PENSAMENTOS


por Ramiro Brizola


Joss Whedon possui os direitos sobre Buffy the Vampire Slayer e todos os personagens citados aqui.

Prólogo

O sol brilha em Sunnydale. É uma linda manhã de domingo. Giles está sozinho em sua casa, lendo um livro sobre demonologia, é claro. Ele está na página 314, que fala sobre uma raça de demônios, conhecidos como os M'ork. De repente, Giles pára de ler, e tira os óculos. Se ouve um rugido alto fora da casa. Então a porta é derrubada, e um demônio M'ork entra.
- Meu Deus! - Giles se afasta da porta e tira uma estaca de uma gaveta. - Se afaste de mim, satanás!
- Eu não sou um vampiro, solte isso, babaca.
- Você está certo... Espere aí. Os M'orks não falam.
- Você está mesmo ultrapassado, velho. Estamos no ano 2000, as coisas mudaram no mundo dos demônios também...
- Bem, não importa. E se você não é um vampiro, eu vou faze-lo um vampiro. Eu não preciso de Buffy para tudo.
Giles corre até a sua mesa, pega uma cadeira, e atira no demônio. Giles sobe na mesa, atira a estaca para cima e quando o M'ork vai pega-lo, ele pula por cima do demônio, gira no ar, cai de pé atrás dele e enfia a estaca no coração da criatura, que explode na hora.
Quando o demônio vira pó, Buffy aparece, como se estivesse atrás dele.
- Giles, você me salvou!
- Eu sou bom. - Giles pensa por um instante. - Mas os M'ork não explod...
Subitamente, Giles nota que continua sentado na cadeira, lendo na mesa.

FIM DO PRÓLOGO

Buffy está em casa, escovando os dentes. Ela acordou há pouco. Depois de se escovar, ela fica se olhando no espelho por algum tempo. Angel aparece atrás de Buffy, ela o vê no espelho e sorri para ele, que retribui. Pouco depois, ela sai do banheiro e volta para o quarto. Angel está na cama.
- Será que sua mãe não vai se incomodar de eu ter passado a noite aqui com você?
- Ela já é bem grandinha. E sabe que o que a gente faz é normal para duas pessoas que se amam.
Angel pega um copo com um líquido vermelho e bebe um pouco.
- Hum, está ótimo. Quer um pouco? É cortesia de Joyce...
Buffy senta na cama, ao lado de Angel, e bebe.
- É, ninguém faz suco de tomate melhor que a minha mãe.
Buffy se levanta e começa a se trocar.
- Volta pra cama, Buffy...
- Você sabe que eu não posso, querido. Tenho que fazer meu trabalho.
- Certo. - Angel se levanta e vai até a janela. Ele abre a cortina e olha para o céu, com o sol brilhando no rosto. - Que lindo dia.
- Bom, eu vou indo. Fique aqui, não saia. Quero você só pra mim.
- Eu sou só seu.
Os dois se beijam. Buffy se afasta dele, abre a porta e sai. Quando ela fecha a porta e se vira, já está na biblioteca do colégio Sunnydale High. Xander e Willow estão lá, sentados à mesa.
- Estranho.
Xander nota Buffy.
- Olha, Willow, Buffy chegou!
- Que bom, Xander!
Eles se olham, então correm até Buffy e a abraçam.
- Oi, pessoal. Eu quero que vocês dois se comportem, ok?
- Claro, Buff, faremos de tudo para facilitar o seu trabalho.
- Obrigada, Xander. E você, Willow, nada de magias.
- Certo.
Willow e Xander correm e sobem as escadas.
- Devagar, não vão se machucar! Não posso estar o tempo todo com vocês.
Riley chega atrás de Buffy e a abraça. Ela se afasta rapidamente.
- O que foi, Buffy? - Ele está com o uniforme que usava na Iniciativa.
- Nada... Eu só não quero... Não posso.
- Não pode o que?
- Ficar com você. Angel voltou pra mim.
- Tudo bem... Eu sabia que um dia ele voltaria..
. Maggie Walsh abre a porta da biblioteca.
- Venha, Riley.
- Já estou indo, mamãe... Quero dizer, professora...
- Adeus, Riley. Você está dispensado. - Buffy se despede.
- Soldado Finn se retirando. - Ele bate continência e vai embora.
Quando Buffy se vira, Giles está lendo um livro na mesa.
- Oi, Giles. Não vi você chegar.
- Como seu ex-sentinela, aconselho-a apenas para ter cuidado com as coisas que pensa.
- Do que você tá falan...
Xander e Willow voltam.
- Como vai Angel, Buffy? Vocês estão bem?
- Estamos.
- Que bom. Adoro vocês dois, fico feliz. - Xander sorri, alegre.
Xander e Willow se afastam novamente. Buffy se vira para Giles, mas ele não está mais lá.
- Giles?
Willow e Xander passam correndo por Buffy.
- Bobo. - Willow puxa o cabelo dele.
- Feia. - Xander puxa cabelo dela.
Willow olha séria para Xander e ele vira um rato. Buffy pega Willow pela mão.
- O que foi que eu disse? Sem magias!
- Desculpa, Buffy.
- Não sei o que eu faço agora...
Nesse momento, Tara chega.
- Eu sei. - Tara transforma Willow em um rato também.
Anya chega correndo e pega o rato Xander.
- Ele não está lindo assim? Olha esses bigodinhos, e esses pêlos àsperos...
Buffy faz cara de nojo.
Tara pega o rato Willow.
- Você vai morar com Amy por uns tempos. Depois eu faço um feitiço e transformo vocês duas em gente de novo, aí vamos formar a irmandade das Bruxas.
- Eu sabia que não podia cuidar deles sempre... - Buffy sai correndo.
Ela abre a porta da biblioteca, e quando fecha já está no seu quarto. Buffy não vê Angel e fica preocupada. Então ele aparece atrás dela e a abraça.
- Eu não te vi. Achei que você tinha ido embora.
- Nunca.
- Angel... Eu te amo.
- Eu também.
Buffy vai até a janela.
- Vou abrir isso, o dia está tão lindo, ensolarado.
- Buffy, não...
Ela abre a janela e Angel começa a queimar.
- Angel! Angel, não!
Buffy fecha a janela e corre até ele.
- Não! - Buffy fecha os olhos, e quando abre, ainda está se olhando no espelho.
Joyce chega correndo, com Riley.
- Angel... - Buffy cai sentada no chão.
Riley pára, enquanto Joyce ajuda Buffy a se levantar.
- Riley, traga água pra ela, rápido!
- Água, certo. - Riley corre até a cozinha.
Buffy se senta na cama.
- Eu tenho que falar com o Giles, isso foi muito real...

Xander está no porão de sua casa, sentado no sofá assistindo televisão. Anya está dormindo na cama dele. Xander está concentrado no filme "Os 12 Macacos", que está passando na TV a cabo.
- Mas afinal, onde estão os macacos?
Xander olha para o lado e vê Willow sentada no sofá com ele.
- Ah! - Xander cai do sofá, assustado. - Will, eu não tinha te visto.
- Você nunca me viu.
- O que?
- Você só via a Buffy, a Cordelia, até a Faith...
- Achei que você já tivesse superado isso.
- Superar como?
- Ora, com Oz, com Tara...
- E você acha que eu deixei de pensar em você, por Oz ou Tara?
- Bom, sei que eu penso bastante em você e Tara...
- Pare de gracinhas.
- Desculpa Willow. Aconteceu algo entre nós, mas foi um erro. Eu te amo, mas como amiga.
- Mas você ama a Anya?
- Eu... Não diria isso...
- Então você ama a Cordelia?
- Olha, sei lá... Eu...
- Vai ver você ama a Faith...
- Não! Faith é o oposto de tudo que eu gosto em uma mulher...
- Ah, por isso que você transou com ela... Você prefere o oposto de tudo o que gosta do que eu...
- Sim... Quer dizer, não! Você tá me confundindo... Peraí. O oposto? Eu ainda não tinha pensado desta forma...
- Eu te odeio!
- Eu tenho que ver alguém agora, Will. Eu... Eu sinto muito.
- Você sempre me deixa pra trás!
- Eu sei como você se sente.
- Como você pode saber?
Quando Xander se vira, Buffy está na frente dele.
- Ah! - Assustado, Xander cai no chão.
Willow não está mais no sofá. Buffy ajuda Xander a se levantar.
- Tudo bem?
- Tudo. Eu queria ver você mesmo. Eu tenho que te falar uma coisa. Senta aí. - Xander aponta para o sofá.
Buffy senta.
- Você não vai sentar?
- Não. Ah... - Xander senta.
- Fala...
Xander se levanta.
- Assim é melhor...
Xander pensa que já passou por um momento como esse.
- Fala logo...
- Certo. Tive um pequeno "deja vú"... Mas o negócio é o seguinte. Buffy, eu acho que te amo.
- Como? O que? - Buffy se engasga.
- Isso mesmo. Pode ser meio repentino, mas é verdade. Ninguém passa dois anos completamente apaixonado por alguém e depois apenas esquece isso.
- Olha, Xander, achei que isso já estava esclarecido...
- Como estaria?
- Não sei. Achei que você tivesse esquecido.
- Certo. Eu também. - Xander respira fundo. - Buffy, farei um monólogo agora, tá? Eu tenho coisas para dizer que venho guardando há anos. Ouça.
- Tudo bem.
Xander se agacha aos pés dela.
- Quando eu te vi pela primeira vez, entrando no colégio, senti algo que nunca havia sentido antes, e nunca senti novamente. Nos dois anos seguintes, demonstrei com todas as minhas forças o que eu sentia por você. E você sabia o que eu sentia. Eu não me importava em rastejar. Eu aguentei Owen, Ford... Mas não Angel. Depois que você o matou e fugiu, eu decidi "superar" você. Suportei bem a volta de Angel, depois Parker e agora Riley. Mas eu estava me enganando todo esse tempo. Eu estou com Anya, mas não adianta. Ela não é você. Seria um pouco assustador se ela fosse você, mas... O que eu estou querendo dizer é... Droga, eu devia ter dito que te amava só depois desse discurso...
Buffy se levanta.
- Xander, eu não sei o que dizer.
Xander se levanta também.
- Não precisa dizer nada agora. Só quero que você saiba de uma coisa: Eu estou te esperando... A verdade é essa. Antes de você vir pra Sunnydale, eu não era nada, não queria nada. Agora eu quero. Eu não sou nada sem você.
- Buffy.
Buffy e Xander olham para trás. É Angel.
- Angel.
- Ei, ninguém te chamou aqui! Eu nem te convidei pra entrar! Que tipo de vampiro você é?
Buffy corre até Angel. Xander se vira para o outro lado.
- Estou esperando...
Xander baixa a cabeça e quando levanta, nota que continua sentado no sofá e o filme está nos créditos finais. Anya chega por trás dele.
- Bom dia.
- Ah! - Xander se assusta novamente.

Willow está em casa. Ela está em seu quarto, sozinha, preparando um feitiço. Alguém bate na porta. Willow abre a porta, e é Oz.
- Oz?
- Posso entrar?
- Entra. Senta na cama. - Oz se senta. - Eu não esperava...
- Tudo bem.
- Bom, o que você queria falar comigo?
- Eu quero ficar com você.
- Tipo, morando comigo?
- Não. Você sabe o que eu quis dizer.
- Oz... Eu estou com Tara. E ainda tem a questão do lobo...
- Veruca não se importava com isso.
- Como?
- Esquece. O lobo não é mais problema. Desta vez é sério.
- Oz, eu não sei se...
- Me diga que não me quer. Se você disser, eu vou embora. Diga que não me ama mais.
- Eu... Eu amo. Mas você perdeu a sua chance. É tarde demais.
Oz se levanta.
- Você quer que eu vá embora? Você prefere ficar com Tara do que ficar comigo?
- Eu... Eu...
- Diga!
- Não grite comigo. Não é justo.
- Não é justo ser um lobisomem também. Mas eu sou.
- Pare...
- Não! - Oz segura Willow pelo braço.
- Me solta!
Oz começa a se transformar.
- O lobo não é mais problema, eu disse. Mas o homem é...
Oz termina sua metamorfose, já é o lobisomem.
- Não me mate.
O lobo não faz nada. Ele se deita e fica parado. Willow se aproxima lentamente e passa a mão nele. O animal gosta.
- Bonitinho.
Tara entra no quarto.
- Meu Deus!
- Está tudo bem, Tara. Ele não morde...
- É o Oz?
- É. Podemos ficar com ele?
- Acho que... Olha!
Oz volta a ser humano.
- Controlei o lobo. Feliz agora? - Oz empurra Willow no chão.
- Tara, me ajude!
Willow olha para Tara, mas ela também está se transformando em lobisomem. Willow grita, ela está cercada por Oz e Tara. Oz segura Willow, e Tara, já transformada, pula em direção a Willow.
- Não!
Willow coloca as mãos no rosto, e quando tira, percebe que continua sentada no chão, preparando o feitiço.
Buffy chega na casa de Giles, mas Xander e Willow já estavam lá.
- Ah, oi, gente.
- Me deixe adivinhar. Pensamentos estranhamente reais?
- Sim, Xander... Como você sabia?
- Eu, Willow e Giles também tivemos.
- O que aconteceu nos seus pensamentos?
- Prefiro não falar sobre isso...
- Nós vamos ter que falar para ajudar Giles na pesquisa.
- Na verdade, Buffy, eu não sei nem por onde começar.
- Não? Mas nós estamos sonhando acordados!
- Eu sei, Willow. Mas essa é a boca do Inferno, tem tantos monstros que poderiam fazer coisas como essa... Nós já enfrentamos nossos pesadelos, medos, sonhos, e agora é a vez dos pensamentos, que são tudo isso juntos. Não sei se estamos correndo perigo, mas sei de alguém que pode saber o que está acontecendo...

No cemitério, em seu mausoléu, Spike fuma entediado.
- Spike?
Ele se vira. É Drusilla.
- Dru? Você voltou! Finalmente!
Spike a abraça. Drusilla passa a mão na cabeça dele. Spike sente uma forte dor.
- Pronto.
- O que você fez?
- O chip não funciona mais agora.
- Sério? Eu não poderia estar mais feliz! Com você e sem chip! Nem sei o que fazer agora... Ora, quem eu estou enganando, eu sei, sim. Vamos pegar a Caçadora.
- Não. Ainda não...
Drusilla o beija.
- Certo... - Os dois se deitam no chão. - ...Depois nós cuidamos dela.
Algum tempo depois, Spike acorda assustado. Ele corre para fora, esquecendo do sol, mas começa a pegar fogo e volta para dentro.
- Drusilla! - Spike se ajoelha no chão.
Drusilla vai até ele, que se levanta.
- O que foi que eu fiz? Deus, o que foi que eu fiz? - Spike começa a chorar.
- Ah, não... Não... Você está com alma! Porque isso sempre acontece comigo?
- Saia de perto de mim, você é um monstro! E me transformou em um!
Drusilla dá um tapa em Spike, que cai. Quando ele levanta, Drusilla já desapareceu.
- Eu quero morrer...
Angel entra.
- Não fique assim, Spike... Você pode superar isso agora. Como eu estou fazendo.
- Ah, Angel, agora eu te entendo... Desculpa ter tentado te matar... Snif... Várias vezes... Angel abraça Spike.
- Está tudo bem... Eu te perdôo. Sério.
- Você é muito legal, cara...
- Ora, obrigado...
- Agora eu vou fazer de tudo para ser um vampiro bonzinho, sensível e triste, como você... Passarei a eternidade me penitenciando por ter sido um assassino horrível... Como você. E...
- Spike... Cale a boca.
- Tudo bem.
- Ótimo. Seremos melhores amigos a partir de hoje.
- Você vai me ajudar a ser como você, então, Angel?
- Com certeza.
- Valeu.
- Mas pra começar...
- O que?
- Acho que você tem que se desculpar com algumas pessoas muito especiais, Spike...
- Quem?
- Buffy, Xander, Willow e Giles, podem entrar...
Os quatro entram.
- Bom, vou deixar vocês a sós...
- Angel?
- Você consegue, Spike. - Angel faz sinal de positivo para ele. E então sai.
Spike chora.
- Desculpa, pessoal... Eu não queria ter tentado matar vocês, inúmeras vezes...
Principalmente Willow... Você me perdoa?
- Claro...
- É que você é tão fofinha...
- Obrigado, Spike... - Willow olha para Buffy, que balança a cabeça positivamente.
Willow abraça Spike.
- Já chega. - Buffy puxa Willow para um lado.
- Giles... Estou desculpado?
- Ah, que diabos, sim. Mas só porque você é inglês.
- Deus salve a rainha, e salve você, Rupert...
- Não exagere.
- Certo. - Spike se aproxima de Buffy. - Me desculpa?
- Tudo bem...
- Ah, que bom. Você luta muito bem, sabia?
- Na verdade, sabia, sim.
- Bom, só falta você, Xander... Sem ressentimentos? Está tudo bem entre nós?
- Não.
- Não?
- Você é surdo? Não! Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, de suas vítimas...
- Por favor... Eu prometo ser mais competente agora do que fui como vampiro...
- O que não é lá muito difícil...
- Pare com isso!
- Ou o que? Vai me matar?
- Não... Buffy, fale com Xander, ele sempre te obedece...
- Ei, ninguém manda em mim!
- Xander, perdoe o Spike...
- Claro, Buffy. Eu te perdôo, Spike.
- Legal. - Spike se aproxima dele, para abraça-lo, mas Xander o empurra para trás.
- Sai pra lá...
Spike se vira, então nota que continua sentado, fumando.
- Inferno... - Spike seca o suor da testa.

Tara está na casa de Willow, na sala, esperando ela voltar da casa de Giles. Tara toma chá, preparado pela mãe de Willow. A campainha toca, Tara vai até a porta achando que é Willow, mas é Oz.
- Oz...
- Tara.
- O que você está fazendo aqui?
- Me deixa entrar.
- Ah, claro.
Oz entra e senta no sofá.
- Eu vim aqui falar sobre Willow...
- O que tem ela?
- Eu vim dizer que vou ficar com ela.
- Como assim?
- Eu e ela... Nós vamos voltar.
- Não... Ela disse que me queria só pra ela...
- Não importa. Ela me ama, e mais cedo ou mais tarde, nós vamos ficar juntos de novo.
- Não, o que eu e ela temos...
- Não é nada. Willow e eu passamos por muita coisa juntos, e você só está sendo mais um problema. Quando eu voltar, ela vai te esquecer.
- Não é verdade...
- Você sabe que é. Saia da vida dela, vai ser mais fácil pra todos.
- Eu não...
A campainha toca de novo. Tara abre a porta, são Buffy, Xander e Giles.
- Oi.
- Oi, Buffy.
- Nós só viemos dizer que Oz está certo.
- O que?
- A única coisa que você fez foi afastar Willow dos amigos.
- Oz era nosso amigo, e você? Nós mal te conhecemos. - Xander completa.
- Isso não é justo...
- A única injustiça aqui é duas pessoas que se amam como Willow e Oz estarem separadas... E você está atrapalhando. - Giles se manifesta.
- Vocês não entendem...
- Não, você não entende. - Buffy pega uma estaca. - Vá embora!
Tara volta a realidade e derruba a xícara de chá.

No porão da casa de Xander, Anya está na cama, comendo salgadinhos, enquanto Xander visita Giles. Então Xander chega.
- Oi, querida.
- Ah, olá...
- Como vai minha ex-demônio preferida?
Xander se aproxima para beija-la, mas Anya o afasta.
- Você sabe que eu gosto não que me chamem assim.
- Ora, você não pode negar seu passado... - Xander senta ao lado dela.
- Você está me irritando.
- Desculpe, por favor, não queira se vingar de mim...
- Xander, eu nunca faria isso.
- Que bom, porque eu penso nisso o tempo todo.
- Você não confia em mim?
- Não é você... É que, sabe, é difícil confiar em ex-demônios...
- É isso que eu sou pra você? Um demônio qualquer?
- Não, pra mim você é uma ex-demônio... - Xander tira a camisa.
- Então é isso?
- Vamos parar de falar sobre isso... Vamos fazer algo mais divertido, se é que você me entende... Hã, você entende, não é? - Xander começa a beijar o pescoço de Anya.
- Ah, Xander, isso é bom... Não! Pare, já chega. - Ela o empurra.
- O que foi que eu fiz? Não foi algo que eu disse, foi?
- Você só quer fazer sexo, sexo, sexo... Você não se importa e tem medo de mim. Você está me usando!
- E você queria o que? Que eu quisesse ter um relacionamento sério com uma ex-demônio que se vingava de homens?
- Eu queria um chance!
- Eu sinto muito, Anya. Buffy, Riley, agora!
Nesse momento, Riley sai de baixo da cama segurando uma das armas da Iniciativa e Buffy cai do teto com uma besta na mão, os dois apontam para Anya.
- Xander!
Anya grita, e então se dá conta de aquilo não estava realmente acontecendo. Xander chega e a abraça.
- Tá tudo bem, eu tô aqui, eu tô aqui!

Riley está na casa de Buffy, esperando ela voltar da casa de Giles. Ele está preocupado, incomodado por uma palavra, um nome. Angel. Então Riley ouve uma voz.
- Eu sei no que você está pensando.
Riley olha para os lados, e vê Angel em um canto mais escuro da sala.
- O que você está fazendo aqui?
- Meu lugar é aqui, com Buffy.
- Então porque você está morando em LA?
- Isso é algo passageiro. Como você.
- Talvez você esteja certo...
- Eu estou.
- No final, eu é que vou acabar saindo magoado deste relacionamento.
- Só você.
- Não sei porque vou te dizer isso, mas eu não me sinto seguro. Você e Buffy têm algo...
Que eu acho que nunca vou poder chegar perto de ter com ela.
- A culpa não é sua. O que eu e Buffy temos é...
- Imortal.
- Sim. E sabe porque você me contou isso agora?
- Por que?
Riley olha para Angel, mas ele não está mais lá. Buffy desce as escadas.
- Riley.
- Buffy? Achei que você estava na casa de Giles...
- Não. Você estava falando com alguém?
- Com An... Não. Ninguém.
- Pensei ter ouvido a voz de alguém conhecido...
- Não.
- Bom, então tudo bem.
- Buffy, você me ama?
- Riley, o que você tem?
- Nada. Apenas... Me responda.
-Porque isso agora?
- Droga, Buffy, responda a maldita pergunta!
- Sim, eu amo...
- Eu também.
Enquanto eles se beijam, Angel aparece atrás de Buffy, Riley o vê.
- Como você mesmo disse, o que eu e Buffy temos é imortal...
- O que? - Riley sente que Buffy está o mordendo, ela é uma vampira.
- E você me contou... Porque que quer ser eu.
Riley volta ao mundo real.

Giles está no cemitério, chegando ao mausoléu de Spike. Então ele vê Spike caminhando, logo à frente.
- Spike?
- Olá, Rupert.
- O que você está fazendo andando por aí, de dia?
- Tomando um solzinho, estou meio pálido, não acha?
- Hã, sim. Escute, eu estava pensando...
- No fracasso da sua vida? Em como você se tornou um inútil sem vida própria?
- Não... Apesar de eu pensar nisso às vezes...
- Claro que sim. Como não pensar nisso, não é? Você ficou patético assim de uma hora pra outra.
- Atualmente você não anda em condições de falar sobre isso...
- É verdade. Mas nós estamos falando de você, afinal, esses são os seus pensamentos...
- Pensamentos? Sim... Era sobre isso que eu queria falar com você. O que está acontecendo?
- Não sei se há explicação pra isso... Sunnydale é assim, por isso eu adoro esta cidade...
Isso que está acontecendo apenas usa os nossos pensamentos. Acho que o único jeito de parar com isso é...
- Parar de pensar.
- Você aprende rápido.
- Mas o problema é que ninguém pode parar de pensar... A não ser que esteja morto.
- Ora, eu estou morto.
- Isso é diferente. Eu acredito que algo ou alguém está fazendo isso... Está nos fazendo praticamente sonhar acordados. Mas não sei porque. E também não sei porque quase todos os pensamentos são ruins...
- Assim é o mundo, assim é a vida... E para o meu azar, assim é a pós-vida também. - Acho que eu sei o que está fazendo isso... Há uma espécie de força demoníaca que há eras tenta entender os humanos, através de seus pensamentos... Deus, preciso falar com Buffy e os outros.
- Mas como você vai sair deste transe?
- É, deveria haver algum evento... Mas essa nossa conversa parece ter desviado meus pensamentos...
- Como assim?
- Esse demônio... Ele já atacou inúmeras cidades no decorrer dos tempos, e sempre que ele fez isso todos os moradores ficaram em uma espécie de coma, incomunicáveis, e morreram pouco tempo depois. As pessoas vivem cada vez menos na realidade e em pouco tempo tudo acaba. A criatura se alimenta dos pensamentos, e os humanos ficam... Vazios.
- E porque essa coisa têm tanta dificuldade em entender os humanos? Pra mim é simples, é só chegar e morder... Quer dizer, era...
- Isso eu não sei responder.
- E o que você quer comigo?
- Preciso de você para expulsar essa coisa daqui.
- Só na sua cabeça mesmo eu te ajudo... O que você quer que eu faça?
- Me morda.
- O que?
- Acho que algum acontecimento mais forte poderá me acordar.
- Você não está me pedindo para fazer isso só pra me agradar, não é? Pois eu faria com prazer... Nem precisava pedir.
- Faça logo...
- Eu adoro os seus pensamentos... Lá fora eu não poderia fazer isso... E também não poderia estar aqui no sol.
- Vamos, droga!
- Tudo bem.
Spike se aproxima e morde o pescoço de Giles, que acorda e cai no chão, no meio do cemitério.
- Funcionou! Agora preciso agir rápido, antes que eu volte aos pensamentos. Preciso de ajuda. - Giles pensa.
Ele vai até o mausóleu de Spike.
- Spike, eu...
- É sobre os pensamentos?
- Como você sabe?
- Por que mais você viria aqui? Tomar chá?
- Bem pensado. Eu acho que sei como acabar com isso... Mas preciso de sua ajuda.
- Sério? Você acha que eu iria te aju...
- Como foram os seus pensamentos?
- Ah... O que eu posso fazer para ajudar?
- Se cubra com alguma coisa, temos que ir até a minha casa...

Na casa de Giles, Spike está sentado no chão enquanto Giles procura alguns livros.
- Que feitiço é esse e por que você precisa de mim para faze-lo, Rupert?
- Se funcionar, esse feitiço pode levar alguém até os pensamentos de outra pessoa.
- E por que você precisa de mim? Por que você não usa Willow, que é bruxa?
- Primeiro porque Willow mora um pouco longe e eu tenho que fazer isso rápido. E segundo porque nenhum humano normal sobreviveria. Para fazer isso se usa uma magia muito poderosa, que só alguém sobre-humano conseguiria usar.
- Por que você não chama a Buffy?
- Porque nenhum ser vivo pode fazer isso também.
- Certo. Vamos mata-la, então.
- Chega disso. A única maneira de derrotar essa força, chamada de Jhiorhak, é nos pensamentos. Com esse feitiço, eu vou transporta-lo para o mundo dos pensamentos. Isso significa que eu vou mandar sua mente para o Spike dos pensamentos, e lá você vai saber de tudo o que eu te disse aqui, saberá que aquilo não é real. Então você deverá me procurar, porque eu também já sei que não é real. Nós dois teremos que encontrar Buffy, Xander e Willow, contar tudo pra eles e tentar arrancar o demônio dos pensamentos de Sunnydale.
- Deixe-me ver se entendi. O "mundo dos pensamentos" a que você se referiu, é Sunnydale, mas não a real. É a Sunnydale que essa força criou, é o lugar para onde ela nos leva quando entramos nessas espécies de transes mentais. Todo mundo da cidade que estiver passando por esses transes no momento, estará lá, mentalmente.
- Exato. Enquanto eu estiver fazendo o feitiço, eu tenho que estar perto de você, para ter certeza que também estarei lá, pois se eu fizesse o feitiço diretamente em mim, eu não sobreviveria. Temos que torcer para Buffy, Willow e Xander estarem lá, quanto mais gente souber o que está acontecendo e tiver coragem de enfrentar o monstro, mais chances nós teremos de derrota-lo.
- E como nós iremos derrota-lo?
- Vamos ter que mostrar quem manda na nossa mente.
- E quem é?
- Nós mesmos, idiota.
- Certo. Pode começar o feitiço.

Willow chega em sua casa, que está aparentemente vazia. Quando está chegando em seu quarto, ela começa ouvir vozes vindas de lá. Willow abre a porta e vê Oz e Tara conversando.
- Oi, Willow.
- O que você faz aqui, Oz? - Willow fica fora do quarto.
- Eu estava conversando com Tara...
- Sobre o que?
- Sobre o que nós temos em comum... Amar você. - Tara fala.
- Ah, bom saber que vocês falam nas minhas costas... Chegaram à alguma conclusão, por acaso?
- O que importa é a sua.
- Você está me pedindo para escolher agora, Oz?
- Não. Você já escolheu... Não é?
- Eu... Sinto muito, Oz.
- Eu sei. Eu entendo. Posso ter meu lado animal, mas é o homem que manda. É dele a voz da razão. É ele que me diz para ir embora.
- Foi ele que eu amei.
- E ele ainda te ama. É por isso que eu vou deixa-la. Mas eu voltarei, só espero que não seja tarde demais.
- Adeus, Oz. - Willow chora, ainda fora do quarto.
Tara se aproxima de Willow.
- Seja lá o que aconteça no futuro, estarei do seu lado. - Tara fala e segura as mãos de Willow.
- Meu coração selvagem... É seu, Willow. - Oz fala.
Tara sai do quarto, Willow olha para Oz uma última vez, e a porta se fecha sozinha. Willow e Tara se olham e sorriem. Então Spike e Giles chegam.
- Willow, venha conosco.
- O que foi, Giles?
- Eu te conto no caminho... Os pensamentos estão durando cada vez mais, vamos rápido.
- Que história é essa?

Xander está chegando em sua casa, e então ouve barulhos de luta. Ele corre, e quando entra na casa, está com uma roupa diferente. Um smoking. Xander olha para baixo e nota.
- Ei, bonitão! - Xander fala sozinho.
Quando ele olha para frente, Buffy está lutando com Angelus.
- Xander, me ajuda!
- Eu sabia que ele ficaria mau de novo!
Angelus derruba Buffy e olha para Xander.
- Nos encontramos novamente, velho inimigo. - Angelus sorri e nota-se que seus caninos são dourados, cobertos de ouro.
- O nome é Harris... Xander Harris.
Xander aponta seu relógio para Angelus, aperta um botão, e uma mini-estaca sai do relógio e acerta Angelus no coração.
Angelus explode. Buffy corre até Xander e o abraça.
- Obrigada!
- Ces't la vie, GoldAngel. - Xander fala olhando para as cinzas de Angelus.
- Eu estava com tanto medo...
- Calma, pequena. Está tudo bem agora. - Xander pisca para Buffy.
Anya chega e empurra Buffy.
- O que é isso, Xander?
- Nada, Anya. Eu e Buffy somos apenas amigos...
- Sei...
- Buffy, diz pra ela!
- É verdade, Anya. Além do mais, estou com Riley agora, lembra?
- Ótimo, fique com o seu soldado, e fique longe do meu namorado!
- Eu não quero ficar com o Xander, ele é meu amigo, e só isso.
- E que continue assim...
Anya vai para o porão.
- Buffy, sobre eu ser seu amigo... Bom, eu...
- Não entendo esse ciúmes dela.
- Anya é assim, ninguém entende... Mas como eu estava diz...
- Ela ainda não sabe o que são os amigos?
- Considerando que ela só deve ter amigos no Inferno... Não, acho que não.
- Quero dizer, os amigos são as pessoas que estão lá quando você mais precisa... Que te alegram quando você está triste e...
- Vice-versa?
- Não. Os amigos são...
- O sentido da vida?
- Cala a boca. Não há nada mais importante do que ter amigos de verdade... Como você.
- Ou o Grande Chifrudo no caso de Anya...
- Você entende o que eu quero dizer?
- Sim...
- Se Anya entendesse, não sentiria ciúmes. A nossa amizade significa muito, nem tudo tem a ver com sexo... Não é?
- Claro que não... Quem precisa disso? Eu não, pode apostar... - Xander sorri, sem graça.
- Não quero que nada estrague nossa amizade.
- Nem eu.
- Ah, o que você queria falar quando eu te interrompi?
- Eu queria dizer que... Que eu fico feliz de poder ser seu amigo.
- Obrigada.
- Vou conversar com Anya agora, vá pra casa, Riley deve estar te esperando lá.
Buffy abraça Xander, que sorri, satisfeito. Então ele vai para o porão. Xander senta do lado de Anya.
- Oi, Xander.
- Como vai minha namorada preferida?
- Bem.
- Sabe, eu estou orgulhoso de você.
- Sério?
- Claro. Você se esforça para se encaixar neste mundo, quer que as pessoas gostem de você... Se faz de distraída, mas sabe que existem coisas sérias. Você me lembra eu mesmo, às vezes.
- Obrigada.
Os dois se beijam, então Giles, Spike e Willow chegam.
- Com licença.
- Willow?
- Nós temos um probleminha para resolver... Quer nos ajudar?
- Tudo bem. Vamos lá. Não sai daí, Anya... Eu volto daqui a pouco... Para terminarmos o que começamos.

Buffy chega em casa, e Joyce está lá.
- Tudo bem, querida?
- Tudo, mãe... Por que?
- Por nada. Riley e Angel estão chegando, só isso.
- O que?
- É. Eles concordaram que está na hora de você decidir quem você quer.
- Mas eu não posso fazer isso. Foi Angel que foi embora.
Nesse momento, Angel quebra a porta da casa, e cai no chão. Então Riley também entra, foi ele que jogou Angel contra a porta.
- Então, Buffy... Você só está comigo porque Angel não está mais na cidade?
- Riley tem razão ao fazer essa pergunta, Buffy... É bastante válida.
- Mamãe!
- Ah, não falo mais nada. - Joyce se afasta um pouco da sala.
- Não é bem assim, Riley...
- Como é, então, Buffy? - Angel pergunta.
- Fique quieto, Angel! Você não tem direito de me perguntar isso.
- Mas Riley têm.
Angel e Riley continuam brigando, enquanto falam com Buffy.
- Parem de brigar, por favor! Riley, isso não é fácil...
- Então você não vai me responder? - Depois de perguntar, Riley atira um vaso com flores em Angel, que se desvia.
- Isso é uma ameaça?
- Eu não sou o seu brinquedo!
- Tem certeza? - Angel provoca, e joga um abajur em Riley, que se defende com um prato que pegou de cima da mesa.
- Cale-se, Angel! Riley, eu não posso pensar em toda a minha vida agora! Você têm que entender isso... No momento, eu estou com você, mas não posso ter certeza do que vai acontecer daqui há 10, 15 anos!
- Eu sei, mas Angel estará entre nós para sempre, ele nunca vai morrer... Não sei se posso conviver com isso. - Riley fala ao mesmo tempo que troca socos com Angel.
- Mas vai ter que tentar.
- E eu terei que viver para sempre, sabendo que não posso ficar com a mulher que amo. - Angel se manifesta.
- Só porque você não teve coragem de ficar e lutar pelo seu amor.
- Não, Buffy... Você sabe porque eu tive que ir.
- Por que?
Nesse segundo, Angelus aparece. Ele e Angel começam a brigar. Riley se afasta.
- Angel!
- Pra trás, Buffy! Só eu tenho que enfrentar isso. - Os dois "Angels" saem da casa, lutando. Buffy e Riley se olham, e então se abraçam. Então, Giles, Spike, Willow e Xander entram pela porta destruída.
- Buffy... Precisamos de você.

No casa de Giles, Buffy têm algumas dúvidas.
- Então eu não podia trazer o Riley porque aquele não era o verdadeiro?
- Mais ou menos.
- Giles, mais ou menos?
- No estágio do ataque de Jhiorhak em que nos encontramos, as pessoas que estão nos seus pensamentos já estão parecidas com o que realmente são... Os pensamentos de cada pessoa estão quase misturados, a diferença entre o mundo real e o que nós estamos é muito pequena. Mas aquele não era o Riley que nós poderíamos precisar, pois ele estava nos seus pensamentos, não poderia enfrentar o demônio. Só quem está tendo um pensamento próprio pode ter a força de vontade necessária para deter essa criatura. E nós não teríamos tempo para irmos atrás do "Riley real".
- Bom, então existem vários "Xanders" por aí?
- Sim, Xander, podem haver...
- Legal... Mas quem pensaria em mim?
- Giles, se nós demorarmos, o que acontecerá?
- Bem, Willow, os mundos se juntarão, e toda a cidade ficará presa em seus próprios pensamentos. No mundo real, nossos corpos ficarão em uma espécie de coma por um tempo... E depois todos morreremos. Jhiorhak cria este "mundo dos pensamentos" para tentar entender o ser humano, a cada século ele faz isso em uma cidade, mas ele não acaba com isso nunca. Ele "rouba" a vida de cada cidadão, e mesmo assim continua sem nos entender. Ele não possui humanidade alguma, por isso quer tanto entender as pessoas... Ele quer ser mais humano, está entediado de uma eternidade vivendo sem nenhum sentimento.
Ele é como um Deus entediado.
- E o que fazemos agora, Rupert? Não quero ficar nestes pensamentos para sempre!
- Certo, Spike. Existe um feitiço para convocar Jhiorhak... Assim ele virá até nós, de alguma forma, e tentaremos expulsa-lo.
- E por que ele nos obedeceria, se ele não têm humanidade?
- Isso não significa que ele gosta de matar as pessoas, Buffy. Willow, precisarei de você para fazer este feitiço. É só pronunciar algumas palavras em latim, mas é preciso uma conexão com a bruxaria que só você possui.
- Sério? Quer dizer, vamos começar... Estou decidida!
Giles e Willow começam o feitiço, enquanto Buffy, Xander e Spike aguardam.
- Eu não ia perguntar... Mas por que está nos ajudando, Spike?
- Por que quer saber? Quer ficar com todos os méritos se vencermos, Caçadora?
- Não, mas acho que você teve pensamentos horríveis, não é?
- Não é isso!
- Ora, Buffy, você não acredita que Spike só está fazendo isso porque eles nos ama muito?
Xander coloca a mão no ombro de Spike, que se afasta.
- Cai fora!
- Não precisa mais disfarçar, Spikey... Nós também aprendemos a ama-lo nestes últimos tempos... Você sempre está tentando nos matar, mas é assim mesmo que uma família funciona...
- O feitiço está feito... Cuidado. - Giles avisa, e Xander fica quieto.
Uma espécie de bola azul de luz surge acima de Willow. Todos olham para cima.
- Ora, que medo... Se transformou nisso o tão temido monstro que está ameaçando a cidade? - Spike caçoa.
Então, a bola vai rápido na direção de Spike e entra no corpo dele.
- Ei!
- Calma, Buffy, é a forma de Jhiorhak se manifestar... No corpo de outro. E não poderia ser em nenhum ser vivo, por isso usei Spike. Você está aí, Jhiorhak?
- Sim. E quero saber porque.
- Porque você vai matar a todos na cidade.
- E?
- Nós não queremos morrer. - Xander responde.
- Isso não faz diferença nos meus objetivos.
- Você acha que matando a todos vai descobrir mais sobre os mortais? - Willow pergunta.
- Quanto mais tempo nos seus pensamentos, mais posso descobrir. A morte é apenas consequencia disso. E talvez eu aprenda mais sobre a morte também.
- Você já se perguntou porque nunca aprende o que quer? - Buffy indaga.
- Não ficarei respondendo perguntas de meros mortais.
- Se você é tão superior, porque há eras tenta nos entender? - Xander pergunta.
- Não faça perguntas sobre o que não entende, jovem.
- Você é que não está entendendo. Você nunca irá entender. - Willow se manifesta.
- Não me provoque.
- O que ela perderia? Você irá nos matar de qualquer jeito... - Giles fala.
- Posso fazer coisas piores. Agora vou partir.
- Sabe o que é mais desumano no mundo? Matar. Matar pessoas indefesas, e não sentir nada por isso. - Buffy não desiste.
- Enquanto você fizer isso, nunca entenderá os humanos, os sentimentos. - Willow ajuda.
- Se você pode nos deixar vivos, e quer entender os mortais, não pode simplesmente chegar, se aproveitar das pessoas e mata-las. - Giles tenta.
- Se você quer saber, ó poderoso Sr. Imortal, isso nem é mais sobre nós, ou sobre qualquer cidade que você quiser aniquilar... Pode me matar se quiser, não ligo. Pois eu estou aqui com pessoas que eu amo, não tenho medo. Mas você não entende isso, não é mesmo? Então vá em frente. Você não precisa entender melhor a morte, pois ... O que é a morte além do vazio total? - Xander fala e logo depois pensa... - De onde foi que eu tirei isso?
- Você se julga superior, mas nunca nos entenderá. Você não imagina o quanto é inferior. - Buffy completa.
- Já chega! - Jhiorhak berra.
Nesse momento, a luz azul sai de dentro de Spike, que cai no chão. Há um forte brilho azul e então, todos se acordam onde estavam. Buffy, Xander, Willow e Giles notam que agora estão em suas respectivas casas. Spike está com Giles.
- Você não disse que a coisa entraria em mim... - Spike fala e Giles sorri.
Na casa de Willow...
- Não acredito que aquele feitiço funcionou... Tenho que contar pra Tara. - Willow fala sozinha.
No porão de Xander, ele acorda e já ouve sua mãe gritar lá de cima.
- Xander, vou fazer compras, que vir comigo?
- Não, mãe, já enfrentei a morte hoje!
- O que?
E na casa de Buffy, ela olha pela janela, e assiste o pôr do sol com esplendor. Ela nota que Riley está chegando e sorri. Riley vê ela na janela e retribui.
- É, até que a vida não é tão ruim assim... - Buffy pensa satisfeita.

FIM


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