A HISTÓRIA DE SOFIA
Daisuke Niwa
Chegando na boate, Sofia encontrou-se com as amigas, que estavam dançando com seus namorados. Ao som da música, ela bebeu alguns drinks. Minutos depois já estava mais alegre. Dançava sorrindo, numa falsa felicidade que só poderia se tornar verdadeira com o encontro de um homem. E ele apareceu. Foi dançando e se aproximando de Sofia, que permitiu o contato. O rapaz foi se esfregando por trás dela, numa sensual dança. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que estava gostoso e que queria continuar assim. Ele se aproximou ainda mais e a abraçou por trás. Sofia sentiu o corpo junto ao seu e ouviu: -Quer ir para o meu apartamento? -Sim..._respondeu, quase sem pensar. Sofia subiu na moto do rapaz e os dois saíram da boate. Conversaram durante o caminho. Ela estava meio sem graça, ainda um pouco tonta por causa das bebidas: -Eu me esqueci de despedir das minhas amigas... Qual é o seu nome? -Tiago e o seu? Respondeu. Depois foram para o apartamento dele. Prédio antigo, sujo, mas espaçoso. No primeiro andar, numa rua muito barulhenta. O som dos carros era ouvido vinte e quatro horas por dia. Tiago foi tirando a roupa de Sofia, e ela ficou parada, tremendo. Estava excitada e nervosa. Tudo aquilo parecia uma grande loucura e ela não sabia bem se estava fazendo a coisa certa. -Você parece tensa._disse, retirando sua própria roupa._Você não quer beber algo? Algum suco? -Eu acho que já bebi demais..._respondeu._Não, pensando bem eu quero sim! Tiago foi para a cozinha e Sofia sentou-se no sofá da sala. Era realmente aquilo que ela queria? Antes que pudesse se responder, o homem apareceu segurando um copo. Ela tomou tudo e agradeceu. O apartamento era iluminado, mas todas as janelas estavam com grandes cortinas pretas. Ela olhou o sofá, o tapete, a mesa de madeira. -Eu vou ligar uma música. As lâmpadas, uma mochila preta, copos, facas, talheres, cama, teto, máquina, parede, canetas, jornais, bichos, revistas, casacos, armários, vidros, canudos, lixas, catarro, cascas, lixos, latas, fotos, arames, pentes, copos, facas, merda, talheres, cama, teto, máquina, parede, canetas, jornais, bichos, sangue, revistas, casacos, armários, vidros, canudos, mijo, lixas, cascas, lixos, latas, fotos, vômito, arames... -Você está bem? Tudo rodopiava. Rodava e rodava e rodava e rodava e rodava e rodava. Ao som de um copo quebrando, Sofia desmaiou. E foi nesse instante que a noite teve início. Com as mãos e pés amarrados, Sofia não tinha movimento. Tudo ainda parecia girar em sua cabeça ainda tonta. Estava nua e sentiu o frio da madeira. Abriu os olhos e viu Tiago. Ele tinha um sorriso no rosto. Ao tentar falar, percebeu que a voz não saía. Ao tentar se mover, percebeu que os seus membros não respondiam ao seu comando. Ele pegou um estilete enferrujado. Estava com uma coloração cobre, mas ainda cortava. Era só fazer uma força a mais. E isso ele tinha de sobra, afinal não tinha tomado o medicamento que estava na bebida. Passou o estilete pelo braço. Começou pelo direito. Um corte, dois cortes, três cortes, quatro cortes, cinco cortes, seis cortes, sete cortes. Todos na horizontal, pq era mais bonito e dava para cortar mais. Oito cortes, nove cortes, dez cortes, onze cortes. Não, não podia se esquecer o outro braço. Aquele não estava vermelho, ainda estava branco. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. O som novamente. Ele odiava aquele barulho. Indicava obrigação. Ele era obrigado a atender o aparelho. Tiago atendeu o telefone. Ficou alguns minutos conversando com sua tia, que lhe contava de um caso que não era interessante. Ainda assim ele escutou toda a conversa e depois voltou para a mesa. Tinha perdido vinte minutos, por isso precisava se apressar, caso contrário não terminaria naquela noite. Rápido. Mais rápido, ainda mais rápido!!! Trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete... Terminado os braços, as mãos eram o alvo principal. Retirar as unhas, com o auxílio de um arame groso e uma faca curva. Isso foi rápido. Já tinha experiência e terminou as duas mãos em menos de quinze minutos. Depois os dedos. Estes mereciam cortes verticais. Um em cada dedo, para não ficar feio. O rosto não podia ser muito modificado. Apenas um sorriso devia ser inserido nele. Com o auxílio de uma tesoura, as bochechas foram puxadas e, com um corte lento, abertas até que ficasse visível o último dente. Do lado esquerdo o mesmo procedimento. Agora sim ela estava sorridente. E como era mesmo o nome dela? Camila? Não, não! Sueli? Também não! Ah, era Sofia! Isso, Sofia. Sofia sorridente. Os seios levaram um corte curvo. Era uma tarefa complicada. Por isso usou um alicate para puxar os mamilos para o alto e cortar corretamente. Quase um círculo. Novamente do outro lado. E pronto. Foi rápido. Pausa para lavar as mãos e o rosto. Já estava tarde, mas ele precisava continuar. Já estava quase na metade. Secou o rosto e jogou a toalha avermelhada no chão. Ao lado de quarenta e três unhas. Retornou para a mesa. Levava agora um bisturi e outros instrumentos. Como as pernas eram longas e grossas, ele não poderia dar um corte vertical e longo. E se fizesse vários ia terminar só na semana seguinte. Então um grande corte foi feito. Um corte fundo, que foi aberto com o auxílio de dois garfos, que foram fincados fundo na carne e abertos para lados opostos, abrindo assim o buraco. Os pés também possuíam unhas que tiveram o mesmo fim das amigas das mãos. E os pés foram serrados. Era a parte mais difícil de todo o trabalho. Os ossos eram duros e ele precisava fazer muita força para conseguir retirá-los. Por fim conseguiu, depois de um certo tempo. E agora vinha a parte que Tiago mais gostava. Entre as pernas. Era uma região tão detalhada, tão complexa e cheia de vida que o melhor instrumento para usar era uma tesourinha e um alicate de cortar unhas. Podar, cortar, puxar, recortar, arrancar, puxar, puxar mais, puxar mais um pouco e cortar, arrastar a tesoura pra dentro, carne mole, um pouco mais dura, recortar, recortar, recortar... O telefone tocou mais uma vez. E sua voz foi tão baixa, que não foi possível ouvi-lo. Boa noite. shinji_kun@bol.com.br |