ADVOGADO DO DIABO
The Devil's Advocate

ANO:   1997
PAÍS:   EUA
DURAÇÃO:    145 minutos
DISTRIBUIDORA:    Warner
DIREÇÃO:  Taylor Hackford
ELENCO:     Keanu Reeves; Al Pacino; Jeffrey Jones; Judith Ivey; Charlize Theron; Craig T Nelson; Delroy Lindo; Connie Nielsen; Tamara Tunie; Debra Monk; Heather Matarazzo
CARACTERÍSTICAS:    Colorido; Legendado


SINOPSE:     Kevin Lomax é um jovem advogado do Sul dos EUA que nunca perdeu uma causa no tribunal. Ao ser contratado a peso de ouro pelo maquiavélico John Milton, dono de escritório novaiorquino, acredita ter tirado a sorte grande. Mas a vida de riquezas, festas e belas mulheres esconde um segredo macabro.




COTAÇÃO:    
CRÍTICAS:     Estava eu dia desses lendo uma discussão sobre as diferenças entre "O Bebê de Rosemary" e "O Advogado do Diabo". Qualquer entendedor de cinema nota que os dois filmes tem direções díspares, e foram feitos por cineastas com espectros de visão totalmente diferentes sobre o tema "capeta". Mesmo assim, achei curiosa uma ponderação dizendo que "Advogado Do Diabo" seria muito mais inquietante que o filme de Polanski. Grande bobagem. Alias, bobagem não, pois como diria o Analista de Bagé, bobagem é espirrar na farofa. Isso é uma besteira, e da grossa. O fato é que "Advogado do Diabo", dirigido por Taylor Hackford em 1997 é realmente um trabalho inquietante. Com 30 minutos de filme, o espectador se pergunta como alugou, comprou ou até pagou um ingresso, queimando seu valioso dinheirinho, pra assistir a tamanha escrotidão.

Eu me lembro de um bom filme do diretor Hackford em 1984 entitulado "Paixões Violentas", um belo policial noir, que por sua vez era refilmagem de um trabalho dos anos 40 ou 50. Aqui é uma adaptação literária, o que prova que o diretor nada cria, só transforma. Mesmo assim, no filme de 1984 ele revelou ao mundo a beleza da australiana Rachel Ward. Hackford tem bom gosto pra atrizes, e aqui ele revela mais dois valores, Charlize Theron e Connie Nielsen, ambas muito bonitas e que veriam sua carreira estourar daí por diante. E pra fazer a alegria da geral, ainda coloca as duas nuas em cena, incluindo-se aí nu frontal. Bem, pelo menos um motivo pra assistir a "O Advogado do Diabo". Só não assistam na TV, pois as tais cenas deverão ser limadas, impiedosamente.

A quem interessar possa, a história fala do advogado Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves, de maneira totalmente inconvincente. Lomax é um advogado de uma pequena cidade da Flórida, e é conhecido no local por jamais ter perdido um caso. Sua reputação leva à sua contratação por um sr. chamado John Milton (Al Pacino), que é dono da maior firma de advocacia de Nova York. Milton oferece um alto salário à Lomax, apesar da desaprovação inicial de sua mãe, Alice (Judith Ivey), que é uma religiosa fanática, que vive comparando Nova York à Babilônia.

Lomax é casado, e muito bem casado, com a bem provida Mary Ann (Charlize Theron), que, à medida que o sucesso do seu marido vai aumentando na nova profissão, começa a presenciar aparições demoníacas. Aos poucos, Lomax também vai percebendo que o seu chefe é um ardiloso comandante de negócios, e sempre se sai bem das situações mais cabulosas. Nesse ínterim, Mary Ann começa a deduzir que o buraco é mais embaixo, mais propriamente o buraco do inferno, pois ela descobre que o maridão nada mais nada menos é empregado de Lúcifer em pessoa. Aí começa o duelo de bem X mal, e para a balança pender do lado das chamas de Satanás, Milton conta com a ajuda de mais uma sedutora mulher, Christabella Andreoli (Connie Nielsen), o que poderá constituir na danação completa de Lomax.

A premissa acima não é nada animadora e realmente não funciona. As tais surpresas do final são ridículas, e é quando o filme, que pretensamente deveria ser assustador, vira uma comédia involuntária. Culpa maior do diretor Hackford, que não tem mão firme pra dirigir atores. O problema, o qual inclusive os maiores admiradores de Al Pacino já estão conscientes, é que ele é um dos maiores atores do mundo, desde, é claro, que tenha o comando de um grande diretor. É natural, para comandar um grande ego, só alguém de ego superior (lei básica). Então, nas mãos de um Brian DePalma, um Sidney Lumet ou William Friedkin, Al Pacino é brilhante. Dá gosto assistir. Agora, sob o comando de Hackford, somos obrigados a aturar mais uma super representação lamentável, semelhante à ocorrida em "Fogo contra Fogo", de Michael Mann.

Para piorar, o roteiro dá margem à abordagens que transitam pelo maniqueismo mas estacionam de vez no reacionarismo ingênuo. Tão estúpido como se fosse um conto de fadas para crianças, só que adaptado para uma versão adulta. E tome lições de "opção entre o bem e o mal", que jogam de vez a fita no buraco. Para jogar uma pá de cal no defunto, "O Advogado do Diabo" conclui com mais uma mensagem final e a música Sympathy for the Devil, do Rolling Stones. Mesmo recurso do final de "Entrevista com o Vampiro", de 1993, de Neil Jordan, ou seja 4 anos antes. E, não por coincidência, a mesma conversa de "opção entre o bem e o mal" ou "o lado sedutor do mal". Mas pelo menos Neil Jordan era um bom diretor.

Mais um detalhe curioso. Será que todos os filmes que falam do demônio tem que durar mais de duas horas? Senão vejamos: O Exorcista (132 minutos), O Bebê de Rosemary (136 minutos) e O Ultimo Portal (129 minutos), só pra citar 3 exemplos. Este, por sua vez, alcança inacreditáveis 144 minutos. Não há cristão que aguente. "O Advogado do Diabo" acaba sendo um filme para fazer o espectador pagar seus pecados.

Carlos Afonso

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