O ETERNO RITUAL


Adriano Siqueira


Novamente eu estava com minha mulher no meio daquela floresta.

De três em três meses, ela insistia que fizéssemos esta viagem.

Não a culpo, pois era um lugar lindo, mas mesmo assim, eu achava estranho...

Porque ela sempre escolhia aquela floresta?

Pensei na possibilidade dela estar me traindo.

Ela me amava. Apoiava-me em tudo que fazia, defendia-me o tempo todo.

Ela cuidava de mim como se eu fosse seu irmão mais novo! Mas eu era desconfiado. Sabia que ela tinha alguém e hoje, eu descobriria quem era.

A noite, quando acordei, ela não estava mais dentro da barraca. Fui procurá-la.

Andei mais de um quilômetro e vi algo que se parecia com um ritual.

Meu Deus! Minha mulher estava no meio daquela roda de fanáticos fazendo sexo com um homem que nunca tinha visto!

Eu não estava acreditando.

Ataquei o homem e arranquei minha mulher de lá.

No caminho, ela chorava dizendo que era preciso terminar o ritual.

Eu estava alucinado. Nada que ela dizia justificaria aquele ato.

Ela correu até a barraca, pegou a arma e me disse para matá-la.

— Imposs¡vel! — eu disse. Eu não poderia de forma alguma fazer aquilo.

Ela começou a mudar de voz... seu corpo passava por uma mutação...

estava se transformando em algo grotesto, um dragão ou crocodilo. Nunca tinha visto nada igual...

— Atire! Agora!

Uma hora depois.

— Ela me amava, sabe, seu guarda. Ela era tudo que eu mais amava.

Agora só resta nós dois. Eu e a... minha filhinha.