muito tempo com justificativas: prefere, isso sim, criar aquele clima terrível de que alguma coisa apavorante e/ou trágica está para acontecer, na mesma linha de
INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (e a comparação com o clássico de Nicolas Roeg não é nada gratuita).


Avati é tão bem-sucedido que consegue criar suspense e tensão mesmo quando prepara o clima para o cagaço iminente, mas termina não mostrando nada de espetacular - como na cena em que Stefano fica preso numa tumba subterrânea e começa a escutar sons suspeitos vindos de um caixão nas proximidades. No lugar de sustos fáceis, o diretor prefere assustar criando um clima tétrico, onde até a figura de uma velha cega, totalmente inofensiva, inspira terror (novamente, na linha do que já acontecia no anterior
INVERNO DE SANGUE EM VENEZA).
Vale destacar também que embora parte do filme se passe nos locais tradicionais das histórias de horror, como o tal cemitério, um bosque escuro e uma mansão com fama de assombrada, a parte mais assustadora da trama se desenvolve num edifício com traços modernos e repleto de computadores - uma colônia de férias que foi fechada depois de alguns fatos inexplicados, e onde acontece o último ato do filme, envolvendo uma das tais
"Zonas K".


E se o argumento de Avati é um dos mais batidos da história do cinema de horror (mortos voltando à vida; ciência versus sobrenatural), é o ar
"moderno" e
"científico" que ele dá à trama que realmente surpreende o espectador, já que este não parece, de maneira alguma, um filme de terror
"comum" - em comparação, imagine
REANIMATOR dirigido por Darren Aronofsky, do filosófico e já clássico
PI.
Pesquisando para escrever este artigo, descobri ainda que Avati baseou-se numa curiosíssima história real para criar sua conspiração envolvendo magia e igreja! Na primeira metade do século 20, um alquimista francês cuja identidade jamais foi conhecida, mas que usava o pseudônimo Fulcanelli, publicou duas obras que se tornaram famosas no círculo da magia e do oculto:
"Le Mystère des Cathédrales" (O Mistério das Catedrais, de 1926) e
"Les Demeures Philosophales" (As Mansões Filosofais, publicado em 1930). Nestes livros, Fulcanelli revelava ter descoberto misteriosos códigos mágicos escondidos nas paredes das catedrais góticas. Ele desapareceu misteriosamente após a publicação da primeira obra (a segunda foi enviada à gráfica por um discípulo), e a lenda é que, entre 1922 e 1923, Fulcanelli teria descoberto a Pedra Filosofal, transformando, com sucesso, pequenas quantidades de chumbo em ouro. Vá saber até onde essa história é real, mas só a lenda ao redor de Fulcanelli (que também já foi citado por
Dario Argento em
MANSÃO DO INFERNO e até pelo nosso amigo Paulo Coelho no seu livro
"O Alquimista") já daria um belo filme!


Aí o leitor espertinho vai dizer:
"Felipe, esse lance da Zona K trazendo de volta os mortos parece plágio do filme O CEMITÉRIO MALDITO!". Pois isso foi a primeira coisa que pensei, e inclusive a conclusão de
ZEDER parece um xerox do que acontece no final de
O CEMITÉRIO MALDITO. Tudo bem que o filme de Mary Lambert veio seis anos depois, em 1989, mas o livro de
Stephen King que deu origem ao filme, chamado
"O Cemitério" ("Pet Sematary"), é de 1983. Ou seja, do mesmo ano de
ZEDER! Será que King viu o filme de Avati em algum cinema poeirinha e resolveu
"copiar" o argumento, apenas mudando a tal
Zona K por um antigo cemitério indígena? Ou será que foi Avati quem leu
"O Cemitério" em tempo recorde para escrever um roteiro e dirigir um filme parecido no mesmo ano? Esta é uma típica pergunta do tipo
"quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?". Mas vale lembrar que nem é a primeira
"coincidência" em se tratando da obra de
Stephen King, já que tanto o filme
A BRUMA ASSASSINA, de
John Carpenter, quanto o conto
"O Nevoeiro", de King, ambos envolvendo criaturas assassinas escondidas na neblina, saíram no mesmo ano, 1980!


E além de
O CEMITÉRIO MALDITO, tem outro filme que bebe discretamente do argumento das
Zonas K criado por Avati:
VERSUS - O PORTAL DA RESSURREIÇÃO, mirabolante história de zumbis do japonês Ryuhei Kitamura.
Como nem tudo é perfeito, muita coisa cai do céu no roteiro de
ZEDER, e algumas das reviravoltas são simplesmente tolas. Lá pelas tantas, por exemplo, é tanta revelação que o espectador se sente enganado. Cacilda, parece até que todos os amigos e conhecidos de Stefano já sabiam sobre as
Zonas K e estão envolvidas na tal conspiração! E se eles são tão eficientes em eliminar testemunhas, pistas e pessoas que tentam contar a verdade ao protagonista, poxa, não seria bem mais simples (e menos trabalhoso) eliminar o próprio Stefano, acabando assim com qualquer investigação e mantendo o segredo salvo sem a necessidade de eliminar 90% dos figurantes do filme? Achei este é o ponto fraco do roteiro, mas nada que estrague a diversão.

ZEDER é um daqueles filmes que você deve assistir sabendo o mínimo possível, portanto encerro por aqui. Mas não sem antes elogiar a eficiente interpretação de Gabriele Lavia como Stefano. Ele é a cara mais conhecida em um elenco repleto de desconhecidos (mesmo para quem é expert na produção cinematográfica italiana do período). Para quem não ligou o nome à pessoa, Lavia foi coadjuvante em dois clássicos do mestre Argento (
PRELÚDIO PARA MATAR e
MANSÃO DO INFERNO), e também na cópia italiana de
O EXORCISTA dirigida por Ovidio G. Assonitis, chamada
ESPÍRITO MALIGNO. Recentemente (em 2001), foi visto trabalhando mais uma vez com Argento em
SLEEPLESS. Em
ZEDER, o ator tem um dos seus únicos papéis principais - e não faz feio.
"E quanto aos zumbis? Eles aparecem ou não?". Meus caros seis leitores,
ZEDER tem zumbis, sim, mas não daquele tipo putrefato que arranca nacos de carne humana, e com o qual os fãs do gênero estão acostumados. Mantendo sua visão mais
"realista", o filme de Avati traz pouquissimos mortos-vivos, nenhum dele putrefato e nenhum deles arrancando nacos de carne humana. Deve ter sido uma grande decepção para quem viu a versão com o cartaz
"Revenge of the Dead", não é?


Claro que, quando você entrar no clima da narrativa de Pupi Avati, a transmissão, via circuito fechado de TV, de um cadáver recém-falecido abrindo os olhos dentro do seu caixão, e começando a rir maleficamente enquanto olha direto para a câmera, vai parecer tão assustadora quanto o zumbi putrefato emergindo lentamente do seu túmulo no clássico
ZOMBIE.
Logo, se você é daqueles que gosta de filmes diferentes e gosta de ser surpreendido quando vê um filme,
ZEDER pode muito bem surgir como um pequeno clássico ainda desconhecido. Agora, se a sua idéia de filme de zumbi é ver pela milésima vez um grupo de pessoas presas numa casa e cercadas por zumbis toscamente maquiados, aí, meu amigo,
ZEDER vai parecer literatura grega (em grego mesmo).


E é realmente uma pena que não tenhamos dez
ZEDER para cada
QUARENTENA...
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Zeder (Zeder, Itália, 1983). Duração: 98 minutos
Direção: Pupi Avati
Roteiro: Pupi Avati; Antonio Avati; Maurizio Costanzo
Produção: Antonio Avati; Gianni Minervini
Fotografia: Franco Delli Colli
Maquiagem: Alfonso Cioffi
Desenho de Produção: Giancarlo Basili; Leonardo Scarpa
Figurino: Steno Tonelli
Elenco: Gabriele Lavia (Stefano); Anne Canovas (Alessandra); Paola Tanziani (Gabriella Goodman); Cesare Barbetti (Dr. Meyer); Bob Tonelli (Mr. Big); Ferdinando Orlandi (Giovine); Enea Ferrario (Mirko); John Stacy (Professor Chesi); Alessandro Partexano (Guido Silvestri); Marcello Tusco (Dr. Melis); Aldo Sassi (Don Mario); Veronica Moriconi (jovem Gabriella); Enrico Ardizzone (Benni); Maria Teresa Tofano (Anna); Andrea Montuschi (Inspetor Bouffet); Adolfo Belletti (Don Emidio); Paolo Bacchi (secretário do Mr.Big); Pina Borione (Helena); Imelde Marani (enfermeira); Gianluigi Gaspari; Carlo Schincaglia; Pino Tosca; Giovanni Brusadori; Sergio Lama; Giuseppe Lentini; Giancarlo Bandini
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