PAIXÃO - PARTE 3
por Carla
Nota Legal: Os personagens e universo aqui representados são propriedade de Joss Whedon, 20th Century Fox, Mutant Enemy, Sandollar, e Kuzui Productions. Esse conto não visa infringir nenhum dos direitos autorais (copyrights).
Nota da Autora: Vamos considerar que a série Buffy, a caça-vampiros seja exibida depois das 22h, em uma emissora que permita a liberdade de expressão integralmente.
Distribuição:Se você quer, pode pegar! Mas me avise, para que eu possa visitá-la de vez em quando no seu site!
Classificação: A história toda é para maiores de 18 anos (Cuidado!). Mas, cada parte terá uma classificação própria. Essa parte é para maiores de 16 anos.
Feedback:Por favor! Mas com delicadeza! - lorenzi@df.ibilce.unesp.br
Seus olhos fixaram-se novamente no anel de noivado que ostentava no dedo. Perdera a conta de quantas vezes fizera isso somente naquela manhã. Suspirando, voltou a se concentrar na xícara de café à sua frente.
"O que foi, querida? Ainda a dor de cabeça?"
Ao ouvir a pergunta de Freddie, Sarah enrubesceu levemente. Uma dor de cabeça incômoda fora o que dissera ao noivo, na noite anterior, para justificar a sua não disposição ao sexo. Se envergonhava pela mentira, mas não quisera magoá-lo com sua falta de entusiasmo.
"Não, Freddie. É apenas cansaço mesmo."
Isso, pelo menos, era verdade. Praticamente não dormira a noite passada, assombrada pela imagem de James e do que acontecera entre eles no coquetel.
"Se você quiser, posso cancelar a viagem e ficar com você."
Por pouco, Sarah não caiu em lágrimas ao ouvir sua proposta. **Como pude traí-lo, meu Deus ? Justo a ele, que é tão bom e se preocupa tanto comigo?** Pensou, angustiada.
"De forma alguma, querido, seus fãs estão contando com você. Além do mais, ambos sabemos que essas viagens promocionais são muito importantes para nossa carreira."
"Eu sei, querida, mas não quero deixá-la sozinha dessa forma. Você não me parece bem. Posso cancelar a viagem para ficarmos juntinhos e..."
"Freddie, por favor!" Sarah disse num tom impaciente. "Já disse que estou bem."
Mal terminou de falar, Sarah arrependeu-se, ao notar o olhar magoado dele. Não quisera ser tão dura, mas, às vezes, toda aquela preocupação e dedicação a sufocavam.
Abrandando o tom da voz, Sarah continuou: "Não tem com o que se preocupar, querido. Apesar de não ter gravações hoje, meu dia está cheio. Por isso, pode viajar tranqüilo." E levantando-se, deu um beijo leve em seus lábios, dirigindo-se, em seguida, para a sala de estar da ampla cobertura em que moravam.
Toda manhã, Sarah repetia sua rotina: tomar uma bela xícara de café e devorar as notícias do jornal.
Sentou-se confortavelmente no sofá e começou a ler as manchetes. Ouviu Freddie terminar seu desjejum e vir em sua direção.
"Vou terminar de arrumar minha mala. Você me acompanhará até o aeroporto?"
Sarah percebeu, pela voz dele, que Freddie ainda estava chateado.
"É claro que sim, querido." Respondeu em um tom conciliatório.
Freddie sorriu e afastou-se em direção ao quarto. V
Sarah ainda tentou ler um pouco mais, porém não conseguia prestar atenção às palavras à sua frente. Estava confusa e, até mesmo, assustada com a rapidez como tudo estava acontecendo na sua vida. Seu noivado com Freddie era um exemplo disso. Namoravam a poucos meses, quando Sarah recebera a inesperada proposta de casamento. Depois de vários relacionamentos fracassados com outros atores, conhecer Freddie fora uma benção. Ele era doce, sensível e atencioso. Além de ser muito bonito. Era bom estar com alguém que cuidava dela, se preocupava com seu bem-estar. Mas daí a ficar noiva? Começava a perceber que tinham se precipitado. Gostava muito dele, mas será que realmente o amava?
**E se o amo, por que não consigo parar de pensar em James?**
**************
Despedir-se de Freddie, trouxera um certo alívio à Sarah. Teria dois dias para relaxar e colocar os pensamentos em ordem. E o melhor lugar para começar? Um salão de beleza! Um pouco de mimo não lhe faria mal nenhum.
Por cerca de 3 horas, seus cabelos, pele e corpo foram minuciosamente cuidados. E sua mente também, pois seu esteticista de muitos anos era, também, um grande amigo e conselheiro particular. Sarah saiu de lá, sentindo-se bem melhor.
Seu próximo passo, foi visitar a mãe e saborear com ela um delicioso e saudável almoço. Depois, passaram a tarde fazendo compras juntas, e ao final do dia, Sarah já sentia os efeitos positivos de sua terapia instantânea.
Chegou ao apartamento exatamente às 18:15h e foi direto para o chuveiro tomar um longo banho quente. Terminado este, vestiu uma roupa confortável e dirigiu-se à cozinha, onde preparou uma salada multicolorida.
Freddie provavelmente ligaria ainda naquela noite, para contar-lhe sobre a viagem. E foi com este pensamento que ouviu o interfone tocar.
"Pois não?"
"Srta. Sarah, desculpe incomodá-la, mas um amigo seu veio visitá-la. Dou-lhe permissão para subir?" O porteiro perguntou.
"Que amigo?"
Diminuindo o tom da voz, o porteiro respondeu: "Fiquei encabulado de perguntar o nome dele, pois eu deveria saber qual é, mas é aquele ator que faz o papel do vampiro loiro."
Silêncio.
"Senhorita?"
Mais silêncio.
"Srta. Sarah, que digo para o rapaz? Mando-o embora?"
"Não!" Sarah gritou e continuou, abrandando o tom da voz. "Preciso mesmo resolver tudo isso."
"Perdão, mas não entendi." O porteiro respondeu.
"Não é nada com o senhor, não, apenas mande-o subir, por favor." E desligou o interfone.
**Quanta audácia!** Sarah pensou, dirigindo-se lentamente até o hall do apartamento. **Dessa vez ele passou dos limites.** Pois bem, James teria uma surpresa quando ela lhe dissesse tudo o que tinha planejado.
Olhou-se no espelho estrategicamente colocado em uma das paredes do hall. Rapidamente, ajeitou o leve vestido que usava e passou os dedos pelos cabelos longos. Seu rosto, levemente enrubescido, demonstrava seu nervosismo. **Respire fundo, Sarah... Isso... Controle-se, senão seu plano vai por água a baixo.** Ordenou a si própria, em pensamento, mas, mesmo assim, seu coração continuou a bater acelerado.
Colocando-se numa pose casual, Sarah esperou que o elevador chegasse até a cobertura e, quando a porta começou a se abrir, aproximou-se para recepcionar o objeto de seus sonhos e pesadelos.
James permaneceu de cabeça baixa enquanto a porta do elevador se abria, o que deu oportunidade a Sarah, de admirá-lo sem reservas. Como permanecer impassível, se a calça jeans que ele usava moldava, quase que de forma obscena, as coxa e outros 'atributos' dele? Como ignorar o peito forte que a camiseta não era capaz de esconder? **Por Deus, será possível que a cada dia ele fica mais atraente?**
Neste momento, ele levantou a cabeça e seus olhos se encontraram. Por um instante, ele conseguiu vislumbrar o desejo naqueles olhos verdes. Só por um instante, pois ela logo virou-lhe as costas e começou a caminhar em direção à sala de estar.
"A que devo a honra desta visita, James?" Sarah perguntou, sarcasticamente. "Não vá me dizer que estava passando pela vizinhança e resolver parar para dizer um 'oi'."
James permaneceu em silêncio, como se estivesse escolhendo as palavras. Seguiu-a até a sala de estar, sentou-se no sofá que ela indicou e, finalmente, respondeu: "Eu soube que Freddie viajou esta manhã e achei que esta seria uma ótima oportunidade de..."
"Continuarmos com nossos joguinhos sexuais?" Sarah interrompeu-o ironicamente.
Ignorando-a, James prosseguiu: "...de conversarmos, como dois adultos devem fazer."
"Quer dizer que 'agora' você tem tempo e disposição para conversar?" Disse Sarah, movimentando-se nervosamente. "Estranho, pois ontem era precisamente isso que eu pretendia fazer, mas olha o que aconteceu."
Abaixando a cabeça, ele respondeu: "Eu sei. Ontem nós perdemos o controle e ..."
"Nós? Foi 'você' quem começou a história toda. Que me arrastou feito um brutamontes e...e... me seduziu!"
"O que? Não me venha com esse ar de vítima, Sarah!" James disse, indignado, levantando-se do sofá. "Você praticamente arrancou os botões da minha camisa! Além do mais , quem deixou o noivinho sozinho e foi me procurar, foi 'você'."
Que ousadia a dele! Esfregar no rosto dela seu momento de fraqueza! **Respire fundo. Não perca o foco, Sarah Michelle.** Ordenou-se. E foi o que fez. Respirando profundamente, Sarah virou-lhe as costas e foi até a ampla porta de vidro que dava para a sacada da cobertura. Ficou em silêncio por um tempo, alheia à paisagem externa, até que se voltou para ele novamente e adotou um tom frio de voz. Tinha tomado sua decisão e, por mais que doesse, ela não pretendia voltar atrás.
"Que seja, James. Realmente não me interessa quem começou essa brincadeira toda. O que importa é que 'eu' estou colocando um ponto final nisso tudo."
Esperou para ouvir o que ele tinha a dizer, mas ele permaneceu mudo. Porém, nos seus olhos, Sarah podia ver o choque que o tinha tomado.
Saindo do transe momentâneo, James aproximou-se dela com uma expressão de incredulidade no rosto.
"Você não pode estar falando sério. Não acredito que simplesmente vai ignorar o que aconteceu entre a gente. Foi intenso demais, Sarah." Sua voz continha um tom suplicante.
Não querendo fraquejar em sua decisão, Sarah virou-se de costas para ele novamente. Não podia e não queria se render ao pedido que aqueles olhos azuis faziam. Não podia olhar para os lábios dele e nem deixar seu corpo responder ao dele daquela forma. **Preciso ser forte.**
"Sinto muito, James, mas já tomei minha decisão."
Mal terminou de dizer-lhe aquilo, sentiu os dedos dele deslizarem com suavidade pela pele nua de seu braço. Era um toque tão leve, que mal podia sentir, mas que a arrepiou inteira.
"Então, me diz como eu posso viver, sem tocar sua pele novamente?" Ele sussurrou em seu ouvido, não de forma sedutora, mas num tom angustiado, que fez seu coração se apertar.
"Me diz como eu posso ser feliz, sabendo que nunca mais poderei sentir seu cheiro?" E, inclinando-se, aspirou o perfume suave que exalava do seus cabelos. "Como eu posso viver, sem nunca mais sentir seu gosto?" Sarah sentiu-o afastar seus cabelos e tocar sua nuca delicada com os lábios, deslizando-os suavemente até a região sensível, de seu pescoço, que pulsava acelerada. Sem pressa, James sugou aquele pedacinho de pele e Sarah não pode fazer nada, a não ser gemer em resposta.
Por mais que sua mente gritasse 'não', seu corpo se rendia, aos poucos, às carícias dele.
Sentiu-o passar um dos braços pela sua cintura, aprisionando-a contra seu corpo e fazendo com que sentisse nas nádegas, como estava excitado.
Enquanto explorava, como os lábios, sua nuca, pescoço e ombros, James escorregou a mão que estava livre, até suas coxas, começando a levantar, vagarosamente, a barra de seu vestido. Quando seus dedos aproximaram-se de sua calcinha, Sarah ouviu-o sussurrar: "Me diz, como eu posso viver, sabendo que nunca poderei estar dentro de você?"
"James, por favor..."
"Meu amor..."
Quando os dedos dele estavam prestes a penetrar o corpo feminino, ouviu-se a campainha estridente do telefone.
Por um instante, Sarah não conseguiu identificar o barulho, mas o som se repetiu insistentemente, retirando-a bruscamente do enlevo que estava.
Soltou-se do abraço dele e se afastou rapidamente em direção ao aparelho. James, por sua vez, apoiou as mãos na porta de vidro, respirando com dificuldade.
Sarah respirou fundo e tentou controlar as mãos trêmulas, ao atender a chamada, mas não conseguiu evitar que sua voz saísse trêmula.
"A-Alô..."
Breve pausa.
"Freddie!" James ouviu-a dizer num suposto tom de alegria. "Que bom que ligou, querido, mas... eu estava no banho e corri para atender. Pode me ligar mais tarde?"
Outra pausa, um pouco maior.
"Está bem. Também te amo."
Sarah colocou o telefone no gancho e voltou-se para ele, que permanecera no mesmo lugar.
"É melhor você ir agora."
"Eu vou, mas saiba que ainda precisamos esclarecer tudo."
"Não! Não temos mais nada para conversar, James. Tomei minha decisão e não volto atrás."
"Não acredito que você prefere viver esta mentira. Você não o ama de verdade, Sarah!" Ele disse, desesperado.
"Quem é você para me dizer isso? O que você sabe sobre amor? Por acaso o que 'nós' fizemos foi amor?"
"Não sei o que está acontecendo entre a gente, e é por isso mesmo que precisamos conversar sobre isso, nós temos que..."
"Nós? James, não existe e nunca vai existir um 'nós'. Coloque isso na sua cabeça."
Ela não sabia quanto tempo agüentaria aquela discussão sem cair em lágrimas e implorar que ele ficasse com ela, que ignorasse tudo o que tinha dito e que a levasse para bem longe daquela bagunça que se tornara sua vida.
"Vá embora, pelo amor de Deus!"
James permaneceu imóvel por um instante, digerindo as palavras dela. Ele sabia que Sarah não era plenamente feliz, senão não teria se entregue tão rápida e completamente aos seus carinhos. E, mesmo assim, ela dava costas à felicidade, por medo de mudar, de magoar alguém.
Pois bem, se ela estava determinada a esquecer tudo, ele também o faria.
Com passos decididos, James aproximou-se dela. Agarrou sua mão esquerda, levantando-a até a altura do rosto. Ficou olhando seu anel de noivado com interesse, até que, voltando seus olhos para ela, disse em um tom de desprezo: "Se é de um desses que você precisa para ir para cama comigo, então pode continuar com seu noivinho." E, largando sua mão, completou: "Não vale o sacrifício."
No mesmo instante, James sentiu o tapa no rosto.
"Vá embora!" Sarah gritou. "Agora!"
Ele virou as costas e foi.
Lentamente, Sarah sentou-se no chão e começou a chorar.
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