A CAVERNA
(The Cave)
Grupo de exploradores entra em uma caverna abaixo de uma catedral e ela acaba desmoronando, deixando-os presos. Quando a equipe de resgate chega, descobre que eles misteriosamente se transformaram em seres primários...
CRÍTICAS
2006 acabou de começar, mas acredito que não será nenhuma injustiça dizer que A CAVERNA é o filme mais mal-filmado do ano. Dificilmente uma outra estréia de 2006 seja tão mal-iluminada e mal-editada quanto esta estréia cinematográfica de Bruce Hunt, que anteriormente foi diretor de segunda unidade em filmes como a trilogia MATRIX e o brilhante DARK CITY - CIDADE DAS SOMBRAS. Hunt é esforçado; mas, se dependesse de mim, seu A CAVERNA não seria nada além de um belo motivo para lançar um código de regras que os cineastas iniciantes devem seguir quando pretendem dirigir um filme de horror. Entre elas, destaco as seguintes:
- Regra número 1: Torna-se obrigatório o uso de tripés para manter a câmera imóvel nas cenas de ação/suspense.
- Regra número 2: Torna-se obrigatório o uso de uma iluminação mínima que permita ao espectador visualizar o que está acontecendo.
- Regra número 3: Torna-se obrigatório que, na hora da edição, o tempo de duração de um take, entre um corte e outro, seja de no mínimo 2 segundos.
Este código de regras iria preservar o espectador de uma sessão de tortura como foi A CAVERNA para mim. E isso que eu estava completamente relaxado e de bom humor. Alguns textos que li na internet argumentavam que a obra em questão não passa de um terror descompromissado e, como tal, não deve ser levado tão a sério. Concordo plenamente, e por isso fui ao cinema preparado para ver apenas isso, uma diversão descompromissada. Mas a ruindade total da produção aniquila qualquer possibilidade de você divertir-se com o que está vendo. O que me revolta, neste caso, não é a história em si ou a forma como ela é desenvolvida (embora também aí existam falhas gritantes), mas sim as limitações (amadorismo?) técnicas que não permitem que o espectador consiga acompanhar o que acontece no filme.
A trama de A CAVERNA começa há 30 anos, numa região montanhosa e deserta da Romênia, onde uma expedição descobre uma velha igreja abandonada; no seu subsolo, estaria a entrada para uma gigantesca caverna, selada por um lacre de concreto. Só para constar: segundo o IMDB, a Romênia realmente é um país cheio de cavernas, com mais de 12 mil registradas. Para ter acesso ao subterrâneo, os bobalhões da expedição explodem o tal lacre. O problema é que o som da detonação provoca uma avalanche, e tanto o grupo quanto a igreja acabam soterrados por toneladas de pedras. Só para constar: em momento algum fica claro o que a tal expedição procura na tal caverna, embora alguém comente, em certa cena: "Vamos ficar ricos!". Ah sim: tem também toda uma história sobre cavaleiros das Cruzadas lutando contra demônios no local, mas nada que seja muito importante para o desenvolvimento da trama.
Após a avalanche, o filme dá um salto no tempo até os dias atuais, quando um grupo de pesquisadores está escavando o local e descobre a entrada para a escura e enorme caverna subterrânea, a mesma onde os homens ficaram presos três décadas antes. O líder dos pesquisadores é o dr. Nicolai (interpretado pelo romeno Marcel Iures). Ele resolve contratar um experiente time de mergulhadores liderado por Jack (Cole Hauser, filho do astro de filmes B dos anos 80 Wings Hauser). O objetivo: levar Nicolai e uma bióloga, a sexy dra. Kathryn (Lena Headey), até as profundezas da caverna, que teria mais de 100 quilômetros de extensão (!!!). A equipe é formada pelos clichês habituais: Tyler (Eddie Cibrian, do seriado INVASION), é irmão de Jack e tem ciúmes por não ser escolhido para liderar a equipe de mergulho; Top (Morris Chestnut, que já havia pagado mico em ANACONDA 2) é o negro musculoso que ajuda todo mundo; Briggs (Rick Ravanello) é o mergulhador egocêntrico e orgulhoso; Charlie (a gatinha Piper Perabo) é a gostosa que ninguém imagina o que faz no meio de um monte de homens. E claro que também tem outros coadjuvantes totalmente dispensáveis que são os primeiros a morrer.
A partir do momento em que o grupo entra no buraco, pode ir se preparando para o sofrimento. Em primeiro lugar, dê adeus para a luz, porque os 80 minutos restantes serão na mais completa escuridão, com os fachos das lanterninhas dos personagens iluminando parcamente as cenas. É um blecaute tão grande que chega a dar uma ardência nos olhos quando as luzes se acendem, ao final da sessão. Eu sei que uma caverna com quilômetros de profundidade tem mesmo que ser escura, para dar credibilidade ao filme, mas é necessário um mínimo de iluminação para que o espectador consiga decifrar o que está acontecendo. Na maior parte do filme, entretanto, não é o que acontece.
O espectador fica, só para usar um trocadilho, "no escuro". Você vê vultos se movendo e não sabe quem são os personagens em questão; você vê coisas acontecendo e força os olhos tentando identificar o que está se passando, sem conseguir. Enfim, tortura total! E tome cenas de mergulho para cá, alpinismo em paredes rochosas para lá... Convém fazer xixi antes de entrar na sessão, pois o filme tem mais água que O SEGREDO DO ABISMO e O CHAMADO 2 juntos! A coisa só começa a ficar emocionante quando a equipe descobre que a parte mais profunda da caverna é habitada por misteriosas criaturas carnívoras (claro!), que cresceram e se desenvolveram naquela profundidade; para piorar, também existe um misterioso parasita não-identificado no interior da caverna. E o que acontece a partir de então? Uma série de ataques das criaturas... mas sempre na mais completa escuridão, de maneira que nunca vemos um dos monstros de corpo inteiro DURANTE TODO O FILME!!!
Então, o roteiro dos estreantes Michael Steinberg e Tegan West bola uma forma de deixar o grupo aprisionado nas profundezas da caverna - no caso, uma conveniente explosão que soterra a única saída do local. Sozinhos, sem qualquer comunicação com o exterior, sem a possibilidade de chamar uma equipe de resgate e com provisões para apenas 12 dias, os mergulhadores terão que entrar cada vez mais fundo na caverna em busca de uma saída alternativa. O problema é que eles serão caçados pelas tais criaturas, que não estão muito contentes em ter seu habitat invadido; isso sem contar as dissidências internas no próprio grupo.
A história até é minimamente interessante (embora nem um pouco original), e poderia render um filme B legalzinho caso a coisa não fosse tão desleixada tecnicamente. Em todas as cenas de ataques das criaturas, por exemplo, você não consegue ver nada do que está acontecendo. A edição usa cortes de um milésimo de segundo e a câmera treme o tempo todo, como se o cameraman fosse um epilético tomando um choque de 100 mil volts (e nem preciso voltar a mencionar a escuridão geral dos cenários, não é?). Resumindo: você sabe que a vítima está sendo atacada, mas só vê a criatura de relance e nunca consegue distinguir o que, afinal, ela está fazendo com a vítima (mordendo-a? esmigalhando-lhe os ossos? rasgando-lhe a carne? estuprando-a?). É uma das piores "edições videoclipe estreboscópica" da nova geração. Talvez a solução seja esperar que o filme seja lançado em DVD e passar as cenas quadro a quadro, para poder distinguir alguma coisa...
O que sobra quando você não consegue enxergar nada nas cenas de horror e suspense, que são o maior motivo para ver A CAVERNA? Bem, sobra pouca coisa... Um bando de manés desconhecidos que fizeram figuração em outros filmes e nem têm talento para os papéis principais; a contagem de cadáveres seguindo a lógica do gênero, etc etc. Ah sim: as cenas aquáticas e as monumentais cavernas são belíssimas. Mas e daí? Se eu quero ver cenas aquáticas e cavernas, pego um documentário da National Geographic! O roteiro nem se preocupa em criar situações muito originais, com as dificuldades e problemas de praxe - embora o lance do parasita renda uma reviravolta interessante no momento em que um dos personagens principais é contaminado.
A CAVERNA é aquele típico filme B feito com uma pequena fortuna (30 milhões de dólares!), e que deveria ir direto para as locadoras, para mofar ao lado de produções tipo DINOCROC. Mas, milagrosamente, acaba sendo lançada nos cinemas. E chega ao Brasil, enquanto obras bem melhores, como REJEITADOS PELO DIABO e PLATAFORMA DO MEDO, acabam direto nas locadoras. Injustiça total, já que A CAVERNA é um daqueles filmes tão convencionais que, horas após sair do cinema, você já esqueceu. Aliás, enquanto escrevi este texto, já não lembrava quase nada sobre ele. Mas... Sobre o que é que eu estava escrevendo mesmo?
HISTÓRIA: 

GORE:
EFEITOS: 

DIVERSÃO: 
Felipe M.Guerra
"Abaixo do céu há o inferno. Abaixo do inferno há a caverna."
A tagline promocional reproduzida acima é bem simples, porém é inegável que também é bem criativa e que consegue despertar inicialmente no público admirador de cinema fantástico, uma certa atração em conhecer o filme e descobrir como seria essa "caverna". E depois de alguns adiamentos, finalmente entrou em cartaz nos cinemas brasileiros (apenas em São Paulo e Rio de Janeiro) o filme "A Caverna" (The Cave / Prime Evil, 2005), dirigido pelo estreante Bruce Hunt, apresentando novamente uma história (de Michael Steinberg e Tegan West) que procura explorar os efeitos perturbadores da escuridão em ambientes de claustrofobia.
Um grupo de cientistas descobre as ruínas de uma igreja antiga, localizada no alto de uma montanha remota no interior da Romênia. Ao investigarem o local, encontram a entrada para uma imensa caverna aparentemente ainda desconhecida. Uma vez esperando encontrarem todo um ecossistema inexplorado, os cientistas convocam uma expedição profissional americana com mergulhares e especialistas em cavernas para desbravarem as profundezas do gigantesco fosso sombrio.
A equipe é formada por seis pessoas, tendo a liderança de Jack (Cole Hauser), e contando ainda com seu irmão Tyler (Eddie Cibrian), a bela Charlie (Piper Perabo), o experiente Top Buchanan (Morris Chestnut, de "Anaconda 2: A Caçada Pela Orquídea Sangrenta" ), o especialista em informática Strode (Kieran Darcy-Smith), e o convencido Briggs (Rick Ravanello). Eles se juntam com outras três pessoas, os cientistas Dr. Nicolai (Marcel Iures) e Dra. Kathryn (Lena Headey), além do cinegrafista Kim (Daniel Dae Kim). O grupo conta com uma sofisticada aparelhagem tecnológica como auxílio e apoio na exploração da caverna, com equipamentos modernos de comunicação, rastreamento, escalada e mergulho.
O que todos eles não imaginariam eram as surpresas que encontrariam no interior da caverna, primeiramente agradáveis com a incrível e deslumbrante beleza interior das grutas, e depois perigosas e mortais após a ocorrência de um acidente com explosão, que bloqueou a entrada e obrigou-os a seguir em frente em busca de uma saída antes do término das provisões. Para complicar ainda mais a tensa situação, surge um inesperado grupo de criaturas horrendas e violentas, ocultas pelos cantos e que passam a espreitá-los, apenas aguardando uma oportunidade para se apresentarem e sentir o gosto do sangue humano em suas garras.
"A Caverna" é um filme acima da média e que tem algum destaque na filmografia de produções similares que mostram um grupo de pessoas investigando um ambiente desconhecido e habitado por monstros ávidos por suas carnes, com um enfoque maior para o incômodo sentimento de claustrofobia de um lugar fechado e ameaçador, e a pressão psicológica causada pelo medo e insegurança provenientes da escuridão. Um grupo de vários filmes semelhantes entre si como "A Relíquia" (The Relic, 97), com uma criatura animalesca perseguindo pessoas na escuridão de um museu com as saídas bloqueadas, ou "Criatura" (Alien Lockdown, 2004), mostrando o confronto entre um monstro alienígena e um grupo de soldados, com intensas perseguições nos corredores escuros de uma base militar isolada, ou ainda o crossover "Alien Vs. Predador" (2004), com um grupo de exploradores humanos descobrindo que estão no meio de uma guerra entre alienígenas hostis, e que acabam tornando-se também a caça de ambos, lutando por suas vidas numa complexa pirâmide subterrânea, só para citar alguns poucos exemplos.
O elenco é bem desconhecido com a maioria dos atores vindos de séries e filmes para a televisão, a não ser por Cole Hauser, visto em outras produções mais importantes como o drama de guerra "A Guerra de Hart", com Bruce Willis e a FC/Horror "Eclipse Mortal", com Vin Diesel, mas que por sua vez ainda assim é um ator apenas secundário e limitado. E tem uma cena envolvendo o líder do grupo e "salvador da pátria" Jack, exatamente igual como visto no filme "Reino de Fogo" (Reign of Fire, 2002), num confronto entre o herói Denton Van Zan (Matthew McCounaghey) e um dragão.
Porém, por outro lado, como fatores positivos, vale mencionar que a história prende a atenção do espectador o tempo inteiro, acompanhando a tentativa da expedição de encontrar uma saída do inferno em que se encontram, muito abaixo da superfície, e ameaçados por monstros predadores. O visual do interior da caverna também é fascinante, com suas galerias imensas e profundas e rios subterrâneos, além da concepção das criaturas, convincentes e assustadoras, que nadam e voam com desenvoltura ameaçadora, a cargo do especialista Patrick Tatopoulos (o mesmo criador dos monstros noturnos carnívoros de "Eclipse Mortal" e as criaturas sombrias de "Habitantes da Escuridão").
As cenas de confronto entre os seres da escuridão e os invasores de seus domínios também merecem destaque, assim como o desfecho apropriado, apesar da previsibilidade na escolha dos sobreviventes, uma vez que sabemos que vários personagens possuem a função de servirem de comida para as criaturas predadoras. O roteiro teve a preocupação de guardar para o final uma revelação interessante que dá um gancho para uma possível continuação.
"A Caverna" (The Cave, Estados Unidos / Alemanha, 2005) # 369 - data: 02/02/06 - avaliação: 7,5 (de 0 a 10) - blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 03/02/06)
Renato Rosatti
NOTÍCIAS E IMAGENS
(28/01/06) Preview" Apesar de escondida abaixo de toneladas de terra seca, a Caverna já foi visitada centenas de outras vezes nos mais variados filmes do gênero. Mesmo que os personagens-vítimas insistam em afirmar que o local é uma grande descoberta, a impressão que se tem numa primeira olhada é que já estivemos lá. Os seres que habitam a caverna já são velhos conhecidos do público: uma mistura de "Alien" com as criaturas noturnas daquele sinistro planeta do filme "Eclipse Mortal". Os aventureiros seguem o estilo do gênero, com mocinhas corajosas, valentões, sem esquecer do traidor, do medroso, do apaixonado...
A parte eficaz fica por conta dos efeitos especiais convincentes - também, estamos no século do "King Kong"! -, algumas cenas de suspense carregadas pela trilha sonora, além de alguns bons momentos como aquele envolvendo uma garota e uma parede.
São poucas qualidades para uma caverna repleta de buracos e lugares-comuns.
(Marcelo Milici)
(06/01/06) A estréia do filme A Caverna ainda está nos planos da Columbia Pictures. A distribuidora anunciou esta semana a nova data: 27 de janeiro.
Vamos ver se agora vai....
(28/10/05) Confira no alto da página mais um pôster do filme, usado como imagem do DVD americano.
(07/10/05)
De acordo com a Columbia Pictures, A Caverna teve sua estréia adiada para 11 de novembro.
(19/08/05) Novo poster do filme (o da direita), divulgado essa semana. Clique para ampliar!
O site Latino Review colocou a disposição 4 clips do filme. Clique aqui e confira!
(05/08/05) Novas imagens da "caverna":
(29/07/05) A Columbia Pictures divulgou uma nova data para a estréia de A Caverna, nos cinemas brasileiros: 7 de outubro.
Vamos aguardar...
(11/02/05) O filme A Caverna foi adiado nos EUA. Antes previsto para 15 de abril, agora o longa chegará aos cinemas no dia 19 de agosto, o que provavelmente alterará a data de estréia brasileira. Confira algumas imagens:
(04/02/05) Confira três novas imagens do filme:
(28/01/05) Divulgado o primeiro poster do filme A Caverna. Você o confere no alto da página.
(21/01/05)
A distribuidora Columbia Pictures anunciou o título nacional, A Caverna, e adiou a estréia em uma semana: agora o filme chega em cartaz no dia 15 de abril.
O Site Oficial já está no ar, na página da Sony. Na página, você confere um interessante recurso de visualização do conteúdo, dá uma espiadinha na caverna, e se registra para receber atualizações. Está previsto para breve, uma exploração pela caverna e mais informações sobre o filme e o elenco. Você pode conferir na página, o trailer do filme. Parece mais um filme inspirado em Alien...
(17/12/04) A Columbia Pictures pretende distribuir The Cave no Brasil no dia 8 de abril de 2005, mas ainda não revelou o título nacional.
Confira as primeiras imagens do filme: