ANO DE LANÇAMENTO
1992 (EUA)
DIRETOR

Mike Tristano

ELENCO
Sharon Mitchell
William Smith
Neil Delama
Ron Jeremy
Titus Moede
ROTEIRO

James Holiday
Charles Rojas

PRODUÇÃO

Charles Rojas

FOTOGRAFIA

Craig Incardone

DURAÇÃO:

87 minutos

DISTRIBUIDORA:

Crystal Pictures

BANQUETE DA MORTE
(Feast)


Peter e Leroy são aparentemente pessoas normais, um deles advogado e o outro produtor de cinema. Entretanto, escondem um segredo sinistro: são adeptos do canibalismo, matando jovens mulheres que sonham ser estrelas de cinema para devorá-las em banquetes sangrentos. Mas um deles, motivado pelo complexo de culpa, procura uma psiquiatra, a dra. Brenda Withlock, que passa a ficar obcecada por canibalismo ouvindo as histórias do assassino.

CRÍTICAS

Assassinos canibais atacam pobres garotas que sonham ser atrizes de cinema, matando-as e devorando seus cadáveres. Parece um fantástico e assustador filme de horror, certo? Mas não é: estou falando de uma pérola trash chamada FEAST - BANQUETE DA MORTE, que não pode nem deve ser confundida com o "clássico" dos anos 60 BLOOD FEAST - BANQUETE DE SANGUE, de Hershell Gordon Lewis, mesmo que ambos os filmes tenham uma temática semelhante, com assassinatos violentos e canibalismo. Este FEAST é um filme de 1992, dirigido por um tal de Michael Tristano (quem?). Embora como diretor seu nome não diga nada, o cara é muito conhecido no ramo do cinema por ser criador de armas de mentirinha para filmes de Hollywood (já participou de uns 200 nesta função). Também trabalhou nos efeitos especiais de produções conhecidas, como A NOIVA DO REANIMATOR e A HORA DO PESADELO 3, construindo, na maioria destes filmes, os pedaços de cadáveres em látex.

Mas o cara achou que podia virar cineasta, e BANQUETE DA MORTE é seu segundo filme. Até pela pouca experiência de Tristano como diretor, é surpreendente que esta sua obra seja tão divertida. Não vou dizer que é um bom filme, pois seria generoso demais e não estaria dizendo a verdade. Está mais para uma produção na linha "quanto pior, melhor", tamanha a quantidade de maluquices, reviravoltas e efeitos nojentos. Para explicar melhor o resultado, imagine se Hershell Gordon Lewis fizesse um remake de seu BANQUETE DE SANGUE com roteiro de Lloyd Kaufman, aquele pirado da produtora Troma. Pois é, o resultado seria mais ou menos um BANQUETE DA MORTE. O que espanta é que a produção, aparentemente irrisória, mantém um surpreendente profissionalismo e tem bons efeitos. E um roteiro tão coió que fará até o mais mal-humorado dos espectadores se mijar de rir com o exagero.

O tal roteiro foi escrito a quatro mãos por James Holiday e Charles Rojas (que jamais escreveram qualquer outra coisa), BANQUETE DA MORTE conta a história de dois amigos canibais que há anos matam e comem mulheres em Los Angeles. Mas é ver os dois para perceber que não há nenhuma possibilidade de este ser um filme sério: tratam-se de dois divertidos patetas, que jamais metem medo ou parecem ameaçadores. Um deles é o advogado Peter Harris (Al Troupe, que em 1983 estrelou um filme chamado MICROWAVE MASSACRE, ou "O Massacre do Microondas"!!!). O outro é o diretor de filmes classe B Leroy Washington (Chuck Gavoian, também produtor, em seu único crédito cinematográfico), que trabalha numa produtora chamada "Climax Pictures" (bahhh!).

Aproveitando-se da função que desempenha, é Leroy quem seduz e atrai as garotas que ambos irão devorar. Os dois amigos conversam ao telefone como se estivessem marcando um churrasco (hahahaha), agendam um encontro com a futura vítima, uma aspirante a atriz chamada Tawny (a bonitinha e desconhecida Ann Osmond) e a matam, depois passando para o esquartejamento do cadáver e sua preparação como alimento, ao som de "La Donna è Mobile". Poderia ser uma cena nauseante, mas, graças aos efeitos fracos e exagerados, e à interpretação péssima de Chuck e Al, este momento se torna simplesmente engraçadíssimo! Pode-se dizer que Peter e Leroy são os assassinos perfeitos, já que além de matar de forma limpa e organizada, eles não deixam pistas e nem um cadáver - pois devoram o dito cujo!

O problema é que um dos canibais, o pobre Peter, está à beira de um colapso nervoso, talvez tomado pela culpa de estar comendo (literalmente) mocinhas indefesas. Ele procura uma psiquiatra, a dra. Brenda Whitlock (interpretada pela famosa atriz pornô Sharon Mitchell, que está com quase 50 anos e continua gostosa e atuante no universo X-rated!!!), para falar sobre seus crimes. Só que Leroy nem imagina que a tal psiquiatra é maluquinha, fetichista, sadomasoquista e... NÃO SENTE DOR!!! hahahahaha. Isso mesmo: Brenda tem um problema nos nervos e pode decepar o dedo tranqüilamente que não sentirá a menor dorzinha. Por isso, seu sonho sadomasoquista supremo é ser comida viva pela dupla de canibais!!! Pode uma coisa dessas? E vale sublinhar que mesmo já tendo certa idade na época em que BANQUETE DA MORTE foi filmado, e mesmo sendo feia de rosto, Sharon aparece em generosas cenas de nudez. Na verdade, são raros os momentos em que ela NÃO está pelada, apesar de supostamente interpretar uma respeitável psiquiatra!

Paralelamente, diversos personagens secundários são mortos, esquartejados e viram banquete, em cenas pra lá de toscas. Num dos pontos altos do filme, Leroy e Peter estão esquartejando o cadáver de uma mocinha; Leroy ouve os lamentos de Peter sobre seu estresse e, enquanto coloca salsa no torso aberto da morta como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, vira e fala tranqüilamente para o colega: "Cara, você precisa de terapia!". hahahahhaha. Quer algo mais irônico? Também entra em cena um amante de Brenda, supostamente antropólogo, chamado Gary Brown (Neil Delama, cujo ponto mais alto na carreira foi aparecer no péssimo INFERNO, de Van Damme). Entre uma transa e outra, Gary relata a Brenda algumas de suas experiências com antropofagia na América do Sul, sem estranhar o misterioso interesse que sua companheira tem no assunto... E a trama se complica quando Misty (Margaret Romero), secretária de Leroy, começa a perguntar pela desaparecida (e morta, como todos nós sabemos) Tawny. Leroy, claro, quer matá-la, mas Peter lembra que eles juraram nunca eliminar alguém conhecido.

É preciso estar preparado para ver este autêntico trash movie. Quando eu vi pela primeira vez, por exemplo, odiei - porque a capinha dá a entender que se trata de um filme sério. Mas de sério não tem nada, trata-se de uma sincera avacalhação à la THE TOXIC AVENGER ou A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS, que poderia muito bem estar na prateleira de "comédia" das videolocadoras. Portanto, você precisa realmente entrar no espírito da brincadeira para tirar alguma graça deste sangrento festival de baboseiras canibalescas, nem que a preparação envolva uma alta dose de bebidas alcoólicas. Por isso, trata-se de outra produção mais do que recomendada para ver com amigos fãs de cinema, o que certamente garantirá uma inesquecível sessão regada a muitas risadas e piadinhas.

Sim, o filme tem péssimas interpretações, cenários e produção pobres e muitas coisas que ficam sem explicação, inclusive a introdução de uma subtrama envolvendo um culto satânico e sacrifícios humanos (o quê???), que não tem função alguma na história principal, sendo apenas uma desculpa para incluir uma aborrecida investigação policial liderada pelo astro de filmes classe Z William Smith (interpretando um policial sem o menor empenho, como se estivesse lendo cartazes que alguém segura por trás da câmera).

BANQUETE DA MORTE tem fartas cenas de nudez feminina e masculina (inclusive nudez frontal, o que não é freqüente fora da seção pornô da sua locadora), bastante sexo softcore, efeitos criados pelo próprio Tristano, e que são pra lá de bagaceiros (especialmente numa cena de jantar onde há uma enorme bunda como prato principal, uma baixela cheia de seios e outra com dois cérebros decorados! hahahahahahahaha), e até uma rápida seqüência bizarra num clube fetichista. Resumindo: tem de tudo um pouco para atrair a todos os tipos de público: sexo, perversão, violência, canibalismo e muita, mas muita abobrinha. Além disso, conta com uma rápida participação do lendário astro pornô/trash Ron Jeremy, aquele gordo escroto que, diz a lenda, conseguia se fazer um "auto-boquete"!

É ou não é o filme dos sonhos de todo adorador do cinema bagaceiro?

HISTÓRIA:    
GORE:    
EFEITOS:    
DIVERSÃO:    

Felipe M.Guerra