ANO DE LANÇAMENTO
2004 (Irlanda)
DIRETOR

Conor McMahon

ELENCO
Marian Araujo
Anthony Litton
David Mallard
Ivan McCullough
ROTEIRO

Conor McMahon

DURAÇÃO

80 minutos

TRAILER

não divulgado

LANÇAMENTO NO BRASIL:

6 de julho de 2005

DISTRIBUIDORA:

Universal Pictures

DEAD MEAT - BANQUETE DE ZUMBIS
(Dead Meat)


Chamado pela EFC Review de uma mistura entre George Romero, Sam Raimi e Peter Jackson, Dead Meat - Banquete de Zumbis é uma homenagem a filmes de terror envolvendo mortos-vivos (como Madrugada dos Mortos), subgênero que já se tornou clássico no cinema. O perigo da "vaca louca" é elevado a outro nível, quando uma estranha mutação passa a contaminar todas as vacas da Irlanda, transformando gente normal em perigosos zumbis carnívoros que se alimentam de humanos. Em meio a esse horror, uma jovem turista e o coveiro da cidade terão de unir forças para sobreviver. O filme fez parte do L. A. Horror Festival, um dos principais no gênero nos Estados Unidos.

CRÍTICAS

Dentro do gênero terror, os filmes com mortos-vivos estão entre os meus preferidos - isso praticamente desde que eu me conheço por gente. Mas, às vezes, sou obrigado a concordar com certos críticos, que dizem que "quem viu um filme de zumbi, viu todos". A prova cabal desta afirmação é DEAD MEAT, um filme de horror irlandês (!!!), barato e independente, que milagrosamente acabou sendo lançado em vídeo e DVD no Brasil (ainda existe uma esperança!!!), ganhando o título O BANQUETE DOS ZUMBIS, e não CARNE MORTA, como seria mais apropriado... A produção é de 2004, foi dirigida e escrita por Conor McMahon e é, provavelmente, o primeiro filme de mortos-vivos produzido na Irlanda. Teve passagem com destaque em vários festivais mundiais de cinema de horror, o que garantiu seu lançamento nos Estados Unidos pela revista especializada Fangoria. Não que isso faça qualquer diferença, já que DEAD MEAT não passa de uma coletânea descarada de todos os clichês do gênero.

O grande problema desta obra é que o diretor novato não consegue envolver o espectador. A história é um lixo. Tudo bem que a maioria dos roteiros de outros filmes de zumbis não é, exatamente, uma maravilha. Mas nesta produção holandesa a coisa é muito fraca: praticamente não há explicação para o que acontece, só existem dois personagens em cena na maior parte do tempo e a trama se resume a acompanhar ambos cruzando a pé uma vila da região rural da Irlanda, enfrentando, no caminho, muitos zumbis e situações conhecidas do gênero (já vistas, inclusive, em outros filmes). Só que o pior nem é isso, e sim a indecisão de McMahon (duplamente culpado por ser também autor do roteiro) entre fazer filme de horror ou comédia, pois algumas vezes a história se leva a sério, e em outras descamba para a bobagem gratuita.

O tema até é atual e original, ainda que beba da fonte de EXTERMÍNIO, de Danny Boyle: tudo começa quando uma epidemia da "vaca louca" sai do controle e as vaquinhas passam a atacar os seres humanos (!!!). Quem é mordido ou morto pelas vacas acaba contaminado e vira zumbi (!!!). Simples assim. Não espere ver muitas explicações para o fenômeno. DEAD MEAT começa com um fazendeiro sendo atacado, à noite, por uma vaca psicopata - como é escuro, não dá para ver nada -, e em seguida já introduz um dos personagens centrais. No caso, a mocinha é a turista Helena (Marian Araujo), que passeia de carro com seu namorado Martin (David Ryan). Quando cruzam por uma estradinha, eles atropelam e matam um velho que anda pelo meio da estrada. Martin enrola o cadáver num cobertor e coloca no banco de trás do carro, mas logo o homem "acorda" e morde seu pescoço. Então a vítima contra-ataca e destrói a cabeça do zumbi com a trava de volante; depois, pede para Helena que vá buscar ajuda em uma fazenda próxima - só não consigo entender o motivo para eles não saírem de carro dali, ao invés de ficar andando a pé e ainda se separando...

Na fazenda, numa recriação do início do clássico A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, Helena encontra uma mulher morta na cama. Em seguida, é ataca por Martin, que obviamente morreu devido à mordida e voltou à vida como zumbi em questão de 10 minutos. Num dos momentos mais imbecis da história do cinema de horror, a moça chega a arrancar um prego da parede (com as mãos!!!) e enfiá-lo na testa do namorado zumbificado. Mais tarde, enfia o cano de um aspirador de pó no olho de Martin e liga o aparelho, sugando o globo ocular e o cérebro - numa cena que Peter Jackson certamente se arrependeu de não ter usado em FOME ANIMAL. A partir de então já se percebe que DEAD MEAT não é, exatamente, um filme para se levar a sério...

Logo aparecem mais e mais zumbis, obrigando Helena a fugir por uma janela. Enquanto escapa, encontra o coveiro Desmond (David Mallard), que está tentando chegar ao seu chalé armado apenas com uma pá. A tal pá, no caso, é a mais eficiente arma de extermínio de zumbis já desenvolvida pela humanidade: usando esta singela ferramenta, Desmond passa o filme inteiro cortando cabeças, braços, pernas, além de atravessar o corpo de zumbis com o cabo de madeira, como se fosse uma lança!!! Pode? O restante do filme praticamente apenas acompanha Helena e Desmond caminhando por campos e paragens, eventualmente enfrentando zumbis - e matando-os facilmente. Lá pelas tantas, a moça chega a usar o salto de seu sapato para matar um zumbi. Por aí você já imagina o que ainda vem pela frente! Perto do final, a dupla de heróis encontra ainda um outro casal, formado por um ex-jogador de futebol (Ivan McCullough) e sua esposa Cathal (Eoin Whelan), mais uma criança, o que pelo menos servirá para aumentar um pouco a contagem de cadáveres humanos...

DEAD MEAT se desenvolve rapidamente, sem pausas na ação, mas falha em tentar envolver o espectador. Sem qualquer emoção, a história simplesmente vai empilhando ataques de zumbis e efeitos baratos e sangrentos, alguns muito bem realizados (como Desmond enfiando sua pá na boca de um zumbi, cortando sua cabeça ao meio), outros muito mal-feitos e ridículos. A maior parte das situações é chupada de outros filmes, o que dá uma desconfortável sensação de "déja-vu". Tem até uma vítima cujo braço é mordido por um zumbi e seus amigos, para salvá-lo, decepam o membro (usando, obviamente, a pá "mil e uma utilidades" de Desmond!) e depois cauterizam o ferimento com uma tocha. Certamente, todo mundo lembra que isso já foi visto 20 anos antes em DIA DOS MORTOS, de George A. Romero. Já o uso indiscriminado de perfurações de olhos ao longo da trama pode ser uma homenagem ao diretor italiano Lucio Fulci - que filmou a clássica "cena da lasca de madeira no olho" em seu clássico ZOMBIE.

Além da indecisão entre humor e horror, talvez a grande falha do filme seja a falta de personagens humanos interessantes. Tirando Martin, que é atacado e morto logo no começo, a história fica um tempão apenas centrada em Desmond e Helena, até que eles encontram o outro casal. Também fazem falta as cenas tradicionais desse tipo de filme, como os humanos esquartejados para virar alimento, tendo suas tripas arrancadas. Infelizmente, a maior parte dos humanos é morta "off-screen", e nem acabam esquartejados, pois logo voltam como zumbis para caçar seus companheiros. Mas há uma cena no mínimo curiosa que mostra os mortos-vivos tirando uma soneca. E, perto do final, o impagável ataque de uma vaca-zumbi! Pode? Será que eles realmente queriam que levássemos o filme a sério?

Em sua falta de novidades e copiação descarada de outros filmes, DEAD MEAT lembrou-me o filme italiano NIGHTS OF TERROR/BURIAL GROUND, de Andrea Bianchi, que basicamente chupava as cenas de morte do clássico ZOMBIE, de Lucio Fulci. Mas não tem comparação: o filme de Bianchi é bem mais amador e, portanto, divertido que este DEAD MEAT, que falha até em tentar criar um final sério e pessimista, copiado diretamente de A NOITE DOS MORTOS-VIVOS, de Romero. O roteiro do próprio diretor nem se preocupa muito em explicar o que a epidemia da "vaca louca" tem a ver com zumbis, e isso também não importa muito. Mas é que simplesmente não faz sentido o fato dos zumbis aparecerem com a cara praticamente decomposta se são apenas fazendeiros contaminados há poucos dias pelo vírus...

Se você é muito fã de filmes de mortos-vivos, como eu, DEAD MEAT - O BANQUETE DOS ZUMBIS vale pelo menos uma olhada, como curiosidade. Não é nada de espetacular, mas serve como passatempo facilmente esquecível (três horas depois de vê-lo, já não lembrava de quase nada). Para o restante da humanidade, DEAD MEAT será apenas mais um filminho barato, desprezível e descartável. Um diretor decente, como Peter Jackson, faria milagre com a mesma produção, cenários e roteiro. Mas Conor McMahon ainda tem muito o que aprender, talvez precise ver mais vezes todos os filmes de onde ele copiou as cenas. E ao mesmo tempo em que agradecemos à distribuidora nacional que lançou esta tralha, nós, fãs de zumbis, continuamos esperando que outros filmes bem melhores sejam lançados por aqui. Entre eles, JUNK, VERSUS, WILD ZERO, DEAD AND BREAKFAST, STACY, ZOMBIE de Fulci... A lista é interminável e ainda há muita, mas muita coisa para descobrir!

Aliás, ao mesmo tempo em que fica o elogio à distribuidora, fica o óbvio puxão de orelha: "lá fora", DEAD MEAT foi lançado com diversos extras aparentemente mais interessantes que o próprio filme, como o documentário "Vacas Loucas e Zumbis", mostrando as dificuldades para produzir um longa independente na Irlanda, e o curta-metragem BRAINEATER, uma espécie de "treino" do diretor McMahon para fazer DEAD MEAT. Quando é que veremos isso tudo por aqui, se o DVD brasileiro mal tem um trailerzinho mixuruca?

HISTÓRIA:    
GORE:    
EFEITOS:    
DIVERSÃO:    

Felipe M.Guerra

NOTÍCIAS E IMAGENS


(03/06/05) De acordo com a Universal Pictures, Dead Meat - Banquete de Zumbis estará disponível nas locadoras brasileiras a partir do dia 6 de julho.