TOQUE MORTAL


Adriano Siqueira


- Está Frio. Fazia tempo que não sentia um frio tão cortante. Era como se eu estivesse sem roupa no alasca.

- A calçada está molhada e cheia de buracos. Minhas pernas congeladas, quase adormecidas. Os corpos estavam nos buracos congelados como carnes em um açougue.

- Todos, naquela cidade, estavam mortos e congelados. Alguns, estavam enforcados, pendurados e balançando com o vento do lado de fora das casas. Seus corpos batiam nas janelas como se fossem enfeites de natal. O sol mostrava os enforcados como relógios. Dava até vontade de fazer um circulo no chão para acompanhar os corpos como um ponteiro de relógio. É ótimo ver que no natal ainda tenho senso de humor.

- Amanda, minha esposa estava pendurada na porta da sala. Tiro meu sobretudo e cubro seu corpo.

- A cidade toda destruida... Coloco as mãos sobre minha cabeça e meus olhos não conseguem fechar. fico falando sem sentido. Coisas que só o demônio entenderia.

- Onde está minha filha? Minha criança.

- Pai pai... Eu to aqui.
Minerva corre para os meus braços com medo de represarias.

- Filha... você não teve culpa. É diferente dos humanos.
- Pai. Me abraça.

- Meus braços estão pegando fogo e ela está queimando comigo.
Ela tinha o toque da loucura e da morte.
Mas eu não podia matar minha filha. Mas... desta vez... ela vai morrer comigo.

As chamas dos dois corpos era a única luz acesa por toda a cidade.