ANO DE LANÇAMENTO
1989 (EUA)
DIRETOR

Rospo Pallenberg

ELENCO
Donovan Leitch
Jill Schoelen
Brad Pitt
Roddy McDowall
Martin Mull
Brenda James
ROTEIRO

Steve Slavkin

DURAÇÃO

91 minutos

PRODUÇÃO

Donald R. Beck
Rudy Cohen

MÚSICA:

Jill Fraser

DISTRIBUIDORA:

LK-Tel Vídeo/Columbia

ASSASSINATO NO COLÉGIO
(Cutting Class)


Após passar um tempo num sanatório, Brian está de volta à escola Wurleigh e seriamente apaixonado por Paula. Mas estranhos assassinatos apavoram alunos e professores e as suspeitas recaem sobre ele.

CRÍTICAS

Este é mais um filme para todos aqueles que falam maravilhas dos slasher movies oitentistas, como se qualquer porcaria do gênero feita na década de 80 fosse uma grande maravilha do cinema de horror! Para vocês terem uma idéia, coloquei a fita de ASSASSINATO NO COLÉGIO no meu videocassete perto das nove da noite. Depois de 15 minutos, peguei no sono. Acordei todo babado no sofá da sala, me sentei na posição inicial e rebobinei o tempo perdido. Continuei (re)asssistindo. Mais 15 minutos, peguei no sono novamente. Desta vez, foi definitivo. Acordei com os créditos finais do filme já rolando. Teimoso, rebobinei para a parte onde lembrava ter adormecido e continuei vendo. Quando minhas pálpebras ameaçaram se fechar uma terceira vez, desisti e toquei todo filme para frente usando o FF. Aliás, esta é a maravilha de ver filmes em VHS: ao contrário do DVD, você pode ler as legendas enquanto passa um filme em vídeo para a frente, se for rápido o suficiente. É uma espécie de "leitura dinâmina": pega-se pedaços de diálogo aqui e ali. O suficiente para entender uma baboseira como esta.

Aliás, o que dizer de um filme cuja distribuidora nacional estampou, na capinha, sem qualquer vergonha na cara, uma foto da cena final do filme (!!!), entregando de cara o destino de um dos personagens principais??? ASSASSINATO NO COLÉGIO tem como única curiosidade o fato de trazer, no elenco, um jovem Brad Pitt. Apesar de interpretar um adolescente que ainda está na escola, o futuro galã de Hollywood já tinha 26 anos na época (1989) em que este slasher movie repleto de clichês foi feito. ASSASSINATO NO COLÉGIO é seu primeiro papel principal, depois de pequenas participações em filmes para a TV e uma ponta não-creditada no drama ABAIXO DE ZERO, de 1987, inspirado em livro de Brett Easton Ellis.

Você já começa a suspeitar que há algo errado nesta tralha quando lê o nome dos envolvidos no projeto e não reconhece ninguém lá muito, digamos, "interessante". Então você procura os nomes dos caras no IMDB e percebe que eles já fizeram coisa bem pior na vida. Por exemplo: o diretor Rospo Pallenberg (olha se é nome...) dirigiu este único filme (e muito mal, ainda por cima!), mas controlou a segunda unidade e foi roteirista não-creditado (talvez por vergonha) da bomba O EXORCISTA 2 - O HEREGE!!! Já o roteirista Steve Slavkin tem este como único crédito cinematográfico, ao lado dos roteiros da série televisiva... POWER RANGERS NINJA STORM!!!! Assustador, não???

ASSASSINATO NO COLÉGIO (cujo título original é "Cutting Class", algo como "Cabulando Aula") começa de forma idêntica ao clássico trash SLUMBER PARTY MASSACRE, com um garoto entregando jornais nas casas de uma ruazinha tranqüila de subúrbio. A manchete é: "Garoto que matou o pai é solto do manicômio". Logo somos apresentados à bonitinha Paula Carson (interpretada pela gata e carismática Jill Schoelen, promessa de estrela que não emplacou, apareceu em filmes tipo O FANTASMA DA ÓPERA, com Robert Englund, e POPCORN, desaparecendo do mapa logo depois). Ela está se despedindo do pai, que sai para caçar. Logo aos 9 minutos de projeção, papai é alvejado por um misterioso assassino com seu arco-e-flecha. Que medo!

Corta para o colégio onde Paula estuda. Ali se desenrola um curioso triângulo amoroso. Paula, aparentemente, namora um estudante rebelde chamado Dwight Ingells (Brad Pitt, com cara de bebezão e um pavoroso cabelinho anos 80); mas também está caidinha por Brian Woods (Donovan Leitch, do remake A BOLHA ASSASSINA, que também desapareceu do mapa junto com a amiga Jill Schoelen). Dwight e Brian brigam pela atenção de Paula, sendo que logo ficamos sabendo que o tal adolescente assassino que saiu do manicômio é o próprio Brian. Por causa deste pequeno detalhe, o ator passa o filme todo com uma psicótica cara de songo-mongo.

Entre um bocejo e outro, pouca coisa acontece. Brian e Dwight ficam o filme todo batendo boca, Paula recusa-se a transar com Dwight enquanto ele não melhorar suas notas (ah, vá!), e pessoas ligadas ao triângulo amoroso - professores, principalmente - começam a ser mortos. Mas o que vemos são umas mortes chinfrins, sem sangue, onde pouco ou nada aparece. E é o feijão-com-arroz de sempre: um cara é queimado vivo num incinerador, outra vítima é morta e tem a cara colocada na máquina de xerox que tira infinitas cópias, etc etc. O filme ainda desperdiça o grande Roddy McDowall (de O PLANETA DOS MACACOS e A HORA DO ESPANTO, já falecido), como o diretor tarado da escola, numa participação pequena que não acrescenta nada à coisa alguma.

A grande tirada do roteiro de ASSASSINATO NO COLÉGIO (pelo menos na cabeça do roteirista Slavkin) é jogar a culpa sobre os crimes de Brian para Dwight e de Dwight para Brian, de maneira que o espectador fique o filme inteiro perdido, sem saber quem é o verdadeiro assassino - mas sempre sabendo que é um dos dois rapazes. Você começa desconfiando de um, depois pensa que é outro, por fim começa a raciocinar que talvez seja mesmo aquele primeiro, até chegar à conclusão um tanto previsível. Um esquema parecido foi feito depois em PÂNICO, de Wes Craven.

Infelizmente, apesar de seguir fielmente a cartilha "slasher" (mocinha virgem, mortes a cada cinco minutos, assassino misterioso), o filme é completamente insatisfatório, especialmente pela falta de violência. O sangue só vai aparecer na conclusão, mas aí já é tarde demais. E o que dizer da cena onde o assassino propõe um problema de aritmética (!!!) para uma de suas vítimas resolver, caso contrário a matará? Só isso já dá uma idéia do que esperar do resto.

ASSASSINATO NO COLÉGIO deve ser o filme que Brad Pitt tenta esquecer que fez (ao lado, talvez, da sua participação medíocre na série de TV do Freddy Krueger). Ironicamente, depois das filmagens, ele namorou a estrelinha Jill por três meses, até ela dar um ponta-pé na bunda do rapaz - e olha que a moça também esnobou Keanu Reeves!!!. Então, siga o conselho deste amigo e faça como a Jill: chute Pitt e este seu constrangedor início de carreira para longe, e seja bem mais feliz!!!

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Felipe M.Guerra