ANO DE LANÇAMENTO
2006 (Alemanha)
DIRETOR

Robert Krause

ELENCO
Rebecca R. Palmer
Ben Price
Tom Frederic
J.J. Straub
Johann Daiminger
Christian Heiner Wolf
Maximilian Boxrucker
ROTEIRO

Robert Krause
Florian Puchert

PRODUÇÃO

Oliver Simon

FOTOGRAFIA

Ralf Noack

EDIÇÃO:

Wolfgang Böhm
Richard Krause

MÚSICA:

Ben Bartlett

DISTRIBUIDORA:

Europa Filmes

LANÇAMENTO NO BRASIL:

Maio de 2007 (DVD)

COMENTÁRIOS:

TRILHA DE SANGUE
(Blood Trails)


Filme de terror perturbador e até mesmo minimalista que coloca duas pessoas diante de um perigoso psicopata que não mede as conseqüências na hora de satisfazer seus desejos mortais. Uma garota sai para dar um passeio em uma trilha que parece ser inocente. Eles não esperam ter problemas até que um cara com quem a garota havia ficado aparece e decide segui-los. Agora, eles estão acuados e um homem perigoso está no encalço do lindo casal.

CRÍTICAS

Uma mensageira ciclista, Melanie Anne Phillips (Rebecca Palmer), é abordada por um policial também ciclista, Chris (Ben Price), que em vez da multa anota seu telefone no braço dela. Não resistindo à tentação, apesar de estar comprometida com o namorado Michael (Tom Frederic), ela se envolve com o policial num único encontro traumático. Arrependida pelo ato impensado, a jovem ciclista aceita o convite do namorado para passear de bicicleta nas montanhas, longe do agito da cidade. Porém, ela não imaginava que o policial se revelaria um psicopata assassino que iria persegui-la e espalhar trilhas de sangue pela floresta e estradas montanhosas, eliminando violentamente todos que cruzarem o caminho ou atrapalhassem seu plano de capturar a moça.

“Trilha de Sangue” (Blood Trails, 2006) tem direção de Robert Krause, roteiro dele em parceria com Florian Puchert, e foi lançado em DVD no Brasil pela “Europa”. O elenco é reduzido, limitado aos três personagens principais apresentados na sinopse acima, e mais alguns outros que existem no roteiro apenas para servir de vítimas do assassino. Aliás, a história tem poucos diálogos e um excesso de situações inverossímeis ou não convincentes. Basta citar o encontro de Anne com dois trabalhadores que cortavam árvores. Os homens estranharam o comportamento abalado dela, mas não tentaram se comunicar ou entender o que estava acontecendo. Ou muito pior ainda, próximo ao final, na seqüência envolvendo o psicopata e dois policiais armados, que de tão absurda, teve um desfecho off screen (para facilitar o trabalho preguiçoso dos roteiristas). Os atores também não convenceram, nem a vítima principal (Anne estava longe de representar uma mulher realmente perturbada por estar sendo caçada por um assassino que quer sangrá-la até a morte), nem o psicopata, que não tem o perfil imponente exigido para o personagem (ele deveria ser mais “animalesco” em suas ações e atitudes). É verdade que tem cenas fortes de violência, com cortes profundos de faca e machado, mas em pequena quantidade e nada que não se tenha visto muito pior numa infinidade de outros similares. Ou seja, “Trilha de Sangue” é apenas mais um filme óbvio, comum, cheio de clichês, com um jogo psicológico entre assassino e vítima, numa história básica com perseguições e mortes. É para ver e se esquecer logo depois.

“Trilha de Sangue” (Blood Trails, Alemanha, 2006) # 436 – data: 30/04/07

Renato Rosatti


Não há quase diferença alguma entre “Blood Trails” (2006) e todos os filmes de terror realizados nos últimos quatro anos. Neste também temos a tortura psicológica, as cenas sangrentas de mutilação, o desespero das vítimas na tentativa de buscar ajuda, mortes gratuitas... Ainda que o filme possuísse uma atmosfera assustadora (“Plataforma do Medo”), um assassino frio e sem rosto (“Alta Tensão”), momentos ousados de morte e violência (“Wolf Creek”) ou até mesmo cenas genuínas de tortura física (“O Albergue”), não haveria como evitar a sensação de “Deja vu” em uma produção concebida como a Criatura de Frankenstein.



“Blood Trails” acompanha o pesadelo da ciclista e mensageira Anne (Rebecca R. Palmer), que, após se envolver com um policial possessivo e violento, é obrigada a lutar pela sobrevivência numa região montanhosa. No decorrer de sua jornada, cada pessoa que tenta ajudá-la acaba tendo um fim trágico, justificando o título original da produção (no português “Trilha de Sangue”).

Durante um dia comum de trabalho na cidade, Anne é perseguida também de bicicleta pelo policial Chris (Ben Price). Ao abordá-la, o sinistro sujeito já apresenta os primeiros sinais de agressividade ao escrever de forma bruta no braço da jovem o telefone. Mesmo sendo comprometida com o simpático Michael (Tom Frederic), ela sucumbe à beleza do estranho e é quase violentada no primeiro e único encontro. Tentando esquecer o seu erro, Anne combina um passeio romântico com o namorado numa cabana escondida entre uma cadeia de montanhas. (se eles assistissem a filmes de terror, saberiam que esse não é o melhor local para se encontrar. Também evitariam muitos problemas se obedecessem a placas de avisos...). A partir daí, temos uma seqüência sempre repetida de sangue, mortes e tentativas de fuga – de bicicleta, caminhão, nadando, escalando...

Composto de poucos diálogos e uma infinidade de “close ups”, “Blood Trails” é narrado de forma bem lenta e sem surpresas. Aliás, uma auto-correção: há surpresa, sim: a trilha sonora horrorosa e as atuações fracas não justificam a passagem com sucesso desse filme no festival “Dead by Dawn”, na Inglaterra. Também são surpreendentes algumas críticas positivas encontradas na internet em sites especializados do gênero.



Se já não fossem suficientes esses problemas, as cenas de violência gráfica não são grandes coisas. A única morte interessante é a primeira, quando a vítima tem seu pescoço rasgado pelo pneu de uma bicicleta. Há também um bom momento em que um sujeito tem seu corpo varado por uma faca. Ainda assim, não servem como justificativa para assistir a essa produção dirigida de forma preguiçosa pelo novato Robert Krause. Todas as cenas sangrentas apresentadas no começo do filme animam o espectador a aguardar por cada momento de angústia e dor física, mas, quando elas surgem, o impacto sem ritmo no estilo videoclipe é bem menor.

Com a aparência de um genérico do ator Heath Ledger, Ben Price não convence como psicopata. Sua tranqüilidade e sorriso irônico não assustam (“você foi a única que sobreviveu ao primeiro encontro”). Seu porte físico não comprova sua força e capacidade de reação. E no final ficam as perguntas: como ele conseguiu virar o jogo diante de dois policiais armados? Como ele sempre está um passo a frente da jovem, mesmo depois dela nadar, correr, pular, fugir...?

Já a protagonista também não é capaz de passar todo o nervosismo de uma situação sem controle. Ela não é uma Marilyn Burns. Muito mesmo uma Sigourney Weaver. No entanto, está sendo caçada como um animal numa região estranha. Um pouco mais de desespero e menos cara feia poderiam compor sua personagem de forma mais adequada.



E quanto ao final, o anticlichê da última cena acaba soando forçado, como se o diretor estivesse interessado apenas em terminar logo seu filme, sem reviravolta, sem susto final, sem a imortalidade dos famosos vilões do gênero. E o pior é que o filme passa a atrair mais a atenção a partir desse momento, porém, quando começamos a gostar do que estamos vendo, já estamos diante dos créditos finais.

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Marcelo Milici