SERES QUE VIGIAM A TERRA, OS


Carlos Alberto Marcante dos Santos


Estava uma noite primorosa. Aquele céu iluminado com tantas estrelas, umas vivas e outras mortas: como meus cabelos e minha capacidade de interagir com as garotas do meu tempo. A lua, as estrelas, uma generosa porção de um bom vinho; que senão o melhor do porto - ou de bordeaux - não se tratava de uma quantia de ácool destilado, com uma má plantada vinha de qualquer lugar deste mundo, sujo, o qual todos temos o desprazer de viver: alguns nem tanto assim.

O sítio, onde acabara de fixar moradia, era extremamente afastado da civilização. Meu intuito seria, tão somente, de colher os frutos, de meus ferrenhos estudos, de astronomia, num descampado qualquer: onde, poria meus aparatos científicos em voga, buscando caminhos - nas estrelas - em meu doutorado na Alemanha. Sim, um lugar interiorano era tudo o que precisava para viver, cá, com minhas loucuras. Meus equipamentos ficavam no estábulo, todo adaptado e reestruturado; com belo terraço, onde instalei diversas antenas: para possíveis contatos extraterrenos, ou mesmo simples ruídos no espaço. O mundo é cheio de mistérios: imaginem a galáxia com seus mais de 180 milhões de planetas.

Entretanto, aquela que era para ser uma noite de vinho ao luar, no terraço, se transformara num emaranhado de absurdos, relativamente compreensíveis num futuro, bem próximo. Dado um certo momento, os rádios captaram algo de estranho: eles estavam fora do normal. Nada fora, assim, captado por meus 'filhinhos', os rádios. Eram vozes indizíveis: ''meu amor, oh...''. Gritos de horror, gemidos seguidos de prantos agonizantes; ouvía-se concertos primorosos, quando do rádio saíra a seguinte frase, que me assustara profundamente: “Sou Satanás, e vim para profanar, seus filhos bastardos”. Neste momento, toda a energia cessara: só a lua e as estrelas, me guiavam naquela obscuridade plena. Senti uma força incontrolável de subir ao andar térreo, uma espécie de super adrenalina injetada em meu sistema nervoso; não havendo, uma gota sequer de medo: incontrolável, mas em pleno domínio de minhas habilidades psíquicas.

Ao chegar em cima, me vi em meio a um vislumbre dos deuses. Um magnífico campo eletromagnético circular fazia de minhas antenas um nada em termos de força. O campo, todo envolto a raios: que ganhavam vida no ar e nas pobres árvores arrancadas, em jatos supremos de força indizíveis. Logo, fez-se em sistema cilíndrico, de aproximadamente 5 metros, que se contorcia como, que, com vida; havia, dentro do cilindro, poderosíssimo globo de energia extremamente superior ao do campo de força externa. Os raios surgiam em cargas de magnetismo aneladas; os anéis se entrelaçavam e desfaziam-se rapidamente, gerando pequenos estouros ao se aproximarem do globo de força; o que se fazia pressupor que: o poder máximo provinha, mesmo, da formação global. Senti um suor frio descer por meu pescoço, e só não fui ao chão, graças ao meu tendão: o mesmo tendão que um dia tombara o invencível Aquiles.

Sem que pudesse fazer algo, aquele poderio de energia enovelou-se em meu corpo. Os anéis puxaram-me, fazendo ficar, diante daquele campo plenipotente de energia - que poderia iluminar meu país, por alguns bons anos, assim, ajustando um pouco sua terrível crise.

Tudo estava estranho: acredite, mais ainda. Num panorama da atual situação, estava: numa câmara bem clara, toda adornada de cristais que jamais tomei nota; meus olhos mal podiam se abrir, devido à claridade. Os cristais eram feitos de uma camada grossa externa, e preenchida por cristais em seu estado líquido, no interior da sala. Uma visão mais ampla, vía-se fetos, repousados nos cristais líquidos, assim como insetos gigantes; crianças com deformidades pictóricas; humanóides; animais costurados; experiências genéticas com descendentes símiles análogos e humanos; estavam-se vivos? Não sei dizer.

Estava deitado, numa maca, feita de metal bem reluzente e nada desconfortável: diria até, confortável demais para alguém levado de seu planeta. Percebi, que aquele metal se ajustava perfeitamente ao meu gosto, afundava e voltava em seu início, ao meu comando. Não podia ser cortado, ou mesmo desmaterializado.

Após a geral na câmara, entendi que o novo objeto de estudo era eu. Não sentia dor, fome, sede, nada em mim pulsava: nem o coração. Mas como meu cérebro recebia informações, se tornara um dos maiores mistérios de minha existência. Eles, os extraterrenos, em suma bem iguais aos humanos, exceto por serem assexuados; não possuíam orifícios, olhos, boca, orelhas, nariz, ânus, nada. Não usavam roupas, desprovidos de qualquer tipo de pelo em volta do corpo: era engraçado, mexiam aqui, cortavam e costuravam para lá. Um pedaço de mim ficou num recipiente cônico de um metal muito brilhante. Uma coisa primordial foi saber que aqueles seres, que nos olham, não se comunicavam por falas ou gestos quaisquer que fossem: um enigma para os anais da abdução mundial. Como se comunicavam? Por que e como entraram em rota de sinal com a terra? O porquê de minha pessoa, ser o representante da raça humana em vosso campus de pesquisa?

Não sei o que me fizeram. Se vou viver mais que as outras pessoas, só deus e os cosmonautas da galáxia podem responder; sinto, porem, que alguma força há dentro de mim: mesmo não sendo detectado nenhum objeto, sei que estou sendo meticulosamente vigiado. E um dia desses eles voltam...Ah, se voltam. O universo é o segredo da existência; o tempo será nossa arma maior contra as forças do além-terra.

Voyage in la lune?