A LUA DO TERCEIRO PLANETA
E.R.Corrêa
“SISTEMA DE OXIGENAÇÃO EM NÍVEL 06, REPROGRAMAR BATERIAS... SISTEMA DE TRANCAS DESLIGADO, REPROGRAMAR BATERIAS RESERVAS... PILOTO AUTOMÁTICO DESLIGADO, SEM BATERIAS RESERVAS.”
- Capitão! Um novo problema. Acabo de receber informações do computador central que o piloto automático está completamente inutilizado, seremos forçados a um pouso no terceiro planeta de Arcturo; o combustível não irá durar muito tempo, a avaria é grande.
- Isto está completamente fora de cogitação, Tenente. Sabemos perfeitamente que este mundo selvagem abriga feras inomináveis, sanguinárias e destruidoras, sem a menor possibilidade de contato. Estive neste planeta tempo suficiente para saber que é mil vezes melhor morrer à deriva no espaço do que pousar nesta terra amaldiçoada.
- Não temos escolha, senhor, ou pousamos por vontade própria ou a nave se precipitará forçosamente em sua atmosfera.
- Maldito momento em que me apresentei para esta missão. Todos na base sabiam do extremo perigo deste setor. Jamais imaginei que sairíamos da rota por causa de um maldito campo de asteróides. Se pelo menos tivessem nos dado uma nave maior... Malditos exploradores! Eles sabiam desta área de risco.
- Nada resta a fazer, Capitão. O computador central é o único que sobrou e os demais estão a ponto de entrarem em curto-circuito devido a uma sobrecarga de energia. E se isto acontecer realmente, seremos uma pequena, rápida e insignificante bola de fogo à deriva no espaço...
“SISTEMA DE OXIGENAÇÃO EM NÍVEL 04, REPROGRAMAR BATERIAS... TANQUE AVARIADO, CONSUMO DESCONTROLADO, PERIGO...”
- Senhor, o estrago no processador de combustível foi grande, mas temos o suficiente para alcançarmos a lua deste planeta. É uma chance... devemos tentar. A tripulação está ficando fora de controle!
- De fato é uma chance! Por Deus, sim!... Mas este satélite jamais foi explorado, não sabemos o que podemos encontrar. Em todo caso... Organize os homens e rumemos à lua deste maldito planeta verde. É a única chance!
“SISTEMA DE OXIGENAÇÃO EM NÍVEL 03, FIM DA BATERIA RESERVA... MOTOR EM PROCESSAMENTO FINAL, FISSÃO LENTA...”
- Capitão, levaremos poucos minutos para alcançarmos o satélite. É uma chance remota, confesso... mas é uma chance, e devemos nos agarrar a ela como uma possível salvação.
- Caso tenhamos sucesso neste empreendimento, poderemos tentar entrar em comunicação com a base em pedido de socorro. Isto se a superfície do satélite for instável à vida. As chances são grandes!
- Senhor, a nave está desenvolvendo uma velocidade excelente. Em três minutos alcançaremos a atmosfera.
- Tenente, peça ao computador central uma leitura completa da superfície.
- Sim, senhor!
ÄTMOSFERA INSTÁVEL... OXIGÊNIO, NITROGÊNIO E GÁS CARBÔNICO EM QUANTIDADES VARIÁVEIS, POSSIBILIDADE DE VIDA... VENTOS À 70 Kph, TEMPERATURA 17 GRAUS... SOLO AQUOSO, SEM LIMITE DE PROFUNDIDADE...”
- Capitão! Solo aquoso! Isto significa que poderemos afundar assim que alcançarmos a superfície, e não há como voltar!
“QUINZE METROS DO SOLO...
- Tenente, peça uma nova leitura! O computador pode estar errado.
- Inútil, Capitão, o computador está correto. É o nosso fim.
“SOLO AQUOSO NUM RAIO DE OITENTA QUILÔMETROS, ESTADO COLOIDAL... TRÊS METROS DO SOLO...”
- Por Deus, Capitão, estamos afundando! É o fim... Maldição... Maldição...
“ATMOS......FE...RA... INS......TÁ......VEL.., POSSI...BI...LI....DADE .. DE .. VIDA.....”
Esse conto foi originalmente publicado no fanzine “Juvenatrix” número 31, de Março de 1999.
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