O súbito desaparecimento da agente Monica Bannan (Xantha Radley) faz com que a agente Dakota Whitney (Amanda Peet) recorra à ajuda do padre Joe (Billy Connolly), um homem que abusou sexualmente de 37 coroinhas no passado e que alega ter visões. Para ajudá-la na busca, já que não conta com experiência em acontecimentos fora do comum, a agente Whitney busca o apoio de Fox Mulder (David Duchovny), que não é mais agente do FBI. O contato é feito através de Dana Scully (Gillian Anderson), que também deixou a organização e agora trabalha como médica em um hospital católico. Inicialmente relutante, Mulder decide cooperar e, aos poucos, passa a acreditar cada vez mais nas palavras do padre Joe.
CRÍTICAS
Os fãs de “Arquivo X” não terão muito o que comemorar com a chegada do segundo longa-metragem do seriado. Enquanto a versão para a telona de “Sex and the city” conseguiu agradar o público com uma história que seguia a mesma linha da série, o filme dos agentes Mulder e Scully não teve a mesma sorte. Se não fossem os conhecidos personagens, “Arquivo X: Eu quero acreditar” poderia se passar como mais um suspense em cartaz nos cinemas. Não que o resultado seja ruim, mas está longe da interessante série que se estendeu por nove temporadas no ar.


O filme começa quando uma agente do FBI desaparece e Dakota Whitney (Amanda Peet, aquela atriz que sempre estrela de comédias românticas como “O ex-namorado da minha mulher”, “Ensinando a viver”, “O amor pode dar certo”...) tenta descobrir onde ela está. O FBI só conta com as pistas do esquisito Joseph Crissman (“Desventuras em série”), um ex-padre que tem um passado sombrio e afirma ter visões sobre o caso.


Então Danna Scully (Gillian Anderson, de “O último rei da Escócia”) é procurada para convencer Fox Mulder (David Duchovny, de “Coisas que perdemos pelo caminho”) a voltar para o FBI. Quem acompanhou a série sabe que Mulder e Scully formavam uma dupla que investigava os casos do Arquivo X, ou seja, assuntos que possuem alguma relação com o sobrenatural, paranormal ou inexplicável. Quem nunca assistiu o seriado não precisa se preocupar. Apesar de referências a personagens (como por exemplo o mistério de Samantha, a irmã de Mulder), a película funciona de forma praticamente independente.
O foco principal da história, como o título sugere, é o fato de se acreditar ou não em temas metafísicos. Enquanto novas vítimas desaparecem e o caso fica mais complicado, as visões do padre dividem opiniões. Não se sabe se ele está realmente enxergando o que está acontecendo com as pessoas seqüestradas ou se é puro charlatanismo. Felizmente o filme não é voltado apenas para o caso do desaparecimento da agente do FBI. Boa parte da trama mostra a atual vida de Scully, que trabalha como médica e possui um dilema nas mãos na forma de um garotinho com uma doença incurável. E a história ganha um ponto na contemporaneidade ao falar do discutido tema das células-tronco, questão que separa opiniões entre os limites da fé e da ciência.


O mais incômodo em “Arquivo X: Eu quero acreditar” é a simplicidade da história. É tudo raso demais, como se Chris Carter estivesse mais preocupado em dirigir do que em escrever um roteiro inteligente (assinado também por Frank Spotnitz, roteirista e produtor). Ouvir o assobio da famosa música-tema da série pode animar qualquer pessoa, mas a felicidade não é garantida por causa da ausência total de suspense durante os @@ minutos de duração. Onde estão as conspirações, alienígenas ou qualquer outro assunto digno de fazer parte do Arquivo X? É ver para crer. Ou não.
Michel Toronaga
www.daiblog.com.br
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