CONSTANTINE
(Constantine)
Em um mundo assombrado por forças sombrias, John Constantine é um mago que luta contra o mal utilizando todo seu conhecimento em magia.
CRÍTICAS
Eu sempre gostei de filmes que tratam da batalha entre Céu e Inferno. Gosto da
maioria deles e esse é um assunto que me atrai. Desde pequeno ouvia histórias
contadas por meu pai, que por pouco foi padre. Nunca fui muito religioso e não
sigo religião alguma apesar de acreditar em Deus, do meu jeito é claro.
Juntando-se à lista de filmes que tratam da batalha Céu/Inferno está "Constantine".
A gênese de John Constantine - originalmente um personagem de quadrinhos - é
peculiar: surgiu como um coadjuvante na revista do "Mostro do Pântano" e o sucesso
foi tamanho que ganhou sua própria publicação "HellBlazer" através do selo Vertigo,
uma subdivisão da DC Comics (sim, a mesma de Batman e Super-Homem) destinada aos
quadrinhos adultos. Pra simplificar, John Constantine é um filho da puta de marca
maior, arrogante, egoísta e fuma como uma chaminé. Mas o engraçado é que com todos
esses contras, nós leitores, ainda conseguimos simpatizar e torcer por ele! Nascido
da mente fértil de Alan Moore (o cérebro por trás de Watchmen, V de Vingança, entre
outras - sinto um carinho todo especial por "Piada Mortal"), o personagem teve o
visual baseado no cantor Sting. Um personagem assim tinha tudo pra dar certo no
cinema... bem, não deu. Pelo menos em partes.
A versão cinematográfica tomou certas "liberdades criativas" como transformar o
então inglês de Liverpool em americano de Los Angeles, de loiro pra moreno entre
outras coisas que devem ter irritado os fãs mais 'hardcore' do personagem. Mas o
básico do personagem foi mantido (se bem que suavizado) seu vício em cigarros e sua
arrogância. Keanu Reeves está normal no papel, continua aquele canastra habitual,
não sei se isso é bom ou não no caso, mas às vezes eu me perguntava se ele era
Constantine ou o Neo de Matrix, visto sua semelhança em "atuar". O filme começa com
o descobrimento da "Lança do Destino" a lendária lança que teria furado o peito de
Cristo na cruz que com o passar dos tempos adquiriu um poder místico devido ao
sangue do filho de Deus. Essa lança que no futuro irá ter um papel muito importante
na trama será cobiçada pelo Céu e pelo Inferno.
Mas o mais interessante é que no começo da trama, John cospe sangue na pia do
banheiro e decide ir ao médico. Não dá outra, recebe a notícia que tem meses ou um
ano de vida devido a um câncer no pulmão, fruto dos mais de 30 cigarros que fuma por
dia! Tal fato foi aproveitado da 'graphic novel' "Hábitos Perigosos" considerada uma
das melhores do mago. Mas nem com um câncer terminal Constantine resolve parar de
fumar! Ele decide é ver como está sua barra com o "Criador" e leva um papo com o
arcanjo Gabriel (Tilda Swanton). Numa cena inspirada do filme, Constantine pergunta:
"Porquê Gabriel? É pessoal não é? Não fui à igreja o suficiente, não rezei o
suficiente.. por isso vou para o Inferno."
Gabriel então responde:
"Você vai morrer porque fumou 30 cigarros por dia desde seus 15 anos. E vai para o
Inferno pelas escolhas que tomou em vida..... você está fodido!"
O filme dá a enteder que as "escolhas erradas" de Constantine foram somente sua
tentativa de suicídio na juventude, mas nos quadrinhos a casca é mais grossa. Na
barriga da mãe, Constantine teria estrangulado seu irmão gêmeo que "nasceu" morto.
Na adolescência fez com que a alma de uma menina inocente fosse para o Inferno e
dentre outras coisas mais pesadas do que as mostradas no filme. Em certo momento
entra em cena a bela Angela Dodson (Rachel Weisz) uma policial que após sua irmã
gêmea ter se suicidado, pede ajuda a Constantine e a partir daí a trama se
desenvolve.
Por ter um passado de direção de videoclipes, o diretor Francis Lawrence tinha tudo
pra dar errado. Mas ele surpreende criando tomadas criativas e usando ângulos de
câmeras inusitados e interessantes. Mas o mais importante é que ele sabe QUANDO
usá-los, não transformando assim o filme em um festival de tomadas "modernas". Ele
acerta também na ótima fotografia e na concepção do Inferno, céu e seus seres. Por
exemplo os anjos como Gabriel não têm aquelas bonitas asas brancas, e aqui se
assemelham a asas de pássaros; já Lúcifer (Peter Stormare, atuando de modo muito
caricato que depois de um tempo enjoa) se veste todo de branco e os espectadores
mais inocentes podem até confundí-lo com Deus, pois aparece logo depois de uma
"reza" feita por Constantine.
Constantine falha mesmo é no terceiro ato. Sua rabugice é praticamente esquecida e
ele vira um super-herói com direito a uma "escopeta sagrada", uma arma bem sacada e
bem desenhada que cairia muito bem em algum outro filme, mas não em um filme de
Constantine. No final ele ainda combate um exército de demônios mandando balas pra
todos os lados. Seu câncer também é praticamente esquecido e não parece estar
atrapalhando o "herói" em nenhum momento nesse ato final. Isso foi um pouco de culpa
do diretor Lawrence que cortou duas cenas que mostravam a deterioração física de
Constantine. Na melhor delas após matar os demônios com a ajuda de seu assistente
Chas (Shia LeBouf, que está se especializando em "ajudantes engraçadinhos" vide "Eu,
Robô") Constantine de frente pra câmera faz uma cara de cansaço/dor. Mas uma cena me
deixou sentido. No fim do filme, com os pulmões novinhos em folha, Constantine masca
um chiclete de nicotina. Bah, todo mundo sabe que o Constantine dos
quadrinhos iria na maior cara-de-pau acender um cigarro.
Constantine tem lá seus méritos e tem lá seus erros, mas não deixa de ser um bom
exemplar de filme que narra a interminável batalha entre Céu e Inferno. É só tentar
esquecer o Constantine dos quadrinhos que você se divertirá mais.
HISTÓRIA: 



GORE: 
EFEITOS: 



DIVERSÃO: 

Bruno C.Martino
A maior batalha entre o céu e o inferno acontece na Terra, e seguindo a expressiva tendência da indústria cinematográfica atual em adaptar quadrinhos populares em filmes para as telonas, em 11/03/05 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros "Constantine" (Constantine), com Keanu Reeves no papel título. O filme foi inspirado na HQ "Hellblazer", de Alan Moore e do selo "DC/Vertigo", que curiosamente mudou o nome para o cinema para não confundir o público menos informado com a já conhecida série "Hellraiser", do cenobita "Pinhead".
John Constantine (Reeves) é um ocultista que recebeu poderes especiais e desde criança tem o dom de ver os demônios e anjos que caminham na Terra entre a humanidade. Fumante inveterado, após tentar o suicídio por não suportar essas visões perturbadoras, ele retorna depois de uma rápida descida ao inferno e para tentar garantir sua passagem ao céu ou no mínimo salvar sua alma do fogo eterno, ele passa a expulsar os demônios que invadem o plano dos Homens. Depois que ele conhece a policial Angela Dodson (Rachel Weisz, da série "A Múmia"), que teve uma irmã gêmea que foi induzida ao suicídio e que conseqüentemente foi condenada pelo resto de sua existência a sofrer no inferno, Constantine passa a ajudá-la a tentar resgatar a alma atormentada da suicida das garras de Satã.
O filme tem cenas de ação convincentes e ótimos efeitos especiais, principalmente na concepção do universo paralelo ao nosso conhecido como inferno, com o fogo incessante queimando tudo, cidades destruídas, ventos fortes e demônios espalhados para todos os lados. A caracterização de Lúcifer interpretado pelo excelente ator Peter Stormare também é um ponto positivo, numa performance digna de registro, assim como o mesmo aconteceu com Tilda Swinton, que fez o papel do anjo Gabriel.
Por outro lado, é inevitável observar um exagero de elementos fantasiosos que chegam a incomodar como por exemplo a cadeira elétrica que serve como portal dimensional entre os universos paralelos, o mundo que conhecemos e o inferno. Também não posso deixar de dizer que prefiro infinitamente mais o padre Lankester Merrin como exorcista do que Constantine, e fico imaginando positivamente como seria o filme se o talentoso Johnny Depp tivesse sido o escolhido para esse papel em vez de Keanu Reeves, que ficou imortalizado pela trilogia de "Matrix", e que por viver nos Estados Unidos obrigou os roteiristas a alterar a ambientação da história para a América em vez da Inglaterra como nos quadrinhos.
Finalizando, um diálogo para se pensar: "Eu não acredito no diabo", diz a policial Angela Dodson, inicialmente cética. Constantine responde friamente: "Pois deveria, porque ele acredita em você".
"Constantine" (Constantine, 2005) - texto # 305- data: 22/03/05 - avaliação: 7 (de 0 a 10)
Renato Rosatti
NOTÍCIAS E IMAGENS
(11/02/05) Confira um clip com cenas do filme Constantine, divulgado no site Maxim Online (é necessário o programa Windows Media Player). Clique aqui
(04/02/05) Inaugurando a página no Boca do Inferno, confira algumas imagens do filme:



O SENTINELA
Hollywood tem investido cada vez mais nas adaptações para o cinema de grandes sucessos da indústria de games, livros e quadrinhos. A fórmula parece muito simples, afinal, com uma legião de fãs já cativada, as chances do sucesso desses filões se repetir na tela grande são muitos grandes. Confiantes nisso, os produtores invariavelmente se esquecem de que nem tudo aquilo que funciona num veículo de entretenimento funciona em outro. Do contrário, não teríamos as bombas recentes representadas pelos fiascos de adaptações literárias e gráficas no cinema, desperdiçando excelentes histórias e personagens: Casa dos Mortos/House of the Dead e Catwoman/Mulher-Gato, só pra citar. Mas nada como o tempo e milhares de dólares perdidos para ensinar algumas lições importantes. Melhor pra nós espectadores que temos finalmente a chance de assistir a adaptações realmente decentes dos livros e jogos que gostamos. Constantine é mais uma das tímidas tentativas da Warner de levar o universo da DC Comics para as telas. Dona de um acervo riquíssimo, onde se destacam os eternos ícones Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, a DC sempre primou por investir em uma série de selos alternativos voltados ao público adulto. Foi o caso da linha Vertigo, berço do excelente personagem Constantine. Ocultista politicamente incorreto, portador de um câncer terminal e dotado da indesejada habilidade de reconhecer os Híbridos, criaturas metade humanas, metade anjos ou demônios, John Constantine tenta manter-se vivo, pois sua morte representa muito mais que o fim da vida. Para ele, morrer é o passaporte para o Inferno que o aguarda de braços abertos para puni-lo por seus pecados... No filme, o personagem se junta a uma policial cética e durona para resolver o misterioso suicídio da irmã gêmea dela, em circunstâncias sobrenaturais e que podem esconder um perigo mortal para a própria humanidade.
O que esperar
As impressões iniciais da adaptação de Constantine não foram muito boas entre os fãs do personagem. A Warner parece ter aprendido alguma coisa com seus fiascos recentes e tratou rapidinho de melhorar o seu filme. As críticas atuais têm sido positivas e, pelo que podemos observar no trailer e site oficial, a atmosfera sinistra e ao mesmo tempo movimentada vista nos quadrinhos foi retratada satisfatoriamente na tela. Os efeitos visuais também estão muito bons, num espetáculo visual digno de um filme feito para fãs do gênero terror. Outro ponto positivo é a censura americana classificando Constantine para maiores de 17 anos (nos EUA, claro), o que deve fazer com que as cenas mais fortes e carregadas de violência não sejam mutiladas na versão final. Por fim, temos as interpretações eficientes do conhecido Keanu Reeves e Rachel Weisz (da franquia The Mummy/A Múmia), nos papéis principais, além das presenças de Tilda Swinton (do aguardadíssimo The Chronicles of Narnia/As Crônicas de Narnia) e Djimon Hounsou (Gladiator/Gladiador).
O que NÃO esperar
Vale lembrar que por mais esforço que seja feito, e por uma série de motivos, uma adaptação para cinema dificilmente vai conservar na íntegra as características da obra original. Neste caso, o melhor é encarar o filme como uma releitura de personagens e situações e ver até onde a sua essência será mantida. De qualquer forma, esqueça a narrativa eficiente dos quadrinhos e concentre-se na ação vertiginosa e nos efeitos caprichados da versão em carne e osso do "mago encapotado".