Cameron's Closet ANO: 1989 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 92 minutos DISTRIBUIDORA: América DIREÇÃO: Armand Mastroianni ELENCO: Cotter Smith; Mel Harris; Scott Curtis; Tab Hunter; Chuck McCann; Leigh McCloskey; Kim Lankford CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado/Dublado SINOPSE: Cientistas desenvolvem a mente de um menino de 12 anos que possui grande poder telecinético. A pesquisa caminha perigosamente para o sobrenatural, e ao fazerem uso de livros de magia negra liberam um demônio que vai se esconder no armário do garoto. CRÍTICAS:
Eu não sou tão velho assim, mas lembro que quando o filme O ARMÁRIO DO DIABO (que é de 1989) foi lançado no Brasil, no final da década de 80, fizeram o maior bafafá por aqui. Naquela época não havia Internet, então você tinha que ir atrás do que as poucas revistas de cinema diziam. E se elas diziam que o quente era O ARMÁRIO DO DIABO, não tinha porque duvidar – na época ninguém falava de cinema japonês nem europeu. E tome propagandas na TV, matérias em jornais, em revistas de cinema... Lembro que saíam até revistas-pôster sobre o filme, com o cartaz e fotos da produção (era comum na época, eu tinha várias da série A HORA DO PESADELO). Mas eu nunca entendi o porquê de tanta divulgação. O ARMÁRIO DO DIABO não é nada mais que um filme razoável. Ruinzinho até. A história começa com a gravação de experimentos de uma criança com fortes poderes telecinéticos, Cameron Lansing (Scott Curtis). A experiência é coordenada por um cientista que é pai do garoto, o dr. Owen Lansing (o veterano Tab Hunter, que infelizmente aparece pouco), e seu assistente, o dr. Ben Majors (Chuck McCann). Entram os créditos iniciais e parece haver um grande lapso no tempo, pois somos apresentados a um dr. Owen totalmente furioso e descontrolado pelo medo. Ele está lendo um velho livro de magia negra e telefona para seu assistente, que não atende a ligação. Na secretária eletrônica, o cientista deixa uma mensagem enigmática: “Isso vai acabar hoje!”. Então o dr. Owen pega um enorme facão e sobe para o quarto do filho, que está brincando dentro do armário com um bonequinho misterioso (elemento-chave do filme, que não convém detalhar). Ouvindo barulhos no sótão, o cientista sobe sobre um velho baú para alcançar a portinhola, mas, num acidente bizarro, acaba caindo sobre o próprio facão e tem a cabeça decepada (primeira melhor cena do filme). Cameron é então levado para a casa da mãe divorciada, Dory (Kim Lankford), que vive com um ator inexperiente, o intragável Bob Froelich (Gary Hudson), que se acha parecido com o imperador romano Marco Aurélio! Desde a chegada de Cameron, Bobby transforma a vida do garoto em um inferno. Até que, certa noite, atraído pelos ruídos no armário do garoto, Bobby abre a porta e é atacado por uma criatura horrenda, tendo os olhos queimados e sendo lançado pela janela vários metros, aterrissando sobre seu próprio carro (segunda e última melhor cena do filme). Para investigar o misterioso assassinato – “misterioso” porque ninguém sabe explicar como a vítima voou vários metros pela janela –, é destacado o detetive Sam Taliaferro (Cotter Smith, que recentemente interpretou o presidente no blockbuster X-MEN 2). O policial está sofrendo com insônia e pesadelos, onde vê o seu colega, Pete (Leigh McCloskey, que apareceu no clássico INFERNO, de Dario Argento), como um morto-vivo. Taliaferro logo percebe que há algo de estranho com o pequeno Cameron, e a psicóloga Nora Haley (Mel Harris) tenta entender qual a relação do garoto com as vítimas. Enquanto isso, a criatura no armário vai fazendo novas vítimas, inclusive tentando matar o próprio garoto. Como o leitor pode perceber, não se pode dizer que o roteiro de O ARMÁRIO DO DIABO seja uma obra-prima. Na verdade, ele não tem pé nem cabeça (a idéia de um demônio que vive no armário já tinha sido melhor aproveitada no trash O MONSTRO DO ARMÁRIO, que pelo menos não se levava nem um pouco a sério). O roteiro de Gary Brandner também não se preocupa em explicar muita coisa, e no final tudo se resolve facilmente até demais – quando parecia que a ameaça no armário era poderosíssima. Como curiosidade, Brandner escreveu o livro THE HOWLING, que deu origem ao filme GRITO DE HORROR, de Joe Dante. Li muitas críticas dizendo que os efeitos especiais do filme são fracos e datados, mas a morte de Bobby ainda é impressionante, com seu vôo pela janela pré-MATRIX sendo muito bem encenado, de forma assustadora. Infelizmente, o filme se perde em sustos fáceis a partir deste ponto, e o interesse cai lá embaixo. Tem desde um zumbi aparecendo para Taliaferro numa floresta escura até a morte de todos os personagens secundários, mesmo aqueles que não têm nenhuma relação com a trama principal. Algo desnecessário, e este tempo poderia ter sido utilizado para explicar melhor os conceitos da história. Nunca fica claro, por exemplo, se Cameron usou seus poderes para trazer um velho demônio ao seu armário ou se criou este demônio através do bonequinho misterioso com que brinca (lembra?). Não fica claro também porque o demônio, se é tão poderoso, não sai matando a todos, preferindo atacar vítimas sozinhas e em grandes espaços de tempo. Não ajuda, também, a direção pesada do péssimo Armand Mastroianni, mais conhecido por seu trabalho em séries de TV, como SEXTA-FEIRA 13 – O LEGADO e A GUERRA DOS MUNDOS. Um detalhe interessante da “carreira” (bah!) de Mastroianni é que seu primeiro filme, chamado HE KNOWS YOU’RE ALONE (um slasher movie fraco lançado no Brasil como TRILHA DE CORPOS), marca também a primeira aparição cinematográfica do hoje astro Tom Hanks! No fim, O ARMÁRIO DO DIABO é um filme apenas regular, que poderia ter sido muito melhor se não tivesse caído na vala comum do exagero (tem até uma cena sem utilidade nenhuma onde a cara de um zumbi se desmancha lentamente), do excesso de mortes e efeitos. Envelheceu mal. HISTÓRIA: GORE: EFEITOS: DIVERSÃO: Felipe M.Guerra |