ENIGMA
VAI PRO TRONO OU NÃO VAI?
Darlon Carlos
O click do interruptor fez o único som a varrer todo o banheiro. A luz ascendeu revelando que tudo estava como dantes no quartel de Abrandes, um espelho demonstrou um rosto amarrotado e os cabelos em desalinho, os olhos vermelhos como de quem acordou por uma força que vai além do desejo das horas de descanso. Raul estava sentindo uma forte dor de barriga, uma indigestão que não sabia direito de onde tinha vindo, não sabia se era por causa da azeitona que tinha comido no dia anterior, ou se era por causa da cerveja, vinho, whisky, caipirinha com um pouco de batida de morango que ele bebeu na festa de despedida de solteiro de um amigo de repartição. Com certeza tinha sido a azeitona, ou então a maionese que ele tinha comido, por mais que ele tentasse lembrar nada do que tinha colocado no estômago no dia anterior poderia fazer tanto mal como a famigerada azeitona ou a maionese.
Como estava sozinho, soltou os costumeiros gases intestinais, que tanto bem fazem quando são jogado na atmosfera, bem para quem se alivia não para quem tem que agüentar o cheiro, mas como era ele mesmo que tinha soltado não se importou com as eventuais reclamações. Era dele mesmo e ele iria suportar. Coçou as partes intimas e se pôs no vazo sanitário como todo o respeito que este lugar merece. Segurou a cabeça entre as mãos e lentamente deixou que a natureza fizesse o resto. Sentiu que as coisas estavam mais difíceis que imaginava, teve que fazer a costumeira força para que algo que não era daquele corpo fosse colocado para fora. Demorou, mas conseguiu!
Começou a lembrar da festa do outro dia, estava como o diabo gosta, mulheres e bebida, tudo para que o último dia de liberdade de um homem fosse inesquecível. Achou estranho quando um dos seus amigos de repartição falou sobre um vídeo, em que uma mulher transa com um homem e que ela no final acaba com ele, no sentido lato da palavra, desfigurando a sua garganta. Pediu para vê o tal vídeo, o rapaz passou para ele um CD onde tinha as cenas. Ele foi para um lugar mais calmo onde tinha um computador, para ficar mais sossegado e poder vê e quem sabe entrar em contato com ele mesmo se as cenas fossem tão quentes assim.
No início as cenas estavam foscas, não dando para vê totalmente o que estava acontecendo, como se a pessoa que estava filmando não tivesse muita intimidade com o aparelho. Com o foco certo e tudo no lugar, deu para vê que a mulher que estava sendo comida era de um corpo escultural, de quatro e com o cara mandando vê, percebia-se muito bem que ela era da família da uda: bunduda, peituda, coxuda, pernuda e muita da gostosa! Além disto era alta, devia ter um metro e noventa, e naquela posição parecia uma potranca, o rapaz raquítico quase se perdia no meio de tanta carne. Raul ligou os alto falantes para ouvir alguma coisa, o som da voz da mulher era rouca e sensual, parecia que era de outro mundo, além disto dava para ouvir o cara também gemendo, e algo mais vindo do fundo que ele não conseguia identificar direito, como se fosse muitas vozes, varias pessoas falando ao mesmo tempo. Algo estranho e sem sentido.
Em determinado momento, a câmera deu um zoom no rosto da mulher, deu para perceber que ela tinha olhos de felino, os dentes eram como de serpentes e a pele era bem bronzeada e os cabelos longos . Raul riu e achou interessante aquela maquiagem na mulher, com certeza era uma fantasia erótica que o cara tinha pago para fazer. Ficou ali vendo a mudança de posição do casal que parecia está gostando do que faziam, em determinado momento ele achou que tinha visto uma coisa estranha, uma mão cheia de escamas, não sabia se era tatuada ou se era algum tipo de maquiagem, apareceu novamente mais de forma bem rápida, não dando a ele condição de saber se de fato era uma coisa ou outra. A impressão que dava era que a mão era da pessoa que filmava tudo, mas não pode ter certeza.
Em uma das cenas Raul notou que as costas do rapaz estavam totalmente arranhadas, como se garras tivessem feito isto, e em outros lugares eram marcas de mordidas que ainda sangravam que ocupavam os espaços com alguns hematomas. Em determinado momento quando as cenas ficavam cada vez mais fortes, antes do clímax, a mulher estranha simplesmente pegou a jugular do cara e mordeu de tal forma que o sangue jorrou por um bom pedaço. Por mais que ele se debatesse nada fazia com que a mulher o soltasse, as unhas saíram de dentro de seus dedos como se fossem efeitos especiais, agarrando o coitado de todo o jeito.
No final apareceu algumas inscrições bobas como sabe qual é o enigma, tente resolvê-lo, ou então vai ser devorado. Um porção de blablá, blablá, blablá! No final quando tudo terminou somente uma palavra ficava na tela escura: O Homem. Raul riu e entregou o CD para o amigo que já estava comentando com outro cara sobre o conteúdo dela. Pegou uma bebida e foi atrás de alguma mulher para tentar fazer o que tinha visto na tela. O resto é só histórias que o tempo vai imortalizar.
Depois que terminou tudo, deu uma olhada para vê como estava a cara daquilo que tinha vindo de dentro dele, mas que não faria falta nenhuma, deu a descarga e limpando-se da melhor maneira possível foi em direção a saída. Mas, a porta não abria. A maçaneta estava emperrada de tal forma que por mais que ele tentasse abri-la ele não conseguia, achou, no principio, que era algum tipo de brincadeira do pai ou do irmão, entretanto pensou que eles não iriam ficar até tarde da noite para fazer tal brincadeira tola, chamou uma ou duas vezes os nomes do pai ou do irmão, mas nada. Começou a ouvir um som estranho, vindo do outro lado da porta, grudou o ouvido na madeira para escutar melhor. Era um som de uma respiração, gutural, lucubre, como vindo de algum lugar além da imaginação.
Respirou fundo e tentou abrir novamente a porta, ela abriu vagarosamente para revelar... nada! Não tinha nada atrás da porta, absolutamente nada! A luz do banheiro iluminou um pouco o corredor que dava para os outros quartos. O coração dele batia descompassadamente, ficou um pouco confuso e depois percebeu que tudo não passou de sua imaginação. Raul deu uma risada pela tolice de ter achado que tinha alguém atrás da porta, desligou a luz e foi para o quarto.
Um despertador faz mais um lembrete que o dia já começava, uma mão com uma grossa aliança desliga o relógio para depois, um senhor, levantar para mais um dia de batente. Coça a cabeça e outras parte intimas do corpo, solta alguns gases matutinos sem se importa com a presença de sua senhora, e vai em direção ao banheiro. Arrastando os chinelos e fazendo um barulho característico de quem tem autoridade para acordar a todos. Abre a porta do banheiro para vê que seu filho se encontra no vazo sanitário, parecendo está dormindo, chama-o uma ou duas vezes, para depois ir lá da uns safanões nele, Raul tombou no chão, de um lado o seu corpo do outro a sua cabeça, seu pai deu um grito de desespero quando viu a cena diante de seus olhos. O corpo de seu filho ali no chão sem nenhuma gota de sangue como se tivesse sido totalmente chupado, parecendo uma passa árabe, gritou acordando todos da casa, que foram imediatamente vê o que tinha acontecido e igualmente entrando em choque quando viram a cena, em determinado momento, o irmão de Raul olhou para o teto e viu algumas inscrições em caracteres que ele não conhecia escrita em sangue: homemearespostadei-meoenigma.
ENIGMA PARTE 2: SOZINHA?
Ela certificou-se se estava realmente sozinha. Olhou por todos os cômodos do apartamento para ter a certeza que não tinha ninguém espionando. Sua mãe tinha saído para comprar alguma coisa, seu pai estava trabalhando, seu irmão sabe lá Deus onde ele estava. Quando teve certeza que estava só, foi até ao quarto e pegou de debaixo da cama uma fita de vídeo. Levou para a sala para vê o conteúdo, o nome da fita era Desenhos Animados da Turma da Mônica, colocou no aparelho e se sentou para vê o que tinha.
Lembrou que a sua amiga tinha lhe comentado sobre uma fita que estava dando o que falar. Varias pessoas já tinham visto e diziam que era demais. Parecia uma filmagem de um sonho erótico de uma garota, transando com um cara de dimensões quilométricas. Elas viram na casa da mãe da amiga, mas não deu para vê os "detalhes" do cara, sendo assim, ela pegou emprestada para que pudesse assistir em casa com mais tranqüilidade.
O início era sempre estranho, como se o foco estivesse errado, fosco sem nitidez, depois as coisas entravam no eixo, dava para vê bem o que o casal estavam fazendo. Era um cara bem alto, devia ter uns um metro e noventa, e o seu pênis era grande, bem grande, como se tivesse parte com um jegue, pele bem bronzeada, olhos como de um felino, dentes em forma de presas, parecidas com de uma serpente. A mulher por sua vez era bem magrinha, branca e mostrava ser bem jovem, tinha cabelos presos em um rabo de cavalo, olhos verdes e um rosto bonito. A garota não sabia como ela conseguia agüentar o tamanho do falo do cara, ele não tinha pena da garota, metia com toda a vontade, como se quisesse arrebentar as entranhas dela. Ela só gritava, gritava e gritava, fazia todas as exigências do homem que a possuía sem nenhuma piedade. Dava para notar que ela estava cheia de hematomas e de mordidas.
Ela não conseguia tirar os olhos do cara que desempenhava bem o papel de garanhão, musculoso e bem dotado, tudo o que ela sempre quis em um namorado. Entretanto, não conseguia deixar de ouvir sua mãe que sempre dizia: " Camila, pare de comer minha filha, um dia você vai estourar de tanta besteira que come." Mas, ela se sentia bem com o corpo que tinha, estava um pouco, somente um pouco, fora do peso e não seria algumas pessoas que iriam falar para ela fazer ou deixar de fazer as coisas que gostava.
Tinha algo que a deixava sempre inculcada, era aquela mão que aparecia na tela, não sabia se era uma tatuagem ou se de fato era uma maquiagem muito bem feita, devia ser a pessoa que filmou tudo. Em determinados momentos parecia que era de brincadeira, mas em outras, parecia ser bem real. Escamas em todo o seu braço, bem delineada e com riquezas de detalhes, tudo ali, mas com certeza era algum tipo de maquiagem. Chegava uma hora que a mulher era totalmente dilacerada pelo homem, garras saiam dos seus dedos de tal forma que prendia a mulher e não a soltava de jeito nenhum.
Lá estava de novo, aquelas palavras finais, que sempre apareciam quando chegava ao fim a filmagem: qual é o enigma? Decifra-me! Faça agora ou então morra! E uma palavra no final de tudo, na tela preta, ficava ali por um bom tempo até que tudo realmente acabava: O homem. Ela não entendia nada do que aquilo poderia ser.
Tirou a fita de dentro do aparelho e foi para o quarto para guardá-la em lugar seguro. Todo o apartamento estava em silêncio, parecia que o próprio prédio estava em silêncio. Abaixou-se para colocar a fita no mesmo lugar de antes, sentiu alguma coisa estranha debaixo da cama, olhou para vê o que era e teve um susto que quase fez com que o seu coração viesse a boca, literalmente falando, levantou cambaleante, segurando em todo os lugares, não conseguiu se manter em pé e caiu novamente tendo que vê o ser dantesco saindo debaixo da cama como nos contos antigos onde se falava de um bicho-papão.
Camila não acreditou no que estava vendo, era impossível, tinha que ser alguma coisa errada, não poderia ser de jeito nenhum! Saiu totalmente de debaixo da cama, ficou em pé, revelou-se totalmente para ela, foi avançando lentamente em direção a garota que continuava caída sem saber o que fazer. Suas garras já se encontravam próxima do rosto de Camila quando ela teve uma iluminação e saiu correndo com todas as forças que tinha nas pernas.
Foi para a sala, na tentativa de encontrar uma saída daquele pesadelo, tinha que ser um fruto de sua imaginação, tinha que ser! Começou a gritar, pedia para todos os santos que viessem lhe ajudar, mas a única coisa que ela recebia como ajuda era a visão horrenda do ser que vinha lhe buscar. Nada nem mesmo os seus piores pesadelos da infância faziam frente com aquela visão, parte de sua mente dizia que aquilo não podia está diante de seus olhos, a outra parte dizia que estava e que iria fazer alguma coisa contra a sua integridade física. Era belo e ao mesmo tempo monstruoso, um ser que tinha saído das páginas dos livros para habitar o mundo dos vivos, ou daqueles que se acham vivos.
Foi em direção a porta, tinha decidido fazer o que era o certo: salvar o seu rabo! Gritava em plenos pulmões, mas ninguém atendia ao seu chamado, foi em direção ao elevador, apertou os botões com desespero em cada gesto em cada olhar. Ninguém a tinha seguido, não sabia se isto era bom ou mal, só ficava tentando entender as coisas colocá-las em ordem em sua mente totalmente desfigurada pelos acontecimentos.
O elevador chega. Sente-se salva, abre a porta, da de cara com... Dona Clara! Que com um grito de susto salda a menina com medo nos olhos, tenta lhe explicar o acontecido. A primeira coisa que Dona Clara pergunta é se ela estava mexendo com drogas ou outra coisa parecida, Camila diz que não, que nunca usou estas coisas e que não tinha nenhuma pretensão em usar. A inquiridora não levou muita fé nas declarações da menina, mas como já conhecia a família dela há muito tempo, achou que tinha que ir lá e vê o que estava acontecendo, foi o que fez.
Entrou, com a menina atrás dela, na sala para vê que... não tinha nada! Foi em direção ao quarto dela, para novamente vê que não tinha ninguém ali, fez o mesmo itinerário em todo os cômodos para notar a mesma coisa: nada! Todo o apartamento estava vazio como a mente da jovem que deveria está vendo coisas. Muito filme de terror falou Dona Clara, deixando-a sozinha para ir cuidar de sua vida. Camila fez novamente a ronda por todo o apartamento para vê se de fato estava sozinha, e não encontrou nem sombra do ser dantesco em sua casa. Respirou aliviada e sentou-se no sofá pensando que estava na hora de arranjar um namorado.
O som do elevador chegando era a senha para que uma senhora com alguns embrulhos saísse. Toda enrolada tentando fazer mil coisas ao mesmo tempo, balançando os embrulhos em duas mão e ao mesmo tempo tentando pegar alguma coisa na bolça de couro que carregava.
____ Cadê aquela bendita chave? Eu sei que coloquei aqui, será que eu esqueci de novo? Não pode ser, eu sei que coloquei aqui! _ Os dedos iam de um lado para o outro na bolça com vários objetos que não são usados no dia-a-dia de uma mulher. __ Aqui, sabia que estava em algum lugar! - Foi colocando a chave no buraco da fechadura e nada, não virava de jeito nenhum, foi quando notou que a porta estava aberta. ___ Aquela Camila, ela vai vê comigo quando eu entrar em casa, ela vai se arrepender de ter nascido, vai mesmo!
Foi penetrando na sala, deixando embrulhos em cada canto que passava, gritando o nome da filha, sem resposta, já se encontrava nervosa com a falta de resposta. Foi ao quarto dela e nada, foi na cozinha e nada, no seu quarto e nada, tinha ainda o banheira e...
Os gritos foram ouvidos por todo o apartamento, todo o prédio, em todos os lugares. Saiu para o corredor em estado de choque, gritando e apontando para alguma coisa, Dona Clara foi a primeira a atender os chamados de socorro da mulher, ela e um jovem com estilo de lutador de jiu-jítsu, perguntando o que tinha acontecido, e ela sem ter como responder, somente apontava para a sua casa e dizia alguma coisa sobre a Camila. Eles acharam que não tinha outra coisa a fazer do que ir lá e vê o que tinha acontecido. O primeiro foi o jovem, como um desbravador foi entrando na casa, indo em direção ao banheiro, logo atrás Dona Clara com os olhos esbugalhados tentando perceber alguma coisa que lhe desse tempo de tomar a decisão certa.
Quando entraram no banheiro o jovem foi o primeiro a da um grito e vomitar tudo que tinha comido nos dias anteriores. De joelhos no chão e colocando os bofes para fora ele não conseguia erguer os olhos para vê a cena que estava diante de seus olhos, Dona Clara por outro lado olhava para uma imagem que com toda a certeza ira fazer parte de seus sonhos e pensamentos até o último dia de vida.
No banheiro, mais precisamente no chuveiro, enforcada em suas próprias vísceras Camila pendia de um lado para o outro como um pêndulo de um relógio. Com os olhos abertos, boca escancarada, vermelho sangue em todos os cantos. Na parede, com as fezes da menina, somente escrito: homemearespostaeuquerooenigma.
ENIGMA PARTE 3: CONJECTURAS
Em algum lugar da Europa.
O dia estava lindo, com um céu azul celeste, em todos os lugares dava para vê a criação de Deus manifestando o seu poder. Em um restaurante discreto em um lugar paradisíaco, um homem de terno muito bem cortado e com uma finesa nos gestos que o destacavam dos demais, terminava a sua refeição, aproveitando para olhar para a paisagem que despontava em todo o horizonte. Um outro homem de terno preto atravessa todo o restaurante e se coloca ao lado dele, sussurra algumas coisas em seu ouvido e passa um envelope para ele. Retira-se depois.
Abre-o e lê: homemearespostaeuquerooenigma. Homemearespostadei-me oenigma. Limpa a boca, pega uma bengala com uma cabeça de serpente na ponta onde se apoia a mão, levanta-se e sai em um coxear em direção a porta, sem pressa e sem demonstrar nenhuma alteração no modo de se portar.
Chama um carro que se coloca diante dele, um chofer sai e abre a porta para que o homem distinto entre. Depois de acomodado dentro do automóvel, o motorista pergunta para onde.
____ Rio de Janeiro. Brasil!
O motorista não faz nenhum comentário, somente se coloca a caminho do aeroporto para as costumeiras viagens. No percurso o celular toca, o homem porem fica impávido sem se importar, quando o som já está incomodando ele pega o aparelho e ouve o que a pessoa do outro lado da linha tem para dizer.
____ Dom Crucífero? Pergunta a voz.
____ Sim. Responde displicentemente.
____ Temos informações de atividades em alguns lugares do mundo, principalmente na América do Sul, de manifestações sobrenaturais. Vampiros?
____ Não.
____ Demônios?
____ Não.
____ O que são, então?
____ Se eu explicasse com certeza você não entenderia.
____ Espero que o senhor não venha esquecer que temos muitos interesses naquela região do mundo, e não podemos de forma alguma ter uma série de demônios fazendo ações que venham a destruir as nossas atividades. Entende?
____ Sim.
____ Podemos contar com o senhor e com o sua Ordem?
____ Sim.
____ Outra coisa, Dom Crucífero.
____ Pois, não?
____ O Papa não aceita erros, muito menos as pessoas que estão conosco nestas atividades. Compreende?
____ Sim, compreendo.
____ Existe alguma coisa que possamos fazer para o senhor, que ajude em suas atividades no Brasil.
____ Sim, desejo que entre em contato com o Cardeal Bibliotecário e peça que ele fique preparado para fazer uma cópia de uma página de um livro.
____ Qual o título?
____ O Simulacro.
____ Compreendido.
O telefone é desligado, colocado de lado como antes, o chofer olha no espelho para o homem pensativo que, sentado no banco de trás, tenta vê o que se encontra além do horizonte.
____ O que você deseja saber, Calvino?
____ Desculpe-me senhor, mas se não são nem vampiros e nem demônios, o que são?
____ Algo que eu achava que fosse lenda. Somente lenda.
O carro desliza pela estrada bem pavimentada, como se fosse um tapete, passando por cidades com séculos de idade, com vários fantasmas que o tempo imortalizou, e outros que o tempo transportou para outros lugares do mundo.
biggy666@terra.com.br (Mora em Duque de Caxias e é formado em Biblioteconomia, faz contos de terror nas horas vagas.)
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