SEXTA-FEIRA 13 - PARTE 25
ROUPA SUJA DE SANGUE SE LAVA EM CASA


por Gabriel da Silva Paixão


Nota legal: os direitos autorais dos personagens mencionados e os conceitos a eles relacionados pertencem a New Line e seus respectivos distribuidores e realizadores.

Uma reunião executiva urgente com os magnatas da New Line Cinema discutindo sobre o novo longa da série sexta-feira 13:

- Precisamos levantar mais dinheiro, vamos fazer mais um filme com aquele matador de máscara de hockey... – pergunta o velho e carrancudo presidente
- O senhor quer dizer Jason... – diz um jovem executivo.
- Bah, tanto faz.. Os adolescentes gostam dele, e sempre rende um bom dinheiro vamos fazer o filme e lançar até o dia 13, temos um roteiro pronto?
- Temos estes três – responde o jovem executivo

Então o presidente recebe três folhas garranchadas escritas até a metade como se fossem rascunhos onde estão escritos nos títulos

Folha 1: “Jason x Freddy x Pinhead x Michael Myers x Leatherface – Uma gincana infernal” por Todd Farmer
“Jason e Freddy passam a eternidade no mundo de Pinhead enquanto Michael Myers e Leatherface continuam na terra matando adolescentes, assim eles se unem para que alguém abra os portais da dor e do prazer, voltar e combaterem-se entre si para que apenas um continue dizimando a humanidade”

Folha 2: “Sexta-feira 13 – O inferno toxico” por Bruno Mattei
“Com o acampamento de Crystal Lake fechado a 15 anos, uma indústria de agrotóxicos instala-se no local e com os dejetos lançados no lago, Jason revive deformado mas com super poderes e começa a matar os donos da industria e os ecologistas que manifestam no local”

Folha 3: “Sexta feira 13 – Inferno no Deserto” por Uwe Boll
“A população de Crystal Lake depois de tantos massacres foram reduzidos a apenas um punhado de pessoas, então eles tomam uma atitude drástica: drenam o lago, e vendem Jason para o Iraque como arma biológica de destruição em massa, mas após um acidente envolvendo armas nucleares, Jason revive e começa a maior chacina no Oriente Médio”

O presidente olha e comenta:

- O primeiro vai demorar muito, temos que gastar dinheiro com licenciamento e essas coisas. O segundo é muito parecido com um filme daquele cara... Acho que é Michael Kauffman, um tal de “alguma coisa” tóxica, não podemos correr o risco de mais um processo por plágio. Agora o terceiro... Genial, esse Uwe Boll é fantastico, o povo quer sangue e árabes morrendo, dê 10 milhões de dólares para ele e faça-o dirigir o filme. Agora, o que nós já usamos como arma??
- Facão, picador de gelo, flechas, taco de baseball, cacos de vidro, ancinho, bola de gude, vaca holandesa... – responde um outro executivo
- Não, não, precisamos de algo novo... já sei mantenha o facão, alugue os últimos lançamentos alternativos e tire algumas idéias.
- Sim, senhor.
- Você, ligue para Kane Hooder e diga que temos uma proposta irrecusável.
- Sim, senhor.
- Você, procure nas faculdades de cinema quem gostaria de participar de um filme, sem detalhes e faça-os assinar um contrato, precisamos de figurantes.
- Sim, senhor.
- Você, converse com a equipe de computação gráfica... Quero muito CG, é moderno, bonito e mais barato.
- Sim, senhor.
- Vamos fazer como sempre: foco no dinheiro. Reunião encerrada...

A produção começa e é alardeada, com manipulação da empresa, pela imprensa especializada como o melhor filme até agora. O que só os executivos não contavam, e o segredo ficou escondido até agora, que o roteiro original do primeiro filme era baseado em uma história real acontecido na cidade de Diamond River há 25 anos...
A cidade sabendo do fato começa a comemorar se auto-intitulando como a “cidade do Terror” mas as vibrações acabam revivendo o Jason original que começa a matar os habitantes (burros) e enganar a (estúpida) policia local enquanto caminha para a sede da New Line Cinema a uns 120 km de distância.
Na noite seguinte, Jason chega ao local e invade os sets de filmagem, matando todos os envolvidos com o filme de maneira “sangrenta e criativa”, como sempre, de quebra mata também nos sets de “O Chamado 7 – Samara contra ataca”, “O Grito 6 – Ficando Rouco” e “Jogos Mortais 9 - + sangrento, + mortal”.
Invade os escritórios dos executivos, executando (gostaram do trocadilho) sumariamente a todos com lápis, apontadores, grampeadores, pesos de papel, máquina de xerox e etc.
Finalmente chega ao último andar onde Jason encontra o presidente e começa um diálogo, enquanto Jason caminha em sua direção:

-Eu já esperava por você...
-... – Jason continua caminhando
-Eu sabia de tudo, desde o começo...
-... – Jason continua caminhando
-Agora, depois de 25 anos eu posso dizer... Eu sou o seu pai...
-... – Jason para de andar
-Eu fiz todos estes filmes em sua homenagem, de saudades... venha me dar um abraço, filho..

Jason tira a máscara que revela uma assustadora imagem em CG de 25 anos de decomposição no fundo de um rio, dá um grito apavorante e corre em direção do presidente que abre os braços, assustado.
Jason abraça o pai e finca o facão nas costas dele penetrando até o seu próprio peito e jorrando rios de sangue, o presidente diz suas últimas palavras:

- Filho... por... quê?...

Jason corre para a janela mortalmente ferido e se joga do prédio de 17 andares abraçado com o seu pai.
Fim? Aparece na tela, sobem os créditos finais, a câmera se afasta e revela uma mão repousando sobre uma poltrona assistindo a tudo que diz:

- Providencie mais cenas em CG...

“Sexta feira 13 – parte 25 - Roupa suja de sangue se lava em casa – escrito e dirigido por M. Night Shyamalan...”

Primeiro Lugar da Promoção: Sexta-Feira 13 - Parte 25

Escrito por: Gabriel da Silva Paixão - Caraguatatuba/SP - gabrielpaixao@ig.com.br



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