The Barber ANO: 2001 PAÍS: EUA DURAÇÃO: 94 minutos DISTRIBUIDORA: PlayArt Home Vídeo DIREÇÃO: Michael Bafaro ELENCO: Malcolm McDowell, Jeremy Ratchford, Garwin Sanford CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado SINOPSE: Revolstoke, uma pequena e pacata cidade do Alasca, é conhecida por seus escuros e tempestuosos invernos. São 24 horas de escuridão que abatem a cidade, todos os anos. Quando, mais uma vez, a estação aproxima-se, o barbeiro local Dexter Miles (Malcolm McDowell) começa a ficar agitado. Ele conhece como ninguém os sinais de que a noite está prestes a estender seus domínios sobre o dia. Mas, enquanto corta o cabelo do delegado Corgan, Dexter é surpreendido ao saber que o corpo de Lucy Walters foi encontrado. A moradora foi assassinada dias antes e dificilmente seu corpo seria encontrado antes da primavera. Com a chegada de autoridades da cidade grande à adormecida Revelstoke, Dexter experimenta uma excitante sensação que há muito não sentia... e precisa compulsivamente reviver. Enquanto o resto da cidade prepara-se para sobreviver a mais um longo e tenebroso inverno, Dexter lentamente vai se transformando no arrepiante protagonista de uma assustadora história de serial killer. CRÍTICAS: Num remoto lugar do planeta, há uma cidade cujos poucos moradores estão sendo mortos e estão tendo os cabelos bem cortados pela mesma pessoa: o barbeiro Dexter Miles (Malcolm McDowell). Nessa mesma cidade, os habitantes têm o costume de dormir com a mesma mulher e desrespeitar os serviços do chefe de polícia local, considerado inapto para solucionar crimes reais. Revolstoke também é conhecida pelos longos e cruéis invernos sem sol e pelas tempestades de neve que impedem os passeios turísticos e escondem corpos. Porém, Dexter não imaginava que o corpo de Lucy Walters, assassinada há poucos dias, seria encontrado antes da primavera, gerando a revolta do povo e trazendo para o local agentes do FBI. Assim tem início o suspense O Barbeiro (The Barber, 2001), dirigido por Michael Bafaro, e estrelado pelo veterano Malcolm McDowell, no papel de um adormecido psicopata, perspicaz e persuasivo, cuja lábia nos remete ao conhecido Hannibal Lecter. E é exatamente McDowell quem narra a produção, apresentando suas perspectivas ao espectador à medida em que acompanha a incompetência das autoridades da região e brinca com o intelecto de seus clientes, lembrando outra grande produção do gênero, Psicopata Americano (American Psycho, 2000). Como exemplo, há o episódio em que Dexter corta o cabelo do viúvo da primeira vítima e o convence de que outro morador também dormiu com a esposa dele. Num jogo de inteligência, essa revelação terá extrema importância no final da trama e decidirá o futuro de um personagem. O fato de ser barbeiro e ainda o único possibilita a Dexter dialogar com seus clientes, descobrir seus segredos e intimidades a fim de usá-los como arma em sua trilha de sangue. Ele também é bastante observador - às vezes até fere seus clientes quando percebe movimentos estranhos na cidade - e audacioso, pois conduz suas presas como quer sem medo de expor suas digitais (ainda mais tendo uma tão diferente das dos demais), deixar rastros (alguns de propósito) e corpos para o chefe de Polícia, Corgan, e muito menos para a equipe de investigação. Com um ritmo lento, sem cenas de ação ou luta, sem sangue, sem violência, sexo ou qualquer tipo de apelação, O Barbeiro ainda surpreende pelo seu final atípico e pelas cenas de humor sutis. Destaque para a cena da missa de Lucy Walters, a mulher que dormia com todos, onde o padre diz que devemos lembrar dos bons momentos que tivemos com a falecida, e todos, inclusive o padre e uma outra mulher, fecham os olhos com ar de satisfação sexual e suspiram. Assim como Insônia (Insomnia, 2002), outra produção similar, o filme faz uso das nevascas para dar uma sensação de claustrofobia e impotência ao espectador. A diferença é que Insônia não há noite e o personagem interpretado por Al Pacino tapa a luz como se quisesse esconder a verdade; já O Barbeiro não há dia e o assassino faz uso da escuridão para esconder suas vítimas e confundir as autoridades locais. Se por um lado, O Barbeiro é genial devido à astúcia do psicopata, por outro demonstra ser inverossímil por apresentar os agentes do FBI como incompetentes ou simples fantoches. À princípio, eles aparentam não aceitar a verdade sem o acúmulo de pistas concretas, mas, logo acusam um morador pelo crime sem realizar os testes necessários para comprovação dos fatos. E o filme ainda falha ao mostrar a extrema segurança do assassino diante de situações adversas, principalmente no climax, já que seu plano depende de inúmeros fatores, além da sorte, para que dê certo. Porém são pecados que não alteram a diversão e nem a satisfação do espectador diante das surpresas. Além de matar e gerar pânico, Dexter como narrador tem ainda a capacidade de nos ensinar coisas importantes sobre confiança e sobrevivência. Vão-se as vítimas, ficam os ensinamentos: "Os psicopatas são as figuras mais fascinantes da nossa história. Se você acha que conhece pessoalmente um psicopata, esteja certo que conhece. Eles estão em todos os lugares, na política, no supermercado, no barbeiro, em seu emprego. Ele pode até estar ao seu lado agora mesmo." Marcelo Milici COTAÇÃO: |