ZÉ DO CAIXÃO
por Luciano Milici

"Você! Você! Todos vocês!
Realmeinte acha que tem pobremas?
Então lançarei uma praga: 'À Meia-Noite da Véspera do Dia de Todos os Santos, Forças Obscuras do Submundo farão com que todos os seus nervos, veias e artérias transformem-se em larvas e devorem lentamente a carne de seu corpo enquanto você ainda vive!'"
ORIGEM DO ZÉ DO CAIXÃO
| Josefel Zanatas era um menino rico e muito inteligente que não tinha amigos porque seu pai era dono de uma rede de funerárias.
| Além dos livros, Josefel conquistou uma única e inseparável amiga: Sara.
| A amizade virou amor. Então, adultos, decidiram se casar e morar em outra cidade.
| Como o casamento seria em outra cidade, os pais do casal decidiram viajar primeiro para organizar a festa.
| Um acidente de avião mata os pais do casal, então, o casamento é adiado.
| Estoura a II Guerra Mundial, em agosto de 43, cria-se a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Josefel alista-se e decide casar-se somente ao voltar da guerra.
Em 30 de junho ele embarca para a Itália
| Nosso herói lutou bravamente, mas nunca esqueceu de sua amada. Repentinamente, as cartas de Sara pararam de chegar.
| Sara ficou cuidando da funerária e escrevendo cartas ao amado. Como nunca obteve respostas, concluiu que seu futuro marido estava morto.
| A pobreza e a solidão fizeram com que Sara aceitasse os galanteios do prefeito. Eles, então, se casaram.
| No dia 18 de julho de 1945, Josefel volta para sua cidade e nota que esta encontra-se vazia. Todas as casas estavam fechadas!
| Questionando um bêbado, este lhe diz que a cidade inteira estava na casa do prefeito comemorando a volta dos pracinhas.
| Chegando na festa, ele vê sua amada sentada no colo do prefeito!
| Sem entender nada e cego pela ira, Josefel mata os dois.
| Inocentado pelo juiz que o considerou insano e traumatizado pela guerra, Josefel agonia a perda de seu grande amor.
| Então, aquele homem doce e gentil tornou-se mau e sem sentimentos. Por aterrorizar os moradores da cidade, passa a ser chamado de Zé do Caixão, um homem sem crenças, sem Deus ou Diabo, com fé apenas em si mesmo e em seu modo distorcido de fazer justiça.
| Seu sonho é achar uma mulher especial para que, juntos, tenham um filho, que dará continuidade à sua raça superior.
| Seu sonho é achar uma mulher especial para que, juntos, tenham um filho, que dará continuidade à sua raça superior.
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A biografia de Josefel Zanatas (Zé do Caixão) é baseada em fatos fictícios e podemos compará-la a um conto de fadas. As datas e acontecimentos citados na biografia foram revelados por José Mojica Marins.
FILMOGRAFIA SELECIONADA
 | ALUCINAÇÃO MACABRA Produzido em 1981-1994. Colorido. Aprox. 90 min.
Segunda parte de “Demônios e Maravilhas”, cinebiografia de José Mojica Marins, misturando cenas em película com trechos rodados em vídeo. O filme foi totalmente rodado, mas nunca montado, por falta de verba. |
 | A PRAGA Produzido em 1979. Super-8 mm. Colorido. Aprox. 80 min.
Um homem cético, que não acredita em macumba, visita uma bruxa a quem ridiculariza. Ela então o amaldiçoa com uma doença que irá devorá-lo. Certo dia aparece uma ferida em sua barriga, deixando os médicos intrigados. O homem deve alimentar a ferida com carne, e sua esposa ajuda-o a conseguir o alimento. A cada dia sua ferida exige mais e mais carne. Um dia, quando o açougue está fechado, a ferida está tão faminta que acaba devorando a esposa do pobre homem. O roteiro, baseado numa história em quadrinhos de Zé do Caixão (realizada em 1969 pela dupla Lucchetti/ Rosso), foi filmado anteriormente como episódio na TV Bandeirantes. Este longa-metragem foi totalmente rodado, mas nunca montado. |
 | DELÍRIOS DE UM ANORMAL Produzido em 1977-1978. Lançado em 2 de agosto de 1978 (Quatá /SP ); 27 de novembro de1978 (São Paulo /SP). Colorido. 83 min.
Dr.Hamílton é um psiquiatra aterrorizado por pesadelos nos quais Zé do Caixão tenta roubar sua esposa. Seus colegas médicos decidem buscar ajuda com o cineasta José Mojica Marins, que tenta fazer Hamílton compreender que Zé do Caixão não passa de uma criação de sua mente. O filme compila cenas de quatro obras de Mojica, mas como “O Despertar da Besta” só seria liberado pela censura em 1986, as sequências originais deste filme aparecem aqui como trechos inéditos. Há cenas não aproveitadas de “Exorcismo Negro” e trechos em preto e branco de “Esta Noite...”e “O Estranho Mundo...” tingidos de diversas cores. Mojica filmou cerca de 35 minutos com cenas novas, acrescentando os personagens da trama. |
 | DEMÔNIOS E MARAVILHAS -
O DIABÓLICO REINO DE ZÉ DO CAIXÃO Produzido em 1976-1987. Colorido. 49 min.
Anunciado como um “registro biográfico da luta do criador para manter a sua criação com cenas reais e cenas adaptadas cinematograficamente”, neste documentário Mojica recria fatos decisivos em sua vida, como sua prisão arbitrária, seu problema com alcoolismo e até sua suposta morte por alguns minutos. A segunda parte desta cinebiografia de Mojica intitula-se “Alucinação Macabra”, ainda incompleto. O filme permanece inédito no Brasil; foi lançado em vídeo apenas nos Estados Unidos em 1996. |
 | EXORCISMO NEGRO Produzido em 1974. Lançado em 23 de dezembro de 1974 (São Paulo /SP). Colorido. 94 min.
Após uma entrevista na qual nega a existência de Zé do Caixão, o cineasta José Mojica Marins parte em férias para a casa de campo de um amigo. Lá reencontra Álvaro, sua esposa Lúcia, e as três filhas, e fica sabendo que Wilma, a mais velha, está noiva de Carlos. Logo fenômenos sobrenaturais passam a se manfestar na casa, com seu Júlio (pai de Álvaro) tomado pelo demônio, bradando em voz satânica que tem uma dívida a cobrar na casa. Mojica descobre que Wilma fora prometida ao diabo, numa missa negra conduzida por ninguém menos que Zé do Caixão! Ele fica chocado ao contemplar a existência em carne e osso de seu personagem, acontecendo o inevitável confronto entre criador e criatura. Com o “Despertar da Besta” interditado pela censura, “Exorcismo Negro” mostrou, pela primeira vez no cinema, Mojica em papel duplo, interpretando a si mesmo e a seu alter-ego. |
 | O DESPERTAR DA BESTA -
RITUAL DOS SÁDICOS Produzido em 1969. Exibido em 18 de agosto de 1983 (São Paulo/ SP). Preto e Branco/Colorido. 91 min.
Um psiquiatra injeta LSD em quatro voluntários para estudar os efeitos do tóxico sob a influência da imagem de Zé do Caixão. O personagem aparece de maneira diferente nos delírios psicodélicos de cada um, misturando sexo, perversão e sadismo. Numa brilhante narrativa não-linear, formada por episódios sem ligação, Mojica adere à metalinguagem para analisar o efeito de seu polêmico personagem no inconsciente coletivo. Vetado pela Censura Federal mesmo após inúmeros cortes, até hoje o filme foi exibido apenas em festivais e sessões especiais. |
 | O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO Produzido em 1967-1968. Lançado em 25 de novembro de 1968 (São Paulo/SP). Preto e Branco. 80 min.
Zé do Caixão desfia sua filosofia doentia e introduz três contos de horror. Em “O Fabricante de Bonecas”, marginais invadem a casa de um velhinho e descobrem o segredo da confecção de suas bonecas, cujo principal detalhe são os olhos realistas. Em “Tara”, um pobre vendedor de balões fica obcecado por uma garota que ele segue nas ruas, só conseguindo possuí-la após sua morte. Em “Ideologia”, o excêntrico professor Oaxiac Odéz enfrenta um rival e tenta provar que o instinto prevalece sobre a razão, com fortes doses de canibalismo e sadomasoquismo. Mojica compôs também a canção título, interpretada por Edson Lopes e Titulares do Ritmo. |
 | TRILOGIA DO TERROR Produzido em 1967-1968. Lançado em 22 de abril de 1968 (Rio de Janeiro/RJ); 10 de junho de1968 (São Paulo/SP). Preto e Branco. 101min.
Filme de horror com histórias adaptadas da série de TV “Além, Muito Além do Além”. Em “O Acordo”, uma mãe se envolve com magia negra e oferece uma donzela ao diabo em troca de desencalhar a filha solteira. Em “Procissão dos Mortos”, um pobre, mas destemido operário é o único homem numa cidadezinha do interior com coragem para enfrentar um grupo de guerrilheiros fantasmas que aparece durante a madrugada. Em “Pesadelo Macabro”, um rapaz é aterrorizado por “cobras e lagartos” em pesadelos nos quais é enterrado vivo. Apesar dos cuidados, seu final acaba sendo trágico, como ele havia previsto. |
 | ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER Produzido em 1966. Lançado em 13 de março de 1967 (São Paulo/ SP). Preto e Branco/Colorido. 107 min.
Após sobreviver ao ataque sobrenatural do final de “À Meia Noite Levarei Sua Alma” Zé do Caixão continua na busca obsessiva da mulher ideal capaz de gerar o filho perfeito. Com a ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis belas moças, submetendo-as às mais terríveis torturas. Só a mais corajosa sobreviverá ao teste e poderá ser a mãe de seu filho. Mas Zé comete um crime imperdoável ao assassinar uma moça grávida. Atormentado pela culpa de ter morto uma mulher inocente, ele sofre um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde reencontra suas vítimas - numa espetacular sequência em cores, com cerca de 8 minutos. |
 | O DIABO DE VILA VELHA Produzido em 1964-1965. Lançado em 30 de maio de 1966 (São Paulo/ SP). Colorido. 90 min.
O Vilarejo de Vila Velha é controlado por um poderoso coronel apelidado de “Diabo”, que manipula políticos e pistoleiros da região. Ele contrata um assassino de aluguel para eliminar todos os seus inimigos, mas no final é morto por um tenente que chega para salvar o povo. Mojica interpreta um prefeito corrupto, amigo do coronel. Quando Ody Fraga abandonou esta produção no meio, Mojica assumiu a direção, sendo autor também da canção-título interpretada por Edson Lopes e o coral de Roberto Leme. |
 | A MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA Produzido em 1963-1964. Lançado em 9 de novembro de 1964 (São Paulo/ SP). Preto e Branco. 81min.
O cruel e sádico coveiro Zé do Caixão - temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior - é obcecado em gerar o filho perfeito, que possa dar-lhe a continuidade de seu sangue. Sua esposa não pode engravidar e ele acredita que a namorada de seu amigo seja a mulher ideal que procura. Após ser violentada por Zé, a moça jura cometer suicídio para retornar dos mortos e levar a alma daquele que a desgraçou. A saga de Zé do Caixão continuou no filme "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver". |
LIVROS
A SENTENÇA DE DEUS 1956
Editora Iva. 178 páginas (10 com fotos). Dramatização de Aldenoura de Sá Porto, baseado no roteiro original de José Mojica Marins.
À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA 1974
Cedibra. 128 páginas. Dramatização de Rubens F. Lucchetti, baseado no roteiro original de José Mojica Marins.
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER 1974
Cedibra. 128 páginas. Dramatização de Rubens F. Lucchetti, baseado no roteiro original de José Mojica Marins.
O VALE DOS MORTOS 1974
Cedibra. 128 páginas. Dramatização de Rubens Francisco Lucchetti, baseado no argumento original de José Mojica Marins. Trata-se da segunda parte de "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver", já que a história toda não coube no primeiro livro.
SETE VENTRES PARA O DEMÔNIO 1974
Cedibra. 128 páginas. Dramatização de um roteiro nunca filmado de Rubens Francisco Lucchetti, baseado no argumento original de José Mojica Marins.
CRÔNICAS DE TERROR DO ZÉ DO CAIXÃO 1993
Associação Beneficiente e Cultural Zé do Caixão. 140 páginas. Contos de José Mojica Marins, Crounel Marins e Mariliz Marins. Ilustrações de Emídio Lee, Eduardo Verderame e Ednaldo José de Carvalho. Prefácio de Rubens Francisco Lucchetti. Leia o conto Prisioneiro dos Sonhos, clicando aqui.
Fonte: http://www.uol.com.br/zedocaixao/
Texto adaptado por Luciano Milici
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