HORA DA MORTE, A
E.R.Corrêa
O alvoroço foi total. Todos estavam curiosos, excitados e principalmente nervosos com a recente e profundamente esmagadora notícia. Os cientistas de todo o mundo procuravam, há séculos, vida em outros planetas, e agora, ali, na televisão, em rede mundial, finalmente a notícia aparecia! Todo o alvoroço tinha uma razão...
Através de sondas, rumo aos confins mais profundos do espaço, fora dado a inacreditável notícia, aguardada com tanta espera, de que um planetinha, levemente azulado, fora descoberto e que abrigava (por incrível que pareça!) milhares de formas de vida. E o mais incrível: estavam todas à beira do fim!
Foram mobilizados milhares de formas de contato... Porém, o planeta se encontrava muito longe, nos confins mais extremos da via-láctea, e cuja energia provinha de uma estrela de meia grandeza.
De fato, a notícia pegou a comunidade científica de surpresa, causando extrema agitação por parte de todos que buscavam pela descoberta - e não só a eles, todos, naquele momento, voltaram-se de súbito interesse!
Quando finalmente fora enviado uma sonda especial afim de fornecer dados mais completos, as imagens extraordinárias vieram à tona. As pessoas podiam, finalmente, abandonar suas mirabulosas imaginações e apoiar-se em imagens reais, impressionantes e fantásticas, vindas daquele ponto extremo ainda não mapeado, e agora exposto à visão de milhares de espectadores.
Aquele momento foi fantástico! Quando a altamente desenvolvida sonda lançou as primeiras imagens daquele sistema primitivo, todos os cidadãos se emocionaram; encontravam-se hipnotizados, fascinados, tal qual uma criança à frente de um brinquedo sempre desejado; e até certo ponto, tristes, pela certeza de que o planeta descoberto estava condenado. Mas todos sabiam que nada podia ser feito, nossa tecnologia alcançou, de fato, um extraordinário grau de desenvolvimento; no entanto, esta capacidade não poderia (mesmo que quisesse) interferir no derradeiro momento de um planeta à beira do fim...
Muitos viram o fato como uma frustração, pois exatamente naquele momento histórico de inigualável importância - onde a troca de informações e o contato com uma cultura diferente (talvez amigável) iria se realizar - a aproximação mais profunda seria impossível!
Quando a sonda pousara no planeta e emitira suas primeiras imagens em solo desconhecido, o povo inteiro manteve-se boquiaberto, enlevado, imersos profundamente numa imagem distante, porém perturbadora. A visão real e instantânea de um mundo desconhecido e afastado à beira da morte é, de fato, assustadora... O caos implantado naquela estranha comunidade inteligente era terrível. Enormes labaredas de fogo consumiam, em pouquíssimo tempo, aqueles seres estranhos. A catástrofe vinha de todos os lados, e levava ao fim enormes construções, seres e tudo que fora produzido, como tudo indica, durante muitíssimo tempo.
Diante daquelas catastróficas imagens, mostrando uma comunidade inteira em seus últimos momentos, restava à sonda regressar, antes que fosse tarde demais. Mas o pouco tempo que ela permaneceu naquele moribundo planeta, foi o suficiente para coletar informações essenciais para futuros e detalhados estudos. Nossos cientistas estão com todos estes dados, mas garantem que só revelarão à nação quando estiverem por dentro de todos os segredos daquela civilização e o que a levou ao fim. No entanto, eles já adiantaram alguns pormenores: aquele planeta se chamava Terra, pertencendo a um longínquo sistema contendo nove planetas diferentes entre si, sendo que a Terra era a única que abrigava vida, e giravam em torno de uma estrela chamada Sol; abrigava, durante séculos, milhares de espécies, tendo causado o seu fim (pelo que se cogita) à única raça inteligente, conhecidos como seres humanos.
Esse conto foi originalmente publicado no fanzine “Juvenatrix” número 34, de Junho de 1999.
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