COLDBYTE - PARTE 3 por Rita Maria Felix da Silva
Nota legal: os direitos autorais dos personagens Transformers e os conceitos a eles
relacionados pertencem a Hasbro Inc. Esta história foi escrita para fins unicamente culturais
e de entretenimento e, portanto, nenhuma forma de comércio, ganho ou lucro está sendo
realizada aqui.
Arca. Base Autobot. Enfermaria/Laboratório de Ratchet. Manhã de quarta-feira.
Ratchet ocupava-se da análise dos dados que pedira para serem processados pelo
Teletran, quando Optimus Prime entrou na Enfermaria.
Três monitores – telas simples, de vidro molecularmente alterado – mostravam as
imagens de Jazz, Hotrod e Redalert. Nos três primeiros, as cenas mudavam, exibindo em seu
lugar gráficos, análises dos mecanismos internos e uma avalanche de outras informações.
Numa quarta tela, idêntica às anteriores, podia-se ver detalhadamente todos os arquivos sobre
os Decepticons Dirge e Scourge.
Optimus teve a desagradável sensação de que havia acabado de entrar num
cemitério, numa noite silenciosa e desolada, quando olhou para três leitos no centro da
Enfermaria e contemplou, com grande tristeza, os cadáveres de Jazz, Hotrod e Redalert.
_Nossas perspectivas não são boas – continuou Ratchet, sem retirar os olhos das
telas - Optimus. Hotrod e Redalert foram mortos da mesma forma que Jazz e o que é pior: eles
estavam abrigados na Arca quando aconteceu. Sabe o que isso significa?
_Sim – respondeu Optimus Prime em um tom sombrio – O assassino desenvolveu
uma forma de acesso remoto para nos atingir. Em teoria nenhum de nós está a salvo. Como
está sua pesquisa?
_Pouco progresso – explicou Ratchet. Wheeljack acredita que poderemos
desenvolver um meio seguro de nos proteger da "coldbits". Perceptor compartilha dessa
crença. Temo que eles estejam superestimando nossas chances. E quanto a investigação?
_Os resultados são infelizes – lamentou Optimus, contemplando Hotrod e sentindo o
equivalente Transformer a um calafrio - Nossos próprios esforços não nos levaram longe e a
relação com as agências da lei humanas ficaram muito desgastadas nos últimos meses. Muitas
delas estão sendo pressionadas pelos anti-robocistas para que "deixem todos os malditos
robôs morrerem." Outras questionam a necessidade de punir esse assassino, afinal, do ponto
de vista da legislação humana, não é crime exterminar um Transformer.
_Quantas vezes nos arriscamos... Quantos companheiros já perdemos para defender
essa espécie... E agora isso! – exclamou Ratchet.
_Não se apresse em condenar todos eles. – interferiu Optimus - Por exemplo, alguns
de meus antigos contatos tentaram o possível para conter a imprensa... Contudo, seria mais
fácil tentar reter nas mãos uma supernova. A TV e a Internet foram inundadas por notícias
sobre esse assassino. Chamam-no agora de "Coldbyte". Pelo que percebi, ele próprio cuidou
de espalhar pela Rede todas as informações sobre seus crimes. Está se exibindo, nos
desafiando.
Ratchet concentrou-se na tela em que apareciam as imagens dos Decepticons:
_Ouvi falar que Megatron estava rindo de nós, quando essa matança começou –
comentou .
_Asseguro que ele já parou de rir – replicou Optimus – os Decepticons perderam
Dirge e Scourge e o "Coldbyte" demonstrou que não fará distinção entre nós ou nossos
inimigos. Megatron me enviou uma mensagem, propondo uma trégua e colaboração para
deter esse assassino.
Aquela declaração surpreendeu Ratchet e ele indagou:
_E você pretende aceita-la? Afinal, eles ajudaram no caso do Carnobot...
_Não – respondeu o Líder Optimus, enquanto contemplava tristemente o rosto do
falecido Redalert – Lembre-se que Megatron foi o responsável pelo surgimento daquela
criatura. Uma intervenção dos Decepticons apenas exporia mais Transformers a morte e não
há como confiar que Megatron não tentaria aproveitar-se da situação...
Nesse momento, Ratchet se questionava sobre um detalhe que não havia percebido
antes no gráfico da estrutura submolecular de Hotrod. Por um instante, ele quase ficou
esperançoso, mas logo percebeu que havia se enganado.
_Terrível – observou ele. Escutou falar sobre a tragédia em "Chips´n Brains"?
_Claro. Uma pequena comunidade hacker na Califórnia. Megatron atacou-os em
retaliação ao "Coldbyte". Pelo menos 10 mortos. Não preciso dizer como isso apenas serviu
para piorar todos esse clima de medo e hostilidade entre Transformers e humanos...
_Não precisa – concordou Ratchet.
_Tenho, porém, ainda mais coisas para me preocupar: há insinuação de focos de
motim na Arca. Estão se formando facções radicais entre os Autobots. Algumas já propõem
uma ação mais direta contra os seres humanos. Tenciono contê-los como for possível: não
permitirei que Autobots comecem uma cruzada santa de vingança que custará muitas vidas a
nossa espécie e os humanos. Mesmo que a guerra entre nossos povos seja inevitável, eu
morrerei antes de permitir que ela comece – concluiu tristemente Optimus.
_ Já considerou a possibilidade de deixarmos a Terra? – perguntou Ratchet
_Sim. – Uma das facções está exigindo isto. Em curto prazo, porém, não vejo como
uma solução viável. Mas eu tenho um plano que poderá resolver essa situação do "Coldbyte"
– disse Optimus e Ratchet nunca o havia visto tão sombrio quanto agora.
_Espero que funcione, porque eu não quero que tudo termine assim: todos nós
eliminados como insetos, sem qualquer defesa – lamentou o médico Autobot.
Nesse momento, sem poder explicar porque, Ratchet sentiu que precisava olhar para
o Líder Optimus e viu nele toda aquela nobreza e força interior que o permitiram comandar os
Autobots por tanto tempo...
_Eu não permitirei que isto aconteça – prometeu Optimus. Peço apenas que confie
no que vou fazer. Meus atos poderão parecer absurdos ou inutéis, mas questiono a sanidade
desse assassino e preciso jogar segundo regras mais próximas da mente dele. E há um detalhe
importante: a partir de tudo que pude deduzir, "Coldbyte" vai nos conceder uma pequena
pausa, pois deseja que o mundo e nós mesmos avaliemos sua obra. Nos próximos dois dias,
não haverá qualquer morte. No sábado, mais um de nós estará morto e no domingo meu plano
para deter esse louco irá coloca-lo em nossas mãos.
_E se sua estratégia falhar? – questionou Ratchet.
_Então, na próxima segunda-feira, "Coldbyte" iniciará um extermínio em massa dos
Transformers. Todos que não puderem fugir deste planeta morrerão. Ele sabe que não fugirei
e deixará minha morte para o final, quando eu já tiver assistido todos os outros sucumbirem.
Ratchet afastou-se dos monitores e contemplou longamente Optimus, para só então
dizer:
_Às vezes me assusta a carga que está sobre seus ombros.
_Isso tem me assustado desde que deixei de ser Orion Pax para me tornar isto –
falou Optimus Prime, enquanto olhava para suas próprias mãos, e, logo, acrescentou – Eu
agradeço por me escutar, amigo. Devo ir agora, preciso dar instruções a Blaster e articular
com nossos aliados humanos... Colocar alguns detalhes em andamento.
_Optimus, sabe, me pergunto como as coisas seriam se Megatron não tivesse
surgido, nem essa guerra começado ou nós termos caído nesse planeta... – divagou Ratchet,
_Também sou atormentado por essas questões, porém prefiro me ater a...Ratchet,
você acredita em destino? – indagou Optimus.
_Você sabe que não – respondeu Ratchet.
_Sei – retorquiu Optimus Prime – Eu acredito que a Grande Mente idealizou um
curso para nossas vidas e que cada mínimo evento, por mais desprezível, infinitesimal ou
redundante que possa parecer, cumpre um papel nesse plano, no destino, por assim se dizer...
Até mesmo o mais aleatório movimento de uma partícula.
_Até mesmo o movimento de uma "coldbit" – comentou ironicamente Ratchet.
Por um instante, a face de Optimus pareceu se iluminar com um sorriso:
_Sim. Até mesmo o trajeto fatal de uma "coldbit". Até breve, Ratchet.
Optimus logo saiu, deixando Ratchet indagando sobre a profundidade das palavras
do amigo, antes de retornar a suas análises, até que, exaurido, recostou-se numa cadeira e
reduziu drasticamente a atividade de seus circuitos – antes de ficar inconsciente, ele ponderou
que alguns minutos da versão Transformer para o sono humano seriam benéficos para ele.
Então sonhou:
E, em seus sonhos, ele caminhava novamente pela superfície metálica de Cybertron
,até que parou para olhar para o céu de seu mundo natal. Planetas, estrelas e galáxias dividiam
o firmamento. Ratchet contemplou-os e sua mente se maravilhava com a grandiosidade do
Cosmo. Ele lembrou das palavras de Optimus Prime e seus olhos se fixaram numa área do
céu, que estava sendo atravessada por raios de múltiplas cores. Ratchet escolheu os raios de
cor avermelhada e observou-os com toda a atenção: eram feixes das mais diferentes
partículas, aprisionadas em seqüências de movimentos aleatórios. Embora não soubesse
explicar porque, ele sabia que algumas delas eram "coldbits".
A continuar...
|