666


Camila Fernandes


666 beijos que te dei na boca quando me confessaste teu amor.
666 versos que soltei feito o esporro de um amante acolhido no regaço fundo da amada, fundo da madrugada, alvorada, alvoroço na alcova.
666 cartas de amor te mandei, quebra-cabeças de namorado, para que montasses as peças que te mostrariam o tamanho do meu coração pulsante de ti, carente de ti, vivendo de ti e nunca de outra.
666 dias no paraíso dos teus braços, pecado dos abraços, sonho dos mal-amados.
666 juras. Nenhuma cumprida.
666 maldições te lancei quando ouvi que tinhas outro.
666 planos contra ti eu forjei no fogo do meu ódio, remédio dos traídos; descartados, um a um, por serem cruéis demais para quem ainda te amava e suaves demais para quem me traíra.
666 meios de te matar.
1 única bala entre teus olhos verdes. Sem dor. Sem clemência. Só... aniquilação.
666 pedaços teus espalhei pelo mundo.
1 flor maldita nasceu de cada um deles para lembrar-me de ti.
666 amantes terei até saber esquecer que tu me amaste.

NOTA DA AUTORA: Os acontecimentos apresentados nesta história são inteiramente fictícios, não reproduzindo a vida de seres humanos reais.

Camila Fernandes é co-autora do NecroZine (www.necrozine.blogspot.com), um zine dedicado à literatura de suspense e terror, e do livro "Necrópole - histórias de vampiros" (www.necropole.com.br), lançado em outubro de 2005 pela Editora Alaúde.

23.05.2005