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CATACUMBAS ![]()
Uma jovem de féria em Paris é levada para uma festa em um lugar conhecido como Catacumbas, um labirinto de túneis de mais de 320 quilômetros que está abaixo da cidade desde o século XIV. Quando se perde dos amigos, ela passa a achar que algo ou alguém a está seguindo...
CRÍTICAS Que o escuro é assustador, isso não se discute. Alguém sozinho no escuro também tem um quê de apavorante. E não há como negar que uma catacumba - quilômetros de corredores subterrâneos, escuros e cobertos de ossos humanos não-sepultados - é, sim, algo bastante assustador. Mas convenhamos: ver alguém sozinho no escuro caminhando por uma catacumba durante 1h30min definitivamente NÃO é assustador. E aí está o grande defeito de CATACUMBAS, um dos piores filmes de horror da safra recente, realizado pelos mesmos produtores da franquia JOGOS MORTAIS.
![]() Na comédia O BALCONISTA 2, que por sinal também é uma bela de uma porcaria, a única piada realmente engraçada escrita por Kevin Smith é aquela em que um fã da série STAR WARS discute com um fã da série O SENHOR DOS ANÉIS, alegando que a trilogia dirigida por Peter Jackson não passa de “filmes sobre gente caminhando”. Apropriando-se da piada, com minhas sinceras desculpas a Kevin Smith, eu diria que CATABUMBAS é um filme sobre a sem-sal Shannyn Sossamon (do remake UMA CHAMADA PERDIDA) caminhando. Muito. O tempo todo. Sem parar. Quando não está correndo, claro. E sempre no escuro. Mas correndo de quê? Por quê? Aonde? Calma, calma, já chego lá. Shannyn (eta nomezinho feio e ruim de escrever!) interpreta Victoria, uma jovem norte-americana que parece estar sofrendo de depressão ou síndrome do pânico (o roteiro não se preocupa em explicar isso), e que é chamada para umas férias forçadas pela irmã caçula, Carolyn, que mora e estuda em Paris. A intragável maninha é interpretada por Alecia Moore, nome de batismo da cantora pop mela-cueca e insuportável Pink, o que por si só já é um convite ao desespero. Em menos de cinco minutos, Victoria já está em Paris. E após algumas cenas dispensáveis que só existem para aumentar o tempo de duração (envolvendo policiais na alfândega), e algumas voltinhas turísticas por Paris, as irmãs vão direto para uma festa rave promovida nas temidas catacumbas, nos subterrâneos de Paris (na verdade, todas estas cenas foram filmadas na Romênia, para baratear os custos).
Parece idéia de jerico, e é. As catacumbas realmente existem. Estão repletas de crânios e ossos de todos os antigos cidadãos de Paris, e espalham-se por uma rede de túneis sem iluminação que se prolongam por mais de 300 quilômetros nos subterrâneos da capital parisiense. Então, é uma baita ironia: debaixo da chamada "Cidade das Luzes", existe um dos locais mais escuros e mórbidos do planeta! No filme, um sujeitinho afeminado chamado Jean Michelle (o único nome francês que os roteiristas conseguiram pensar, além de Henri e Leon) virou ídolo por promover raves nas catacumbas, justificando que é uma celebração da morte para melhor aproveitar a vida, e outras abobrinhas do gênero. Claro, isso é um filme, então ninguém se importa com o perigo da galera ficar perdida pelos corredores labirínticos e escuros das catacumbas, ou se machucar, ou mesmo morrer. Para fugir do crivo da polícia, que está tentando acabar com os festerês, Jean Michelle e seus amigos fazem a festa sempre num ponto diferente das catacumbas. Só não sei como é que não chamam a atenção das autoridades com a estrutura de luz, som e bar que montam no subterrâneo, ou com a imensa fila de jovens que se forma para descer nas catacumbas!!!
Enumerar a quantidade de defeitos de CATACUMBAS é algo que só pode ser feito na internet, onde não há limite de palavras, espaço ou páginas para limitar a criatividade do redator. Bem, o filme começa com uma narração em off da protagonista dizendo que, 48 horas após sua chegada em Paris, sua irmã e todas as pessoas que conheceu por lá foram mortas. Logo, você sabe que o suspense será praticamente nulo: todo mundo morre e a mocinha sobrevive, correto? Até há uma tentativa de reviravolta no final, mas não ajuda. Desde o começo, saiba que somente Victoria sobrevive. Legal, não? Continuando: o que esperar de um filme onde uma mocinha é perseguida por um assassino inexistente? É isso mesmo: depois de matar Carolyn nos primeiros 15 minutos e de persegui-la por alguns corredores, o tal sujeito com máscara de bode some da narrativa. Desaparece. Puft! Já era! Todo o restante do filme mostra apenas Shannyn caminhando e/ou correndo pelas catacumbas, iluminada pela luz da sua lanterna, eventualmente acompanhada de um francês chamado Henri (Emil Hostina), que também se perdeu e procura a saída - o sujeito cai de pára-quedas na trama e desaparece de maneira ainda mais tosca e inexplicada. Não há mais sinal de assassino com máscara de bode ou coisa que o valha. E o filme ainda continua por mais uma hora e quinze minutos!!! Então, pegue seu travesseiro preferido e prepare-se para a soneca!
Finalmente, quando você espera desesperadamente que alguma coisa aconteça (nem que seja a mocinha caindo, quebrando o pescoço e fim), seu cérebro será bombardeado pela conclusão mais abobada e ridícula que uma história frouxa como esta poderia ter. Não, o assassino não reaparece nem mata mais ninguém. É algo na linha A NOITE DAS BRINCADEIRAS MORTAIS, se é que você me entende. A fúria que senti com esta reviravolta, e com o evidente absurdo dela, é algo indescritível. Nada, mas nada mesmo pode preparar o espectador para um final tão ridículo - pior do que aqueles onde o personagem principal acorda e descobre que era tudo um sonho. Como diretores, os estreantes Tomm Coker e David Eliott (também roteiristas) demonstram-se uma completa nulidade: usam e abusam de takes das caveiras iluminadas por lanternas nos corredores das catacumbas, ou então do rosto de Shannyn iluminado por lanternas. Tentam compensar a falta de gore/terror encenando lendas urbanas narradas pelos personagens, e que nada têm a ver com a história, como quando Carolyn conta sobre um serial killer que teria atacado no prédio onde mora. E a dupla de cineastas ainda se mostra repetitiva em tudo, não só nas dezenas de cenas iguais de Shannyn caminhando sozinha pelas catacumbas: por que começar o filme com um letreiro explicando o que são as catacumbas se, 10 minutos depois, uma personagem do filme dá a mesma informação, inclusive com as mesmas palavras?
E só para você ter uma idéia do naipe do roteiro: quando a polícia bate na rave e acaba com a festa, já na metade do filme, a mocinha, que até então procurava por ajuda escapando do assassino, nem pensa em ir direto para cima de algum policial (não seria melhor ir para a cadeia do que acabar morta?). Pelo contrário: ela foge por um corredor repleto de gente e bate a cabeça, desmaiando; pois ninguém ajuda a coitada, e quando ela acorda a saída está trancada com corrente e cadeado - a polícia simplesmente fechou tudo e deixou ela lá, mas era impossível que ninguém tivesse visto a moça caída ali! Para que o espectador não dormisse, os diretores também encheram as intermináveis andanças de Shannyn pelos corredores com diálogos risíveis. O fato de Henri não entender inglês, por exemplo, parece não fazer a menor diferença, já que a tagarela da personagem principal continua falando inglês sem parar com ele o tempo todo! CATACUMBAS, pelo que se sabe, foi filmado na mesma época de JOGOS MORTAIS 2 (2005). Ficou um tempo parado por causa da morte do produtor Gregg Hoffmann (naquele mesmo ano), e o filme é dedicado à alma do sujeito (pobre coitado...). Depois, a Lionsgate manteve a produção mais um tempão na geladeira, certamente percebendo a bomba que tinha nas mãos, e ele só foi finalizado em 2007, sendo oficialmente lançado no começo de 2008 - no Brasil, foi direto para as locadoras, e nem merecia chegar aos cinemas. Claro, havia muito tempo para consertar os problemas, mas pelo visto os produtores resolveram mandar a bomba pra frente de qualquer jeito, sabendo que otários como eu e você iriam gastar seu suado dinheirinho na locação. Uma pena, porque o cenário e a situação (mocinha sozinha num enorme cemitério subterrâneo) renderiam uma boa e assustadora história de fantasmas em mãos mais habilidosas, ao invés de uma bobagem deste naipe. Fico imaginando o que o diretor de O ORFANATO ou os diretores de SHUTTER (o original; recuse imitações!) fariam com a mesma ambientação... Acredite: ficar perdido numa verdadeira catacumba, sozinho e no escuro, deve ser muito, mas muito mais divertido que este filme. Por isso, para quem tem amor por seu cérebro e por seu tempo, recomendo deixar este de lado e procurar outra produção com o mesmo nome, CATACUMBAS, mas feita com muito menos grana em 1988. Trata-se de um terrorzão classe B dirigido por David Schmoeller, que no Brasil foi lançado apenas em VHS pela Videoban. Se os diretores-roteiristas Coker e Eliott tivessem visto, além de apenas copiar o nome, certamente o resultado de sua obra seria melhor. HISTÓRIA: GORE: EFEITOS: DIVERSÃO: Felipe M. Guerra NOTÍCIAS E IMAGENS (29/02/08) Catacumbas é o título escolhido pela Europa Filmes para lançar o filme em DVD no Brasil, a partir de abril. Vamos aguardar mais detalhes... (30/11/07) Uma versão uncut do filme Catacombs estará disponível em DVD nos EUA a partir do dia 19 de fevereiro. Entre os extras, os americanos verão um making of, comentários em áudio com os diretores e roteiristas, e um especial sobre a trilha sonora. Confira acima a capa do DVD. (11/08/07) O Site Oficial Japonês do filme Catacombs está no ar! Nele, você pode conferir diversos materiais interessantes como informações do elenco, da produção, além de um trailer legendado em japonês (!!!) em ótima qualidade. Clique aqui! (07/07/07) O trailer de Catacombs está disponível no YouTube. Clique aqui para conferir o vídeo.
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