O Apartamento 1303 está disponível para locação... novamente. Um belo imóvel, com uma enorme varanda, com vista para o mar e localizado no invejável bairro de Shonan, em Tóquio. Mas algumas coisas são boas demais para ser verdade.
O suicídio da irmã mais nova de Mariko, a nova moradora, é o último de uma seqüência de mortes da varanda deste apartamento. Mariko não aceita a versão oficial dos fatos, e não acredita que todas as mortes sejam coincidência.
Disposta a descobrir a verdade, ela encontrará uma história de violência, abuso e desespero em torno do amor e ódio entre mãe e filha, que nem mesmo a morte trouxe um fim.
CRÍTICAS
“Você não vai querer morar nele.”
O apartamento 1303 é um belo imóvel, com uma enorme varanda, vista para o mar, localizado num bairro nobre de Tóquio. E está disponível por um aluguel bem abaixo do cobrado em imóveis do mesmo padrão.
Mariko tenta entender a misteriosa morte de sua irmã, que saltou do 13º andar no dia em que se mudava para o apartamento 1303. Ela não aceita a versão oficial da polícia, que aponta para suicídio. Buscando a verdade, Mariko investiga o passado do imóvel. Uma seqüência suicídios idênticos e uma jovem que conviveu 6 meses com o cadáver da mãe dentro de um armário são peças de um quebra-cabeça que leva Mariko a reviver uma história de violência, abuso e desespero.



É impossível assistir a um filme de terror japonês e evitar comparações com os já clássicos “Ringu” e “Ju-on”. E as semelhanças sempre aparecem: a personagem principal feminina, fantasmas cabeludos, armários, telefones, grunhidos. A maioria das produções que surgiram pós-Ringu parecem apenas variações do mesmo tema. E é este o caso crônico do horror “Apartamento 1303”, lançado no final de 2007 pela Focus Filmes.
Escrito e dirigido pelo japonês Ataru Oikawa, de “Tommie” (1999) e suas continuações (“Tommie Beginning” e “Tommie – Revenge”, ambos de 2005), “Apartamento 1303” tenta sem sucesso reciclar algumas idéias usadas a exaustão pelo cinema de horror oriental. Após alguns segundos de exibição, o espectador “um pouco” mais experiente já mata a charada. Existe “um fantasma vingativo” por trás de tudo (e não se preocupem, isso nem chega a ser um spoiller). E mesmo o mote “suicídio” não é nenhuma novidade, já que foi explorado antes pelos Irmãos Pang no mediano “Visões” (The Eye 2).
Afora a falta de originalidade do roteiro (adaptado de um livro de Kei Ohishi, cujas obras teriam inspirado também “Ju-on” e “Oldboy”), o elenco (encabeçado por Noriki Nakagoshi como Mariko e Arata Furuta, de “Tokio Zombie”, interpretando o detetive) deixa muito a desejar. Aliás, quase tudo em “Apartamento 1303” deixa a desejar. Pra quem gosta de sangue: o filme tem muito pouco. Pra quem gosta da “complexidade” dos filmes de horror asiáticos: “Apartamento 1303” é muito superficial. Pra quem espera um novo “Ju-on” ou “Ringu”: esquece. Pra quem gosta de japonesas bonitas... bom aí até pode assistir, embora só apareçam “bem comportadas”.



O DVD americano é vendido como “dos criadores de Ju-on”, já a versão lançada no Brasil não faz este tipo de apelação. O disco nacional não traz nenhum extra, apenas alguns trailers (que, diga-se de passagem, bem mais divertidos que o filme).
Enfim, se você é um daqueles que nunca viu um filme de horror asiático não ouse começar com “Apartamento 1303”. Se você já é um expert no J-horror e fanático como eu, pode assistir... e depois ficar reclamando.
João Pires Neto
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